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Charlie Parker and The Stars of Modern Jazz – Carnegie Hall X-mas ’49

27 jan

Passadas as festas de fim de ano, agora distanciadas no funil do tempo, é hora para, sem apelos emocionais, sem motivos outros, que não a música em si, prestarmos atenção a esta noite de natal de 1949. Um concêrto no Carnegie Hall, sem jingle bell, sem velhinho amarelo-rosado em roupa de bombeiro, sem público disponível para melodias assobiáveis de forma autômata, trazia a nata do bebop para uma platéia ávida pelos ritmos frenéticos, pelas melodias sinuozas e pelas harmonias alteradas ao limite da compreensão da época. O disk-jockey Symphony Sid Torin organizou e apresentou alguns dos mais espetaculares músicos do jazz de então em uma noite memorável que teve como desfecho a apresentação do quinteto de Charlie Parker após as costumeiras confraternizações da meia noite de 24 de dezembro de 1949. Sid chama ao palco Bud Powell, o maior e mais influente pianista do bebop, à frente de seu trio formado pelos ex integrantes do combo de Parker: o contrabaixista Curley Russell e o baterista Max Roach em uma interpretação impecável de “All God’s Children Got Rhythm”, tema que era uma especialidade de Bud. O trio permanece no palco enquanto Sid anuncia mais alguns gigantes do jazz para se juntarem a eles: o trompetista Miles Davis, o trombonista Bennie Green, o saxofonista Sonny Stitt ao alto e Serge Chaloff no barítono. Inicia-se uma verdadeira jam com três temas hinos do bebop: “Move”, de Denzil Best; “Hot House”, de Dizzy Gillespie; e “Ornithology”, de Charlie Parker. Os palco é renovado com o quinteto de Stan Getz e Kai Winding. Stan, um dos famosos “four brothers” da orquestra de Woody Herman, atravessava um período de grande fama ganhando o apelido de “The Sound”, Winding surgia como uma nova voz ao trombone e em breve formaria um histórico quinteto com o pai do trombone bop, J. J. Johnson. A seção rítmica de Parker, formada por Al Haig, Tommy Potter e Roy Haynes, daria o suporte aos dois solistas em duas antigas peças da música americana: “Always” e “Sweet Miss”. Stan Getz apresenta “Long Island Sound” em formação de quarteto, deixando evidente sua sonoridade inspirada em Lester Young com um fraseado adaptado aos novos tempos do bebop. Sarah Vaughan, a voz bop por excelência, acompanhada por Jimmy Jones ao piano, interpreta dois standards: “Once In A While” e “Mean To Me”. O pianista Lennie Tristano apresenta-se acompanhado por seus alunos: o sax alto de Lee Konitz, o tenor de Warne Marsh, a guitarra de Billy Bauer, e o apoio rítmico de Joe Shulman ao contrabaixo e Jeff Morton à bateria. Sua leitura do standard “You Go To My Head” preconiza alterações harmônicas que só veríamos alguns anos depois com Bill Evans. O original “Sax Of A Kind” é veículo para as macias sonoridades de Lee Konitz ao alto e Warne Marsh ao tenor, músicos que traziam uma nova concepção timbrística ao modelo comum do bebop. Após a meia-noite chega a vez do ponto alto do concêrto, o fenomenal quinteto do pai de todos, Charlie Parker, acompanhado pelo trompetista Red Rodney, o pianista Al Haig, o contrabaixista Tommy Potter e a bateria de Roy Haynes. Parker está no auge de sua forma, com sua característica fluência de idéias e frases musicais que não teve equivalencia em toda a história do jazz. Os originais “Ornithology”, “Cheryl”, “Ko Ko”, “Bird Of Paradise” e “Now’s The Time” encerram esta noite de natal ímpar, acontecida a exatos 60 anos atraz, onde originalidade, modernidade e coragem foram a tônica deste acontecimento histórico para todo o desenvolvimento do jazz contemporâneo.
Voice Of America, Carnegie Hall, New York City, December 24 or 25, 1949.Master of ceremonies: Symphony Sid Torin.
THE BUD POWELL TRIO
Bud Powell (p), Curley Russell (sb), Max Roach (dm).December 24, 1949.
1 – All God’s Children Got Rhythm
JAM SESSION
Miles Davis (tp), Bennie Green (tb), Sonny Stitt (as), Serge Chaloff (bar), Bud Powell (p), Curley Russell (sb), Max Roach (dm). December 24, 1949.
2 – Move
3 – Hot House
4 – Ornithology (incomplete, originally)
STAN GETZ – KAI WINDING QUINTET
Kai Winding (tb), Stan Getz (ts), Al Haig (p), Tommy Potter (sb), Roy Haynes (dm). December 24 or 25, 1949.
5 – Always
6 – Sweet Miss
STAN GETZ QUARTET
7 – Long Island Sound
SARAH VAUGHAN (vocal), Jimmy Jones (p). December 24, 1949.
8 – Once In A While
9 – Mean To Me
LENNIE TRISTANO – LEE KONITZ SEXTET
Lee Konitz (as), Warne Marsh (ts), Lennie Tristano (p), Billy Bauer (g), Joe Shulman (sb), Jeff Morton (dm). December 24, 1949
10 – You Go To My Head
11 – Sax Of A Kind
THE CHARLIE PARKER QUINTET
Red Rodney (tp), Charlie Parker (as), Al Haig (p), Tommy Potter (sb), Roy Haynes (dm).December 25, 1949.
12 – Ornithology
13 – Cheryl
14 – Ko Ko
15 – Bird Of Paradise
16 – Now’s The Time

