RSS

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – South of The Border 10’LP MGC 513 (1952)

04 abr

South Of The Border é um LP 10 polegadas resultante de uma compilação de gravações feitas em duas sessões e anteriormente lançadas em 78 r.p.m. A primeira data aconteceu em 12 de março de 1951, Parker estava a frente de um sexteto formado pelo pianista Walter Bishop Jr, o contrabaixista Teddy Kotick, o baterista Roy Haynes, e os percussionistas Luis Miranda nas congas, e Jose Mangual no bongô. O repertório foi inteiramente dedicado a músicas latinas e temas com roupagem caribenha, básicamente com percussão ao estilo cubano. Estas gravações foram lançadas sob o título original de Charlie Parker’s Jazzers.

Little Suede Shoes abre com a percussão desenvolvendo um andamento ralentado e malevolente, Parker faz seu discurso recheado de clichês bop antes do solo comedido de Bishop.

Un Poquito De Tu Amor tem o ritmo chamado popularmente de cha-cha-cha, uma onomatopéia que se tornou denominação de estilo musical. Parker brinca com o tema realçando as características rítmicas da peça.

Os músicos atravessam o equador e chegam aos trópicos setentrionais, mais precisamente ao Brasil do chorinho de Zequinha de Abreu, Tico Tico No Fubá. Parker é perfeito na improvisação do choro, o mesmo não se pode dizer dos percussionistas, um tanto perdidos e deslocados na divisão rítmica.

 

As cinco faixas restantes foram gravadas meses depois, em 23 de janeiro de 1952. Parker, Bishop e Kotick, são agora ladeados por Max Roach na bateria, Benny Harris no trompete, e possivelmente, Jose Mangual no bongô.

 

O sexteto interpreta Mama Inez, uma música típica dos Mariachi mexicanos. Parker seria capaz de tocar bebop até com o acompanhamento da sinfônica de viena interpretanto Strauss. Seu discurso complexo paira acima de tudo.

 

La Cucaracha continua no repertório Mariachi, Parker, Little Benny Harris e Walter Bishop tocam como se estivessem em um club da rua 52 de NYC. Eles querem é tocar bebop.
Estrellita traz o bolero ao palco, o tema tem mais nuances melódicas q as anteriores, Benny Harris faz um solo um tanto vacilante.

 

Beguin The Beguine, de Cole Porter, é o ponto alto do álbum. Um tema com mais possibilidades harmônicas, e onde os músicos se sentem bem mais a vontade. O solo de Bishop é primoroso, seguido por um enfurecido Parker.

 

La Paloma encerra o álbum em clima Mariachi mais uma vez. Parker produz um solo repleto de nuances e energia bop.

 

Dentro da discografia de Charlie Parker, South Of The Border ocupa um lugar de interesse mais pelo exótico e o inédito. Não se comparam musicalmente às gravações com cordas e com as de repertório típico do bebop, porém, são reveladoras de como o gênio de Charlie Parker se mantém imune ao que o cerca. Sua verborragia musical e sintaxe bop estavam acima de qualquer contexto em que pudessem colocá-lo. Estas gravações são provas vivas da seguinte máxima: Parker é Parker!
*Charlie Parker (as) Walter Bishop Jr. (p) Teddy Kotick (b) Roy Haynes (d) Luis Miranda (cga) Jose Mangual (bgo)
NYC, March 12, 1951

 

Benny Harris (tp) Charlie Parker (as) Walter Bishop Jr. (p) Teddy Kotick (b) Max Roach (d) Jose Mangual (bgo)
NYC, January 23, 1952
1- My Little Suede Shoes*
2- Un Poquito De Tu Amor*
3- Tico Tico*
4- Mama Inez
5- La Cucaracha
6- Estrellita
7- Begin The Beguine
8- La Paloma
 

6 Respostas para “HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – South of The Border 10’LP MGC 513 (1952)

  1. Anonymous

    4 de abril de 2010 at 2:37 AM

     
  2. Anonymous

    4 de abril de 2010 at 3:38 AM

    Enviando a minha mensagem sincera por aqui…Aproveitando para agradecer mais esse (Superpost presente de Pascoa) PARKER é Bem melhor que chocolate!!! .. rs e Desejar à voces Um lindo Domingo de Pascoa, com muita paz , afeto e Jazz ! bjAPAR

     
  3. Sergio

    4 de abril de 2010 at 2:30 PM

    Eu devo ser o 1º a chegar em cada "lançamento"! Mas venho por meio deste lhe pedir, como amante da beleza q vá imediatamente ao receber essa mgm ao meu blog admirar a minha última postagem. Dessa vez não é música. Ouso dizer que, como obra de arte, o que está postado lá é até melhor. Please, deixe um comentário. Quero ver o efeito q lhe fará.Já tou baixando o Tico Tico, pensas q não leios os comentários dos amigos no Jazz + Bossa? Pois é, a ansiedade não deixou eu ler aqui.Abraços!Não deixe de passar lá em casa e opinar!

     
  4. Érico Cordeiro

    4 de abril de 2010 at 10:26 PM

    Versão demolidora do nosso querido Tico Tico no fubá, Mr.; Mauro.Aliás, vindo de Parker, o que não é demolidor, não é mesmo?Excelente pedida e já separei o Complete Verve Rocordings (tá a razoáveis 30 verdinhas no Amazon, com 3 discos).Abração e belíssimo presente de Páscoa você nos reservou!

     
  5. APÓSTOLO

    5 de abril de 2010 at 1:27 PM

    Estimado MAURO:PARKER absoluto ! ! !Bela postagem, com a recuperação de um senhor solo que, com certeza, será devidamente guardado pelos que frequentam seu blog.PARKER captou com perfeição o sentido da música pátria e levou-o às alturas.

     
  6. HotBeatJazz

    5 de abril de 2010 at 5:15 PM

    Caros Apóstolo e Érico,não vou dizer que este seja um disco do Parker que eu ouça com frequência, o q de fato não é, mas como disse no post, o exótico e o inédito tem lá seus valores. Apesar da estreita e fundamental ligação do bebop com a música caribenha, a cubana principalmente, sinto os músicos um tanto desconfortáveis nestas atuações. Parker, é à parte, como disse, ele toca bebop até em valsa de Strauss, não tá nem aí pro contexto, ele é ele, e fim de papo!Grande abraço aos amigos!

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: