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Arquivo mensal: junho 2010

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis – Capitol Classics in Jazz – 10’LP H549 (1953)

Em 1949, Miles Davis assinou um contrato com a Capitol para gravar 12 faixas inéditas a serem lançadas em singles em 78 rpm e em um LP 10″ em 331/3 rpm. Para este projeto, Miles convocou 8 músicos com os quais já vinha trabalhando desde o ano anterior, com a supervisão e co-direção musical do amigo e arranjador Gil Evans. Gil, ao lado de Gerry Mulligan, Johnny Carisi e John Lewis, havia composto e arranjado um repertório original e revolucionário em proposta musical e o noneto já se apresentavam em clubes onde o bebop reinava, como o Royal Roost. A música apresentada pelo noneto era uma antítese ao padrão do bebop, de combos pequenos, normalmente sem arranjos elaborados e com o foco voltado para a improvisação sobre temas construídos sob aquela estética. A música produzida pela pena, principalmente, de Gerry Mulligan e Gil Evans trazia ao jazz um padrão de organização que a colocava em curso paralelo com a música de câmara erudita. Mulligan foi o principal artífice do grupo, tendo contribuído com a composição e o arranjo de: Jeru, Venus de Milo e Rocker; e somente como arranjador em: Deception, Godchild e Darn That Dream.

 

Das 12 faixas gravadas, oito foram lançadas neste LP 10″, que mostram três formações com pequenas alterações de pessoal, porém respeitando a mesma morfologia de grupo, em três datas distintas entre 21 de janeiro de 1949 e 9 de março de 1950. A música produzida pelo noneto de Miles Davis, juntamente com a de Lennie Tristano, foi fundamental no desenvolvimento do chamado cool jazz, que obtevo grande aceitação na costa oeste americana na década de 50. O chamado west-coast jazz bebe no Birth of The Cool toda sua inspiração musical que seria desenvolvida em paralelo com o hardbop por toda a década.

PS: Chegamos a postagem número 200 a poucos dias de completar 1 ano e meio de atividades, agradecemos a todos os amigos e apoiadores de nossa proposta editorial. Muito obrigado pelo suporte e paciência.

Miles Davis (tp) Kai Winding (tb) Junior Collins (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) Al Haig (p) Joe Schulman (b) Max Roach (d) John Lewis (arr)

NYC, January 21, 1949
*Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Sandy Siegelstein (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Kenny Clarke (d) John Carisi, Gil Evans (arr)
NYC, April 22, 1949
**Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Gunther Schuller (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars) John Lewis (p) Al McKibbon (b) Max Roach (d)
NYC, March 9, 1950
1- Jeru (Denzil Best, arranjo por John Lewis)
2- Moon Dreams (Chummy MacGregor, Johnny Mercer, arranjo por Gil Evans)**
3- Venus De Milo (Mulligan)*
4- Deception (Miles Davis, arranjo por Mulligan)**
5- Godchild (George Wallington, arranjo por Mulligan)
6- Rocker (Mulligan)**
7- Israel (Johnny Carisi)*
8- Rouge (John Lewis)*
 

HotBeatJazz 10′ Series – Billie Holiday & Stan Getz – Billie And Stan 10’LP Dale LP 25 (1951)

Enquanto o jazz instrumental foi predominantemente masculino o jazz vocalizado é uma área dominada pelas cantoras. As vozes femininas ditaram as regras da interpretação e da improvisação vocal desde o período do swing, quando uma boa orquestra de jazz não podia abrir mão de apresentar uma grande crooner na linha de frente. Até hoje três vozes reinam nesta área: Ella Fitzgerald com seu canto em scat, Sarah Vaughan com a ênfase na harmonia, e Billie Holiday na interpretação.

 

Billie nasceu em 1915 e começou a gravar discos acompanhada do pianista Teddy Wilson aos 20 anos de idade. Integrou as orquestras de Count Basie e Artie Shaw, e foi no período com Basie que iniciou sua amizade com o saxofonista Lester Young que manteria por toda sua vida. Acompanhada por Lester ela gravou seus mais perfeitos momentos no canto de baladas, sua maior especialidade. Seu canto era sofisticado, refinado, perturbador, erótico e com uma doçura amarga. Sua voz era rouca e étérea, com pinceladas de uma deliciosa perversidade. Sua dicção, perfeita. Um sentido de tempo e ritmo únicos, completavam as características que conferiam às suas interpretações uma experiência avassaladora. Billie faleceu em 1959, tendo atravessado por toda sua vida períodos de glória e de profunda depressão.

