RSS

Arquivo mensal: setembro 2010

HotBeatJazz 10′ Series – Jazz Workshop Volume One – Tombone Rapport DLP5 (1953)

No verão de 1953 uma Jazz Workshop foi organizada pelo Putnam Central Club, no Brooklin, e pelo contrabaixista Charles Mingus. O objetivo era viabilizar o encontro de vários músicos para tocarem suas composições e também obras de novos compositores. Entre os músicos que participaram estavam Max Roach, Thelonious Monk, Art Blakey, Horace Silver e muitos outros. Uma das sessões foi gravada pela Debut Records, de propriedade de Mingus, e neste 10 polegadas podemos ouvir parte do material produzido da reunião de quatro tormbonistas top do jazz: J. J. Johnson, Kai Winding, Benny Green e Willie Dennis, com o suporte da seção rítmica formada pelo pianista John Lewis, o contrabaixista Charles Mingus e o baterista Art Taylor. Este primeiro volume foi centrado na jam acontecida nesta apresentação e se propõe a mostrar o clima de relaxamento entre os músicos nestas reuniões.

 

O álbum abre com a composição de Denzil Best, Move, apresentada em up-tempo. O primeiro a solar é J. J. Johnson, em uma impro melódica e estimulante. Benny Green executa dois choruses repletos de energia antes das participações de Winding e Willie Dennis. Os quatro executam o tema em unísono antes do encerramento. A balada Stardust é veículo para uma lírica interpretação de Benny Green, em uma das mais belas leituras deste clássico realizada ao trombone. Yesterdays, de Jerome Kern, tem a mesma ordem dos solos de Move, com J. J. Johnson interrompendo o início e pedindo um andamento mais acelerado. John Lewis executa um belo solo e mostra seu sempre competente estilo no acompanhamento dos solistas.

 

Trombone Rapport, é uma das mais importantes reuniões de trombonistas do jazz moderno, tendo sido relançado diversas vezes em formato LP 12′ e também em CD.

 

Willie Dennis, Bennie Green, J. J. Johnson, Kai Winding (tb); John Lewis (p); Charles Mingus (b); Art Taylor (d)
“Putnam Central Club”, Brooklyn, NY, September 18, 1953

 

1- Move
2- Stardust
3- Yesterdays

http://ouo.io/NTL6M

 

HotBeatJazz 10′ Series – Clifford Brown and Max Roach – 10′ LP MG 26043 (1954)

Após as apresentações no “California Club” em abril de 1954, Max Roach e Clifford Brown permaneceram na costa oeste e partiram para a organização de um quinteto com integrantes permanentes. Logo depois da gravação do álbum Clifford Brown Ensemble para a Pacific Jazz (já postado no blog), em julho, dois músicos vieram de NYC para juntarem-se definitivamente ao quinteto: O pianista Richie Powell, irmão mais novo do famoso Bud Powell, e o contrabaixista George Morrow. Para o saxofone optaram pelo talentoso Harold Land, músico de grande prestígio no cenário da costa oeste, com um fraseado e sonoridade da escola de Lester Young.

 

Nos dias 2,3 e 6 de agosto, o quinteto estava nos estúdios da Capital, em Los Angeles, gravando faixas que ficariam para sempre fazendo parte da história do jazz, como: Joy Spring e Daahoud, composições originais de Brownie; Jordu, tema do antigo parceiro de Max Roach no quintteo de Parker, o pianista Duke Jordan. A belíssima e alucinante Parisian Thoroughfare, composição de Bud Powell e o standard Delilah, composição de Victor Young.

 

O quinteto, de uma unidade e entrosamento fora do comum, tornou-se uma referência no período de transição do bebop para o hardbop. O trompete de Clifford nunca soou tão brilhante e especial como nestas gravações, revelando um jovem músico já dotado das qualidades que somente os gigantes do jazz apresentavam. Tudo foi rápido e efêmero para Clifford Brown, assim como sua vida, tragada de forma prematura dois anos depois destas gavações em um acidente automobilístico, que também ceifou a promissora carreira do pianista Richie Powell e de sua espôsa. Restou-nos as maravilhosas gravações deste especial quinteto.

