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Jimmy Rowles Sextet – Let’s Get Acquainted with Jazz (…For People Who Hate Jazz) (1958)

15 mar

Em meados dos anos cinquenta, Los Angeles experimentou uma verdadeira invasão de músicos em busca de segurança financeira, causada pelo cenário profissional promissor, tanto no campo da música comercial quanto no jazz. Somente na Califórnia havia tantos músicos de jazz comprando casas, carros, e trabalhando regularmente todos os dias como qualquer outro integrante da classe média americana. Alguns anos antes, nomes como Shorty Rodgers, Gerry Mulligan e Chet Baker haviam sido os responsáveis pelo repentino interesse no jazz da costa oeste, criando um jazz refinado, com arranjos altamente sofisticados, que atrairia o público em geral para seu som peculiar. A Central Avenue, em Los Angeles, havia se tornado uma espécie de versão em menor escala da 52nd street, estando abarrotada de locais fervilhantes, onde se tocava o swing e o bebop.

 

Jimmy Rowles ficou sabendo deste cenário através do que lhe contavam músicos como Ben Webster, Marshall Royal e Jimmy Blanton. Em 1940, Jimmy muda-se para a California, onde encontrou um ambiente propício para desenvolver seu raro talento de pianista, e ficaria conhecido como “A Enciclopédia”, por ser um dos maiores conhecedores da música norte-americana, tendo sempre o acorde certo na ocasião certa. Esta particularidade faria dele o pianista ideal para acompanhar cantoras, o que o levaria a passar boa parte de sua carreira dando suporte a nomes como Billie Holiday e Peggy Lee. Jimmy nasceu em 1918 no estado de Washington, e passou algum tempo atuando com nomes locais em Seattle, antes de se lançar na aventura que era conviver diáriamente na Central Avenue. Lá chegando, trabalhou com Lee e Lester Young, Slim Gaillard, Slam Stewart, Benny Goodman, Butch Stone, Bob Crosby, e Woody Herman. Após o serviço militar, voltou a tocar com Herman, gravou com Benny Goodman, e teve breves atuações com as orquestras de Les Brown e Tommy Dorsey. Trabalhou incansávelmente como músico de estúdio durante os anos 50 e 60, atuando em centenas de datas. São deste período suas atuações ao lado de grandes nomes do jazz como Stan Getz, Chet Baker, Zoot Sims e Charlie Parker, só para citar alguns.

 

Em 1958, o produtor Robert Scherman lhe pediu que recrutasse a quem desejasse para uma sessão de gravação. O resultado foi uma seleção dos maiores nomes do jazz da costa oeste: o trompetista Pete Candoli; o saxofonista Harold Land; o guitarrista Barney Kessel; o multi-instrumentista Larry Bunker, ao vibrafone; o contrabaixista Red Mitchell; e o baterista Mel Lewis. Como a natureza do jazz é espontânea, o resultado obtido foi idêntico; nenhum arranjo guiou os músicos, somente esboços das composições originais de Rowles e a memória em outros bem escolhidos standards.

 

Originalmente lançado com o título “The Upperclassmen”, foi posteriormente editado com o título atual, “Let’s Get Acquainted with Jazz (…For People Who Hate Jazz) “. Três deliciosos originais de Rowles abrem o álbum, o primeiro deles um tema com forte acento latino, “The Cobra”. Após belos solos de Rowles e Barney Kessel, Harold Land mostra seu conhecido estilo ao tenor, tendo o andamento dobrado pela seção rítmica. A sonoridade passional e emotiva de Land, aliada a um timbre macio e denso, é um dos pontos altos de todo o álbum.

 

“Cheeta’s For Two” é um riff blues de 16 compassos, tocada antes de cada solo, com os últimos 4 compassos dispostos de maneira a não resolver a melodia e servir de entrada para as idéias à serem desenvolvidas pelos solistas. Aqui, Red Mitchel faz seu primeiro solo, na forma magnificamente melodiosa, como sempre foi seu estilo. “El Tigre” volta à atmosfera latina, a melodia é toda disposta pelo trompete assurdinado de Pete Candoli.

 

“Lullaby of Birdland”, de George Shearing, é executada em ritmo de valsa na primeira parte, com a bridge e os solos sendo tocados em um suingante 4 por 4.

 

“Tea For Two”, “All For You”, “Body and Soul” e “East of the Sun”, são temas presentes nas obras dos maiores nomes do jazz e este grupo de gigantes faz o que deles se espera, solam com propriedade e estilo em breves execuções. A Ellingtoniana “Perdido”, de Juan Tizol, é levada em andamento médio, e antes da tomada definitiva, podemos ouvir as tentativas malogradas. “The Blues” se auto explica, é o tema em que todos os takes são apresentados na íntegra e pode-se sentir o clima de total divertimento do estúdio. Mel Lewis troca compassos com Bunker e Kessell, mostrando o baterista especial que sempre foi.