 

A gravação que trazemos mostra Billie acompanhada pelo saxofone que mais se aproximou do estilo de Lester Young, o som aveludado de Stan Getz. Gravado em Boston, em 1951, Billie se faz acompanhar pelo quinteto de Getz, formado pelo pianista Al Haig, o guitarrista Jimmy Raney, o contrabaixista Teddy Kotick e o baterista Tiny Kahn, em apresentação realizada em 29 de outubro daquele ano. Deste set com o quinteto de Getz, temos três faixas: You’re Driving Me Crazy, Lover Come Back To Me e Ain’t Nobody’s Business If I Do. Nas cinco faixas restantes, Billie foi acompanhada pelo seu trio, formado por Buster Harding ao piano; John Fields no contrabaixo e Marquis Foster na bateria.

 

Billie And Stan é um dos melhores registros da inigualável Billie Holiday em seu ambiente natural, um clube de jazz.

 

*Billie Holiday (vo) Stan Getz (ts) Al Haig (p) Jimmy Raney (g) Teddy Kotick (b) Tiny Kahn (d) “Storyville”, Boston, MA, October 29, 1951

 

Billie Holliday (vo) Buster Harding (p) John Fields (b) Marquis Foster (d)
“Storyville”, Boston, MA, October 31, 1951

 

1- You’re driving me crazy*
2- Lover come back to me*
3- Ain’t nobody’s bizzness if I*
4- He’s funny that way
5- Miss Brown to you
6- Detour ahead
7- Billie’s blues
8- Them there eyes
 

HotBeatJazz 10′ Series – Don Byas – 10′ LP ARL 117 (1950-51)

Continuamos a mostrar gravações do grande saxofonista Don Byas realizadas na França no ínicio da década de 50. Estas gravações são um complemento das que já foram mostradas no post anterior sobre o saxofonista, Don Byas Et Ses Rythmes – L’Inimitable 10’LP MGN 12 (1952) . Byas, acompanhado de músicos franceses, em duas sessões de gravação realizadas em 4 de julho de 1950 e 19 de abril de 1951. Um repertório inteiro de standards e baladas que se tornaram clássicos no songbook jazzístico, interpretado por este magnífico saxofonista, que teve a função de manter o estilo de Lester Young no naipe de saxofones da orquestra de Count Basie no início dos anos 40.

 

Maiores informações biográficas são encontradas no link acima, relativo a postagem anterior.

 

* Don Byas (ts) Art Simmons (p) Jean-Jacques Tilche (g) Roger Grasset (b) Claude Marty (d) Paris, France, July 4, 1950

 

Don Byas (ts) Maurice Vander (p) Jean-Pierre Sasson (g) Jacques “Popoff” Medvedko (b) Benny Bennett (d)
Paris, France, April 19, 1951

 

1- Night and Day
2- The Man I Love
3- Georgia On My Mind
4- Stardust*
5- Where Or When
6- Easy To Love
7- Over the Rainbow
8- Flamingo*
 

HotBeatJazz 10′ Series – Gerry Mulligan & Allen Eager – The New Sounds 10’LP PRLP 120 (1951)

