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Arquivo da categoria: Billy Higgins

Hank Mobley – A Slice Of The Top (1966)

Na extensa discografia do saxofonista Hank Mobley, “A Slice Of The Top” é um ítem que se destaca. Os originais compostos por Mobley foram criados durante sua prisão no ano de 1964, em virtude de condenação por posse de narcóticos, e foram arranjados por Duke Pearson para um formato pouco habitual ao saxofonista, um octeto. Na linha de frente, além de Mobley, o inseparável Lee Morgan ao trompete, o excelente, porém pouco lembrado James Spaulding no sax alto e flauta, Howard Johnson na tuba e Kiane Zawadi no euphonium. A seção rítmica é um primor, McCoy Tyner ao piano, Bob Cranshaw ao contrabaixo e Billy Higgins à bateria. A mão de Duke Pearson nos arranjos é sentida já nas primeiras notas do tema de abertura, “Hank’s Other Bag”, com a tuba e o euphonium mostrando o papel importante reservado pelo arranjador nos voicings. “There’s A Lull In My Life” vem em seguida e é a balada sempre presente nos álbuns da Blue Note no período. “Cute ‘N’ Pretty” é um belo tema em andamento de valsa e também um ótimo veículo para as intervenções de McCoy e Spaulding na flauta. McCoy havia saído a pouco tempo do quarteto de Coltrane e começava a dar mais atenção a sua própria carreira discográfica, também na Blue Note. “A Touch Of Blue” é o ponto alto do álbum. O solo de Mobley mostra o quanto este músico especialíssimo não recebeu o crédito devido ao seu talento e à sua importância no desenvolvimento do hardbop. Tendo começado sua vida musical na banda de blues de Paul Gayten, logo absorveu a sintaxe do bebop e foi peça fundamental no hardbop dos anos 50 e 60. A faixa título do álbum encerra esta reunião de músicos luminares com uma proposta de hardbop modal onde os solistas se lançam ao extremo no desenvolvimento dos solos. “A Slice Of The Top” é ítem obrigatório na discografia de Hank Mobley e para quem deseja conhecer os grandes momentos do maravilhoso jazz produzido pelo selo Blue Note na década de 60.
Lee Morgan (tp) Kiane Zawadi (euph) Howard Johnson (tu) James Spaulding (as, fl) Hank Mobley (ts, arr) McCoy Tyner (p) Bob Cranshaw (b) Billy Higgins (d) Duke Pearson (arr)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, March 18, 1966
1- Hank’s Other Bag (H. Mobley)
2- There’s A Lull In My Life (M. Gordon – H. Revel)
3- Cute ‘N’ Pretty (H. Mobley)
4- A Touch Of The Blues (H. Mobley)
5- A Slice Of The Top (H. Mobley)
 

Cedar Walton – George Coleman – Sam Jones – Billy Higgins – Eastern Rebellion (1975)

“Eastern Rebellion” é um dos grandes álbuns de jazz produzidos na década de 70, um período não muito amigável para o jazz straith-ahead e prolífico para o fusion. O quarteto é uma extensão do trio “Magic Triangule” formado pelo pianista Cedar Walton, pelo contrabaixista Sam Jones e pelo baterista Billy Higgins. Com a adesão do saxofonista George Coleman o grupo ganhou muito em possibilidades musicais e produziu uma série de grandes álbuns pelo selo Timeless. O repertório de “Eastern Rebellion” é um primor. De cara nos deparamos com uma das mais instigantes composições de Cedar Walton, “Bolivia”, tema eternizado pelo saudoso trompetista Freddie Hubbard. O baterista Billy Higgins faz um estupendo trabalho nos cymballs. “Naima”, de John Coltrane, tem uma introdução com o piano de Cedar Walton que por si só é uma obra de arte à parte. O tema é desenvolvido em uma levada latina com Billy Higgins dando um show em dinâmica e mostrando o talento que o fez um dos principais no instrumento. Como disse um crítico especializado, Coltrane ficaria orgulhoso de ouvir essa leitura de uma de suas mais líricas composições. “5/4 Thing” de George Coleman tem uma linda melodia passeando sobre os compassos compostos tão utilizados no hardbop. “Bittersweet”, de Sam Jones, é um bebop cheio de malícia e um veículo perfeito para as divagações de um dos mais experientes contrabaixistas do jazz. O álbum chega ao fim com um tema de Cedar Walton que se tornou um clássico do repertório do jazz moderno, “Mode For Joe”, dedicado ao saxofonista Joe Henderson. A intervenção de Billy Higgins é uma aula completa de bateria. Na opinião de muitos críticos “Eastern Rebellion” é um dos grandes álbuns de jazz de todos os tempos, opinião que modestamente este humilde escriba compactua em gênero, número e grau.
Cedar Walton (p); George Coleman (ts); Sam Jones (b); Billy Higgins (d)
C.I. Recording Studio, New York City, December 10, 1975
1- Bolivia (Cedar Walton)
2- Naima (John Coltrane)
3- 5/4 Thing (George Coleman)
4- Bittersweet (Sam Jones)
5- Mode For Joe (Cedar Walton)
 
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Publicado por em 30 de agosto de 2009 em Billy Higgins, Cedar Walton, George Coleman, sam jones

 

Lee Morgan – Sonic Boom (1967) + bonus – The Procrastinator (1969)

