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Arquivo da categoria: Biréli Lagrène

Andre Ceccarelli Trio – Avenue Des Diables Blues (2005)

 

O baterista Andre Ceccarelli é já um veterano no cenário do jazz europeu. Filho e pai de baterista, Dédé, como gosta de ser chamado, está no circuito desde que deixou, aos 16 anos de idade, Nice, sua cidade natal, rumo a efervescente Paris do início dos anos 60. Nesta época as orquestras de baile estavam por toda parte, nos salões de dança, nos estúdios de televisão e até mesmo nas praças e esquinas.

 

Rapidamente o jovem já tinha lugar em conjuntos de twist e iê, iê, iê, a moda da época. Mas o sonho de dedicar-se ao jazz nunca o abandonou, e ele pode ver a luz no fim do túnel quando o veterano baterista Daniel Humair, de tempos em tempos, o deixava ensaiar com seus músicos, o violinista Jean-Luc Ponty e o organista Eddy Louiss. “Era assombroso, um verdadeiro empurrão na moral” destaca Dédé. Talvez fossem esses inesperados e precoces encontros que formaram sua visão acerca do jazz, como uma música baseada na colaboração coletiva, acima de tudo. Esta visão está impregnada em “Avenue des Diables Blues”, onde seu trio, formado pelo guitarrista Birelli Lagrene e o organista Joey DeFrancesco, mostram uma fina técnica e uma excecução sábia em todos os temas do álbum. O disco inicia com “Nardis” de Miles Davis, em uma levada rápida com Lagrene apresentando suas credenciais logo de início, no que é seguido por DeFrancesco, um dos mais espetaculares executandes do órgão Hammond desde Jimmy Smith. Ceccarelli brilha durante um chorus antes do trio dar por completa a missão. Lagrene faz uma inspirada introdução de “Sophisticated Lady” com Ceccarelli mostrando grande sensibilidade no uso das escovas. DeFrancesco paga um tributo a Jimmy Smith, uma de suas maiores influencias, em “Summertime”, Crecarrelli mantém uma agradável base com as escovas antes de trocar pelas baquetas e trazer um novo fogo ao solo de Lagrene. Apesar de Ceccarelli soar magníficamente em todo o álbum, a carência de tempo nos solos é evidente. Ele brilha em 1 chorus em “Nardis” e em um solo de menos de 2 minutos em “Prelude”. O tempo que dispõem para dar seu recado é pleno de frases inteligentes, motivos rítmicos técnicamente impressionantes e uma clara presença emocional. “April in Paris” traz o trio em alternâncias de andamento feitas em interação total. Lagrene brilha no melhor estilo de Kenny Burrell, com fraseado rápido e de amplitude harmônica. “3 Views of a Secret”, de Jaco Pastorius, tem sua bela melodia reforçada pela leitura lírica do trio. Lagrene revela uma certa influência de Wes Montgomery nos acordes. A faixa título é um bop em levada straight-ahead com um comping intenso, de autoria de Ceccarelli, que se mostra um mestre nas acentuações e nas figuras fragmentadas. “La Vie en Rose” tem uma das mais vibrantes leituras que pude ouvir deste clássico da música francesa. “Sunrise”, de Norah Jones, é conduzida em ritmo de bossa antecedendo a “The Song is You”, que fecha o álbum com uma interpretação repleta de stamina e energia. Os músicos se estimulam ao extremo, deixando evidente em toda a sessão o alto gabarito do participantes. Um trio de órgão-guitarra-bateria que segue os cânones clássicos do gênero.

OBS: um bônus-homenagem ao final, mostra o gigante gitano Django Reindhart.

André Ceccarelli (d); Biréli Lagrène (g); Joey DeFrancesco (Hammond organ)

1- Nardis

2- Sophisticated Lady

3- Summertime (Tribute To Mr. Jimmy Smith)

4- Prelude

5- April In Paris

6- 3 Views Of A Secret

7- Avenue Des Diables Blues

8- La Vie En Rose

9- Sunrise

10- The Song Is You

11- Tchoukar Wago

http://ouo.io/OnhRWq

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Publicado por em 1 de dezembro de 2009 em André Ceccarelli, Biréli Lagrène, Joey DeFrancesco