O segundo 10 polegadas resultante da primeira sessão de Gerry Mulligan como líder saiu pela Prestige sob a co-liderança de Gerry e do saxofonista Allen Eager. Eager foi um direto seguidor dos cânones de Lester Young, linearidade no fraseado e um timbre macio e envolvente. Nascido em NYC em 10 de janeiro de 1927, foi um dos músicos da nova geração do bebop tendo atuado com seu próprio combo pela rua 52 entre 46 e 47, antes disto, atuou em importantes orquestras como as de Bobby Sherwood, Sonny Dunham, Shorty Sherock, Hal McIntyre, Woody Herman, Tommy Dorsey, e Johnny Bothwell. Em 48 tocou com Tadd Dameron e em 1951 trabalhava com Gerry Mulligan. Eager teve uma carreira irregular, tendo abandonado a cena musical por diversas vezes, a partir de 57 pouco se soube de Allen Eager. O próprio Eager cita a morte de CHarlie Parker e seu próprio envolvimento com drogas pesadas como motivo de sua ausência da cena. Nos anos 60 Eager se envolveu com o automibilismo, tendo se tornado piloto de competições, e manteve uma relaçao próxima com os experimentos de Timothy Leary e o uso do LSD. Em 1960 se aprsentou ao lado de Charles Mingus e em 70 com Frank Zappa. Nova retirada para somente ressurgir em 1982 e fazer tournés com Dizzy Gillespie. Eager veio a falecer em 2003.

 

Esta sessão de Gerry Mulligan e Allen Eager de certa forma repetia o modelo das gravações em noneto do ano anterior com Miles Davis para a Capitol, o Birth of the Cool. Aqui Mulligan mostra todo seu talento como compositor e arranjador em temas que seriam várias vezes revisitados durante sua carreira como: Funhouse, Bweebida Bobbida, Ide’s Side e Roundhouse.

 

Com este ítem somado ao do post anterior sobre Mulligan: Gerry Mulligan All Stars – 10’LP PRLP 141 (1951), completamos esta histórica data, a primeira de Gerry Mulligan como líder em um estúdio de gravação.

 

Jerry Lloyd, *Nick Travis (tp) *Ollie Wilson (tb) Allen Eager (ts) Max McElroy, Gerry Mulligan (bars) George Wallington (p) Phil Leshin (b) Walter Bolden (d) Gail Madden (maracas)
NYC, August 27, 1951

 

1- Roundhouse* (G. Mulligan)
2- Ide’s Side* (G. Mulligan)
3- Bweebida Bobbida* (G. Mulligan)
4- Kaper* (G. Mulligan)
5- Funhouse (G. Mulligan)
6- Mullenium (G. Mulligan)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer Quintet featuring Gigi Gryce – 10’LP PRLP 209 (1955)

A segunda sessão de gravação do quinteto do trompetista Art Farmer para a Prestige aconteceu em 26 de maio de 1955. O quinteto havia sofrido alterações em relação ao ano anterior. Ao lado de Art Farmer e do saxofonista Gigi Gryce formavam o pianista Freddie Redd, o baterista Art Taylor e o irmão gêmeo de Art, o contrabaixista Addison Farmer. Quatro composições de GIgi Gryce foram registradas na ocasião.

 

Blue Lights é um blues em tonalidade menor com atmosfera típicamente hardbop. Farmer e Gryce desenvolvem improvisaçãoes que não se afastam em demasia da melodia cativante e de memorização fácil, que nos remete às composições de Oliver Nelson.

 

Capri é uma composição complexa na alternancia de tonalidades em seus 32 compassos porém simples do ponto de vista melódico. Já havia sido gravada pelo sexteto do trombonista J. J. Johnson em 1953, com a participação de Clifford Brown.

 

Social Call é uma das composições de Gryce mais apreciadas e executadas pelos jazzistas. Tema de melodia graciosa e delicada, tem os mais líricos solos da sessão.

 

The Infant’s Song é uma balada dedicada ao recém nascido filho de Bob Weinstock, proprietário da Prestige. Farmer demonstra ser um mestre na utilização do vibrato com bom gosto, um músico com profundo respeito pelas formas expressivas da origem do jazz porém com um lustre moderno e atual.

 

Art Farmer foi durante toda sua carreira um dos mais líricos e técnicos trompetistas do jazz, possuidor de um toque sempre elegante e atual, embora tenha alimentado seu profundo conhecimento nas mais antigas e perenes formas musicais: o erudito e as velhas tradições jazzísticas.

