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Arquivo mensal: junho 2010

HotBeatJazz 10′ Series – Benny Carter – Cosmopolite 10′ LP MGC 141 (1952)

O saxofone alto teve, na década de 30 e até a primeira metade da década de 40, dois grandes estilistas que influenciaram os demais músicos deste instrumento, Johnny Hodges e Benny Carter. Bennett Lester (Benny) Carter (NYC, 8/08/1907 – Los Angeles, 12/07/2003), foi um dos mais completos músicos já surgidos na cena jazzística. Hábil no sax alto, clarinete, trompete, piano, e também, um inspirado compositor e arranjador, começou sua carreira recebendo ensinamentos do trompetista Bubber Milley. Estreou profissionalmente aos 15 anos de idade e entrou pela primeira vez em estúdio em 1928, no ano seguinte já organizava seu primeiro combo. Em 1930-31 toca na orquestra de Fletcher Henderson, onde também atuaria como arranjador. Tem uma breve atuação no McKinney’s Cotton Pickers antes de voltar a liderar um grupo próprio em 32. Criador de arranjos complexos e sofisticados que chamam a atenção de Duke Ellington, que o convida para escrever para sua famosa orquestra. Na década de 40, Carter muda-se para Los Angeles, onde passa a escrever música para os estúdios de cinema. Foi também no início desta década que promoveu o lançamento de um jovem trompetista, Miles Davis, do qual se tornaria amigo pessoal por toda a vida. Carter foi membro do conselho de música da “National Endowment for the Arts”. Foi também membro do “Black Film Makers’ Hall of Fame” (“Quadro de Honra dos Realizadores Negros de Filmes”) e, em 1980, recebe o prémio Golden Score, da “American Society of Music Arrangers” (“Sociedade Americana de Arranjadores de Música”). Reconhecido pelo Kennedy Center, em 1996, e recebeu vários doutoramentos honorários das universidades de Princeton, Harvard e Rutgers, do do conservatório de New England. Em 1987, Carter recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award, por lhe ter sido reconhecido o trabalho dedicado toda a sua vida em prol da música. Faleceu em Los Angeles, aos 95 anos de idade.

 

O álbum em questão foi gravado em 1952 para a Cleff Records em duas sessões. A primeira, em 18 de setembro, em NYC, contava com o acompanhamento do quarteto do pianista Oscar Peterson, formado pelo guitarrista Barney Kessel, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. No repertório, 3 standards e uma composição do book de Duke Ellington, I Got It Bad (And That Ain’t Good). Carter revelava nesta época ter absorvido algumas lições e maneirismos do bebop, principalmente nas músicas de andamento rápido como Long Ago (And Far Away). Seu lirismo e fraseado elegante fica evidente nas baladas, como em I’ve Got The World On A String. O timbre extraído por Benny Carter de seu sax alto é um dos mais belos já surgidos na cena jazzística e, caso raro entre os músicos do estilo swing, não abusa dos vibratos, mostrando uma modernidade estética precoce.

 

As faixas que ocupam o lado B do LP foram gravadas 3 meses depois em Los Angeles, também com acompanhamento do quarteto de Oscar Peterson, porém com o baterista J. C. Heard no lugar de Buddy Rich. Carter interpreta com sua costumeira elegência as baladas Imagination e Street Scene, e o quinteto esbanja swing em Pick Yourself Up e I Get A Kick Out Of You.

 

Cosmopolite está listado entre as melhores seções deste músico que durante toda sua carreira produziu centenas de gravações, todas de altíssima qualidade e com um bom gosto raramente pareado.

