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Arquivo mensal: junho 2010

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis – Capitol Classics in Jazz – 10’LP H549 (1953)

Em 1949, Miles Davis assinou um contrato com a Capitol para gravar 12 faixas inéditas a serem lançadas em singles em 78 rpm e em um LP 10″ em 331/3 rpm. Para este projeto, Miles convocou 8 músicos com os quais já vinha trabalhando desde o ano anterior, com a supervisão e co-direção musical do amigo e arranjador Gil Evans. Gil, ao lado de Gerry Mulligan, Johnny Carisi e John Lewis, havia composto e arranjado um repertório original e revolucionário em proposta musical e o noneto já se apresentavam em clubes onde o bebop reinava, como o Royal Roost. A música apresentada pelo noneto era uma antítese ao padrão do bebop, de combos pequenos, normalmente sem arranjos elaborados e com o foco voltado para a improvisação sobre temas construídos sob aquela estética. A música produzida pela pena, principalmente, de Gerry Mulligan e Gil Evans trazia ao jazz um padrão de organização que a colocava em curso paralelo com a música de câmara erudita. Mulligan foi o principal artífice do grupo, tendo contribuído com a composição e o arranjo de: Jeru, Venus de Milo e Rocker; e somente como arranjador em: Deception, Godchild e Darn That Dream.

 

Das 12 faixas gravadas, oito foram lançadas neste LP 10″, que mostram três formações com pequenas alterações de pessoal, porém respeitando a mesma morfologia de grupo, em três datas distintas entre 21 de janeiro de 1949 e 9 de março de 1950. A música produzida pelo noneto de Miles Davis, juntamente com a de Lennie Tristano, foi fundamental no desenvolvimento do chamado cool jazz, que obtevo grande aceitação na costa oeste americana na década de 50. O chamado west-coast jazz bebe no Birth of The Cool toda sua inspiração musical que seria desenvolvida em paralelo com o hardbop por toda a década.

PS: Chegamos a postagem número 200 a poucos dias de completar 1 ano e meio de atividades, agradecemos a todos os amigos e apoiadores de nossa proposta editorial. Muito obrigado pelo suporte e paciência.

Miles Davis (tp) Kai Winding (tb) Junior Collins (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) Al Haig (p) Joe Schulman (b) Max Roach (d) John Lewis (arr)

NYC, January 21, 1949
*Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Sandy Siegelstein (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Kenny Clarke (d) John Carisi, Gil Evans (arr)
NYC, April 22, 1949
**Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Gunther Schuller (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars) John Lewis (p) Al McKibbon (b) Max Roach (d)
NYC, March 9, 1950
1- Jeru (Denzil Best, arranjo por John Lewis)
2- Moon Dreams (Chummy MacGregor, Johnny Mercer, arranjo por Gil Evans)**
3- Venus De Milo (Mulligan)*
4- Deception (Miles Davis, arranjo por Mulligan)**
5- Godchild (George Wallington, arranjo por Mulligan)
6- Rocker (Mulligan)**
7- Israel (Johnny Carisi)*
8- Rouge (John Lewis)*
 

HotBeatJazz 10′ Series – Billie Holiday & Stan Getz – Billie And Stan 10’LP Dale LP 25 (1951)

Enquanto o jazz instrumental foi predominantemente masculino o jazz vocalizado é uma área dominada pelas cantoras. As vozes femininas ditaram as regras da interpretação e da improvisação vocal desde o período do swing, quando uma boa orquestra de jazz não podia abrir mão de apresentar uma grande crooner na linha de frente. Até hoje três vozes reinam nesta área: Ella Fitzgerald com seu canto em scat, Sarah Vaughan com a ênfase na harmonia, e Billie Holiday na interpretação.

 

Billie nasceu em 1915 e começou a gravar discos acompanhada do pianista Teddy Wilson aos 20 anos de idade. Integrou as orquestras de Count Basie e Artie Shaw, e foi no período com Basie que iniciou sua amizade com o saxofonista Lester Young que manteria por toda sua vida. Acompanhada por Lester ela gravou seus mais perfeitos momentos no canto de baladas, sua maior especialidade. Seu canto era sofisticado, refinado, perturbador, erótico e com uma doçura amarga. Sua voz era rouca e étérea, com pinceladas de uma deliciosa perversidade. Sua dicção, perfeita. Um sentido de tempo e ritmo únicos, completavam as características que conferiam às suas interpretações uma experiência avassaladora. Billie faleceu em 1959, tendo atravessado por toda sua vida períodos de glória e de profunda depressão.

