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Arquivo mensal: dezembro 2009

Joe Farrell With Art Pepper – Darn That Dream (1982)

No dia 23 de março de 1982 um encontro muito especial acontecia em um estúdio de gravação na Califórnia. O saxofonista Joseph Carl Firrantello, mais conhecido como Joe Farrell, convidava o lendário altoísta Art Pepper para participar em 3 faixas de seu novo álbum, “Darn That Dream”. Esta seria a penúltima sessão de gravação de Art Pepper, que viria a falecer em 15 de junho daquele ano. Joe Farrell estava no auge de sua forma. Seu toque, profundamente influenciado por Coltrane, atingia o ápice que somente os grandes mestres conseguem se aproximar. Dono de um timbre vigoroso, que também fincava raízes no estilo de Sonny Rollins, um fraseado eloquente e extremamente dinâmico, trazia em sua música um amálgama perfeito das duas grandes escolas estilísticas do saxofone moderno. Art Pepper era já uma lenda do jazz desde sua travessia pelo árido deserto da luta para se livrar da adição à heroína, fato que desde os anos 40 o atormentou e o tirou de cena por diversas vezes, com condenações judiciais sucessivas: 1954–56, 1960-61, 1961-64 e 1964-65. Após passar por um longo tratamento na década de 70, voltou à luz de sua arte em 1975. Em seus 7 últimos anos de vida produziu o melhor de sua obra, em uma sucessão de momentos de grande arte, sejam em estúdios ou nos palcos dos clubes, diante de uma platéia sempre ávida por ouvi-lo. Sua estória foi narrada em uma autobiografia, transcrita e publicada por Laurie Pepper, sua última companheira em 1980, “Straight Life”. O álbum começa com “Section-8 Blues”, um tema complexo, com autoria creditada a todos os músicos envolvidos na sessão, notadamente os dois saxofonistas acrescidos do pianista George Cables, do contrabaixista Tony Dumas e do baterista John Dentz. O primeiro solo é de Pepper, que de pronto deixa claro que havia transcendido de sua influência de Charlie Parker e anexado as conquistas harmônicas modais de Coltrane ao seu vocabulário. O tema parece ter saído da pena de McCoy Tyner, o solo de Farrell é intenso, assim como o drumming imposto por John Dentz. A balada que dá nome ao álbum é veículo exclusivo para o sax alto de Pepper, em uma interpretação languida e emotiva. O pianista faz sua intervenção de 1 chorus atendo-se ao clima e dinâmica definidos por Pepper. “Mode For Joe”, a bela e instigante composição de Cedar Walton em homenagem ao saudoso Joe Henderson, tem Farrell solando primeiro e apresentando as amplas extensões harmônicas, tão bem utilizadas pelo homenageado. Pepper explora os registros mais graves de seu instrumento no início de um solo de maravilhosa concepção estética. Esta é a última participação de Art Pepper na sessão. “Blue & Boogie”, de Paparelli e Dizzy Gillespie, mostra a desenvoltura do quarteto no bebop, com Cables mostrando ecos de Bud Powell e John Dentz seu conhecimento sobre o estilo de Kenny Clarke. “You Stepped Out Of A Dream” tem o tema apresentado sobre um groove latino de intenso swing. Cables, Tony Dumas e Dentz apresentam performances vigorosas. “Someday My Prince Will Come” é o veículo para Farrell apresentar sua imensa capacidade de pordução de idéias musicais. Sua improvisação é fluida, rica melódica e harmônicamente. “On Green Dolphin Street”, de Bronislaw “Invitation” Kaper, com sua harmônia espetacular – como é praxe nas composições de Kaper – inicia com uma improvisação modelar de George Cables, Farrell se concentra no aspecto melódico da composição enquanto Dentz não deixa espaço carente de pulsação. Tony Dumas tem 1 chorus de improvisação antes de voltarem ao tema para sua finalização. O álbum encerra com um original de Farrell, a latina “Fun For One And All”, tema baseado em melodia popular caribenha. Podemos ver a sombra de Sonny Rollins enquanto ouvimos Farrell improvisar vigorosamente. Joe Farrell faleceria 4 anos após vitimado de câncer nos ossos, deixando a cena musical quando atingia a plenitude de sua maturidade como músico.
“Darn That Dream” é um registro especialíssimo na obra destes dois gigantes que foram Art Pepper e Joe Farrell.
Art Pepper (as) Joe Farrell (ts) George Cables (p) Tony Dumas (b) John Dentz (d) Los Angeles, CA, March 23, 1982
1- Section-8 Blues (A. Pepper- J. Farrell – J. Dentz – G. Cables – T. Dumas)
2- Darn That Dream (Eddie DeLange – Jimmy Van Heusen)
3- Mode For Joe (C. Walton)
4- Blue & Boogie (F. Paparelli – D. Gillespie)
5- You Stepped Out Of A Dream (G. Kahn – H. Brown)
6- Someday My Prince Will Come (L. Morey – F. Churchill)
7- On Green Dolphin Street (B. Kaper – N. Washington)
8- Fun For One And All (J. Farrell)
 