 

Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Freddie Redd (p) Addison Farmer (b) Art Taylor (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 26, 1955

 

1- Blue Lights (G. Gryce)
2- Capri (G. Gryce)
3- Social Call (G. Gryce)
4- The Infant’s Song (G. Gryce)

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Sal Salvador – Kenton Presents Jazz 10’LP H6505 (1954)

Na série Kenton Presents Jazz, o conhecido e talentoso maestro Stan Kenton produzia e apresentava músicos de sua orquestra em trabalhos individuais como líderes. Os principais solistas da primeira metade da década de 50 que formavam na orquestra foram agraciados com lp’s nesta série da Capitol. Silvio Smiraglia, ou como era conhecido pelo público, Sal Salvador, teve sua sessão a frente de um quarteto que contava com o talentosíssimo pianista e vibrafonista Eddie Costa, infelizmente falecido precocemente. Costa foi, ao lado de Victor Feldman, um dos casos de pianista igualmente dotado de aptidões no teclado e com as baquetas do vibrafone. Completam o quarteto o contrabaixista Jimmy Gannon e o baterista Jimmy Campbell. O álbum foi gravado em duas sessões acontecidas em 8 e 9 de outubro de 1954 em NYC. A sonoridade da guitarra de Sal e do quarteto como um todo é seca e suave, um verdadeiro Dry Martini musical. Sal, ao lado de Jimmy Raney, foi um dos guitarristas do período que souberam evitar o excesso de notas e a sedução em tocar rápido, optando por uma execução mais lírica e sensível. Ambos se tornaram os guitarristas ideais para combos de estilo cool.

 

O repertório do álbum traz clássicos da música popular americana como: Autumn In New York, Violets For Your Furs e Nothing To Do; temas de pegada bop: Boo Boo Be Doop, Salutations, Now See Here, Man e Wheels. O delicioso blues Down Home abre o álbum.

 

Mais informações sobre a biografia de Sal Salvador pode ser encontrada em um post anterior do Sal Salvador Quartet – Jazz Unlimited (1956).

 

Eddie Costa (p, vb) Sal Salvador (g) Jimmy Gannon (b) Jimmy Campbell (d)
NYC, october 8, 1954* e NYC, october 9, 1954

 

01 – Down Home
02 – Salutations
03 – Violets For Your Furs
04 – Now See Here, Man
05 – Nothing To Do*
06 – Boo Boo Be Doop
07 – Autumn In New York
08 – Wheels*

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Serge Chaloff – Plays The Fable of Mable 10’LP 316 (1954)

Em 1954, Serge Chaloff havia retornado a Boston, sua cidade natal, e desenvolvia trabalhos com alguns dos excelentes músicos locais como: Herb Pomeroy, Charlie Mariano e Dick Twardzik. Havendo já brilhado em importantes orquestras como as de Woody Herman e Stan Kenton, Chaloff tinha consolidado nome como um dos mais importantes saxofonistas barítono de sua época. Os leitores desejosos de mais informação sobre Serge Chaloff as encontrarão em um post anterior sobre o álbum Blue Serge (1956).

 

The Fable of Mable foi gravado pela pequena gravadora de Boston, Storyville Records, em setembro de 1954. Chaloff liderou um noneto formado pelos trompetistas Herb Pomeroy e Nick Capazutto, o trombonista Gene DiStachio, o formidável sax alto Charlie Mariano, o saxofonista tenor Vardi Haritounian, o pianista Dick Twardzik, o contrabaixista Ray Oliveri e o baterista Jimmy Zitano. O grupo produziu uma música complexa e avançada, com arranjos muito precisos e executados a perfeição. O tema título é uma composição do pianista Dick Twardzik, um mini suíte em três partes, onde um leitmotif é apresentado com nuances e expressões diversas. O saxofonista Charlie Mariano contribui com três composições: Sherry, uma composição que antecipava a third stream, quase um jazz de câmara; Slam e sua atmosfera west-coast; e Eenie Meenie Minor Mode, um tema de arranjo complexo e altamente suingante. Herb Pomeroy escreveu A Salute To Tiny e o último tema do álbum vem da pena de Al Killian, Let’s Jump, tema de muito swing e veículo para os solistas Mariano, Pomeroy e Chaloff.

 

Lançado inicialmente em tiragem pequena, The Fable of Mable tornou-se um ítem disputadíssimo da obra de SErge Chaloff até ter sua música digitalizada e relançada em novo formato.

