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Arquivo mensal: setembro 2009

Mingus Dynasty – The Next Generation (1991)

Logo após a morte de Charles Mingus, em 5 de janeiro de 1979 na cidade mexicana de Cuernavaca, a esposa, Susan, organizou a Mingus Dynasty, um grupo formado por antigos colaboradores de Charles, com o intuito de manter vivo seu espírito e suas composições. Já em 1980 o grupo fazia turnes pelo mundo, tendo inclusive se apresentado no 2° Festival de Jazz de São Paulo e no afamado Montreux Jazz Festival. Em 1991 o grupo sofreu a maior transformação em sua formação até então, com a permanência de somente dois antigos colaboradores diretos de Mingus, o trompetista Jack Walrath e o veterano saxofonista George Adams. Uma nova leva de jovens músicos, que despontaram no universo jazz na década de 80, foram convidados a dar suas contribuições para a música da Mingus Dynasty. Desta forma foram incorporados o contrabaixista Ray Drummond, o baterista Marvin “Smitty” Smith, o veterano pianista John Hicks e os saxofonistas Craig Handy e Alex Foster.
A faixa de abertura, “Sketch Four”, foi composta por Mingus no último ano de vida, quando ele já não conseguia compor ao piano em virtude da isquemia múltipla que o acometeu. Nesse período foi costumeiro Mingus cantarolar a melodia em um gravador magnético, e é assim que se inicia o tema, Mingus acompanhado por um metrônomo com a Mingus Dynasty surgindo a seguir. “Portrait”, “Opus Three” e “Opus Four” foram compostas na década de 50 e gravadas no álbum “Mingus Moves” de 1973. “Harlene” foi outra composição feita por Mingus em gravador, a última criada por ele desta forma, e idealizada para a trilha de um filme sobre Jack Kerouac. Mingus começou a escrever “Farewell Farwell” no início de 1960 e a gravou em seu último álbum em 1978. “Wham Bam” que é outra composição dos anos 50 e “Noon Night”, que foi um dos 19 movimentos de “Epitaph”, traz um belo solo de George Adams e foi originalmente gravada em 1957. “Bad Cops” tem a narração retirada da autobiografia de Mingus “Beneath the underdog” e traz o pianista Benny Green em sua única participação no álbum. “Pilobolus” foi escrita em 1978 para um grupo de dança homônimo e tem a participação especial do veterano baterista Victor Lewis.
Charles Mingus expressou sua personalidade através de sua música e a Mingus Dynasty continua a faze-lo de forma magistral.
Jack Walrath (tp); Craig Handy (ts, fl); George Adams (ts); Alex Foster (ts, ss); John Hicks (p); Ray Drummond (b), Marvin “Smitty” Smith (d); Benny Green (p)*; Victor Lewis (d)**; Eric Mingus (vo)*
1- Sketch Four
2- Portrait
3- Opus Four
4- Harlene
5- Opus Three
6- Farewell Farwell
7- Wham Bam
8- Noon Night
9- Bad Cops*
10- Pilobolus**

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 Hot Beat Jazz

 

Elvin Jones – McCoy Tyner Quintet – Love & Peace (1982)

O encontro do baterista Elvin Jones e do pianista McCoy Tyner co-liderando um quinteto que traz Pharoah Sanders no sax tenor e Richard Davis no contrabaixo, já da uma completa ideia da música contida em “Love & Peace”, é Coltrane puro!! Elvin e McCoy foram a sustentação rítmica e harmônica do quarteto de Coltrane na primeira metade da década de 60, Pharoah Sanders o sucessor do som de John Coltrane e seu partner na segunda metade da mesma. Há ainda a participação de Jean-Paul Bourelly na guitarra. O repertório traz 3 originais de Pharoah Sanders: “Little Rock’s Blues”, a instigante “Hip Jones” e a bossa “Origin”. McCoy contribui em uma releitura da sua composição “For Tomorrow” e executa em trio um de seus standards favoritos, “Sweet And Lovely”. O quinteto faz ainda uma lírica leitura de “Korina” de Gene Perla.
Qualquer gravação que traga McCoy e Elvin tocando juntos é sempre uma amostra da mais alta relevância da arte chamada jazz, em seu mais alto nível.
Pharoah Sanders (ts) McCoy Tyner (p) Jean-Paul Bourelly (g) Richard Davis (b) Elvin Jones (d) Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, April 13 & 14, 1982
1- Little Rock’s Blues (P. Sanders)
2- Hip Jones (P. Sanders)
3- Korina (G. Perla)
4- For Tomorrow (M. Tyner)
5- Sweet And Lovely (Arnhein – Lemare)
6- Origin (P. Sanders)