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Publicado por em 20 de dezembro de 2009 em Art Pepper, George Cables, Joe Farrell, John Dentz, Tony Dumas

 

Louis Smith Quintet – Here Comes Louis Smith (1957)

Edward Louis Smith nasceu em 20 de maio de 1931 em Memphis, Tennessee. Aos 13 anos se encontrou com o trompete em uma banda enquanto cursava a High School. Em 48 recebe uma bolsa para cursar a Tennessee State University, onde graduaria em musica. Iniciando sua pós-graduação, transfere-se para a University of Michigan, onde, segundo ele, começa a ter seus mais memoraveis momentos como músico de jazz acompanhando visitantes como: Dizzy Gillespie, Miles Davis, Thad Jones e Billy Mitchell. Convocado para o serviço militar em 1954, encontra-se neste contexto com seu conterrâneo, Phineas Newborn. Dispensado no final de 55, começa a lecionar na Booker T. Washington High School, em Atlanta, Georgia. Declara o próprio Louis Smith: “Meu caminho no idioma jazz é grandemente influenciado por minha ardente admiração pelos saudosos Fats Navarro, Clifford Brown e Charlie Parker. Recentemente tenho tocado com Cannonball Adderley, Percy Heath, Philly Joe Jones, Lou Donaldson, Donald Byrd, Kenny Dorham e Zoot Sims”. “Here Comes Louis Smith” é sua a primeira sessão como líder e está muito bem acompanhado para tal: Cannonball Adderley no sax alto, usando o pseudônimo de Buckshot LaFunke; os pianistas Tommy Flanagan e Duke Jordan se revezando, o contrabaixista Doug Watkins, e o mestre Art Taylor na bateria. Louis havia feito sua estréia em gravações apenas 1 ano antes, em 1956, acompanhando o guitarrista Kenny Burrell, no álbum Kenny Burrell’s Swingin’. Em 57, o produtor Tom Wilson, de Boston, gravaria o master deste álbum, que se chamaria “Transition”, mas não o lançaria comercialmente, vendendo-o a Alfred Lion, da Blue Note, em 1958. Rapidamente Lion assinaria um contrato de exclusividade com Louis e ainda o escalaria para participar de duas sessões na gravadora, de onde sairiam os álbuns “Kenny Burrell’s Blue Lights” e “Booker Little 4 “. Em 58 ainda substituiria brevemente Art Farmer no quinteto de Horace Silver, com quem participaria da gravação ao vivo no Newport Festival. “Here Comes Louis Smith” incia com um bop meio-ligeiro em tonalidade menor, uma homengaem de Louis a seu ídolo e amigo Clifford Brown, “Tribute To Brownie”. O tema é apresentado por um adlib de 30 compassos entre o trompetista e o baterista Art Taylor. Solos inspirados se seguem pelo parkeriano Cannonball, Duke Jordan com sua escola a la Bud Powell, e o inspirado trompetista iniciante se ombreando a seu ídolo e homenageado. Percebam o quanto são especiais o fraseado e o timbre deste trompetista no blues menor “Brill’s Blues”. Cannonball está em seu elemento natural, ele que foi um dos maiores intérpretes de blues surgidos na cena jazzística. “Ande” é uma paráfrase bop de “Indiana”, Louis mostra um domínio técnico só encontrado nos grande mestres, fraseado rápido, inteligente, e perfeito domínio da emissão. O Cannonball desta fase era um músico que supria com grande competência a enorme lacuna deixada pela morte de Charlie Parker. Bop, blues e uma balada são a tríade perfeita pra se testar as capacidades técnicas e expressivas de qualquer músico de jazz. “Stardust” tira qualquer dúvida que porventura ainda permaneça no ouvinte. A leitura de Louis Smith é límpida, emotiva e nada clichê. “South Side” é mais um bop perfeito para as inflexões de Louis e Cannonball, o competente e seguro piano de Jordan é uma constante em toda as faixas que participa. “Val’s Blues” encerra o álbum com o fogo que permeia a todas as faixas, provida em grande parte pelo intenso drumming de Art Taylor. Louis Smith gravou muito pouco em toda sua carreira, dedicou-se intensamente ao ofício de lecionar. Em 2005 sofreu um AVC do qual vem se recuperando com muita dificuldade para recobrar os movimentos e, até mesmo, a capacidade de falar. Esta gravação, sábiamente comprada por Alfred Lion no longíquo 1957, permanece como um dos maiores testemunhos da imensa criatividade e talento deste magnífico músico.
Louis Smith (tp) Cannonball Adderley (as) Duke Jordan (p) Doug Watkins (b) Art Taylor (d)
NYC, February 4, 7
*Louis Smith (tp) Cannonball Adderley (as) Tommy Flanagan (p) Doug Watkins (b) Art Taylor (d)
NYC, February 9, 7
1- Tribute to Brownie (D. Pearson)
2- Brill’s Blues (L. Smith)
3- Ande (L. Smith)*
4- Stardust (H. Carmichael)*
5- South Side (L. Smith)
6- Val’s Blues (L. Smith)*
 

