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Arquivo da categoria: Art Pepper

HotBeatJazz 10′ Series – Art Pepper Quintet – 10′ LP DL3023 (1954)

O saxofonista Art Pepper nasceu em 1925, na California, e já na metade da década de 40 era um músico de estilo formado e cobiçado por algumas orquestras que atuavam na costa oeste como as de Benny Carter e Stan Kenton. Foi atuando com Kenton que Pepper entrou pela primeira vez em estúdio, aos 18 anos de idade, para gravar Harlem Folk Dance, em 1943. Por esta época seu toque sofria a influência do saxofonista Lee Konitz, até que ao final da década o fraseado de Charlie Parker o havia arrebatado de forma avassaladora. Nos anos 50 e 60, Pepper manteve uma carreira muito irregular em decorrência de sucessivas prisões e internações em clínicas para dependentes em narcóticos. Não obstante, foi considerado como o mais importante sax alto do jazz west coast, dividindo esse posto com o também exímio Bud Shank. Nos anos 60 a influência de John Coltrane apareceu na música de Pepper, tendo inclusive adotado o sax tenor em algumas ocasiões. Foi também um exímio clarinetista, tendo ajudado muito a recolocar este instrumento de volta a um lugar de destaque no bebop juntamente com Buddy De Franco.

 

Em 1954, Pepper gravou um 10 polegadas liderando um quinteto para a pequena gravadora Discovery. Na linha de frente o saxofonista tenor Jack Montrose, o pianista Claude Williamson, e uma das seções rítmicas mais solicitadas da west-coast: o contrabaixista Monty Budwig, e os bateristas Larry Bunker e Paul Ballerina se revezando em metade dos oito temas. Art Pepper mostra não somente seu imenso talento como intérprete mas também sua enorme capacidade de compositor em quatro temas originais: Thyme Time, Cinnamon, Nutmeg e Art’s Oregano. Quatro standards completam o repertório, com destaque para as belíssimas execuções das baladas Deep Purple, What’s New e The Way You Look Tonight. A suingante Straight Life encerra o repertório de alto nível deste LP.

 

Vale destacar a oportunidade de se ouvir o excelente sax tenor de Jack Montrose, um músico repleto de talentos, tanto como instrumentista, compositor e arranjador. O toque de Montrose se alinha com a sonoridade do mestre maior, Lester Young. O piano de Claude Williamson também é digno de especial atenção com importantes contribuições a música do grupo.

 

Uma, muito bem escrita, biografia de Art Pepper pode ser encontrada no blog Jazz + Bossa + Baratos Outros, de autoria de Érico Cordeiro.
Art Pepper (as) Jack Montrose (ts) Claude Williamson (p) Monty Budwig (b) Paul Ballerina (d) Larry Bunker (d)*
Los Angeles, CA, August 25, 1954

 

1- Thyme Time*
2- Cinnamon
3- Nutmeg
4- Art’s Oregano*
5- Deep Purple
6- What’s New
7- Straight Life*
8- The Way You Look Tonight*
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HotBeatJazz 10′ Series – Shorty Rogers & His Giants – 10’LP LPM 3137 (1953)

Milton Rajonsky nasceu em 14 de Abril de 1924, em Great Barrington, Massachusetts. Mas foi conhecido como Shorty Rogers que ele se tornaria um dos mais importantes músicos do jazz produzido na costa oeste norte-americana. Trompetista, também exímio no flugelhorn, arranjador e compositor, Shorty começou sua atividade ainda na década de 40. De 45 a 47, tocou com Will Bradley e Red Norvo. Em 47 entrou para a orquestra de Woody Herman, onde ficaria até 1949. Em 50 e 51, tomou parte da orquestra de Stan Kenton. Aliás é importante citar que 99,9% dos grandes instrumentistas do west-coast passaram por essas duas instituições, verdadeiros celeiros de grandes nomes do jazz. Nos anos 50, tomou parte em inúmeros trabalhos de nomes como Jimmy Giufre, Shelly Manne, Art Pepper, André Previn, e foi membro efetivo dos Lighthouse All-Stars.