 

Bobby Broom – Modern Man (2000)

O guitarrista Bobby Broom começou a se interessar pelo jazz ainda adolescente quando ouviu, na década de 70, o LP “Bad Benson” de George Benson. Pouco tempo depois já recebia o convite de ninguém menos que Sonny Rollins para tocar em algumas apresentações, convite que por força de ainda estar na high school teve que declinar. Aos 16 porém já atuava ao lado do gigante do sax tenor em uma apresentação no Carnegie Hall. No final da década concluía estudos na Berklee School of Music em Boston e depois na Long Island University. Em 1980, aos 19 anos, ingressava nos Jazz Messengers de Art Blakey ao lado de Wynton Marsalis. Logo depois passou a tocar com o trompetista Tom Browne e grava seu primeiro álbum pelo selo GRP de Dave Grusin. De 1982 a 86 integrou o combo de Sonny Rollins novamente. Em 87 fez umas poucas apresentações com Miles Davis e participou da Kenny Burrell’s Jazz Guitar Band. No final da década tocou na banda de Charles Earland e ao princípio dos anos 90 tocou com Ronnie Cuber, Eric Alexander e Stanley Turrentine. Era, sem dúvida, um currículo invejável para um ainda jovem músico ostentar. De 1994 a 2000 toca ao lado do bluesman Dr. John (Mac Rebbenack) gravando 3 álbuns. Chegamos então onde nos interessa, o ano em que grava “Modern Man” ao lado de seu antigo patrão e amigo, o saxofonista barítono Ronnie Cuber. O álbum traz ainda no órgão Hammond o veterano Dr. Lonnie Smith e o baterista Idris Muhammad. No repertório algumas composições de Broom, na maioria bebop e hardbops, temas da música pop como “Superstition” de Steve Wonder, a originalmente chatinha “I’ll Never Fall in Love Again” de Burt Bacharah, e até mesmo um hino da guitarra rock “Layla” de Eric Clapton. Há também uma bela leitura do standard “Old Devil Moon” e uma especial composição de Ronnie Cubber, “Ponta Grossa”, uma bossa nova de melodia cativante. O ponto interessante neste álbum é que Bobby Broom foge do velho e batido padrão de soul-jazz, frequentemente utilizado por formações com a mesma estrutura. “Modern Man” é um deleite aos ouvidos ávidos por improvizações estimulantes e seguras, um bálsamo nos tempos de tantos pedais e traquitanas eletronicas aos pés dos guitarristas em geral.
Bobby Broom (g); Dr. Lonnie Smith (Hammond B-3 organ); Ronnie Cuber (bs); Idris Muhammad (d)
1- Dance For Osiris
2- Ponta Grossa
3- Superstition
4- Mo’
5- I’ll Never Fall in Love Again
6- Blues For Modern Man
7- Old Devil Moon
8- A Peck A Sec
9- After Words
10- Layla
 
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Publicado por em 5 de setembro de 2009 em Bobby Broom, Dr. Lonnie Smith, Idris Muhammad, Ronnie Cuber

 

Bobby Hutcherson – Ambos Mundos (1989)