 

A gravação que trazemos mostra Billie acompanhada pelo saxofone que mais se aproximou do estilo de Lester Young, o som aveludado de Stan Getz. Gravado em Boston, em 1951, Billie se faz acompanhar pelo quinteto de Getz, formado pelo pianista Al Haig, o guitarrista Jimmy Raney, o contrabaixista Teddy Kotick e o baterista Tiny Kahn, em apresentação realizada em 29 de outubro daquele ano. Deste set com o quinteto de Getz, temos três faixas: You’re Driving Me Crazy, Lover Come Back To Me e Ain’t Nobody’s Business If I Do. Nas cinco faixas restantes, Billie foi acompanhada pelo seu trio, formado por Buster Harding ao piano; John Fields no contrabaixo e Marquis Foster na bateria.

 

Billie And Stan é um dos melhores registros da inigualável Billie Holiday em seu ambiente natural, um clube de jazz.

 

*Billie Holiday (vo) Stan Getz (ts) Al Haig (p) Jimmy Raney (g) Teddy Kotick (b) Tiny Kahn (d) “Storyville”, Boston, MA, October 29, 1951

 

Billie Holliday (vo) Buster Harding (p) John Fields (b) Marquis Foster (d)
“Storyville”, Boston, MA, October 31, 1951

 

1- You’re driving me crazy*
2- Lover come back to me*
3- Ain’t nobody’s bizzness if I*
4- He’s funny that way
5- Miss Brown to you
6- Detour ahead
7- Billie’s blues
8- Them there eyes
 

HotBeatJazz 10′ Series – Don Byas – 10′ LP ARL 117 (1950-51)

Continuamos a mostrar gravações do grande saxofonista Don Byas realizadas na França no ínicio da década de 50. Estas gravações são um complemento das que já foram mostradas no post anterior sobre o saxofonista, Don Byas Et Ses Rythmes – L’Inimitable 10’LP MGN 12 (1952) . Byas, acompanhado de músicos franceses, em duas sessões de gravação realizadas em 4 de julho de 1950 e 19 de abril de 1951. Um repertório inteiro de standards e baladas que se tornaram clássicos no songbook jazzístico, interpretado por este magnífico saxofonista, que teve a função de manter o estilo de Lester Young no naipe de saxofones da orquestra de Count Basie no início dos anos 40.

 

Maiores informações biográficas são encontradas no link acima, relativo a postagem anterior.

 

* Don Byas (ts) Art Simmons (p) Jean-Jacques Tilche (g) Roger Grasset (b) Claude Marty (d) Paris, France, July 4, 1950

 

Don Byas (ts) Maurice Vander (p) Jean-Pierre Sasson (g) Jacques “Popoff” Medvedko (b) Benny Bennett (d)
Paris, France, April 19, 1951

 

1- Night and Day
2- The Man I Love
3- Georgia On My Mind
4- Stardust*
5- Where Or When
6- Easy To Love
7- Over the Rainbow
8- Flamingo*
 

HotBeatJazz 10′ Series – Gerry Mulligan & Allen Eager – The New Sounds 10’LP PRLP 120 (1951)

O segundo 10 polegadas resultante da primeira sessão de Gerry Mulligan como líder saiu pela Prestige sob a co-liderança de Gerry e do saxofonista Allen Eager. Eager foi um direto seguidor dos cânones de Lester Young, linearidade no fraseado e um timbre macio e envolvente. Nascido em NYC em 10 de janeiro de 1927, foi um dos músicos da nova geração do bebop tendo atuado com seu próprio combo pela rua 52 entre 46 e 47, antes disto, atuou em importantes orquestras como as de Bobby Sherwood, Sonny Dunham, Shorty Sherock, Hal McIntyre, Woody Herman, Tommy Dorsey, e Johnny Bothwell. Em 48 tocou com Tadd Dameron e em 1951 trabalhava com Gerry Mulligan. Eager teve uma carreira irregular, tendo abandonado a cena musical por diversas vezes, a partir de 57 pouco se soube de Allen Eager. O próprio Eager cita a morte de CHarlie Parker e seu próprio envolvimento com drogas pesadas como motivo de sua ausência da cena. Nos anos 60 Eager se envolveu com o automibilismo, tendo se tornado piloto de competições, e manteve uma relaçao próxima com os experimentos de Timothy Leary e o uso do LSD. Em 1960 se aprsentou ao lado de Charles Mingus e em 70 com Frank Zappa. Nova retirada para somente ressurgir em 1982 e fazer tournés com Dizzy Gillespie. Eager veio a falecer em 2003.