 

Herb Pomeroy (tp) Nick Capazutto (tp) Gene DiStachio (tb) Charlie Mariano (as) Vardi Haritounian (ts) Serge Chaloff (bs) Dick Twardzik (p) Ray Oliveri (b) Jimmy Zitano (d)
Recorded in Boston, September 1954

 

1- The Fable of Mabel (D. Twardzik)
2- Sherry (C. Mariano)
3- Slam (C. Mariano)
4- A Salute To Tiny (H. Pomeroy)
5- Eenie Meenie Minor Mode (C. Mariano)
6- Let’s Jump (A. Killian)

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Benny Carter – Cosmopolite 10′ LP MGC 141 (1952)

O saxofone alto teve, na década de 30 e até a primeira metade da década de 40, dois grandes estilistas que influenciaram os demais músicos deste instrumento, Johnny Hodges e Benny Carter. Bennett Lester (Benny) Carter (NYC, 8/08/1907 – Los Angeles, 12/07/2003), foi um dos mais completos músicos já surgidos na cena jazzística. Hábil no sax alto, clarinete, trompete, piano, e também, um inspirado compositor e arranjador, começou sua carreira recebendo ensinamentos do trompetista Bubber Milley. Estreou profissionalmente aos 15 anos de idade e entrou pela primeira vez em estúdio em 1928, no ano seguinte já organizava seu primeiro combo. Em 1930-31 toca na orquestra de Fletcher Henderson, onde também atuaria como arranjador. Tem uma breve atuação no McKinney’s Cotton Pickers antes de voltar a liderar um grupo próprio em 32. Criador de arranjos complexos e sofisticados que chamam a atenção de Duke Ellington, que o convida para escrever para sua famosa orquestra. Na década de 40, Carter muda-se para Los Angeles, onde passa a escrever música para os estúdios de cinema. Foi também no início desta década que promoveu o lançamento de um jovem trompetista, Miles Davis, do qual se tornaria amigo pessoal por toda a vida. Carter foi membro do conselho de música da “National Endowment for the Arts”. Foi também membro do “Black Film Makers’ Hall of Fame” (“Quadro de Honra dos Realizadores Negros de Filmes”) e, em 1980, recebe o prémio Golden Score, da “American Society of Music Arrangers” (“Sociedade Americana de Arranjadores de Música”). Reconhecido pelo Kennedy Center, em 1996, e recebeu vários doutoramentos honorários das universidades de Princeton, Harvard e Rutgers, do do conservatório de New England. Em 1987, Carter recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award, por lhe ter sido reconhecido o trabalho dedicado toda a sua vida em prol da música. Faleceu em Los Angeles, aos 95 anos de idade.

 

O álbum em questão foi gravado em 1952 para a Cleff Records em duas sessões. A primeira, em 18 de setembro, em NYC, contava com o acompanhamento do quarteto do pianista Oscar Peterson, formado pelo guitarrista Barney Kessel, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. No repertório, 3 standards e uma composição do book de Duke Ellington, I Got It Bad (And That Ain’t Good). Carter revelava nesta época ter absorvido algumas lições e maneirismos do bebop, principalmente nas músicas de andamento rápido como Long Ago (And Far Away). Seu lirismo e fraseado elegante fica evidente nas baladas, como em I’ve Got The World On A String. O timbre extraído por Benny Carter de seu sax alto é um dos mais belos já surgidos na cena jazzística e, caso raro entre os músicos do estilo swing, não abusa dos vibratos, mostrando uma modernidade estética precoce.

 

As faixas que ocupam o lado B do LP foram gravadas 3 meses depois em Los Angeles, também com acompanhamento do quarteto de Oscar Peterson, porém com o baterista J. C. Heard no lugar de Buddy Rich. Carter interpreta com sua costumeira elegência as baladas Imagination e Street Scene, e o quinteto esbanja swing em Pick Yourself Up e I Get A Kick Out Of You.

 

Cosmopolite está listado entre as melhores seções deste músico que durante toda sua carreira produziu centenas de gravações, todas de altíssima qualidade e com um bom gosto raramente pareado.

