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Arquivo mensal: março 2009

Banda Black Rio – Maria Fumaça (1977)


Fenômeno. É o mínimo que se pode dizer de “Maria Fumaça”, da Banda Black Rio, gravado em 1977. A banda era formada por craques em seus instrumentos, e seu groove colocava o funk e o soul à serviço da música brasileira. Banda Black Rio era subversão total, sete músicos, niguém cantava, lançou o primeiro disco pela Warner, todo instrumental, vendeu como pipoca, a faixa título virou abertura de novela global, se tornou pop em grandes centros urbanos, nos subúrbios e na zona sul carioca. A banda gravitava em torno do saxofonista Oberdan Magalhães, do trompetista Barrosinho e do guitarrista Cláudio Stevenson. O baterista Luis Carlos e o trombonista Lucio também permaneceram por longo tempo na formação. O baixista Jamil Joanes e o pianista Cristóvão Bastos ocupavam os postos que tiveram maior rotatividade na estória da banda. O álbum abre com o carro-chefe, a faixa título, um sambão funk cheio de swing e groove. A guitarra de Cláudio nos coloca diante de um arranjo de “Na baixa do Sapateiro” cheio de malevolência e balanço com os metais tocando um pouco atrazados durante o refrão. São as manhas sutis de arranjadores do porte de Oberdan e Barrosinho. “Mr. Funky Samba”, de Jamil Joanes, de groove disco, foi muito utilizada nas pistas de dança da época. “Caminho da Roça”, de Oberdan e Barrosinho, expõe de forma límpida o timbre especial dos metais da Black Rio, na época, objeto de desejo dos produtores fonográficos de muitas estrelas e astros da MPB. Em “Baião” e “Urubú Malandro” o clima é de gafieira fusion. “Maria Fumaça” traz música para os pés e para o cérebro, resiste ao baile e à análise, chacoalha a mulata e aguça a mente.

 

Oberdan Magalhães (ss, as, ts, fl); Lucio J da Silva (tb); Barrosinho (tp); Jamil Joanes (el-b); Claudio Stevenson (g); Cristóvão Bastos (kb); Luis Carlos Santos (d)
1 – Maria Fumaça (Oberdan – Luiz Carlos)
2 – Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso)
3 – Mr. Funky Samba (Jamil Joanes)
4 – Caminho da roça (Barroso – Oberdan)
5 – Metalúrgica (Cláudio Stevenson – Cristóvão Bastos)
6 – Baião (Luiz Gonzaga – Humberto Teixeira)
7 – Casa forte (Edu Lobo)
8 – Leblon via Vaz Lôbo (Oberdan)
9 – Urubu malandro (Louro – João de Barro)
10 – Junia (Jamil Joanes)

 

Herbie Mann & Bobby Jaspar – Flute Soufflé (1957)

Os flautistas e saxofonistas Herbie Mann e Bobby Jaspar unem forças nessa sessão da Prestige à frente de um sexteto completado pelo especial Tommy Flanagan ao piano, Joe Puma na guitarra, Wendell Marshall no contrabaixo e Bobby Donaldson na bateria. Apenas quatro temas, porém, recheados de intensa improvisação. O álbum abre com o original de Herbie Mann, “Tel Aviv”, tema baseado em antiga melodia hebraica reconstruído em forma de blues. O guitarrista Joe Puma colabora com o bebop “Somewhere Else”; abrindo o lado B “Let’s March”, de Mann; e encerra a sessão um clássico do bebop, onde Herbie e Bobby são ouvidos exclusivamente na flauta em “Chasin’ the Bird” de Charlie Parker. “Flute Soufflé” é artigo de gastronomia, biscoito fino, com o selo Rudy van Gelder garantindo a integridade sonora. Oportunidade rara de se ouvir o jovem Herbie Mann, músico de jazz, bebop-baby.
Bobby Jaspar, Herbie Mann (fl, ts) Tommy Flanagan (p) Joe Puma (g) Wendell Marshall (b) Bobby Donaldson (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, January 25, 1957
1- Tel Aviv (H Mann)
2- Somewhere Else (J Puma)
3- Let’s March (H Mann)
4- Chasin’ the Bird (C Parker)

 

Raul de Souza – Colors (1974)

O inimitável trombonista Raul de Souza gravou “Colors” para o selo Milestone em 1974, com produção de Airto Moreira e a pena do gigante do trombone jazz J. J. Johnson nos arranjos. À frente de um combo formado por músicos de primeira como: Jack DeJohnette, na bateria; Ted Lo, piano e teclados; Richard Davis, contrabaixo e, apesar de não listado como músico na sessão, a percussão de Airto Moreira e Kenneth Nash. Sendo um dos melhores álbuns já gravados por Raul, “Colors” traz um repertório de alta qualidade, com o trombonista passando da gafieira ao fusion com a maior naturalidade. O destaque da sessão fica por conta da participação do saxofonista Cannonbal Adderley em uma versão straight-ahead de “Canto de Ossanha” e em “Chants to Burn”. O fusion é visitado em dois temas compostos pelos principais do estilo, Joe Zawinul e Chick Corea em “Dr. Honoris Causa” e “Crystal Silence”, respectivamente. Tendo alcançado um relativo sucesso internacional na década de setenta, Raul atualmente vive no Brasil onde, óbviamente, tem muito menos oportunidades de mostrar sua arte ao grande público do que merece. Dono de um fraseado intenso e viril, Raul é sem dúvida um dos grandes estilistas do instrumento, tendo desenvolvido voz própria, em uma carreira que chega já a 5 décadas de pura arte.
Raul de Souza (tb); Cannonbal Adderley (as, 2-7); Ted Lo (p, el-p, kb); Richard Davis (b); Jack DeJohnette (d); Keneth Nash (per).
1- Nana (M Santos)
2- Canto de Ossanha (B Powell)
3- Water Buffalo (R Souza)
4- Dr. Honoris Causa (J Zawinul)
5- Festival (J DeJohnette)
6- Crystal Silence (C Corea)
7- Chants To Burn (Finnerty)
 

Pat Martino Quintet – Strings! (1967)

“Strings!” é o segundo álbum do guitarista Pat Martino como líder, gravado em 1967, à frente de um quinteto com Joe Farrell, sax tenor e flauta; Cedar Walton, piano; Ben Tucker, contrabaixo e Walter Perkins, bateria. Pat Martino é dono de técnica pessoal, de fraseado musical articulado e lírico, além de compositor original, como atestam os 4 temas de sua autoria gravados na sessão. Completam o repertório do álbum, um bebop de Gigi Gryce, “Minority”; a faixa título, um soul-jazz, ítem obrigatório nos discos da segunda metade da década de 60; “Querido” um samba-jazz com tintas do beco das garrafas; “Lean Years”, um hardbop e a belíssima balada “Mom”, de melodia altamente lírica. Confira a guitarra personalíssima de Pat Martino, ainda no engatinhar de uma carreira, que apesar dos revezes, se revelou vitoriosa e influente na evolução da guitarra jazz.
Joe Farrell (ts, fl) Cedar Walton (p) Pat Martino (g) Ben Tucker (b) Walter Perkins (d) Ray Appleton, Dave Levin (per -1)
NYC, October 2, 1967
1. Strings (P. Martino)
2. Minority (G. Gryce)
3. Lean Years (P. Martino)
4. Mom (P. Martino)
5. Querido (P. Martino)

http://ouo.io/BAh9N3

 
 

Kenny Barron – Sambão (1993)

Kenny Barron é um dos mais versáteis pianistas surgidos na segunda metade do sec. XX, com domínio absoluto do bebop, hardbop, avant garde, latin jazz e, principalmente, música brasileira. Nascido em 1943 em Philadelphia, Barron iniciou sua gigantesca carreira fonográfica em 1961 ao lado do irmão, o saxofonista Bill Barron. James Moody o levou ao combo de Dizzy Gillespie onde permaneceria até 1966. Neste contexto toma contato com a música latino-americana e, por extensão, com a música brasileira. “Sambão” foi gravado no segundo semestre de 1992 e lançado pela Verve no ano seguinte. O grupo é completado por Toninho Horta ao violão, Nico Assumpção ao contrabaixo, Minu Cinelu na percussão e Victor Lewis à bateria. A atmosfera é toda brasileira nos 8 temas compostos por Barron para o álbum, com destaque para a perfeita harmonia do piano com o violão brasileiríssimo de Toninho Horta. Em “Sambão” temos uma rara oportunidade de ouvir o saudoso contrabaixista Nico Assumpção atuando no instrumento acústico. Um excelente álbum de samba-jazz, refinado, cheio de estilo e com gosto de feijão com arroz.
Kenny Barron (p); Toninho Horta (g); Nico Assumpcao (b); Victor Lewis (d); Mino Cinelu (perc)
May-Jul, 1992
1- Sambão
2- Yalele
3- Bacchanal
4- Belem
5- Encouter
6- Ritual
7- Gardênia
8- On The Other Side

http://ouo.io/03IjtZ

Hot Beat Jazz

 