 

Jimmy Rowles mudou-se para NYC em 1973, lá gravou extensivamente com Stan Getz e participou de tournes acompanhando Ella Fitzgerald. Rowles é lembrado até hoje como especial compositor através de um dos mais belos temas já compostos no jazz, “The Peacocks”. Regressou para a California nos anos 80, onde viveu e gravou até falecer, em 28 de maio de 1996, em Los Angeles.

 

Jimmy Rowles – p; Pete Candoli – tp; Harold Land – ts; Barney Kessel – g; Larry Bunker – vb; Red Mitchell – b; Mel Lewis – dr
Recorded on June 20, 1958 at Radio Recorders, Hollywood, California

 

1- The Cobra (Rowles)
2- Cheetas for Two (Rowles)
3- El Tigre (Rowles)
4- Lullaby of Birdland (Shearing, Weiss)
5- Tea for Two (Caesar, Youmans)
6- All for You (Scherman)
7- Body and Soul (Eyton, Green, Heyman, Sour)
8- East of the Sun (And West of the Moon) (Bowman)
9- The Blues (Rowles)
10- Perdido (Drake, Lengsfelder, Tizol)
11- The Blues [alternate take #1] (Rowles)
12- The Blues [alternate take #2] (Rowles)
 

6 Respostas para “Jimmy Rowles Sextet – Let’s Get Acquainted with Jazz (…For People Who Hate Jazz) (1958)

  1. Anonymous

    15 de março de 2010 at 8:15 PM

     
  2. Érico Cordeiro

    16 de março de 2010 at 1:16 AM

    Grande pianista e fabulosa resenha.O disco The Peacocks, de Jimmy e Stan Getz, foi um dos primeiros de jazz que comprei!!!!Maravilhoso e, ainda por cima, Mr. Rowles tinha ema voz fantástica, rouca e intimista, ótima para baladas!!!Valeu, Mr. Mauro!!!!!

     
  3. HotBeatJazz

    16 de março de 2010 at 3:42 AM

    Mr. Érico,prazer habitual em te-lo por aqui.Este álbum a q vc se referiu está na fila pra postagem, na verdade estava na dúvida entre este q postei e the Peacocks. Agora uma afirmativa questionativa q te faço:esta nossa vida de blogueiro de jazz é muito fácil nao é? para achar músico e álbum ruins, é necessária uma incompetência extra-terrestre, vc não concorda comigo?Esta nossa vida é muito mole!!!Abraços

     
  4. Érico Cordeiro

    16 de março de 2010 at 5:07 AM

    Grande Mauro,Resposta postada no jazz + bossa e que também deixo aqui no HBJ:Essa tirada lembra as do Mr. Sonic Boy – e eu não apenas concordo em GNG (outra expressão típica do Garimpeiro) como assino embaixo.Disco de jazz ruim (de jazz mesmo, não vale Kenny G) eu só conheci um e creio que até era enganação: um tal de "Jazz Café Presents" do Dizzy Gillespie – era horrível (pro meu gosto, bem entendido), super fusion, uma coisa estranhíssima. Acho que a rapaziada tava tomando umas, convidou o Dizzy (que devia estar prá lá de Bagdá) e ele aceitou (rs, rs, rs).Tenho alguns outros títulos dessa série, que saiu pela MoviePlay (Sonny Stitt – ótimo, Charlie Mingus e Gerry Mulligan – esses dois apenas razoáveis) e não tem ficha técnica e nem a relação dos músicos – bootleg total (rs, rs, rs), mas não dá prá dizer que esses outros são ruins.Valeu mesmo, meu caro!!!!

     
  5. HotBeatJazz

    16 de março de 2010 at 2:45 PM

    É o q eu digo,tem q ter um dedo muito podre e um ouvido muito morto pra numa discografia enorme, como a do Dizzy, sacar logo esse aí q vc se referiu. Em CNTP (lembra das aulas de química?) fica impossível, beirando o insólito-bizarro.Abração amigo

     
  6. YESALEL

    16 de março de 2010 at 3:02 PM

    Mauro, mi piaceva l'atmosfera di tutto l'album !Difficile dire quale canzone mi è piaciuta di più ..ma, la mia immaginazione …accompagnata da un buon vino, fatto a me volare più lontano conla meravigliosa musica Body And Soul . Nessuno può capire a me… é véro rs…Ma io, come una romantica assunta Io sento che questa l'atmosfera anche ..è una magia …Che mi ricorda un giorno molto speciale de la mia vita….qualcosa de Bach. Graziebaci

     

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