RSS

Arquivo mensal: outubro 2009

Wolfgang Muthspiel – Marc Johnson – Brian Blade – Real Book Stories (2001)

Quando chegou nos EUA em 1986, o guitarrista Wolfgang Muthspiel era mais um, entre os inúmeros músicos do mundo, a buscar uma formação musical jazzística na terra do Tio Sam. Vindo da Áustria onde ao lado do irmão, o trombonista Christian, havia completado os estudos musicais voltados para a música erudita, Wolfgang graduou-se no New England Conservatoty, tendo estudado com Mick Goodrick e David Leisner. Em seguida matriculou-se na Berklee College of Music onde obteve graduação em 1989 e lá conheceu e estudou com Gary Burton, músico com raro talento para descobrir grandes guitarristas como Larry Coryell, Mick Goodrick, Pat Metheny e John Scofield. Foi no grupo de Burton que Wolfgang começou a se destacar nos EUA, tendo ocupado a vaga que a doze anos estava livre, desde a passagem de Metheny pelo quinteto. Nos anos seguintes tocou com músicos importantes na cena jazz mundial como: Dave Liebman, Peter Erskine, Paul Motian, Marc Johnson, Gary Peacock, Bob Berg, John Patitucci, Larry Grenadier, Brian Blade, entre outros. Em 2002, Wolfgang retornou à Áustria, de onde tem gerenciado sua prolífica carreira e um selo de sua propriedade, onde tem gravado os próprios álbuns assim como de grandes músicos da atualidade. “Real Book Stories” foi gravado em 2001, com a participação de Marc Johnson ao contrabaixo e Brian Blade na bateria. O repertório é formado por composições clássicas do jazz como: “Lament” de J. J. Johnson, “Blue in Green” de Bill Evans e Miles Davis, “Giant Steps” de Coltrane, assim como originais de Theloniuos Monk, Horace Silver e standards do porte de “All The Things You Are”, “Someday My Prince Will Come”, “I Hear Rhapsody” e “Liebeslied” de Kurt Weil. Wolfgang Muthspiel é um músico eclético, passeando com naturalidade por estilos tão diversos quanto o fusion, o avant-garde, o techno e a world music. “Real Book Stories” é uma perfeita sessão para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir este especial guitarrista tornarem-se fãs deste músico refinado.
Wolfgang Muthspiel: guitar; Marc Johnson: bass; Brian Blade: drums
1- Lament (J.J. Johnson)
2- All The Things You Are (Hammerstein, Kern)
3- Someday My Prince Will Come (F.E. Churchill)
4- I Hear Rhapsody (F. Baker)
5- Blue In Green (Miles Davis, Bill Evans)
6- Giant Steps (John Coltrane)
7- Peace (Horace Silver)
8- Liebeslied (Kurt Weill)
9- Ask Me Now (Thelonious Monk)
10- Solar (Miles Davis)
 
1 comentário

Publicado por em 30 de outubro de 2009 em Brian Blade, marc johnson, Wolfgang Muthspiel

 

Ronnie Mathews Trio – Selena’s Dance (1988)

Quando do falecimento do pianista Ronnie Mathews, a pouco mais de um ano, em 28 de junho de 2008, as revistas especializadas e jornais que se dignaram a noticiar o fato tiveram, todos, um ponto em comum no corpo de suas matérias: “Ronnie não teve o merecido reconhecimento de seu talento.” E isto, sim, é uma verdade, assim como também é uma verdade que centenas de grandes jazzistas amargaram o mesmo descrédito. Ronnie Mathews nasceu em 2 de dezembro de 1935 em NYC, desenvolveu seu estilo ao piano com as óbvias influências de Thelonious Monk e Bud Powell, e já aos seus vinte e poucos anos trabalhava e gravava com Max Roach, Freddie Hubbard e Roy Haynes. Na virada da década de 50 para 60, teve uma breve passagem pelos Jazz Messengers de Art Blakey e lecionou piano na Long Island University. Nos anos 70 teve uma duradoura associação com Johnny Griffin e trabalhou com Dexter Gordon e Woody Shaw. Somente na década de 80 Ronnie começou a receber os spotlights como líder, atuando em duos, trios e quartetos e gravando seus principais álbuns como músico de frente. Foi nesse período que gravou na Hollanda “Selena’s Dance”, em uma formação de trio com Stafford James ao contrabaixo e, o também falecido em 2008, Tony Reedus na bateria. O álbum começa com uma estupenda leitura de “In a Sentimental Mood” de Duke Ellington, em uma interpretação como deve ser, sentimental mas sem sentimentalismos. “My Funny Valentine” tem uma estimulante, e nada convencional, interpretação com tintas latinas e atmosfera ensolarada de bossa-nova. “Stella By Starlight” é veículo para o contrabaixo de Stafford James apresentar o tema com muito swing e sem se afastar muito da melodia. “Selena’s Dance” mostra a influência do estilo de McCoy Tyner na visão musical de Ronnie, uma mão esquerda vigorosa e um ritmo cíclicamente hipnótico. Em “Body And Soul”, Ronnie constrói um verdadeiro prelúdio ao belo tema deste standard e paga uma homenagem estilística á Oscar Peterson. “There Is No Greater Love” é exibida em altíssimo astral, em um groove que, com certeza, faria Art Tatun exibir um sorriso largo. “Blue Bossa”, de Kenny Dorham, reforça o apreço de Ronnie pelas melodias e ritmos de origem latinas e seu toque percussivo fica evidente. O álbum encerra com uma composição de Wayne Shorter, “Fee Fi Fo Fum”, onde ficamos com a certeza de que foi nos anos 60 que este exímio pianista forjou seu estilo rico e complexo.
“Selena’s Dance” é um ponto alto na diminuta carreira discográfica de solista deste pianista que não teve em número de oportunidades nem a milionésima parte do que seu talento merecia.
Ronnie Mathews (p); Stafford James (b); Tony Reedus (d).
Recorded at Studio 44, Monster, Holland, February, 1, 1988
1- In A Sentimental Mood
2- My Funny Valentine
3- Stella By Starlight
4- Selena’s Dance
5- Body And Soul
6- Thers Is No Greater Love
7- Blue Bossa
8- Fee Fi Fo Fun
 
1 comentário

Publicado por em 28 de outubro de 2009 em Ronnie Mathews, stafford james, Tony Reedus

 

Dizzy Gillespie Meets The Phil Woods Quintet (1986)

O título do CD já diz tudo. Não há nada a acrescentar sobre os músicos envolvidos nesta sessão que já não seja do conhecimento dos leitores. Vale chamar a atenção para a oportunidade rara de ouvir duas escolas de trompete distintas, Dizzy, o pai do trompete bebop e Tom Harrell, um músico que trabalha na vertente do inesquecível Clifford Brown, o pai do trompete hardbop. O quinteto de Phil Woods foi, na década de oitenta, o arrebatador da maioria das votações em revistas especializadas como o melhor combo de jazz do período. Hal Galper e seu piano bluesy-soul, a segura cozinha Steve Gilmore e Bill Goodwin, dão aos gênios Dizzy e Phil o suporte ideal para esse encontro histórico ocorrido em um estúdio da Holanda em 1986. A leitura de “Round Midnight” é simplismente de arrepiar todos os pelos. Não perca mais tempo lendo este escriba, envolva-se em um dos momentos mágicos do jazz!
Dizzy Gillespie (tp); Phil Woods (as); Tom Harrell (tp, flg); Hal Galper (p); Steve Gilmore (b); Bill Goodwin (d)
Recorded at Studio 44, Monster, Holland, December, 14, 1986.
1- Oon-ga-wa (D. Gillespie)
2- Loose Change (H. Galper)
3- Whasidishean (D. Gillespie)
4- Round Midnight (T. Monk)
5- Love For Sale (C. Porter)
6- Terrestris (T. Harrell)
 

Marcus Roberts – The Truth Is Spoken Here (1988)