 

Clifford Brown (tp) Harold Land (ts) Richie Powell (p) George Morrow (b) Max Roach (d) Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, August 2, 3, 6, 1954

 

1- Delilah
2- Parisian Thoroughfare
3- Daahoud
4- Joy Spring
5- Jordu

http://ouo.io/JgtWW

 

HotBeatJazz 10′ Series – Max Roach and Clifford Brown – In Concert 10’LP GNP 5 (1954)

O quinteto Max Roach – Clifford Brown iniciou as atividades em 1954 na Califórnia. Max já era um precoce veterano, reconhecido como um dos mais importantes desenvolvedores da linguagem da bateria no bebop. Clifford estava apenas iniciando seu segundo ano de atividades constantes em estúdios e apresentações. Em 52 ele havia feito sua estréia em estúdios participando do grupo do percussionista e vocalista jamaicano Chris Powell, como integrante dos “The Five Blue Flames“. Em 53 Clifford esteve na mira das atenções de músicos e público participando de diversas associações: um fabuloso álbum co-liderando um quinteto com Lou Donaldson, como membro do tenteto de Tadd Dameron, gravações para a Blue Note como integrante do sexteto de J. J. Johnson, e uma associação com o saxofonista Gigi Gryce que o levaria a vários trabalhos culminando com o convite para integrar o fabuloso naipe da orquestra de Lionel Hampton em uma excursão a Europa no segundo semestre.

 

1954 começa não menos agitado, com Brownie atuando no quinteto de Art Blakey em apresentações no Birdland em fevereiro, momento esse imortalizado em gravação ao vivo da Blue Note do grupo que seria o embrião dos futuros Jazz Messengers. Em abril recebe o convite de Max Roach para co-liderar um quinteto e vão para a Califórnia, atuar em clubes de jazz e nos estúdios da Capitol. Brownie faria também uma sessão para a Pacif Jazz, gravadora local que produziu alguns dos melhores discos do west-coast jazz. Em abril daquele ano o quinteto Roach-Brown ainda não estava com seus integrantes definidos, fato que somente ocorreria em agosto. para as primeiras apresentações eles recrutaram alguns músicos locais como o pianista Carl Perkins, o contrabaixista George Bledsoe e o fantástico saxofonista tenor Teddy Edwards.

 

A apresentação no “California Club” em Los Angeles foi gravada e lançada em 10 polegadas pelo produtor Gene Norman na série Gene Norman Presents. Apenas quatro temas, divididos em performances em quarteto e quinteto perfaziam o álbum. Em Tenderly e Clifford’s Axe o destaque é todo de Clifford, que apresenta sua habitual e fantástica técnica ao trompete, que o levaria a ser comparado a Dizzy Gillespie. Clifford Brown não é somente um virtuose técnico, é um verdadeiro poeta na criação de belas frases musicais, sempre com uma arquitetura de idéias tremendamente criativa. Em All God’s Chillun Got Rhythm e em Sunset Eyes, o talentoso saxofonista tenor Teddy Edwards divide os holofotes com Brownie.

 

Conheçam este primeiro registro de um dos mais importantes combos da história do jazz. Com vocês, o Max Roach – Clifford Brown Quintet!

 

Clifford Brown (tp) Teddy Edwards (ts -1,3) Carl Perkins (p) George Bledsoe (b) Max Roach (d) Gene Norman (ann)
“California Club”, Los Angeles, CA, April, 1954

 

1- All God’s Chillun Got Rhythm
2- Tenderly
3- Sunset Eyes
4- Clifford’s Axe

http://ouo.io/kkS56

 

HotBeatJazz 10′ Series – Max Roach Quartet featuring Hank Mobley – DLP13 (1953)

O baterista Max Roach foi músico de importancia superlativa no desenvolvimento do bebop na segunda metade da década de 40. Como integrante do quinteto regular de Charlie Parker, Roach desenvolveu a linguagem da bateria moderna ao lado de Kenny Clarke e Art Blakey. Somente em abril de 1953 Max Roach gravaria suas primeiras sessões como líder para a gravadora Debut, de propriedade de seu amigo Charles Mingus. As sessões realizadas em 10 e 21 de abril daquele ano marcariam também a estréia do saxofonista Hank Mobley em gravações de caráter estritamente jazzístico, uma vez que ele somente havia participado de duas sessões quando integrante da banda de blues de Paul Gayten.

