RSS

Arquivo da categoria: Amilton Godoy

Zimbo Trio – Convida Sonny Stitt (1979)

Com “Zimbo Convida Sonny Stitt”, gravado em 1979, completo a trilogia dos álbuns que em minha opinião foram os melhores do grupo em toda sua existência. O Zimbo, ao contrário do que sugere o título, foi convidado a ser o grupo de apoio do veterano saxofonista americano em sua turnê pelo Brasil. O resultado é o que se pode esperar de uma reunião dessa ordem, repertório baseado em standards do jazz, bossa nova, bebop e originais do saxofonista. Stitt foi, talvez, o saxofonista com sonoridade e fraseado mais parecido com o ícone do bop, Charlie Parker. Não que isso signifique que ele tenha sido apenas um emulador do som de Bird, absolutamente. Sonny sempre foi defrontado pela crítica com esse fato e várias vezes declarou que quando ouviu Parker pela primeira vez, ainda com Bird tocando na orquestra de Jay McShan, levou um susto tal a semelhança de estilos. Sonny Stitt era alguns anos mais velho que Bird e foi um músico iniciado ainda no período do swing. Tornou-se um dos nomes de peso do bebop, gravando alguns discos importantes com ninguem menos que Dizzy Gillespie, o outro co-fundador do estilo ao lado de Parker. Apesar de minha admiração tanto por Stitt quanto pelo Zimbo, nesse álbum nota-se que enquanto o primeiro flui o fraseado pela estética do bop, o Zimbo fica um tanto amarrado em uma estética do swing. Nada que faça do álbum um desacerto. Amilton Godoy parece ser o mais a vontade graças a influência de um Oscar Peterson em seu estilo, Luiz Chaves e Rubinho não mostram muita intimidade com a caracteristica das acentuações rítmicas do bop, principalmente no trabalho com o bumbo e a caixa e as linhas do walking bass. Mas esses são detalhes só percebidos pelos ouvidos dos já iniciados, para um público mais geral o disco é uma agradável sessão de jazz com músicos de alto gabarito em suas respectivas estéticas. À lamentar mesmo é a péssima prensagem do vinyl, fato corriqueiro nos produtos da antiga Continental e uma mixagem estranha para os acostumados ao padrão Rudy Van Gelder. Noves fora, um encontro histórico de grandes músicos brasileiros e um nome importante no saxofone jazz.
Sonny Sttit (as, ts); Amilton Godoy (p); Luiz Chaves (b); Rubens Barsotti (d)
1 – Hope’s Blues (Stitt)
2 – Corcovado (Tom Jobim)
3 – There you will never be another you (Warren – Gordon)
4 – Little Sued Shoes (C Parker)
5 – Autumm Leaves (Parsons – J.Prever – J.Kosma – Mercer)
6 – Samba do Orfeu (Antonio Maria – Luis Bonfa)
7 – Blues for Gaby (Stitt)
 
 

Zimbo Trio – Zimbo (1978)

O Zimbo Trio irá completar 45 anos de carreira agora em 2009, e o blog irá, durante o ano, mostrar alguns de seus álbuns mais significativos de uma carreira não só longeva mas vitoriosa. Zimbo, gravado em 1978, faz parte de um período em que o trio deixava de ser apenas mais um, entre tantos, trio de bossa-nova para dar ênfase a um enfoque de combo jazzístico. Desnecessário frisar que o repertório continuava a privilegiar a música brasileira porém com uma pegada mais universal nos arranjos. Isso fica evidente logo no primeiro tema, “Raça”, de Milton Nascimento, com uma levada incendiária do baterista Rubinho e do contrabaixista Luiz Chaves. “Lamento”, de Pixinguinha, traz o trio acrescido de um naipe de palhetas. “No Balanço do Vovô”, de Luiz Chaves, o mote são os ritmos do norte brasileiro tão familiares ao compositor, egresso de Belém do Pará, com pitadas de caribe. Destaque para a guitarra genial de Heraldo do Monte, velho colabrorador do grupo. “Voltando Pra Casa”, de Rubens Barsotti, é um lindo e lírico tema tambem em formação de quarteto com Heraldo. Em “Caça à Raposa”, de João Bosco, novamente o naipe de palhetas faz belos ornamentos para as improvisações do Zimbo e de Heraldo. “O Batráquio”, de Amilton Godoy, é um clássico do repertório do grupo, samba-jazz da melhor qualidade com groove alucinante do baterista Rubens Barsotti. “Giselle”, é um chorinho de autoria de Heraldo do Monte, reforça que, apesar de universal, a música do Zimbo nunca descola o pé de sua terra. “Bebê”, de Hermeto Paschoal, traz o Trio em um de seus arranjos mais apreciados, a introdução e a coda são perfeitos exemplos da qualidade do arranjador Amilton Godoy. O álbum encerra em clima brasileirissimo com “Frevo Rasgado”, de Gilberto Gil.
Tudo que se possa dizer sobre a qualidade do Zimbo Trio sempre será pouco ante a evidente exuberância de sua música. Luiz Chaves já não está entre nós, mas o Zimbo permanece em plena atividade, melhorando sempre, como se isso ainda fosse possível. Vida longa ao ZIMBO TRIO!!!
Amilton Godoy (piano); Rubens Barsotti (bateria); Luiz Chaves (contrabaixo);
convidados: Heraldo do Monte (guitarra); Eduardo Pecci “Lambari” (clarinete); Isidoro “Bolao” Longano (sax soprano); Carlos Alberto (flauta)
01 – Raça (Milton Nascimento / Fernando Brant)
02 – Lamento (Pixinguinha / Vinicius de Moraes)
03 – No Balanço do Vovô (Luis Chaves)
04 – Voltando Para Casa (Rubens Barsotti)
05 – Caça a Raposa (João Bosco / Aldir Blanc)
06 – O Batraquio (Amilton Godoy)
07 – Giselle (Heraldo do Monte)
08 – Bebe (Hermeto Pascoal)
09 – Frevo Rasgado (Gilberto Gil)
 

Zimbo Trio – Zimbo (1976)

Um dos mais importantes grupos instrumentais do Brasil, o Zimbo Trio, formado por Luiz Chaves (baixo), Amilton Godoy (piano) e Rubens Barsotti (bateria), sempre esteve na vanguarda da música brasileira desde seu surgimento ainda no início da década de 60. Neste álbum, gravado em 1976, o Zimbo é acrescido de dois músicos luminares, Hector Costita (sax, flauta) e Heraldo do Monte (guitarra). Na minha opinião esse foi o melhor trabalho do grupo em seus quase 45 anos de estrada, opinião compartilhada por Carlos Piratininga, que escreveu na contracapa: “Quem ficou algum tempo sem acompanhar de perto a carreira do Zimbo Trio, vai tomar um susto com este disco”. Com uma proposta musical diferenciada e uma pegada groovy-jazzy, o quinteto detona competência e criatividade executando músicas de Milton Nascimento “Fé Cega Faca Amolada” e “Viola Violar”, temas compostos pelos integrantes como “Tudo Bem”, “Brincando”, “Laurecy, Até Já”, “Vai de Aracajú” e “Poliedro” – composição de Tito. Um trabalho imperdível.

Luiz Chaves (baixo), Amilton Godoy (piano), Rubens Barsotti (bateria)
Participação especial: Hector Costita (sax, flauta) e Heraldo do Monte (guitarra)
1- Fé Cega Faca Amolada
2- Tudo Bem
3- Brincando
4- Vai de Aracajú
5- Viola Violar
6- Poliedro
7- Laurecy, Até Já