Kirk Lightsey & Harold Danko – Shorter By Two (1983)

O amigo, leitor, blogueiro, e garimpeiro maior de raridades, Sérgio Sônico, nos presenteia com esta raridade dos pianistas Kirk Lightsey e Harold Danko, “Shorter By Two”. Danko, sobre o qual falamos no post anterior, se une ao grande parceiro de gravadora, Kirk Lightsey, para uma viagem pela obra do gênio Wayne Shorter. Um álbum com somente dois pianos não é coisa para principiantes ou para qualquer músico tentar. As armadilhas em que se podem meter são muitas e de dificil escape. Absolutamente não é o caso com estes dois mestres do piano jazz, Danko e Lightsey mostram, a todo momento, que estão cientes e senhores dos caminhos a serem percorridos nas difíceis harmonias de composições de Wayne Shorter. A escolha do repertório dá um apanhado completo da obra de Wayne, indo de composições do final dos anos 50, quando os temas foram escritos para os Jazz Messengers de Art Blakey, até os anos 70, quando Wayne mostrava direções musicais as mais amplas possiveis. “Ana Maria” é uma composição do álbum “Native Dancer”, de 1974, que contou com as participações de músicos brasileiros e de Milton Nascimento. É uma melodia de intensa beleza, onde Lightsey toca diretamente nas cordas do piano na introdução. Os músicos se revezam e completam-se na exposição melódica e harmônica do belo tema. “Dolores” foi composta para o quinteto de Miles Davis nos anos 60, no álbum “Miles Smiles”. É um tema modal de andamento médio. “Dance Cadaverous” é parte do genial álbum “Speak No Evil”, gravado pelo quinteto de Wayne em 64. O clima construído traz ares da música de Erik Satie. “Pinocchio” foi composta em 67 para o álbum “Nefertiti”, do quinteto de Miles. A interação dos pianistas na exposição do tema em uníssono é de uma perfeição ímpar. “Marie Antoinette” foi gravada pelo sexteto de Freddie Hubbard em 1961, no álbum “Ready For Freddie “. O clima de ragtime é reforçado por Lightsey emulando um banjo diretamente nas cordas do piano. “Armageddon” é um blues em tonalidade menor, gravado em 64, pelo quinteto de Wayne, no álbum “Night Dreamer”. Os pianistas fazem uma breve e solene leitura do tema. “Lester Left Town” é outra peça composta para os Messengers, gravada em 1960, no álbum “The Big Beat”. “Witch Hunt”, mais uma composição do antológico álbum “Speak No Evil”, de 1964. “Iris” é uma das gemas de Wayne que fazem parte do álbum “E.S.P.”, do quinteto de Miles Davis, gravado em 1965. Um tema modal que serve de veículo para divagações mais abrangentes dos dois músicos. “El Gaucho” fez parte do álbum “Adam’s Apple”, gravado pelo quarteto de Wayne em 1966. “Nefertiti”, composição de carater etéreo, produzida para o álbum homônimo do quinteto de Miles, em 1967, encerra este tratado pianístico da música brilhante criada pela magnífica mente de Wayne Shorter, interpretada pelos, não menos, brilhantes Kirk Lightsey e Harold Danko. At last but not least, temos que agradecer, novamente, ao amigo Sérgio Sônico por este belo presente que, com muita satisfação, compartilhamos com os leitores.
Kirk Lightsey e Harold Danko (piano)
1- Ana Maria
2- Dolores
3- Dance Cadaverous
4- Pinocchio
5- Marie Antoinette
6- Armageddon
7- Lester Left Town
8- Witch Hunt
9- Iris
10- El Gaucho
11- Nefertiti
 