Marcus Roberts nasceu em Jacksonville, Florida, em 7 de agôsto de 1963, e já aos cinco anos de idade se interessava pelo piano. Cego desde tenra idade, estudou na Florida School for the Deaf and the Blind, local por onde também passou o gênio Ray Charles, e mais tarde, graduou-se na Florida State University. Ganhou proeminência a partir de 1985, quando passou a trabalhar com o trompetista Wynton Marsalis. “The Truth Is Spoken Here” é seu primeiro álbum como líder e foi gravado em 1988, sob a indicação de Wynton e com produção de Delfeayo Marsalis. Marcus compôs cinco originais dos oito temas gravados na sessão, que contou com a participação de Wynton ao trompete, Reginald Veal no contrabaixo e Elvin Jones na bateria. O saxofonista Charlie Rouse atua em três temas: “Country By Choice”, “In A Mellowtone” e “Nothin’ But The Blues”, sendo esta sua última sessão de gravação, ele viria a falecer cinco meses após. Outro convidado é o partner de Marcus no combo de Wynton, o saxofonista Todd Williams, presente em “Maurella” e na faixa título. Em “Blue Monk” o pianista faz uma interpretação solo, onde mostra a forte influência de Thelonious Monk e dos estilistas do piano-stride como James P. Johnson, Willie “The Lion” Smith e Jelly Roll Morton. “Single Petal of a Rose”, de Duke Ellington, é outro tema realizado em piano solo, em uma pungente leitura desta bela composição. “The Truth Is Spoken Here” é um magnífico início de uma carreira discográfica que já chega a 20 álbums, de um músico, que apesar das limitações físicas impostas pela vida, soube como ninguém, olhar para a tradição do jazz e projetar uma música voltada para o futuro.
Marcus Roberts (p); Wynton Marsalis (tp); Reginald Veal (b); Elvin Jones (b); Charlie Rouse (ts)*; Todd Williams (ts)°
Recorded at RCA Studios, NYC, 26-27, July, 1988
1- The Arrival (M. Roberts)
2- Blue Monk (T. Monk)
3- Maurella (M. Roberts)°
4- Single Petal Of A Rose (D. Ellington – B. Strayhorn)
5- Conutry By Choice (M. Roberts)*
6- The Truth Is Spoken Here (M. Roberts)°
7- In A Mellow Tone (D. Ellington)*
8- Nothin’ But The Blues (M. Roberts)*
 

James Williams Sextet – Progress Report (1985)

O pianista James Williams iniciou sua carreira no início dos anos 70 em Menphis, sua cidade natal, onde cresceu influenciado pela música de Ray Charles, Stevie Wonder, Marvin Gaye e King Curtis. Interessou-se pelo piano aos 13 anos de idade e tocou por alguns anos na igreja batista local, época em que foi muito influenciado pelo toque de Phineas Newborn. Em 1972 graduou-se na Memphis State University, onde teve como colega de estudos Mulgrew Miller. Tocou com luminares do jazz local como Frank Strozier, Jamil Nasser e George Coleman. Em 1973 foi contratado para lecionar na Berklee College of Music em Massachusetts, Boston, e lá, trabalhou no combo do baterista Alan Dawson e apoiando músicos visitantes como Arnett Cobb, Red Norvo, Art Farmer, Sonny Stitt and Milt Jackson. Em 77, debutou na carreira discográfica com o álbum “Flying Colors” e conheceu Art Blakey, que o convenceu a pedir demissão da escola e cair na estrada como integrante dos Jazz Messengers. Permaneceu com Art até 1981, quando retornou a Boston trabalhando com Dawson, Chet Baker, Joe Henderson, Clark Terry, Benny Carter e Thad Jones. Em 84 mudou-se para New York, onde continuou a trabalhar com a nata do jazz, tais como: Dizzy Gillespie, Freddie Hubbard, Tom Harrell, Bobby Hutcherson, Ray Brown, Tony Williams, Kenny Burrell, George Duvivier e Elvin Jones. Nesse mesmo ano grava seu segundo álbum, “Alter Ego” à frente de um sexteto com alguns integrantes dos Messengers: Billy Pierce e Kevin Eubanks. No ano seguinte grava o objeto deste post, “Progress Repot”, seu terceiro disco, básicamente com o mesmo sexteto do lançamento anterior, à exceção do baixista Rufus Reid.
O álbum inicia com o tema título, uma composição que traz toda a atmosfera dos Jazz Messengers, hard bop da melhor qualidade, que permeia todas as oito composições do pianista. James Williams faleceu prematuramente em 20 de julho de 2004, vítima de câncer de fígado, sendo uma grande perda sentida por todos os fãs do gênero.
James Williams (p); Bill Easley (as, fl, cl); Billy Pierce (ts, ss); Kevin Eubanks (g); Rufus Reid (b); Tony Reedus (d); Jerry Gonzalez (congas)#; Ray Drummond (b)*
Recorded at Classic Sound Studios, NYC, 22 & 24, May, 1985
* Recorded at Classic Studios, NYC, 19 & 20, July, 1984 from “Alter Ego” lp
1- Progress Report
2- Episode From A Village Dance#
3- Affaire d’Amour
4- Mr. Day’s Dream
5- Unconscious Behavior
6- Renaissance Lovers
7- A Touching Affair*
8- Waltz For Monk*
 