 

14 Respostas para “Charlie Parker and The Stars of Modern Jazz – Carnegie Hall X-mas ’49

  1. Anonymous

    28 de janeiro de 2010 at 2:58 PM

     
  2. APÓSTOLO

    28 de janeiro de 2010 at 7:45 PM

    Prezado MAURO:Esse concerto de 24/12/1949 foi transmitido pela "Voice Of America".Importante recordar que nesse mesmo ano de 1949 e dias antes (30/novembro) PARKER gravou pela primeira vez "com cordas" ("with strings"), para o selo Mercury de Norman Granz (leia-se Pablo, Verve, Norgram…).Esse CD editado em 1989 é uma rara antologia, o 16º da "JAZZ Records", um presente que você resgata para todos nós.Uma senhora véspera de Natal…

     
  3. HotBeatJazz

    28 de janeiro de 2010 at 8:02 PM

    Prezado Apóstolo,feliz é o blog que pode contar com tuas, sempre, pertinentes e preciosas informações. Um grande abraço

     
  4. Anonymous

    29 de janeiro de 2010 at 7:34 PM

    thank you very much. i had this on tape cassette from a radio broadcast, but lost it. now i am glad to find it here. 12t4e

     
  5. Érico Cordeiro

    30 de janeiro de 2010 at 1:41 PM

    Grande Mauro,Que retorno! Em altíssimo estilo.Não conheço esse disco, mas pelo pessoal envolvido deve ser magistral.Que noite aquela!!!!Abração!

     
  6. HotBeatJazz

    30 de janeiro de 2010 at 1:54 PM

    it's a pleasure to help you, i'm glad tooThank you

     
  7. HotBeatJazz

    31 de janeiro de 2010 at 1:35 AM

    Mestre Érico,um natal e tanto mesmo. Curta bastante esta festa sem igual.Abraços

     
  8. Sergio

    2 de fevereiro de 2010 at 2:24 PM

    Meu camarada Mauro, como diz o san Pituco, baixei e saravei. Esse não dá nem pra reclamar da baixa fidelidade da gravação. O lado histórico e a fleuma dos músicos, abafam qualquer ruído.Li na resenha q há participação de um certo Tommy Potter (sei q ele é baixista) nos créditos está ("sb"), de q se trata o "s"?? Anfã, o importante é q tenho um raro álbum desse monstro de nome TOMMY POTTER (HARD FUNK) 1956. Tens? Se não, queres conhecer? Eu queria mais, queria postá-lo ou q vc postasse o Potter aqui mas não sei nada sobre o homem, se souberes, podemos fazer, tbm, uma postagem casada – no bom sentido, claro! De qualquer maneira estou disposto a te mandar o álbum, caso não tenhas. É um discaralhaço, esse não tem erro.E aí? Vai ou passa?Abraços!

     
  9. Sergio

    2 de fevereiro de 2010 at 3:40 PM

    Voltando p/ver se já respondeu, aproveito p/me corrigir: "fleuma" é tudo q não é! É o q dá tentar usar palavras q não estão no meu vocabulário…Seu, Mauro, de qualquer maneira vou subie o link do Tommy Potter. É um álbum muito raro, tomara q saibas algo mais para dar substância à postagem.

     
  10. HotBeatJazz

    3 de fevereiro de 2010 at 1:55 PM

    Sérgio,Claro que quero ouvir essa jóia rara sim!O Tommy Potter foi um dos baixistas fundamentais do bebop, atuou, "somente", no quinteto do Parker! Não será dificil vc achar a biografia dele na net para fazer teu post. Disco do Potter é coisa finíssima, ouro em pó!Abraços

     
  11. HotBeatJazz

    3 de fevereiro de 2010 at 1:57 PM

    PS: já corrigi o tal de "sb", sei lá de onde veio isso! nem tin ha percebido, valeu por apontar este erro sinistroooo!

     
  12. Sergio

    3 de fevereiro de 2010 at 2:18 PM

    Recebi seu recado no sônico. O problema das resenhas de certos artistas mais esquecidos é q até se acha informações sobre, mas tudo in english e aí bóio do mesmo jeito. Te passo ainda hoje o Potter.2º o allmusic ele tem dois solos, um impossível e esse Hard Funk.

     
  13. HotBeatJazz

    3 de fevereiro de 2010 at 5:09 PM

    Ok Mr. Sônicono aguardo do Tommy Potter. O álbum é tão raro que gostaria de sugerir uma postada dupla, aqui e no Sônico em conjunto. O q acha?Abraço

     
  14. Sergio

    3 de fevereiro de 2010 at 9:42 PM

    Seu Mauro,a idéia está aprovadíssima! Agora quem tá ansioso sou eu esperando suas impressões sobre a raridade.

     

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