“Ambos Mundos” do vibrafonista Bobby Hutcherson é um caso único na discografia do músico a cruzar a ponte que liga duas fortes correntes musicais: o jazz e a música afro-cubana. Um aspecto dominante neste idioma são os fortes elementos rítmicos que compartilham a mesma herança musical do jazz e tem frequentemente influenciado o curso deste. Hutcherson é a muito reconhecido como um dos ícones do vibrafone, o qual é basicamente um instrumento de percussão, no qual sua música tem sempre dado ênfase aos aspectos melódicos tanto na interpretação como na composição. Seu objetivo maior neste trabalho foi construir uma música percussiva e melódica, jazz e afro-cubana. “Ambos Mundos” não é um disco rotineiro de Latin-jazz. A fórmula escolhida foi cercar-se de músicos com os quais ele já estava amplamente habituado a trabalhar e alguns dos mais expressivos músicos cubanos fixados na California: O conguero Francisco Aguabela, o timbalero Orestes Vilato e o percussionista Roger Glenn, este último filho do veterano trombonista Tyree Glenn. A seção rítmica é completada pelo pianista Smith Dobson, pelo contrabaixista Jeff Chambers e o baterista Eddie Marshall. James Spaulding, velho companheiro de Bobby em antológicas gravações nos anos 60, participa exclusivamente na flauta e o guitarrista Randy Vincent completam o time. A maioria dos temas foram compostos por Hutcherson especialmente para a ocasião, não se limitando ao tradicional esquema de 12 ou 32 compassos. Há também um tema composto por Eddie Marshall, “Yelapa” e dois standards do repertório jazzístico: “Tin Tin Deo” de Dizzy Gillespie e Chano Pozo e o bolero “Besame Mucho”, temas em que a guitarra é tocada pelo excelente Bruce Forman. “Ambos Mundos” é uma bem estruturada ponte entre dois mundos, duas culturas, diversas e complementares, que sempre se influenciaram mútuamente.

Bobby Hutcherson (vb, marimba); James Spaulding (fl); Randy Vincent (g); Bruce Forman (g)*; Smith Dobson (p); Jeff Chambers (b); Eddie Marshall (d); Francisco Aguabela (congas); Orestes Vilato (timbales); Roger Glenn (perc).

Recorded August-September, 1989 at Fantasy Studios, Berkeley, CA

1- Pomponio

2- Tin Tin Deo*

3- Both Worlds (Ambos Mundos)

4- Street Song

5- Beep D’Bop

6- Poema Para Ravel

7- Yelapa

8- Besame Mucho*

 

 

Hank Mobley – A Slice Of The Top (1966)

Na extensa discografia do saxofonista Hank Mobley, “A Slice Of The Top” é um ítem que se destaca. Os originais compostos por Mobley foram criados durante sua prisão no ano de 1964, em virtude de condenação por posse de narcóticos, e foram arranjados por Duke Pearson para um formato pouco habitual ao saxofonista, um octeto. Na linha de frente, além de Mobley, o inseparável Lee Morgan ao trompete, o excelente, porém pouco lembrado James Spaulding no sax alto e flauta, Howard Johnson na tuba e Kiane Zawadi no euphonium. A seção rítmica é um primor, McCoy Tyner ao piano, Bob Cranshaw ao contrabaixo e Billy Higgins à bateria. A mão de Duke Pearson nos arranjos é sentida já nas primeiras notas do tema de abertura, “Hank’s Other Bag”, com a tuba e o euphonium mostrando o papel importante reservado pelo arranjador nos voicings. “There’s A Lull In My Life” vem em seguida e é a balada sempre presente nos álbuns da Blue Note no período. “Cute ‘N’ Pretty” é um belo tema em andamento de valsa e também um ótimo veículo para as intervenções de McCoy e Spaulding na flauta. McCoy havia saído a pouco tempo do quarteto de Coltrane e começava a dar mais atenção a sua própria carreira discográfica, também na Blue Note. “A Touch Of Blue” é o ponto alto do álbum. O solo de Mobley mostra o quanto este músico especialíssimo não recebeu o crédito devido ao seu talento e à sua importância no desenvolvimento do hardbop. Tendo começado sua vida musical na banda de blues de Paul Gayten, logo absorveu a sintaxe do bebop e foi peça fundamental no hardbop dos anos 50 e 60. A faixa título do álbum encerra esta reunião de músicos luminares com uma proposta de hardbop modal onde os solistas se lançam ao extremo no desenvolvimento dos solos. “A Slice Of The Top” é ítem obrigatório na discografia de Hank Mobley e para quem deseja conhecer os grandes momentos do maravilhoso jazz produzido pelo selo Blue Note na década de 60.
Lee Morgan (tp) Kiane Zawadi (euph) Howard Johnson (tu) James Spaulding (as, fl) Hank Mobley (ts, arr) McCoy Tyner (p) Bob Cranshaw (b) Billy Higgins (d) Duke Pearson (arr)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, March 18, 1966
1- Hank’s Other Bag (H. Mobley)
2- There’s A Lull In My Life (M. Gordon – H. Revel)
3- Cute ‘N’ Pretty (H. Mobley)
4- A Touch Of The Blues (H. Mobley)
5- A Slice Of The Top (H. Mobley)