 

A sessão de 21 de abril foi realizada por uma formação de quarteto, com Max Roach acompanhado por Mobley, pelo pianista Walter Davis Jr. – o qual também fazia sua estréia em estúdios nestas datas, e pelo contrabaixista Franklin Skeete. Dos seis temas lançados no 10 polegadas, dois são originais de Roach: Cou-Manchi-Cou e o solo de bateria Drum Conversation. Mobley já mostrava seu imenso talento como compositor no suingante hardbop Kismet. Chi-Chi, de Charlie Parker, é executada em um andamento mais relax e bluesy. Os standards Just One Of Those Things, de Cole Porter e a belíssima balada I’m A Fool To Want You, de Frank Sinatra, são veículos para o talento de Mobley e Roach na sintaxe bop da primeira e no lirismo melódico da última.

 

Um ano após esta sessão, Max Roach uniria forças com o trompetista Clifford Brown em um quinteto que faria parte da história do desenvolvimento do jazz, formando um dos mais importantes combos do hardbop.

 

Hank Mobley (ts) Walter Davis Jr. (p) Franklin Skeete (b) Max Roach (d)
NYC, April 21, 1953

 

1- Cou-Manchi-Cou
2- Just One Of Those Things
3- Drum Conversation
4- Chi-Chi
5- Kismet
6- I´m A Fool To Want You

http://ouo.io/Xi5Ck

 

HotbeatJazz 10′ Series – Lou Mecca Quartet – 10’LP BLP 5067 (1955)

Louis John Meccia – Lou Mecca – nasceu em 23 de dezembro de 1926, em Passaic, New Jersey. Filho de imigrantes italianos, seu pai foi trompetista em algumas orquestras sinfônicas na Itália e na América, iniciou seus estudos de música aos 8 anos de idade, no instrumento de seu pai, o trompete. O garoto, pequeno e franzino, não se adaptou muito bem ao trompete e logo depois iniciou o estudo da guitarra na The Master School of Music, onde pagava 50 cents por aula e ainda tinha uma guitarra da escola para praticar. Lou abandonou a High School no quarto ano para se tornar músico profissional tocando em um bar de Passaic como integrante de um quarteto. Lou recorda: “Nós sabíamos sete músicas e as tocávamos por toda a noite”. Por esta época, Lou iniciou o que viria a ser sua atividade principal, que lhe garantiria o sustento, lecionar música em uma escola de New Jersey. Por alguns anos Lou viveria de ensinar música e tocar nos finais de semana em bares de N.J.

 

Em 1947, Lou conheceu o guitarrista Johnny Smith. A primeira vez que Lou o ouviu, Smith estava tocando trompete na banda do exército. A partir desta amizade, Lou voltaria a se dedicar também ao trompete, abandonado na infância, tendo inclusive tocado por uma temporada inteira na Orquestra Sinfônica de Clifton. No início dos anos 50 trabalhou com grupos de pouca expressão como: Archie Bleyer, Julius LaRosa, e acompanhando vocalistas como Joni James e Alan Dale. Ganhou alguma projeção ao gravar com o saxofonista Gil Mellé para a Blue Note, seu toque foi tão especial que 1 ano após gravaria com seu quarteto este seu primeiro álbum, também para a Blue Note.

 

Nesta sessão realizada em 25 de março de 1955 nos estúdios de Rudy Van Gelder, Lou se faz acompanhar pelo vibrafonista Jack Hitchcock, pelo contrabaixista Vinnie Burke e pelo baterista Jimmy Campbell. No repertório, standards clássicos como: All The Things You Are, The Song Is You, Just One Of Those Things, You Go To My Head; o sucesso de Gerry Mulligan, Bernie’s Tune e um tema original de seu amigo pianista Stan Purdy, Stan’s Invention.