 

Benny Carter (as) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) J.C. Heard (d)*
Reeves Sound Studios, NYC, September 18, 1952
Radio Recorders, Hollywood, CA, December 4, 1952*

 

1- Long Ago (And Far Away)
2- I’ve Got The World On A String
3- Gone With The Wind
4- I Got It Bad (And That Ain’t Good)
5- Pick Yourself Up*
6- Imagination*
7- I Get A Kick Out Of You*
8- Street Scene*

Hot Beat Jazz

 

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer Quintet – 10’LP PRLP 181 (1954)

O trompetista Art Farmer conheceu o saxofonista alto Gigi Gryce no verão de 1953. Art havia chegado a NYC como membro da orquestra de Lionel Hampton e sua atuação para a gravadora Prestige em uma data do saxofonista californiano Wardell Gray havia impressionado Bob Weinstock, o proprietário. Em julho do mesmo ano, Bob organizava uma sessão com Art Farmer como líder e outros músicos da banda de Hampton. Gravaram quatro temas para lançamento posterior em um 10 polegadas. O último tema gravado destes quatro era “Up In Quincy’s Room”, uma composição de Gigi Gryce em homenagem ao trompetista e arranjador Quincy Jones, colega de estante de Art Farmer na banda de Hampton. Gigi estava trabalhando com Tadd Dameron em Atlantic City e havia se comprometido, além do arranjo para a sua composição, a fazer as transcrições de todas as partes dos músicos. Não havendo tempo para envia-las pelo correio, Gigi as terminou em um ônibus à caminho de NYC para entregá-las em mãos. Desta forma nasceu uma das mais produtivas e perfeitas associações da época, Art Farmer e Gigi Gryce gravariam várias composições que se tornariam obrigatórias em qualquer songbook das mais representativas da época.

 

A amizade entre ambos se fortaleceria quando Gigi Gryce foi incorporado a orquestra de Hampton, uma das mais formidáveis organizações da época, que contava com um naipe de trompetes antológico: Art Farmer, Quincy Jones e o jovem prodígio Clifford Brown. A orquestra faria uma importante temporada na Europa e no seu retorno aos EUA, no final de 1953, Art e Gigi permaneceram por conta própria em Manhattan. Em 1954 iniciaram o quinteto em uma gig no Tiajuana Club, em Baltimore. Gryce compôs uma série de novos temas dotando o quinteto de um material próprio de altíssima qualidade. Mais do que rápidamente Bob Weinstock agendaria duas sessões de gravação com o grupo, acontecidas em maio de 54.

 

A primeira delas, realizada no dia 19, contaria com os dois solistas principais e Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo e Kenny Clarke na bateria. Foram gravadas quatro composições de Gigi Gryce: A Night At Toni’s, Blue Concept, Deltitnu e Stupendous-Lee. A Night At Tony’s é um perfeito exemplo da capacidade de compositor e arranjador de Gryce, com uma melodia brilhante, simples e direta. Art, Gryce e Silver revelam a técnica e swing que os caracterizou por décadas a fio. Blue Concept é um delicioso blues em tom menor, onde Farmer executa um solo rico em idéias e fluência. Gryce mostra no blues o quanto absorveu de Charlie Parker em estilo e sonoridade. Silver desenvolve seu solo impregnado de alma funky sobre uma pulsação forte de Heath e Kenny Clarke troca fours com os solistas antes da volta ao tema. Stupendous-Lee é um tema que melódicamente nos remete ao jazz da west coast, composição que homenageia o grande saxofonista alto Lee Konitz. Deltitnu é um típico tema bebop, frases rápidas e ágeis impondo o máximo de controle da emissão ao trompete de Farmer.

 

Art Farmer Quintet é uma fantástica sessao de dois grandes músicos do hardbop em uma associação frutífera que perdurou até meados de 56.

 

Vale dar uma conferida no blog Jazz+Bossa+Baratos Outros onde se pode ler uma belíssima resenha sobre Gigi Gryce http://ericocordeiro.blogspot.com/2010/06/escada-e-ponte.html .