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Publicado por em 17 de dezembro de 2009 em Harold Danko, Kirk Lightsey

 

Harold Danko – Alone But Not Forgoten (1986)

“Alone But Not Forgoten” é um trabalho minuscioso do pianista Harold Danko, músico de Ohio, onde nasceu em 1947. Atualmente é professor na Youngstown State University, mas traz em seu currículo trabalhos com Chet Baker, na orquestra de Woody Herman e na Thad Jones – Mel Lewis Big Band. Profundamente influenciado pela pianística de Bill Evans, Danko cercou-se de 2/3 do último trio de Bill para a gravação deste álbum: o contrabaixista Marc Johnson – em 3 faixas – e o baterista Joe LaBarbera, que também produziu arranjos de cordas para alguns temas. Em cinco faixas há a participação do contrabaixo de Michael Moore. Danko revelas nas notas de contracapa 3 trilhos básicos nos quais procurou desenvolver o repertório: O sentido de um “mood”, em que cita como referencias os álbuns “Kind Of Blue”, de Miles Davis, “Speak No Evil”, de Wayne Shorter, e “Live At The Village Vanguard” de Bill Evans; a melodia presente na música brasileira, via composições de Tom Jobim e nas figuras rítmicas do baterista Edison Machado; e a concepção da obra do pianista Bill Evans, seu mentor em piano jazz. Harold Danko se sai muito bem neste trabalho de caráter intimista, rico em nuances sonoras, com suas composições ladeadas a outras de grandes mestres como Cal Tjader – Liz Ann; Edú Lobo – O Circo Místico; e Bill Evans – Laurie, onde o cantor Bob Dorough faz uma particpação além de escrever a letra para este belo tema. Não se deixem levar pela capa um tanto cool do álbum, que chega a sugerir um trabalho tipo Richard Clayderman. “Alone But Not Forgoten” é um registro especial de um pianista que mostra de onde vem suas concepções, e coloca verdade e coração na música que produz.

 

Harold Danko – piano; Joe LaBarbera – drums, string arr; Marc Johnson – bass (2,6,8); Michael Moore – bass; Bob Dorough – vocal (8)
1- Wayne Shorter (H. Danko)
2- Martina (H. Dankko)
3- When Everything Gets Quiet (H. Danko)
4- Alone But Not Forgotten (H. Danko)
5- Liz Ann (C. Tjader)
6- Candlelight Shadows (H. Danko)
7- O Circo Mistico (E. Lobo)
8- Laurie (B. Evans – B. Dorough)

 

 
 

Victor Assis Brasil – Toca Antonio Carlos Jobim (1970)

Está aqui um álbum que reúne dois gênios. Isso mesmo! Não é figurinha de retórica não! O gênio composicional de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim – o Tomzinho, e o gênio do sax alto Victos Assis Brasil. Precisa dizer mais alguma coisa? Ah…precisa sim. Neste álbum Victor se faz acompanhar por caras do calibre de um Hélio Delmiro, de um Dom Salvador, e dois Edisons geniais: o Lobo e o Machado. No mais, qualquer texto que eu colocar aqui com a tentativa de discorrer sobre o que você vai escutar será infame, incompleto, pequeno, desnecessário, pretencioso, e dispendioso de seu tempo que deve ser dedicado a ouvir esse tesouro. Tenho dito!
Victor Assis Brasil – sax alto, sax soprano; Dom Salvador – piano; Hélio Delmiro – guitarra; Edson Lobo – baixo; Edison Machado – bateria
1- Wave
2- Só tinha de ser com você
3- Bonita
4- Dindi
5- Quartiniana
 

Joe Diorio – To Jobim With Love (1995)

