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HotBeatJazz 10′ Series – Chu Berry And His Jazz Ensemble – Memorial Album – 10’LP Commodore FL 20024 (1938-41)

19 maio

Leon Brown “Chu” Berry nasceu em 13 de setembro de 1908, em Wheeling, West Virginia. Chu teve contato com a música desde tenra idade e, ainda adolescente, já tocava saxophone alto em bandas locais. Em 1929 e 30, tocou com o combo de Sammy Stewart, época em que depois de ouvir Coleman Hawkins decidiu mudar para o sax tenor. Chu fez parte da primeira leva de músicos que foram profundamente influenciados pelo estilo vigoroso de tocar de Hawkins, e ao lado de Herschell Evans, Budd Johnson, Buddy Tate, Al Sears, Arnett Cobb e outros, tomou parte como pioneiro na popularização do sax tenor como instrumento solista no jazz. O próprio Coleman Hawkins declarava: “Chu é o melhor!”. Após a ida de Hawkins para uma longa permanência na Europa na segunda metade da década de trinta, Chu Berry foi incensado como “o grande tenorista” nos EUA. Sua influência atingiu até mesmo o gênio do bebop, Charlie Parker, que batizou seu primeiro filho com o nome de Leon, em homenagem a Chu. De 1932 a 33, Chu tocou na orquestra de Benny Carter; de 33 a 35, na de Teddy Hill; de 35 a 37, na famosa orquestra de Fletcher Henderson; e de 37 a 41, foi um dos destaques da orquestra de Cab Calloway, onde tocou ao lado de jovens músicos que iriam criar o bebop, idioma do jazz moderno, como Dizzy Gillespie. Foi Chu quem apresentou ao mestre Coleman Hawkins esta nova geração de músicos que se reunia no Minton’s Playhouse, quando do retorno do último de sua temporada na Europa em 1940. Chu, Hawkins e Don Byas foram os veteranos saxofonistas tenores a emprestar credibilidade a nova forma de se fazer jazz que começava a germinar no início dos anos 40.

 

Chu foi um dos mais requisitados sidemen da década de 30, gravando com nomes como: Spike Hughes (1933), Bessie Smith (1933), The Chocolate Dandies (1933), Mildred Bailey (1935-1938), Teddy Wilson (1935-1938), Billie Holiday (1938-1939), Wingy Manone (1938-1939) and Lionel Hampton (1939). Foi também um excelente compositor, tendo deixado para a posteridade um hit clássico do período do swing, “Christopher Columbus“. Chu teve uma brevíssima carreira em discos, apenas dez anos. Ele faleceu em outubro de 1941, vítima de um traumatismo craniano decorrente de um acidente automobilístico.

 

Ouviremos neste 10 polegadas da pequena gravadora Commodore, Chu Berry em duas sessões distintas. A primeira, de 10 de novembro de 1938, Chu integrava o combo do trompetista Roy Eldridge, um dos maiores nomes do trompete do swing. Completavam o combo: Clyde Hart ao piano, o veterano Danny Barker na guitarra, Artie Shapiro no contrabaixo e o primeiro grande estilista da bateria Big Sid Catlett. No repertório, dois grandes sucessos da música americana: Stardust e Body and Soul; e dois originais: Forty Six West Fifty Two e Sittin’ In.

 

A segunda sessão do álbum foi uma das últimas participações em estúdio do grande Chu Berry, acontecida em 28 de agôsto de 1941, como integrante do combo do trompetista e cantor Hot Lips Page. Estavam na banda além dos dois citados, novamente Clyde Hart ao piano, Al Casey na guitarra, Al Morgan no contrabaixo e Harry Jaeger na bateria. Foram gravadas na data dois clássicos: Gee, Baby Ain’t I Good To You, com uma adorável participação vocal de Hot Lips Page e On The Sunny Side Of The Street. Os originais Blowing Up A Breeze e Monday At Minton’s, completaram a sessão.

 

Vamos voltar no tempo, nesta atmosfera típica do Harlem e de seu Savoy Ballroom, com as marcantes e históricas performances de um dos maiores saxofonistas daquela glamurosa época. Com vocês, Leon Brown “Chu” Berry!
Roy Eldridge (tp) Chu Berry (ts) Clyde Hart (p) Danny Barker (g) Artie Shapiro (b) Big Sid Catlett (d).
November, 10, 1938

 

*Hot Lips Page (tp, vo) Chu Berry (ts) Clyde Hart (p) Al Casey (g) Al Morgan (b) Harry Jaeger (d).
August, 28, 1941

 

1- Stardust
2- Forty Six West Fifty Two
3- Gee, Baby Ain’t I Good To You*
4- Blowing Up A Breeze*
5- Body And Soul
6- Sittin’ In
7- On The Sunny Side Of The Street*
8- Monday At Minton’s*
 

8 Respostas para “HotBeatJazz 10′ Series – Chu Berry And His Jazz Ensemble – Memorial Album – 10’LP Commodore FL 20024 (1938-41)

  1. Anonymous

    19 de maio de 2010 at 8:55 PM

     
  2. SUSIE HERVATIN

    19 de maio de 2010 at 10:30 PM

    Mauro:pesquisando rapidamente, achei oportuno comentar um pedaicinho desse texto:Do Wheeling National Heritage Hall of Fame da indução de Chu Berry:"Poderia ter sido", disse o poeta, é a mais triste das palavras. de certa forma, que faz parte da história de Leon "Chu" Berry, um nativo de Wheeling, que durante sua curta vida tornou-se no jazz mundial dominante saxofonista tenor.Mas o que ele conseguiu foi o suficiente. Fantástica essa viagem no tempo!E ainda com essa música que eu adoro!Body and SoulGrazie. baci

     
  3. SUSIE HERVATIN

    20 de maio de 2010 at 2:55 AM

    \m/ °|° \m/ retificando… "pedacinho" rs

     
  4. Érico Cordeiro

    21 de maio de 2010 at 10:17 PM

    Grande Museólogo,Essa foi prá lá de bacanuda! O Chu Berry é meio que um leo perdido, que liga a tradição de hawkins à modernidade representada por Parker.Poderia ter sido – essa frase realmente é aplicável a ele.Mas ficaram essas pérolas – e a qualidade do som é muito boa, considerando que essas gravações foram feitas na década de 30. Não conheço o Clyde Hart, mas o piano que ele toca é fabuloso, calcado na tradição stride. Muito bom mesmo!!!!

     
  5. HotBeatJazz

    22 de maio de 2010 at 12:35 AM

    Susie e Érico,com certeza ele poderia ter sido muito mais, mas no tempo em q andou fazendo as coisas, as fez de forma fabulosa.Abraços e ótimo fds

     
  6. HotBeatJazz

    24 de maio de 2010 at 3:44 AM

    Mr. Érico,segundo Berendt sobre Clyde Hart: "Clyde Hart, um pianista que não se tornou muito conhecido, é um seguidor de Tatum e um preparador da linguagem pianística do bebop."

     
  7. APÓSTOLO

    25 de maio de 2010 at 2:11 AM

    Prezado MAURO:Um gigante, a merecer mais resenhas e referências como a que você postou.Música eterna ! ! ! . . .

     
  8. HotBeatJazz

    26 de maio de 2010 at 11:43 AM

    Apóstolo,é verdade amigo, Chu merece um destaque muito maior do que o normalmente lhe é atribuído.Dissestes bem: Um GiganteAbraços

     

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