Charles Sullivan – Re-entry (1976)

O trompetista Charles Sullivan conta já com 68 anos de idade, está em atividade no meio musical desde os anos sessenta e formou-se pela Manhattan School of Music. Apesar do currículo e da longa atuação profissional é um dos casos de maior desapreço por parte da indústria fonográfica e de público. Trabalhou com Lionel Hampton e Roy Haynes no fim da década de 60, teve uma curta passagem pela orquestra de Count Basie em 1970 e com o organista Lonnie Liston Smith em 71. No ano seguinte trabalhou com Sy Oliver e depois com Norman Connors. Em 73 viajou pela Europa com Dollar Brand e produziu grande música em álbuns de Sonny Fortune, Carlos Garnett, Bennie Maupin, Ricky Ford, Eddie Jefferson e Woody Shaw. No restante da década gravou alguns álbuns próprios. Apesar do currículo, Sullivan não conseguiu expandir sua audiência nem receber maior reconhecimento. Nem a técnica perfeita, nem um timbre brilhante e cristalino, nem a desenvoltura no hardbop, free, música de big bands e bebop, puderam evitar que caísse no esquecimento durante os anos 80. Em 88 McCoy Tyner o convidou para ser o primeiro trompete em sua big band, resgatando-o do ostracismo. Adotou o nome muçulmano de Kamau Adilifu e hoje em dia nenhum de seus álbuns permanece em catálogo. Bem, esta estória parece ser a de um derrotado, e poderia mesmo, não fosse a música maravilhosa que Sullivan sempre produziu em toda sua turbulenta carreira. E é essa música de alto nível que você irá encontrar nesse álbum, gravado em 1976, ao lado de grandes nomes do jazz como o pianista Kenny Barron, o saxofonista Rene McLean e a cozinha especialíssima do contrabaixista Buster Williams e da bateria de Billy Hart. Em “Re-entry” você também conhecerá o compositor de mão cheia em quatro originais de sua pena e ainda ouvirá um “Body And Soul”, onde poderá fazer seu próprio juízo sobre a técnica e a sensibilidade deste trompetista de alto gabarito.
Charles Sullivan (tp); Rene McLean (as, ts); Kenny Barron (p); Buster Williams (b); Billy Hart (d)
1- Re-entry
2- Body & Soul
3- Carefree
4- Waltz For Cricket
5- Mabe’s Way
6- Body & Soul (alternate)
7- Carefree (alternate)

Hot Beat Jazz

 

John Coltrane Septet – Olé Coltrane (1961)

“Olé Coltrane” foi gravado em 1961 e foi o último álbum do saxofonista para a Atlantic, dois dias antes já com contrato com sua nova gravadora, a Impulse, Coltrane estava nos estúdios de Rudy Van Gelder gravando o seminal “Africa/Brass” com uma formação de orquestra. No dia 25 de maio de 1961 ele estava no A&R Studios em NYC, a frente de um hepteto completando seu contrato com Ahmed Ertegun. “Olé Coltrane”, com apenas 3 faixas na versão original em LP, trouxe ao público composições que figurariam entre as mais importantes da obra do gênio: “Dahomey Dance” e a belíssima “Aisha”. A faixa título, de estrutura ambiciosa, ocupava todo o lado A do LP e na posterior versão em CD uma balada sem título, depois batizada de “To Her Ladyship”, foi incluída. Coltrane se apresenta com seu quarteto habitual acrescido dos fenomenais Eric Dolphy, Freddie Hubbard e de um segundo contrabaixista, Art Davis. O álbum é um ítem indispensável a qualquer discoteca de jazz e fundamental para o conhecimento com propriedade da obra do gênio.
Freddie Hubbard (tp) John Coltrane (ss, ts) Eric Dolphy (as, fl) McCoy Tyner (p) Art Davis (b -1,2,4) Reggie Workman (b -1/3) Elvin Jones (d)
A&R Studios, NYC, May 25, 1961
1- Olé (Coltrane)
2- Dahomey Dance (Coltrane)
3- Aisha (Coltrane, Tyner)
4- To Her Ladyship (Frazier)