 

De 53 a 62, Shorty gravou uma série de álbuns para a RCA Victor liderando seus Giants, grupo que podia variar da formação de quinteto até a de uma pequena orquestra. São desta época: Shorty Courts the Count (1954), disco inteiramente dedicado ao repertório de Count Basie; The Swinging Mr. Rogers (1955), Martians Come Back (1955), e este primeiro, Shorty Rogers & His Giants (1953). O nome de “gigantes”, não era nenhum exagero ou falta de modéstia, visto a escalação destes verdadeiros craques do cool-jazz: o altoísta Art Pepper, o tenorista Jimmy Giuffre, e o trombonista Milt Bernhart na linha de frente. A seção rítmica padrão do west-coast com o pianista Hampton Hawes, o contrabaixista Joe Mondragon, e o inigualável baterista Shelly Manne. Contribuindo para o colorido tonal especial dos arranjos de Shorty Rogers, o french-horn de John Graas e a tuba de Gene Englund.

 

Morpo, de linha melódica claramente influenciada pelo bebop, tem no tenor de Giuffre, no french-horn de Graas, e no sax alto de Pepper, breves porém instigantes solos; o trompete do líder e o piano de Hawes, são os últimos a solar antes das trocas de compassos de todo o ensemble com a bateria de Manne.

 

Bunny, é uma balada lírica, perfeita para o alto de Pepper fazer as honras ao lado do pungente french-horn de Graas. Uma linda melodia de Rogers e um arranjo de verdadeiras filigranas tonais, fazem desta composição uma jóia de rara beleza.

 

Powder Puff, de Shelly Manne, é um tema de melodia típica do jazz west-coast, alegre e ensolarado. Pepper é o primeiro a contribuir com breve solo, seguido por Bernhart e Hawes, antes de Shelly Manne mostrar por que foi o principal baterista do estilo.

 

A bola continua com Manne no totalmente latino Mambo Del Crow, peça de calor e humor elevados. Após o trombone, Manne mostra o quão melodiosos e afinados são seus tambores. Pura diversão!

 

Em The Pesky Serpent, de Jimmy Giuffre, volta o clima californiano, de melodia e arranjo sofisticado. Neste tema, o destaque é o grupo como um todo, perfeitamente tight, mas sem perder a espontaneidade. Os solos são do compositor, Milt Bernhart, Shorty, Hampton Hawes e Pepper.

 

Diablo’s Dance, tem uma introdução altamente percussiva do piano de Hawes, com o ensemble em perfeito uníssono.

 

Pirouette foi composta por Rogres para uma trilha sonora de filme, uma das principais atividades do líder. Art Pepper tem breve solo, seguido por Giuffre, Bernhart e Hawes. O ensemble fecha o tema num gracioso trabalho contrapontístico.

 

Indian Club, é de autoria de Jimmy Giuffre, uma feliz mescla de figuras melódicas indígenas e do swing. O grupo mostra toda sua força e energia, com o trompete do líder assumindo papel de destaque no ensemble, até Shelly Manne encerrar batendo tambor numa autêntica dança da chuva.

 

Shorty Rogers faleceu em 94, aos 70 anos, mas os Giants de Shorty Rogers foi um dos grupos de maior destaque na cena da costa oeste, sua música repercutiu até no lado de baixo do equador, onde ajudou a fazer a cabeça de uma turma que produziria, anos depois, uma certa Bossa Nova. Você já ouviu falar dela?
Shorty Rogers (tp, arr, cond) Milt Bernhart (tb) John Graas (frh) Gene Englund (tu) Art Pepper (as) Jimmy Giuffre (ts) Hampton Hawes (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Los Angeles, CA, January 12, 1953
Los Angeles, CA, January 15, 1953*

 

1- Morpo (S. Rogers)*
2- Bunny (S. Rogers)
3- Powder Puff (S. Manne)
4- Mambo Del Crow (S. Rogers)*
5- The Pesky Serpent (J. Giuffre)
6- Diablo’s Dance (S. Rogers)*
7- Pirouette (S. Rogers)
8- Indian Club (J. Giuffre)*

 

 

Joe Farrell With Art Pepper – Darn That Dream (1982)