 

Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 19, 1954

 

1- A Night At Tony’s
2- Blue Concept
3- Stupendous-Lee
4- Deltitnu
 

HotBeatJazz 10′ Series – Gerry Mulligan All Stars – 10’LP PRLP 141 (1951)

Em 1951, aos 24 anos de idade, Gerry Mulligan já era um respeitado arranjador. Suas composições e arranjos já haviam sido admirados nas orquestras de Gene Krupa, Claude Thornhill, Elliot Lawrence, Stan Kenton e, principalmente, no noneto de Miles Davis, que causava sensação com a original proposta sonora do Birth of The Cool. Para este revolucionário trabalho de Miles Davis ele havia contribuído com as composições e arranjos de: Jeru, Boplicity, Godchild e Venus De Milo, atuando como arranjador ao lado de nomes ilustres como Gil Evans, John Lewis e Johnny Carisi.

 

Mulligan, entretanto, ainda não havia tido uma sessão de gravação como líder, a qual só aconteceria em 27 de agôsto para a gravadora Prestige, de Bob Weinstock. Mulligan foi gravado em um quinteto que incluía o saxofonista tenor Allen Eager, o pioneiro pianista do bebop George Wallington, o contrabaixista Phil Leshin e o baterista Walter Bolden. Uma única composição ocupava os dois lados do LP 10 polegadas, Mulligan’s Too, uma extensa improvisação na qual os saxes barítono do líder e tenor de Eager estimulam-se mútuamente. A composição é ainda muito calcada no bebop, estilo responsável pela formação e influências musicais de Gerry. George Wallington contribui com uma perfeita sustentação harmônica e rítmica, ele que foi um dos mais especiais pianistas do bebop. Ouviremos esta preciosa obra de arte em sua versão integral, sem os cortes necessários para sua inclusão nos dois lados do LP.

 

Perceba Mulligan poucos meses antes da organização de seu famoso quarteto pianoless ao lado de Chet Baker, que o projetaria para o mundo como um dos mais importantes nomes do jazz moderno.

PS: Faz-se necessário, dar devido destaque às informações deixadas pelo amigo Apóstolo nos comentários deste post, que aqui reproduzo:

“Esse lançamento é apenas uma parte da “primeira” gravação de MULLIGAN, originalmente gravada como “GERRY MULLIGAN NEW STARS” na data de 21/setembro/1951 em New York e para a Prestige (que lançou incontáveis albuns com partes da sessão, inclusive um antológico LP duplo “MULLIGAN / BAKER”, além de lançamentos pelos selos “Saga Jazz” e “Proper”, estes em CD).A formação completa na gravação contou com JERRY LLOYD HURWITZ e NICK TRAVIS nos trumpetes, OLLIE WILSON no trombone de válvulas, ALLAN EAGER no tenor, MULLIGAN e MAX McELROY nos barítonos, GEORGE WALLINGTON no piano, PHIL LESHIN no baixo, WALTER BOLDEN na bateria e GAIL MADDEN nas maracas em 02 faixas.Além dessa espetacular faixa “Mulligan’s Too” com mais de 17 minutos, ficaram gravadas “Kaper”(02 tomadas), “Roundhouse”, “Ide’s Side”, “Bweebida Bobbida”, “Funhouse” e “Millenium”.Essa é considerada a primeira gravação de MULLIGAN como líder, já que sua verdadeira primeira gravação ficou “enterrada” com a gravadora e sem lançamento comercial: “Gerry Mulligan Quintet And Orchestra”, tomada diretamente do “Bop City” de New York em 12/janeiro/1950, com os temas “Gold Rush”, “Lady Be Good” e um incompleto “Tenderly”.Na formação, à frente de orquestra com músicos não identificados, MULLIGAN no barítono, PHIL URSO no tenor, BOB KARSH no piano, TOM O’NEIL no baixo e HOWIE MANN na bateria.MULLIGAN contabiliza “apenas” 97 gravações como líder, 196 complilações e regravações, 25 cópias de cessões para diversas etiquetas, 39 com grupos, 21 participações em trilhas sonoras de filmes, além de 57 participações em “Outras” formações = pouca coisa ! ! !”
Allen Eager (ts) Gerry Mulligan (bars) George Wallington (p) Phil Leshin (b) Walter Bolden (d) NYC, August 27, 1951

 

 1- Mulligan’s Too (G. Mulligan)