 

Benny Carter (as) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) J.C. Heard (d)*
Reeves Sound Studios, NYC, September 18, 1952
Radio Recorders, Hollywood, CA, December 4, 1952*

 

1- Long Ago (And Far Away)
2- I’ve Got The World On A String
3- Gone With The Wind
4- I Got It Bad (And That Ain’t Good)
5- Pick Yourself Up*
6- Imagination*
7- I Get A Kick Out Of You*
8- Street Scene*

Hot Beat Jazz

 

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer Quintet – 10’LP PRLP 181 (1954)

O trompetista Art Farmer conheceu o saxofonista alto Gigi Gryce no verão de 1953. Art havia chegado a NYC como membro da orquestra de Lionel Hampton e sua atuação para a gravadora Prestige em uma data do saxofonista californiano Wardell Gray havia impressionado Bob Weinstock, o proprietário. Em julho do mesmo ano, Bob organizava uma sessão com Art Farmer como líder e outros músicos da banda de Hampton. Gravaram quatro temas para lançamento posterior em um 10 polegadas. O último tema gravado destes quatro era “Up In Quincy’s Room”, uma composição de Gigi Gryce em homenagem ao trompetista e arranjador Quincy Jones, colega de estante de Art Farmer na banda de Hampton. Gigi estava trabalhando com Tadd Dameron em Atlantic City e havia se comprometido, além do arranjo para a sua composição, a fazer as transcrições de todas as partes dos músicos. Não havendo tempo para envia-las pelo correio, Gigi as terminou em um ônibus à caminho de NYC para entregá-las em mãos. Desta forma nasceu uma das mais produtivas e perfeitas associações da época, Art Farmer e Gigi Gryce gravariam várias composições que se tornariam obrigatórias em qualquer songbook das mais representativas da época.

 

A amizade entre ambos se fortaleceria quando Gigi Gryce foi incorporado a orquestra de Hampton, uma das mais formidáveis organizações da época, que contava com um naipe de trompetes antológico: Art Farmer, Quincy Jones e o jovem prodígio Clifford Brown. A orquestra faria uma importante temporada na Europa e no seu retorno aos EUA, no final de 1953, Art e Gigi permaneceram por conta própria em Manhattan. Em 1954 iniciaram o quinteto em uma gig no Tiajuana Club, em Baltimore. Gryce compôs uma série de novos temas dotando o quinteto de um material próprio de altíssima qualidade. Mais do que rápidamente Bob Weinstock agendaria duas sessões de gravação com o grupo, acontecidas em maio de 54.

 

A primeira delas, realizada no dia 19, contaria com os dois solistas principais e Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo e Kenny Clarke na bateria. Foram gravadas quatro composições de Gigi Gryce: A Night At Toni’s, Blue Concept, Deltitnu e Stupendous-Lee. A Night At Tony’s é um perfeito exemplo da capacidade de compositor e arranjador de Gryce, com uma melodia brilhante, simples e direta. Art, Gryce e Silver revelam a técnica e swing que os caracterizou por décadas a fio. Blue Concept é um delicioso blues em tom menor, onde Farmer executa um solo rico em idéias e fluência. Gryce mostra no blues o quanto absorveu de Charlie Parker em estilo e sonoridade. Silver desenvolve seu solo impregnado de alma funky sobre uma pulsação forte de Heath e Kenny Clarke troca fours com os solistas antes da volta ao tema. Stupendous-Lee é um tema que melódicamente nos remete ao jazz da west coast, composição que homenageia o grande saxofonista alto Lee Konitz. Deltitnu é um típico tema bebop, frases rápidas e ágeis impondo o máximo de controle da emissão ao trompete de Farmer.

 

Art Farmer Quintet é uma fantástica sessao de dois grandes músicos do hardbop em uma associação frutífera que perdurou até meados de 56.

 

Vale dar uma conferida no blog Jazz+Bossa+Baratos Outros onde se pode ler uma belíssima resenha sobre Gigi Gryce http://ericocordeiro.blogspot.com/2010/06/escada-e-ponte.html .