O guitarrista e educador Joe Diorio é uma espécie de guru para vários músicos. Há muitos anos ele se dedica a lecionar e produzir materiais didáticos relacionados ao ensino de seu instrumento. Diorio se diz um apaixonado pela música de Tom Jobim e pela melodia, desde o início dos anos 60 quando ouviu pela primeira vez uma composição de Tom, “Corcovado”, “…a melodia era tão intensa que eu mal podia sentir o chão. A música de Jobim realmente me ensinou o quão importante é a melodia. Desde então tenho seguido este caminho, sempre buscando melodias em minha música”, afirma Diorio. Muitos jazzistas tem gravado as composições de Jobim e de outros compositores da bossa-nova, porém poucos com o sentido de entendimento real desses temas. Na maioria das vezes enxertam frases rápidas, recheadas de notas, que não se coadunam com o verdadeiro feeling da bossa-nova, onde menos é sempre mais. Diorio, ao contrário, exibe um vasto entendimento desta filosofia contida na música de Tom, sempre procurando na melodia e nas sutilezas harmônicas, o caminho adequado para sua performance. Este álbum, com certeza, faria Tom sorrir, satisfeito, feliz, pelo entendimento completo que Diorio mostra ter sobre seu trabalho. O tema que abre o disco é um belo réquiem de Diorio dedicado à Tom, o restante, as mais belas flores colhidas na vasta floresta de beleza musical com que Tom Jobim presenteou a todos os cidadãos do mundo.
Joe Diorio (g)
Recorded in Milano, 2-6 september, 1995
1- To Jobim with love
2- Children’s game (Chovendo na Roseira)
3- Corcovado
4- O amor em paz
5- Desafinado
6- Se Todos Fossem Iguais a Você
7- Zingaro
8- Samba de uma nota só
9- Meditação
10- Triste
11- The Red Blouse
12- O Grande Amor
13- Wave (Vou Te Contar)
14- Dindi
15- Inútil Paisagem
16- Garota de Ipanema
17- Chega De Saudade
 
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Publicado por em 9 de dezembro de 2009 em Joe Diorio

 

Jack Wilson – Plays Brazilian Mancini Special Guest Tony Brazil (a.k.a Tom Jobim) (1965)

Jack Wilson é um músico sobre o qual não se tem muitas informações, sei que atuou junto ao vibrafonista Roy Ayers na primeira metade da década de 60 e fez algumas gravações com o trompetista Clark Terry. “Plays Brazilian Mancini” foi gravado no início de 65, no auge da febre da bossa nova. Tom Jobim estava desde o final do ano anterior em Los Angeles cuidando da versão das letras de suas músicas junto a Ray Gilbert. Tom havia assinado um contrato de exclusividade com a gravadora Verve, estava envolvido com as versões e preparava “The Wonderful World Of Antonio Carlos Jobim”, disco que seria gravado com arranjos de Nelson Riddle. O baixista Tião Neto estava trabalhando com Jack Wilson juntamente com Chico Batera e quando soube que Jack estava procurando um violonista imediatamente pensou em Tom. Segundo conta Helena, irmã de Tom, na biografia escrita por ela, Tião foi até a casa de Tom e foi uma luta para convence-lo a aceitar o trabalho. Tom alegava a exclusividade exigida no contrato e Jack propôs que ele usasse um pseudônimo. Tião Neto logo inventou um: “Tony Brazil”. Assim surgiu esta bela gravação das músicas de Henri Mancini com Tom Jobim ao violão. O resto é história, deste que foi o mais refinado compositor popular brasileiro, que carregava o Brasil no pseudônimo, em seu próprio nome: Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim e nas centenas de músicas maravilhosas que compôs, segundo ele, todas inspiradas pela Mata Atlântica que cobria o país de norte a sul. Esta mente brilhante se extinguiu a exatos 15 anos atráz em 8 de dezembro de 1994. Como diria seu amigo e parceiro Vinícius de Morais; Saravá Tomzinho!
Jack Wilson – piano; Roy Ayers – vibes; Chico Batera – drums; Sebastião Neto – bass; Tony Brazil (a.k.a. Tom Jobim ) – guitar
Gravado em Los Angeles, CA, 1965
1- Blue Satin
2- Days of Wine and Roses
3- Sally’s Tomato
4- Sofitly
5- Lujon
6- Mr. Lucky
7- Brekfast At Tiffanys
8- Dear Heart
9- Night Flower