 

Em All The Things You Are, Lou faz um delicado trabalho de contraponto ao vibrafone de HItchcock. Em You Go To My Head, Lou executa um belo trabalho no estilo single-note, ele e Sal Salvador tornaram-se mestres nesta forma tocar a guitarra. The Song Is You tem uma suingante interpretação do quarteto, com destaque para o trabalho de Jimmy Campbell nas escovas.

 

Lou Mecca foi um dos mais underrateds guitarristas deste prolífico período do instrumento na história do jazz. Somente viria a gravar seu segundo álbum como líder em 1999, a somente quatro anos de sua morte, acontecida em 2003.

 

Jack Hitchcock (vib) Lou Mecca (g) Vinnie Burke (b) Jimmy Campbell (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, March 25, 1955

 

1- All The Things You Are
2- You Go To My Head
3- Bernie’s Tune
4- Stan’s Invention
5- The Song Is You
6- Just One Of Those Things

http://ouo.io/Xfk0AV

 

HotBeatJazz 10′ Series – Bud Shank – And Three Trombones 10’LP PJLP-14 (1954)

Bud Shank dividiu, nos anos 50, com Art Pepper a preferência entre os apreciadores do west-coast jazz no saxofone alto. Herb Geller e Lennie Niehaus também tinham seus adeptos, porém Shank e Pepper se tornaram a referência no instrumento para aqueles que apreciavam o movimentado cenário jazzístico oriundo da Califórnia. Tanto que na eleição da revista Down Beat em 1954, Shank foi eleito New Star no saxofone alto, desbancando seus colegas da Califórnia e os inúmeros altoístas em atividade na costa leste, a maior vitrine do jazz do período.

 

Neste mesmo ano de 1954, Shank gravou um álbum muito especial para a gravadora Pacific Jazz, Bud Shank And Three Trombones, disco que contou com os arranjos e composições do saxofonista Bob Cooper e as participações de três exímios trombonistas da costa oeste: Bob Enevoldsen, Stu Williamson e uma das raras oportunidades de se ouvir o conhecido trompetista canadense Maynard Ferguson atuando no trombone valvulado. A seção rítmica trazia o excelente pianista Claude Williamson e os super requisitados Joe Mondragon no contrabaixo e Shelly Manne na bateria. Às composições e os arranjos de Bob Cooper foram incluídas duas baladas do repertório popular americano: Little Girl Blue e You Don’t Know What Love Is. Cooper construiu ricas harmonias executadas pelos trombones que produzem um contraste de timbres ao saxofone alto do líder, um legítimo Parkeriano por excelência. Wailing Vessel tornou-se um clássico do west-coast, sendo revisitado por Shank em vários álbuns posteriores. Valve In Head é uma aula de arranjo ofertada por Bob Cooper e um tema de suingue contagiante. Shank produz um solo incendiário culminando em um break apoiado pela bateria sutil e melódica de Shelly Manne, de atuação destacada na faixa. Joe Mondragon inicia Cool Fool com um elegante walkin’ bass, com Shank e os trombones valorizando a escrita do arranjador. Mobile foi outro tema muito revisitado nas gravações da west-coast. Manne e Claude Williamson iniciam Baby’s Birthday Party, um tema repleto de cores tonais e de atmosfera típica do jazz da Califórnia.

 

Bud Shank And Three Trombones é um dos pontos altos do jazz da Califórnia e da discografia deste virtuose do saxofone alto.

 

Bud Shank (as); Bob Enevoldsen (tb); Maynard Ferguson (valv tb); Stu Williamson (tb); Claude Williamson (p); Joe Mondragon (b); Shelly Manne (d); Bob Cooper (arr)
Recorded in Hollywood, April and June 1954

 

1- Valve In Head
2- Cool Fool
3- Little Girl Blue
4- Mobile
5- Wailing Vessel
6- Baby’s Birthday Party
7- You Don’t Know What Love Is
8- Sing Something Simple

 

 http://ouo.io/k0HXi