 

Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 19, 1954

 

1- A Night At Tony’s
2- Blue Concept
3- Stupendous-Lee
4- Deltitnu
 

HotBeatJazz 10′ Series – Gerry Mulligan All Stars – 10’LP PRLP 141 (1951)

Em 1951, aos 24 anos de idade, Gerry Mulligan já era um respeitado arranjador. Suas composições e arranjos já haviam sido admirados nas orquestras de Gene Krupa, Claude Thornhill, Elliot Lawrence, Stan Kenton e, principalmente, no noneto de Miles Davis, que causava sensação com a original proposta sonora do Birth of The Cool. Para este revolucionário trabalho de Miles Davis ele havia contribuído com as composições e arranjos de: Jeru, Boplicity, Godchild e Venus De Milo, atuando como arranjador ao lado de nomes ilustres como Gil Evans, John Lewis e Johnny Carisi.

 

Mulligan, entretanto, ainda não havia tido uma sessão de gravação como líder, a qual só aconteceria em 27 de agôsto para a gravadora Prestige, de Bob Weinstock. Mulligan foi gravado em um quinteto que incluía o saxofonista tenor Allen Eager, o pioneiro pianista do bebop George Wallington, o contrabaixista Phil Leshin e o baterista Walter Bolden. Uma única composição ocupava os dois lados do LP 10 polegadas, Mulligan’s Too, uma extensa improvisação na qual os saxes barítono do líder e tenor de Eager estimulam-se mútuamente. A composição é ainda muito calcada no bebop, estilo responsável pela formação e influências musicais de Gerry. George Wallington contribui com uma perfeita sustentação harmônica e rítmica, ele que foi um dos mais especiais pianistas do bebop. Ouviremos esta preciosa obra de arte em sua versão integral, sem os cortes necessários para sua inclusão nos dois lados do LP.

 

Perceba Mulligan poucos meses antes da organização de seu famoso quarteto pianoless ao lado de Chet Baker, que o projetaria para o mundo como um dos mais importantes nomes do jazz moderno.

PS: Faz-se necessário, dar devido destaque às informações deixadas pelo amigo Apóstolo nos comentários deste post, que aqui reproduzo:

“Esse lançamento é apenas uma parte da “primeira” gravação de MULLIGAN, originalmente gravada como “GERRY MULLIGAN NEW STARS” na data de 21/setembro/1951 em New York e para a Prestige (que lançou incontáveis albuns com partes da sessão, inclusive um antológico LP duplo “MULLIGAN / BAKER”, além de lançamentos pelos selos “Saga Jazz” e “Proper”, estes em CD).A formação completa na gravação contou com JERRY LLOYD HURWITZ e NICK TRAVIS nos trumpetes, OLLIE WILSON no trombone de válvulas, ALLAN EAGER no tenor, MULLIGAN e MAX McELROY nos barítonos, GEORGE WALLINGTON no piano, PHIL LESHIN no baixo, WALTER BOLDEN na bateria e GAIL MADDEN nas maracas em 02 faixas.Além dessa espetacular faixa “Mulligan’s Too” com mais de 17 minutos, ficaram gravadas “Kaper”(02 tomadas), “Roundhouse”, “Ide’s Side”, “Bweebida Bobbida”, “Funhouse” e “Millenium”.Essa é considerada a primeira gravação de MULLIGAN como líder, já que sua verdadeira primeira gravação ficou “enterrada” com a gravadora e sem lançamento comercial: “Gerry Mulligan Quintet And Orchestra”, tomada diretamente do “Bop City” de New York em 12/janeiro/1950, com os temas “Gold Rush”, “Lady Be Good” e um incompleto “Tenderly”.Na formação, à frente de orquestra com músicos não identificados, MULLIGAN no barítono, PHIL URSO no tenor, BOB KARSH no piano, TOM O’NEIL no baixo e HOWIE MANN na bateria.MULLIGAN contabiliza “apenas” 97 gravações como líder, 196 complilações e regravações, 25 cópias de cessões para diversas etiquetas, 39 com grupos, 21 participações em trilhas sonoras de filmes, além de 57 participações em “Outras” formações = pouca coisa ! ! !”
Allen Eager (ts) Gerry Mulligan (bars) George Wallington (p) Phil Leshin (b) Walter Bolden (d) NYC, August 27, 1951

 

 1- Mulligan’s Too (G. Mulligan)