 

Esta sessão de Gerry Mulligan e Allen Eager de certa forma repetia o modelo das gravações em noneto do ano anterior com Miles Davis para a Capitol, o Birth of the Cool. Aqui Mulligan mostra todo seu talento como compositor e arranjador em temas que seriam várias vezes revisitados durante sua carreira como: Funhouse, Bweebida Bobbida, Ide’s Side e Roundhouse.

 

Com este ítem somado ao do post anterior sobre Mulligan: Gerry Mulligan All Stars – 10’LP PRLP 141 (1951), completamos esta histórica data, a primeira de Gerry Mulligan como líder em um estúdio de gravação.

 

Jerry Lloyd, *Nick Travis (tp) *Ollie Wilson (tb) Allen Eager (ts) Max McElroy, Gerry Mulligan (bars) George Wallington (p) Phil Leshin (b) Walter Bolden (d) Gail Madden (maracas)
NYC, August 27, 1951

 

1- Roundhouse* (G. Mulligan)
2- Ide’s Side* (G. Mulligan)
3- Bweebida Bobbida* (G. Mulligan)
4- Kaper* (G. Mulligan)
5- Funhouse (G. Mulligan)
6- Mullenium (G. Mulligan)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer Quintet featuring Gigi Gryce – 10’LP PRLP 209 (1955)

A segunda sessão de gravação do quinteto do trompetista Art Farmer para a Prestige aconteceu em 26 de maio de 1955. O quinteto havia sofrido alterações em relação ao ano anterior. Ao lado de Art Farmer e do saxofonista Gigi Gryce formavam o pianista Freddie Redd, o baterista Art Taylor e o irmão gêmeo de Art, o contrabaixista Addison Farmer. Quatro composições de GIgi Gryce foram registradas na ocasião.

 

Blue Lights é um blues em tonalidade menor com atmosfera típicamente hardbop. Farmer e Gryce desenvolvem improvisaçãoes que não se afastam em demasia da melodia cativante e de memorização fácil, que nos remete às composições de Oliver Nelson.

 

Capri é uma composição complexa na alternancia de tonalidades em seus 32 compassos porém simples do ponto de vista melódico. Já havia sido gravada pelo sexteto do trombonista J. J. Johnson em 1953, com a participação de Clifford Brown.

 

Social Call é uma das composições de Gryce mais apreciadas e executadas pelos jazzistas. Tema de melodia graciosa e delicada, tem os mais líricos solos da sessão.

 

The Infant’s Song é uma balada dedicada ao recém nascido filho de Bob Weinstock, proprietário da Prestige. Farmer demonstra ser um mestre na utilização do vibrato com bom gosto, um músico com profundo respeito pelas formas expressivas da origem do jazz porém com um lustre moderno e atual.

 

Art Farmer foi durante toda sua carreira um dos mais líricos e técnicos trompetistas do jazz, possuidor de um toque sempre elegante e atual, embora tenha alimentado seu profundo conhecimento nas mais antigas e perenes formas musicais: o erudito e as velhas tradições jazzísticas.

 

Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Freddie Redd (p) Addison Farmer (b) Art Taylor (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 26, 1955

 

1- Blue Lights (G. Gryce)
2- Capri (G. Gryce)
3- Social Call (G. Gryce)
4- The Infant’s Song (G. Gryce)

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Sal Salvador – Kenton Presents Jazz 10’LP H6505 (1954)

