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Arquivo da categoria: Addison Farmer

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer Quintet featuring Gigi Gryce – 10’LP PRLP 209 (1955)

A segunda sessão de gravação do quinteto do trompetista Art Farmer para a Prestige aconteceu em 26 de maio de 1955. O quinteto havia sofrido alterações em relação ao ano anterior. Ao lado de Art Farmer e do saxofonista Gigi Gryce formavam o pianista Freddie Redd, o baterista Art Taylor e o irmão gêmeo de Art, o contrabaixista Addison Farmer. Quatro composições de GIgi Gryce foram registradas na ocasião.

 

Blue Lights é um blues em tonalidade menor com atmosfera típicamente hardbop. Farmer e Gryce desenvolvem improvisaçãoes que não se afastam em demasia da melodia cativante e de memorização fácil, que nos remete às composições de Oliver Nelson.

 

Capri é uma composição complexa na alternancia de tonalidades em seus 32 compassos porém simples do ponto de vista melódico. Já havia sido gravada pelo sexteto do trombonista J. J. Johnson em 1953, com a participação de Clifford Brown.

 

Social Call é uma das composições de Gryce mais apreciadas e executadas pelos jazzistas. Tema de melodia graciosa e delicada, tem os mais líricos solos da sessão.

 

The Infant’s Song é uma balada dedicada ao recém nascido filho de Bob Weinstock, proprietário da Prestige. Farmer demonstra ser um mestre na utilização do vibrato com bom gosto, um músico com profundo respeito pelas formas expressivas da origem do jazz porém com um lustre moderno e atual.

 

Art Farmer foi durante toda sua carreira um dos mais líricos e técnicos trompetistas do jazz, possuidor de um toque sempre elegante e atual, embora tenha alimentado seu profundo conhecimento nas mais antigas e perenes formas musicais: o erudito e as velhas tradições jazzísticas.

 

Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Freddie Redd (p) Addison Farmer (b) Art Taylor (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 26, 1955

 

1- Blue Lights (G. Gryce)
2- Capri (G. Gryce)
3- Social Call (G. Gryce)
4- The Infant’s Song (G. Gryce)

 

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Curtis Fuller and Hampton Hawes – With French Horns (1957)

A morfologia habitual dos combos de jazz tem consistido, desde os anos 40, de uma seção rítmica básica (piano-contrabaixo-bateria) dando suporte a um saxofone (alto ou tenor) e um trompete. Portanto quando nos deparamos com uma unidade com uma linha de frente formada por sax alto, trombone e dois french horns (trompas), sabemos de ante-mão que não estamos diante de uma música previsível ou enquadrada nos mais confortáveis cânones jazzísticos. Timbres e tessituras sonoras inusitadas é o que podemos esperar ouvir em uma formação tão original. O french horn (trompa) é um instrumento usado habitualmente em naipes de orquestras de baile e em formações sinfônicas, sendo muito raramente incorporado a combos jazzísticos, os casos mais proeminentes foram na orquestra do inovador Claude Thornhill e no noneto de Miles Davis de 1949 com os não menos inovadores arranjos de Gil Evans. Nesta sessão co-liderada pelo trombonista Curtis Fuller e o pianista Hampton Hawes, os french horns (trompas) de Julius Watkins e David Amram fogem do costumeiro trabalho exclusivo nos voicings e tem igual importância ao dos líderes nos solos.

 

Curtis Fuller é um dos mais importantes nomes do trombone, tendo surgido em NYC juntamente com a leva de músicos de Detroit que desembarcaram na Big Apple nos anos 50. Foram dessa mesma leva migratória nomes importantes como Donald Byrd, Kenny Burrell, Pepper Adams, Tommy Flanagan e Paul Chambers. Fuller já chegou arrebatando os olhares de Miles Davis, Lester Young, Dizzy Gillespie, Gil Evans, Benny Golson e John Coltrane, só pra citar os quais ele trabalhou na segunda metade da década. Quando, em 1959, Golson e Art Farmer formaram o fenomenal combo The Jazztet, Fuller foi a opção óbvia para ocupar o posto de trombonista. Em 61, já consagrado, entraria no Jazz Messengers de Art Blakey onde seria notado por todo apreciador de jazz como um estilista do instrumento.
Hampton Hawes foi um dos primeiros pianistas da west-coast a incorporar o discurso musical de Charlie Parker, isso ainda nos anos 40. Gravou com os principais nomes da California como Dexter Gordon, Wardell Gray, Teddy Edwards, Art Pepper, Shorty Rogers e os Lighthouse All-Stars. Após sua passagem pelo exército, de onde deu baixa em 54, formou um importante trio com o baixista Joe Mondragon e o baterista Shelly Manne. Em uma de suas raras visitas a NYC gravou este álbum, hoje um ítem antológico e fundamental em qualquer boa discoteca de jazz.
Julius Watkins, outro destes fantásticos músicos oriundos de Detroit, foi um dos pioneiros no French Horn (trompa) como solista. Desembarcado em Manhattan juntamente com Fuller no início da década de 50, trabalhou no combo do contrabaixista Oscar Pettiford, na orquestra de Pete Rugolo e co-liderou com o saxofonista Charlie Rouse o combo Les jazz Modes, de 56 a 59.
David Amram, assim como Julius Watkins, teve uma formação musical acadêmica, tendo tocado na National Symphony em Washington. Passou o ano de 55 tocando em Paris tendo retornado em 56 para os EUA, onde trabalhou na orquestra de Oscar Pettiford ao lado de Watkins. Também se dedicou a carreira de compositor, tendo criado música para várias peças da Broadway e para os estúdios de TV e cinema.
O último homem da linha de frente é o saxofonista Sahib Shihab, que começou sua carreira em 39 na orquestra de Luther Henderson. Seu currículo é extenso, tendo sido um dos mais requisitados músicos free-lancer de NYC, como atestam seus trabalhos com Thelonious Monk, Tadd Dameron, Art Blakey, Dizzy Gillespie, Illinois Jacquet e Quincy Jones. Como foi um músico oriundo do período Bop a influência de Parker é evidente em seu toque, mas traz também entre suas referências músicos mais antigos como Benny Carter e Willie Smith. Foi um exímio músico em toda linha dos saxofones: alto, tenor e barítono, e também um dos mais requintados flautistas do jazz. Mudou-se para a Europa em 1961, onde viveu e permaneceu em intensa atividade até seus dias finais.
Completam este time de craques do álbum, o contrabaixista Addison Farmer e o baterista Jerry Segal. Compuseram a música para a ocasião os excelentes Teddy Charles, que também atua ao piano em “No Crooks”, Salvatore Zito e David Amram.
A qualidade da música e dos arranjos neste álbum é superlativa, assim como todos os solos, improvisos e a costumeira competência de Rudy Van Gelder na engenharia de som.
Um álbum simplismente fundamental!

 

Curtis Fuller (tb) Dave Amram, Julius Watkins (frh) Sahib Shihab (as) Hampton Hawes (p) Teddy Charles (p)* Addison Farmer (b) Jerry Segal (d)

 

Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 18, 1957

 

 

1- Ronnie’s Tune (S. Zito)
2- Roc And Troll (T. Charles)
3- A-Drift (S. Zito)
4- Five Spot (D. Amram)
5- Lyriste (T. Charles)

6- No Crooks (T. Charles)*