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Hank Mobley Quartet (1955)

22 nov

Este álbum foi um ponto de partida, é aqui que começa a carreira discográfica de Hank Mobley como líder. Neste março de 1955 o saxofonista contava com 24 anos de idade e já a 5 chamava atenção sobre si, com seu timbre redondo, cheio, e sua habilidade, incomum, de produzir belos e instigantes temas. Muito já havia percorrido desde o nascimento em 7 de julho de 1930, na cidade de Eastman na Georgia. Era filho, neto e sobrinho de músicos, todos atuantes na igreja protestante, sua avó era a organista, sua mãe pianista, e foi no piano que o menino se iniciou no mundo da música. Foi seduzido pelo saxofone já tarde, aos 16 anos, de forma auto-didata, e é incrível pensar que somente 4 anos após, o menino já tinha lugar numa das melhores banda de blues do pedaço, a Paul Gayten’s Blues Band, recomendado por ninguém menos do que Clifford Brown. Lá ele dividia espaço com nomes do porte de Cecil Payne e os futuros Ellingtonianos Clark Terry, Aaron Bell e Sam Woodyard. Segundo declarou o próprio Gayten, “Hank era uma beleza, tocava sax barítono, tenor e alto, e produzia muitos arranjos. Ele dava conta do recado e eu podia deixar as coisas com ele”. Por duas semanas, em 1953, substituiu Jimmy Hamilton na orchestra de Ellington mesmo sem tocar clarinete, ele transpunha as partes para o sax tenor. Ainda em 53 Max Roach o levou para a California junto com Clifford Brown, mas as coisas não deram muito certo por lá, teria sido o embrião do quinteto Roach-Brown. De volta a NYC trabalhou em clubs tocando ao lado de Miles Davis, Tadd Dameron, Milt Jackson e J. J. Johnson, até que em 54 foi convidado por Dizzy Gillespie para integrar seu combo. Em setembro daquele ano deixa Gillespie e passa a fazer parte do quarteto de Horace Silver, locado regularmente no famoso berço bop, o Minton’s Playhouse. É aí, exatamente aí, que Mobley começa a fazer história no jazz. Foi trabalhando com Silver que ele pode fazer parte do que viria a ser os Jazz Messengers, combo famoso pela liderança de Blakey, mas que na verdade começou como uma cooperativa entre 5 músicos: Horace Silver, Art Blakey, Kenny Dorham, Doug Watkins e nosso garoto Mobley. Gravou em 54 e 55 o álbum Horace Silver Jazz Messengers, e logo depois veio o contrato com o selo da notinha azul, uma longa associação, que perdurou até 1970. Este quarteto, não por acaso, nada mais é do que os Messengers à exceção de Kenny Dorham, que não participa da sessão. O repertório original de 6 temas, foi todo composto pelo jovem Mobley, exceto “Love For Sale”, de Cole Porter. Não discorrerei sobre a música gravada, ela fala por si mesmo. Não vou chamar a atenção sobre a qualidade das composições, ela é evidente. Não repetirei ad nauseum o belo timbre do saxofone nem a lógica e poesia da construção das frases musicais, são óbvias. O resto da história deste fantástico músico? Outros posts se sucederão em avalanche, dando conta de toda a obra deste saxofonista e compositor ímpar, com certeza, o mais “underrated” de todos os gigantes do jazz.
Hank Mobley (ts); Horace Silver (p); Doug Watkins (b); Art Blakey (d)
Recorded at Hackensack, N.J., March 27, 1955
1- Hank’s Prank (Mobley)
2- My Sin (Mobley)
3- Avila And Tequila (Mobley)
4- Walkin’ The Fence (Mobley)
5- Love For Sale (C.Porter)
6- Just Coolin’ (Mobley)
7- Hank’s Prank (Alternate take)(Mobley)
8- Walkin’ The Fence (Alternate take)(Mobley)
 
1 comentário

Publicado por em 22 de novembro de 2009 em art blakey, doug watkins, hank mobley, horace silver

 

Uma resposta para “Hank Mobley Quartet (1955)

  1. Anonymous

    22 de novembro de 2009 at 7:19 PM

     

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