RSS

Arquivo da categoria: Alex Foster

Don Sebesky – Full Cycle (1984)

O arranjador, trombonista, pianista e band-leader Don Sebesky é um sujeito que suscita polêmicas. Alguns o adoram como grande arranjador que é, outros tantos, e não são poucos, colocam sobre seus ombros o crédito de ser o responsável pela pasteurização da música de vários excelentes jazzmen, como Wes Montgomery, George Benson, Freddie Hubbard e etc. Mas o que nenhum dos grupos de opiniões podem negar é a excelência e a competência musical deste jovem, prestes a completar 72 anos em 10 de dezembro. Don nasceu em Perth Amboy, New Jersey, estudou trombone na Manhattan School Of Music, e ainda bem jovem já atuava ao lado de Kai Winding, Claude Thornhill, Tommy Dorsey, Maynard Ferguson e Stan Kenton. A partir dos anos 60, começa a se dedicar ao ofício de arranjador, e atinge o ápice do sucesso em 65 ao assinar os arranjos do álbum “Bumpin'” de Wes Montgomery. Apoiado pelo produtor Creed Taylor, inicialmente no selo Verve e posteriormente no CTI, Don Sebesky produziu arranjos que contribuiram para uma maior popularização do jazz junto a ouvintes não iniciados. Neste ofício, Don produziu arranjos tipo glacê para massas sonoras um tanto insoças mas também pode caprichar em sua pena partituras de alto nível para excelentes álbuns como “First Light” de Freddie Hubbard. “Full Cycle” foi gravado em 1984 por um selo um tanto obscuro, porém com repertório de primeira linha com 6 temas saídos de nomes como: John Coltrane, John Lewis, Freddie Hubbard, Bill Evans, Miles Davis e Bud Powell. Don atua não só como arranjador mas também ao piano Fender Rohdes, o que confere a música uma certa atmosfera setentista. Os músicos participantes são todos de primeiríssima linha como: Jon Faddis, Lew Soloff, Eddie Daniels, Alex Foster, Jim Pugh, Alan Ralph, entre outros. O ouvinte poderá além de curtir uma grande música, matar as saudades dos estalos de um legítimo Lp, de onde foram ripadas as seis faixas. De resto, é diminuir as luzes, servir um martini seco ou outro drink de sua preferência, e viajar nas bem estruturadas partituras de Mr. Don Sebesky. Vida longa ao mestre!
Don Sebesky (Arr, p); Eddie Daniels, Alex Foster, Roger Rosenberg (Reeds); Jon Faddis, *Lew Soloff, ** Jim Bossy (tp); *Jim Pugh, Ed Byrne, Alan Ralph (tb); Kenneth Sebesky (g), Jay Leonhart (b), Jimmy Madison (d), Sue Evans (perc)
* Tracks 1, 2 & 6; ** Tracks 3, 4 & 5
1- Naima (J. Coltrane)
2- Django (J. Lewis)
3- Intrepid Fox (F. Hubbard)
4- Waltz for Debbie (B. Evans)
5- All Blues (M. Davis)
6- Un Poco Loco (B. Powell)
 

Mingus Dynasty – The Next Generation (1991)

Logo após a morte de Charles Mingus, em 5 de janeiro de 1979 na cidade mexicana de Cuernavaca, a esposa, Susan, organizou a Mingus Dynasty, um grupo formado por antigos colaboradores de Charles, com o intuito de manter vivo seu espírito e suas composições. Já em 1980 o grupo fazia turnes pelo mundo, tendo inclusive se apresentado no 2° Festival de Jazz de São Paulo e no afamado Montreux Jazz Festival. Em 1991 o grupo sofreu a maior transformação em sua formação até então, com a permanência de somente dois antigos colaboradores diretos de Mingus, o trompetista Jack Walrath e o veterano saxofonista George Adams. Uma nova leva de jovens músicos, que despontaram no universo jazz na década de 80, foram convidados a dar suas contribuições para a música da Mingus Dynasty. Desta forma foram incorporados o contrabaixista Ray Drummond, o baterista Marvin “Smitty” Smith, o veterano pianista John Hicks e os saxofonistas Craig Handy e Alex Foster.
A faixa de abertura, “Sketch Four”, foi composta por Mingus no último ano de vida, quando ele já não conseguia compor ao piano em virtude da isquemia múltipla que o acometeu. Nesse período foi costumeiro Mingus cantarolar a melodia em um gravador magnético, e é assim que se inicia o tema, Mingus acompanhado por um metrônomo com a Mingus Dynasty surgindo a seguir. “Portrait”, “Opus Three” e “Opus Four” foram compostas na década de 50 e gravadas no álbum “Mingus Moves” de 1973. “Harlene” foi outra composição feita por Mingus em gravador, a última criada por ele desta forma, e idealizada para a trilha de um filme sobre Jack Kerouac. Mingus começou a escrever “Farewell Farwell” no início de 1960 e a gravou em seu último álbum em 1978. “Wham Bam” que é outra composição dos anos 50 e “Noon Night”, que foi um dos 19 movimentos de “Epitaph”, traz um belo solo de George Adams e foi originalmente gravada em 1957. “Bad Cops” tem a narração retirada da autobiografia de Mingus “Beneath the underdog” e traz o pianista Benny Green em sua única participação no álbum. “Pilobolus” foi escrita em 1978 para um grupo de dança homônimo e tem a participação especial do veterano baterista Victor Lewis.
Charles Mingus expressou sua personalidade através de sua música e a Mingus Dynasty continua a faze-lo de forma magistral.
Jack Walrath (tp); Craig Handy (ts, fl); George Adams (ts); Alex Foster (ts, ss); John Hicks (p); Ray Drummond (b), Marvin “Smitty” Smith (d); Benny Green (p)*; Victor Lewis (d)**; Eric Mingus (vo)*
1- Sketch Four
2- Portrait
3- Opus Four
4- Harlene
5- Opus Three
6- Farewell Farwell
7- Wham Bam
8- Noon Night
9- Bad Cops*
10- Pilobolus**

http://ouo.io/U3fk5g

 Hot Beat Jazz