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Arquivo mensal: agosto 2009

Cedar Walton – George Coleman – Sam Jones – Billy Higgins – Eastern Rebellion (1975)

“Eastern Rebellion” é um dos grandes álbuns de jazz produzidos na década de 70, um período não muito amigável para o jazz straith-ahead e prolífico para o fusion. O quarteto é uma extensão do trio “Magic Triangule” formado pelo pianista Cedar Walton, pelo contrabaixista Sam Jones e pelo baterista Billy Higgins. Com a adesão do saxofonista George Coleman o grupo ganhou muito em possibilidades musicais e produziu uma série de grandes álbuns pelo selo Timeless. O repertório de “Eastern Rebellion” é um primor. De cara nos deparamos com uma das mais instigantes composições de Cedar Walton, “Bolivia”, tema eternizado pelo saudoso trompetista Freddie Hubbard. O baterista Billy Higgins faz um estupendo trabalho nos cymballs. “Naima”, de John Coltrane, tem uma introdução com o piano de Cedar Walton que por si só é uma obra de arte à parte. O tema é desenvolvido em uma levada latina com Billy Higgins dando um show em dinâmica e mostrando o talento que o fez um dos principais no instrumento. Como disse um crítico especializado, Coltrane ficaria orgulhoso de ouvir essa leitura de uma de suas mais líricas composições. “5/4 Thing” de George Coleman tem uma linda melodia passeando sobre os compassos compostos tão utilizados no hardbop. “Bittersweet”, de Sam Jones, é um bebop cheio de malícia e um veículo perfeito para as divagações de um dos mais experientes contrabaixistas do jazz. O álbum chega ao fim com um tema de Cedar Walton que se tornou um clássico do repertório do jazz moderno, “Mode For Joe”, dedicado ao saxofonista Joe Henderson. A intervenção de Billy Higgins é uma aula completa de bateria. Na opinião de muitos críticos “Eastern Rebellion” é um dos grandes álbuns de jazz de todos os tempos, opinião que modestamente este humilde escriba compactua em gênero, número e grau.
Cedar Walton (p); George Coleman (ts); Sam Jones (b); Billy Higgins (d)
C.I. Recording Studio, New York City, December 10, 1975
1- Bolivia (Cedar Walton)
2- Naima (John Coltrane)
3- 5/4 Thing (George Coleman)
4- Bittersweet (Sam Jones)
5- Mode For Joe (Cedar Walton)
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Publicado por em 30 de agosto de 2009 em Billy Higgins, Cedar Walton, George Coleman, sam jones

 

Júlio Bittencourt Trio – Carnaval Moderno Séc. XXI (2005)

“Carnaval Moderno” foi o segundo cd gravado pelo Júlio Bittencourt Trio, com sessões de gravação realizadas em outubro de 2004 no IMB Studio em Cruzeiro-SP e fevereiro de 2005 no Studios Trilha no Rio de Janeiro. “Carnaval Moderno” é um trabalho conceitual, com o repertório composto por conhecidas marchas de carnaval, temas obrigatórios em qualquer baile de carnaval em todo o país. Tal conceito poderá sugerir uma opção ligada a um formato mais popular, tal sugestão, porém, desaparece já nos primeiros compassos de “O Teu Cabelo” de Lamartine Babo. A melodia está ali, sem dúvida, porém nunca de forma explícita ou óbvia. Uma tônica em todo o cd é a variedade de grooves e uma abordagem sempre original nas melodias e harmonias dos temas. O trio contou com a participação especial de três convidados: o percussionista Pernambuco em duas faixas, o saxofonista Aloysio Neves também em duas e o violonista Antonio Mello em “Tristeza” de Haroldo Lobo e Miltinho. A leitura do trio para “Jardineira” de Benedito Lacerda é um primor em harmonização e dinâmica, mesmo caso do “Bandeira Branca” de Laércio Alves. O “Ta-hi”, de Joubert de Carvalho, é apresentada em quinteto com o JBT acrescidos de Aloysio Neves e Pernambuco, o tema é apresentado sobre uma levada free precedida por uma introdução em maracatú. Em todas as músicas fica evidente o entrosamento que o Júlio Bittencourt Trio adquiriu, assim como a categoria de músicos especiais a que eles pertencem. Luciano é já um mestre nas harmonias e B.J. e Júlio Bittencourt uma das melhores cozinhas que tive o privilégio de ver e ouvir tocar no cenário jazz brasileiro.

“Carnaval Moderno” é um projeto corajoso e vitorioso nas propostas musicais, fugindo sempre do clichê, arriscando musicalmente e recusando os caminhos mais fáceis porém já amplamente pavimentados.