Enrico Pieranunzi Trio – Plays The Music Of Wayne Shorter (2002)

Dizer que Enrico Pieranunzi é um dos principais pianistas italianos, ou até mesmo da Europa, é chover no molhado. O cara já se tornou um dos instrumentistas de ponta do jazz ao nível mundial. Seja à frente de seu trio habitual, com Hein Van de Geyn no contrabaixo e Hans Van Oosterhout na bateria, ou com o esporádico, porém recorrente, trio com Marc Johnson e Joey Baron, seus álbuns são sempre importantes registros de um músico em vertiginosa ascenção. Neste caso em especial de que trata o post, Pieranunzi interpreta um dos mais importantes songbooks do jazz moderno, as composições do saxofonista Wayne Shorter. Indo além da influência, quase obrigatória em todo pianista de nível elevado, da linguagem desenvolvida por Bill Evans, Pieranunzi mostra-se capaz de adaptar seu “approach” de acordo com as necessidades das composições. Vai de líricas abordagens como em “Infant Eyes”, “Wildflower”, “Fall”, “Teru”, “Nefertiti” e “Sleeping Dancer Sleep On” à enérgicas leituras de “Capricorn”, “E.S.P.”, “Deluge” e “This Is For Albert”.
“Plays The Music Of Wayne Shorter” é um dos pontos altos da carreira discográfica deste grande pianista que partiu da Itália para o mundo.
Enrico Pieranunzi, piano; Hein Van de Geyn, bass; Hans Van Oosterhout, drums
1- Wildflower
2- Fall
3- Capricorn
4- E.S.P.
5- Teru
6- Deluge
7- Nefertiti
8- Sleeping Dancer Sleep On
9- This Is For Albert
10- Infant Eyes
 
 

Ralph Bowen – Soul Proprietor (2002)

A primeira vez em que tomei contato com a música do saxofonista Ralph Bowen foi em meados dos anos oitenta através de dois álbuns da banda O.T.B., onde ele atuava na linha de frente ao lado do trompetista Michael Mossman. Em 1989, no Free Jazz Festival, tive o privilégio de ouvi-lo integrando o quinteto de Horace Silver, também ao lado de Mossman. Impressionou-me o timbre vigoroso, ao estilo de Sonny Rollins, as idéias musicais bem encadeadas e certa aversão a pirotecnias. Bowen, além de excelente solista é também um harmonizador de primeira, equiparando-se neste quesito, à grandes do instrumento como Gerry Mulligan. Em “Soul Proprietor” está acompanhado pela competente guitarra de Peter Bernstein, pelo não menos competente John Swana ao trompete, a bateria segura e contemporanea de Brian Blade e o órgão Hammond de Sam Yahel. O CD abre com o standard “Invitation”, onde Bowen nos dá uma completa amostra de suas habilidades, assim como todos os integrantes do quinteto. Na seqüência, a faixa título do álbum mostra o talendo de compositor do líder, que nos brinda com nada menos do que cinco dos nove temas apresentados no trabalho. “My Ideal” é a balada escolhida por Bowen como contraponto aos bebops e hardbops que recheiam o disco. “Spikes”, “Under a Cloud”, “The First Stone” e “Meltdown” são os originais restantes do saxofonista. Dois temas são referências de Bowen à músicos que o influenciaram: “Inner Urge”, de Joe Henderson e “Peace”, de Horace Silver. Ralph Bowen é um saxofonista que honra a herança do instrumento no jazz, alternando toques doces e gentis com momentos de intenso swing e performances viris.

Ralph Bowen (tenor sax); John Swana (trumpet); Peter Bernstein (guitar); Sam Yahel (organ); Brian Blade (drums)

1- Invitation (Kaper)
2- Soul Proprietor (Bowen)
3- My Ideal (Chase, Robin, Whiting)
4- Spikes (Bowen)
5- Under a Cloud (Bowen)
6- The First Stone (Bowen)
7- Inner Urge (Henderson)
8- Meltdown (Bowen)
9- Peace (Silver)

 
1 comentário

Publicado por em 19 de outubro de 2009 em Brian Blade, John Swana, Peter Bernstein, Ralph Bowen, Sam Yahel