Na série Kenton Presents Jazz, o conhecido e talentoso maestro Stan Kenton produzia e apresentava músicos de sua orquestra em trabalhos individuais como líderes. Os principais solistas da primeira metade da década de 50 que formavam na orquestra foram agraciados com lp’s nesta série da Capitol. Silvio Smiraglia, ou como era conhecido pelo público, Sal Salvador, teve sua sessão a frente de um quarteto que contava com o talentosíssimo pianista e vibrafonista Eddie Costa, infelizmente falecido precocemente. Costa foi, ao lado de Victor Feldman, um dos casos de pianista igualmente dotado de aptidões no teclado e com as baquetas do vibrafone. Completam o quarteto o contrabaixista Jimmy Gannon e o baterista Jimmy Campbell. O álbum foi gravado em duas sessões acontecidas em 8 e 9 de outubro de 1954 em NYC. A sonoridade da guitarra de Sal e do quarteto como um todo é seca e suave, um verdadeiro Dry Martini musical. Sal, ao lado de Jimmy Raney, foi um dos guitarristas do período que souberam evitar o excesso de notas e a sedução em tocar rápido, optando por uma execução mais lírica e sensível. Ambos se tornaram os guitarristas ideais para combos de estilo cool.

 

O repertório do álbum traz clássicos da música popular americana como: Autumn In New York, Violets For Your Furs e Nothing To Do; temas de pegada bop: Boo Boo Be Doop, Salutations, Now See Here, Man e Wheels. O delicioso blues Down Home abre o álbum.

 

Mais informações sobre a biografia de Sal Salvador pode ser encontrada em um post anterior do Sal Salvador Quartet – Jazz Unlimited (1956).

 

Eddie Costa (p, vb) Sal Salvador (g) Jimmy Gannon (b) Jimmy Campbell (d)
NYC, october 8, 1954* e NYC, october 9, 1954

 

01 – Down Home
02 – Salutations
03 – Violets For Your Furs
04 – Now See Here, Man
05 – Nothing To Do*
06 – Boo Boo Be Doop
07 – Autumn In New York
08 – Wheels*

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Serge Chaloff – Plays The Fable of Mable 10’LP 316 (1954)

Em 1954, Serge Chaloff havia retornado a Boston, sua cidade natal, e desenvolvia trabalhos com alguns dos excelentes músicos locais como: Herb Pomeroy, Charlie Mariano e Dick Twardzik. Havendo já brilhado em importantes orquestras como as de Woody Herman e Stan Kenton, Chaloff tinha consolidado nome como um dos mais importantes saxofonistas barítono de sua época. Os leitores desejosos de mais informação sobre Serge Chaloff as encontrarão em um post anterior sobre o álbum Blue Serge (1956).

 

The Fable of Mable foi gravado pela pequena gravadora de Boston, Storyville Records, em setembro de 1954. Chaloff liderou um noneto formado pelos trompetistas Herb Pomeroy e Nick Capazutto, o trombonista Gene DiStachio, o formidável sax alto Charlie Mariano, o saxofonista tenor Vardi Haritounian, o pianista Dick Twardzik, o contrabaixista Ray Oliveri e o baterista Jimmy Zitano. O grupo produziu uma música complexa e avançada, com arranjos muito precisos e executados a perfeição. O tema título é uma composição do pianista Dick Twardzik, um mini suíte em três partes, onde um leitmotif é apresentado com nuances e expressões diversas. O saxofonista Charlie Mariano contribui com três composições: Sherry, uma composição que antecipava a third stream, quase um jazz de câmara; Slam e sua atmosfera west-coast; e Eenie Meenie Minor Mode, um tema de arranjo complexo e altamente suingante. Herb Pomeroy escreveu A Salute To Tiny e o último tema do álbum vem da pena de Al Killian, Let’s Jump, tema de muito swing e veículo para os solistas Mariano, Pomeroy e Chaloff.

 

Lançado inicialmente em tiragem pequena, The Fable of Mable tornou-se um ítem disputadíssimo da obra de SErge Chaloff até ter sua música digitalizada e relançada em novo formato.

 

Herb Pomeroy (tp) Nick Capazutto (tp) Gene DiStachio (tb) Charlie Mariano (as) Vardi Haritounian (ts) Serge Chaloff (bs) Dick Twardzik (p) Ray Oliveri (b) Jimmy Zitano (d)
Recorded in Boston, September 1954

 

1- The Fable of Mabel (D. Twardzik)
2- Sherry (C. Mariano)
3- Slam (C. Mariano)
4- A Salute To Tiny (H. Pomeroy)
5- Eenie Meenie Minor Mode (C. Mariano)
6- Let’s Jump (A. Killian)