Júlio Bittencourt (d); Luciano Bittencourt (g); Benjamin “BJ” Bentes (b); Antônio Pernambuco (perc); Aloysio Neves (sax); Antonio Mello (ac g)
Gravado nos estúdios Trilha, Rio de Janeiro – Fev. 2005 e IMB Studios, Cruzeiro-SP – Nov. 2004.
1- Vinheta Intro
2- O Teu cabelo ( L. Babo – I. Valença)
3- Lata D’água (L. Antonio – J. Junior)
4- Solo Luciano Bittencourt
5- Jardineira (B. Lacerda – H. Porto)
6- Tristeza (H. Lobo – Niltinho)
7- Bandeira Branca ( L. Alves)
8- Ta-hi (J. de Carvalho)
9- Canção de Cruzeiro (C. Federici)
10- Marcha do Remador ( A. de Almeida)
11- Vinheta Final
12- Danielle (L. Bittencourt) Bonus*

Hot Beat Jazz

 

Charles Fambrough – The Charmer (1992)

Charles Fambrough é uma referência no contrabaixo desde que começou a ser percebido integrando o grupo de McCoy Tyner no final dos anos 70. Mas além disso, tambem se tornou um dos principais arranjadores e compositores do jazz mainstream contemporâneo. Integrou, ao lado dos irmãos Marsalis, os Jazz Messengers do lendário baterista Art Blakey e vem sendo, desde então, um dos mais requisitados contrabaixistas do jazz atual. “The Charmer” foi gravado em 1991 e 1992 para o selo CTI de Creed Taylor, e traz entre os inúmeros músicos participantes, talentos consagrados como o trompetista Roy Hargrove, os pianistas Kenny Kirkland, Abdulah Ibrahim, Bill O’Connell e Steve Scott, os saxofonistas Grover Washington Jr e Kenny Garrett, os bateristas Jeff “Tain” Watts, Billy Drummond e Yoron Israel, além dos percussionistas Bashiri Johnson e Doc Gibbs. Com uma turma de peso como essa é desnecessário ressaltar a qualidade das performances, e sim, salientar o alto nível das composições de Charles Fambrough. A faixa-título, “Oasis”, “Sparks” e “Little Man”são temas em levada straight-ahead, “Beautiful Love”, “Alycia/Andrea” e “Lullaby For Shana Bly” tem o foco na beleza das melodias. “The Charmer” é um álbum perfeito para se tomar contato com a arte deste baixista/compositor de nível superior chamado Charles Fambrough.
1- The Charmer (C. Fambrough)
2- Beautiful Love (A. Ibrahim)
3- Alycia/Andrea (C. Fambrough)
4- Oasis (C. Fambrough)
5- Lullaby For Shana Bly (G. Washington Jr)
6- Little Man (C. Fambrough)
7- Sparks (B. O’Connell)
Recorded and mixed by Rudy Van Gleder Recording Studios, Englewood Cliffs, NJ on October 22, 1991 and September 12-24, 1992.

http://ouo.io/9kmq7

 

Ginger Baker Trio – Going Back Home (1994)

O baterista Ginger Baker foi um dos mais influentes músicos da cena rock nos idos dos anos 60, quando ao lado de Eric Clapton e Jack Bruce fundou o primeiro power trio do rock britânico, o Cream. Depois de temporadas na África, períodos de reclusão e uma vida rural cuidando de sua fazenda especializada em criação de cavalos, Ginger Baker retornou à cena musical em outro power trio, desta feita um Jazz Power Trio, com as colaborações dos geniais Charlie Haden, contrabaixo e Bill Frisell, guitarra. Ginger sempre foi um músico ligado nas tradições do blues e jazz desde sua adolescência, e mostra neste excelente “Going Back Home” que aprendeu muito bem as lições de velhos mestres da bateria jazzy. Haden é uma referencia em jazz contemporâneo desde o final dos anos 50, quando integrou o revolucionário quarteto “free” do saxofonista Ornette Coleman. Frisell é, desde os anos 80, uma das mais originais vozes da guitarra jazz, incorporando timbres inusitados e um fraseado abrangente de influências as mais variadas. Em “Going Back Home” o trio mostra composições originais dos integrantes e ainda temas de Ornette Coleman e Thelonious Monk, o que dá uma boa idéia da direção musical escolhida pelo grupo. A sonoridade não tem nada de tradicional, a guitarra de Frisell soa de forma distinta do que é costumeiro em trios de jazz com a mesma estrutura. Charlie Haden é uma garantia de pulso e harmonias instigantes e Baker mostra que é um excelente baterista de jazz. O álbum todo é um primor de unidade e não decepcionará aos ouvidos habituados ao jazz e será uma grata surpresa à aqueles que tinham como referência ao som de Ginger Baker os psicodélicos anos 60 e 70.
Ginger Baker (d); Charlie Haden (b); Bill Frisell (g)
Los Angeles, March 2-5 , 1994
1- Rambler (B. Frisell)
2- I Lu Kron (G. Baker)
3- Straight No Chaser (T. Monk)
4- Ramblin’ (O. Coleman)
5- Ginger Blues (C. Haden)
6- Ain Temouchant (G. Baker)
7- When We Go ( B. Frisell)
8- In The Moment (C. Haden)
9- Spiritual (C. Haden)
10- East Timor (G. Baker)

Hot Beat Jazz

 
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Publicado por em 13 de agosto de 2009 em Bill Frisell, charlie haden, Ginger Baker