O relançamento em CD do excelente “Sonic Boom” com o quinteto do trompetista Lee Morgan traz uma grata e secreta surpresa. A grata foi a escolha de uma das melhores sessões do trompetista para a Blue Note e a secreta trata-se das faixas bônus, na verdade um álbum bônus, “The Procrastinator” de 1969. O relançamento acontece na série “Connoisseur cd series” da Blue Note. “Sonic Boom” traz um quinteto com David “Fathead” Newman no sax tenor, Cedar Walton ao piano, Ron Carter no contrabaixo e Billy Higgins na bateria. O álbum tem uma das mais belas interpretações do standard “I’ll never be the same”, com Lee esbanjando técnica e lirismo. “The Mercenary”, com atmosfera dos Messengers, é um dos clássicos do songbook do trompetista. “Sneaky Pete”, de swing intenso e melodia sinuosa, é veículo perfeito para o poderoso tenor do “Cabeção” David Newman. “Cabeção” foi fiel escudeiro de Ray Charles, trabalhou em muitas bandas de baile tocando o blues e é este o enfoque do shuffle composto por Lee em homenagem à “Cabeção”, “Fathead”. “Mumbo Jumbo”, também de Lee, é típica composição da fusão do jazz com ritmos latinos, no caso o mambo. À partir da faixa 7 estaremos ouvindo a sessão para o álbum “The Procrastinator”, gravada em 1969. O grupo, agora um sexteto, é composto por Julian Priester no trombone, George Coleman no sax tenor, Harold Mabern ao piano, Walter Booker no contrabaixo e Mickey Roker na bateria. O standard da sessão é “Stormy Weather”, com a leitura pessoal e diferenciada de Lee Morgan. “Free Flow”, que abre o álbum, é composição de George Coleman, influenciada pela sonoridade e modalismos do quinteto de Miles. “Mr. Johnson”, do pianista Harold Mabern, revela as implicações de John Coltrane na música da década de 60. Julian Priester colabora com “The Stroker”, um tema cheio de balanço, onde ele revela o trombonista especial que é. A latina “Claw-til-da” é criação do baterista Mickey Roker e aponta na direção seguida por Sonny Rollins, uma “caribeização” do jazz. “Untitled Boogaloo”, de Morgan, é funk na veia, música para sacudir o esqueleto.
Um lançamento “dois em um” não é todo dia que aparece. Duas obras-primas. Ostra com duas pérolas.
Lee Morgan (tp) David Newman (ts) Cedar Walton (p) Ron Carter (b) Billy Higgins (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, April 14, 1967; April 28, 1967.
1- Sneaky Pete
2- The Mercenary
3- Sonic Boom
4- Fathead
5- I’ll Never Be The Same
6- Mumbo Jumbo
Lee Morgan (tp) Julian Priester (tb) George Coleman (ts) Harold Mabern (p) Walter Booker (b) Mickey Roker (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, September 12, 1969; October 10, 1969
7- Free Flow
8- Stormy Weather
9- Mr. Johnson
10- The Stroker
11- Uncle Rough
12- Claw-Til-Da
13- Untitled Boogaloo

http://ouo.io/UNnkgs

 

Donald Byrd Quintet – Royal Flush (1961)

 

Quinteto de Donald Byrd com o destaque para o jovem Herbie Hancock sendo lançado no mundo do jazz neste grupo. Também merece atenção o trabalho de um dos maiores sax barítonos, Pepper Adams.

Donald Byrd (tp) Pepper Adams (bars) Herbie Hancock (p) Butch Warren (b) Billy Higgins (d)  Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, September 21, 1961

 

1. Hush
2. I’m A Fool to Want You
3. Jorgie’s
4. Shangri-La
5. 6M’s
6. Requiem

http://ouo.io/NMyiVI

 

Jimmy Raney Trio – The Influence (1975)

Jimmy Raney nasceu em Louisville, Kentucky em 1927. No fim da década de 40 tocou nas orquestras de Artie Shaw, Woody Herman e no combo de Buddy de Franco, porém ganhou maior atenção em 51-52 atuando no quinteto do saxofonista Stan Getz ao lado do então jovem Horace Silver. Logo depois substituiu Tal Farlow no trio de Red Norvo e ainda trabalharia regularmente com Getz na década de 60. Músico de estilo pessoal, se notabilizou por uma forma econômica de tocar, evitando a execução de muitas escalas em velocidade e priorizando sempre o aspecto harmônico e linhas altamente melódicas. Jimmy faleceu em 1995, aos 68 anos, em sua cidade natal.
“The Influence” foi gravado em 1975 para o pequeno selo Xanadu com o formato de trio completado pelos craques Sam Jones ao contrabaixo e Billy Higgins na bateria. No repertório do álbum: standards e um original de Raney, “Suzane”, onde o guitarrista atua em solo sendo a guitarra dobrada com o artifício do overdubbing. O disco é um primor e uma aula de guitarra dedicada a dois elementos fundamentais na música: harmonia e melodia.
1- I Love You
2- Body and Soul
3- It Could Happen To You
4- Suzanne
5- Get Out of Town
6- There Will Never Be Another You
7- End of a Love Affair
8- Dancing In the Dark
 http://ouo.io/mpBCN
 
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Publicado por em 26 de fevereiro de 2009 em Billy Higgins, jimmy raney, sam jones

 

Toninho Horta Trio – Lullaby Of Birdland (Heineken Concerts – 1993 Hotel Nacional Rio)

Toninho Horta, Gary Peacock, Billy Higgins

 
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Publicado por em 24 de fevereiro de 2009 em Billy Higgins, Gary Peacock, toninho horta

 

Toninho Horta Trio – Standard Medley (Heineken Concerts – 1993 Hotel Nacional Rio)

Toninho Horta, Gary Peacock, Billy Higgins

 
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Publicado por em 24 de fevereiro de 2009 em Billy Higgins, Gary Peacock, toninho horta