No dia 23 de março de 1982 um encontro muito especial acontecia em um estúdio de gravação na Califórnia. O saxofonista Joseph Carl Firrantello, mais conhecido como Joe Farrell, convidava o lendário altoísta Art Pepper para participar em 3 faixas de seu novo álbum, “Darn That Dream”. Esta seria a penúltima sessão de gravação de Art Pepper, que viria a falecer em 15 de junho daquele ano. Joe Farrell estava no auge de sua forma. Seu toque, profundamente influenciado por Coltrane, atingia o ápice que somente os grandes mestres conseguem se aproximar. Dono de um timbre vigoroso, que também fincava raízes no estilo de Sonny Rollins, um fraseado eloquente e extremamente dinâmico, trazia em sua música um amálgama perfeito das duas grandes escolas estilísticas do saxofone moderno. Art Pepper era já uma lenda do jazz desde sua travessia pelo árido deserto da luta para se livrar da adição à heroína, fato que desde os anos 40 o atormentou e o tirou de cena por diversas vezes, com condenações judiciais sucessivas: 1954–56, 1960-61, 1961-64 e 1964-65. Após passar por um longo tratamento na década de 70, voltou à luz de sua arte em 1975. Em seus 7 últimos anos de vida produziu o melhor de sua obra, em uma sucessão de momentos de grande arte, sejam em estúdios ou nos palcos dos clubes, diante de uma platéia sempre ávida por ouvi-lo. Sua estória foi narrada em uma autobiografia, transcrita e publicada por Laurie Pepper, sua última companheira em 1980, “Straight Life”. O álbum começa com “Section-8 Blues”, um tema complexo, com autoria creditada a todos os músicos envolvidos na sessão, notadamente os dois saxofonistas acrescidos do pianista George Cables, do contrabaixista Tony Dumas e do baterista John Dentz. O primeiro solo é de Pepper, que de pronto deixa claro que havia transcendido de sua influência de Charlie Parker e anexado as conquistas harmônicas modais de Coltrane ao seu vocabulário. O tema parece ter saído da pena de McCoy Tyner, o solo de Farrell é intenso, assim como o drumming imposto por John Dentz. A balada que dá nome ao álbum é veículo exclusivo para o sax alto de Pepper, em uma interpretação languida e emotiva. O pianista faz sua intervenção de 1 chorus atendo-se ao clima e dinâmica definidos por Pepper. “Mode For Joe”, a bela e instigante composição de Cedar Walton em homenagem ao saudoso Joe Henderson, tem Farrell solando primeiro e apresentando as amplas extensões harmônicas, tão bem utilizadas pelo homenageado. Pepper explora os registros mais graves de seu instrumento no início de um solo de maravilhosa concepção estética. Esta é a última participação de Art Pepper na sessão. “Blue & Boogie”, de Paparelli e Dizzy Gillespie, mostra a desenvoltura do quarteto no bebop, com Cables mostrando ecos de Bud Powell e John Dentz seu conhecimento sobre o estilo de Kenny Clarke. “You Stepped Out Of A Dream” tem o tema apresentado sobre um groove latino de intenso swing. Cables, Tony Dumas e Dentz apresentam performances vigorosas. “Someday My Prince Will Come” é o veículo para Farrell apresentar sua imensa capacidade de pordução de idéias musicais. Sua improvisação é fluida, rica melódica e harmônicamente. “On Green Dolphin Street”, de Bronislaw “Invitation” Kaper, com sua harmônia espetacular – como é praxe nas composições de Kaper – inicia com uma improvisação modelar de George Cables, Farrell se concentra no aspecto melódico da composição enquanto Dentz não deixa espaço carente de pulsação. Tony Dumas tem 1 chorus de improvisação antes de voltarem ao tema para sua finalização. O álbum encerra com um original de Farrell, a latina “Fun For One And All”, tema baseado em melodia popular caribenha. Podemos ver a sombra de Sonny Rollins enquanto ouvimos Farrell improvisar vigorosamente. Joe Farrell faleceria 4 anos após vitimado de câncer nos ossos, deixando a cena musical quando atingia a plenitude de sua maturidade como músico.
“Darn That Dream” é um registro especialíssimo na obra destes dois gigantes que foram Art Pepper e Joe Farrell.
Art Pepper (as) Joe Farrell (ts) George Cables (p) Tony Dumas (b) John Dentz (d) Los Angeles, CA, March 23, 1982
1- Section-8 Blues (A. Pepper- J. Farrell – J. Dentz – G. Cables – T. Dumas)
2- Darn That Dream (Eddie DeLange – Jimmy Van Heusen)
3- Mode For Joe (C. Walton)
4- Blue & Boogie (F. Paparelli – D. Gillespie)
5- You Stepped Out Of A Dream (G. Kahn – H. Brown)
6- Someday My Prince Will Come (L. Morey – F. Churchill)
7- On Green Dolphin Street (B. Kaper – N. Washington)
8- Fun For One And All (J. Farrell)
 
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Publicado por em 20 de dezembro de 2009 em Art Pepper, George Cables, Joe Farrell, John Dentz, Tony Dumas