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Arquivo da categoria: bob cranshaw

Horace Silver – Silver’n Brass (1975)

Como pedido de amigo é ordem, faremos nosso amigo Carlos Braga, do fenomenal blog dedicado ao jazz latino “CB Latin Jazz Corner” – cujo link está ali ao lado na lista de blogs preferidos – matar a vontade de ouvir um de seus temas prediletos, “Barbara”, na interpretação do compositor, o imensurável Horace Silver. “Silver’n Brass” é o primeiro álbum do pianista/compositor em formato de medium band, orquestra esta que trazia seu habitual quinteto aumentado para média formação. O quinteto de Silver dos anos 70 revelou ao mundo do jazz alguns grandes solistas como o trompetista Tom Harrell, e o exímeo e saudoso saxofonista Bob Berg. Os arranjos foram feitos por Silver com o auxílio de Wade Marcus, que escreveu as partes para os metais. Nomes de peso compunham esta banda como os trompetistas Oscar Brashear e Bobby Bryant, o trombonista Frank Rosolino e os saxofonistas Jerome Richardson e Buddy Collette. “Silver’n Brass” foi o primeiro de uma série de álbuns nos quais Horace experimentou escrever para sonoridades diversas, completada com os antológicos “Silver ‘N Woods (Blue Note BN-LA 581-G)”, também de 1975; “Silver ‘N Voices (Blue Note BN-LA 708-G)”, de 1976; “Silver ‘N Percussion (Blue Note BN-LA 853-H)”, de 1977; e “Silver ‘N Strings Play The Music Of Spheres (Blue Note LWB 1033)”, de 1978.
Música de altíssimo nível em uma atmosfera não comum a este mestre do hardbop e do piano-funky-style.
Tom Harrell (tp) Bob Berg (ts) Horace Silver (p) Ron Carter (b) Al Foster (d) Oscar Brashear, Bobby Bryant (tp, flh) Vince DeRosa (frh) Frank Rosolino (tb) Maurice Spears (btb) Jerome Richardson (as, ss, fl) Buddy Collette (as, fl) Wade Marcus (arr)
A&R Studios, NYC & Wally Heider Sound Studio III, Los Angeles, CA, January 10, 1975
*Bob Cranshaw (el-b) Bernard Purdie (d) replaces Carter, Foster
A&R Studios, NYC & Wally Heider Sound Studio III, Los Angeles, CA, January 17, 1975
1- Kissin’ Cousins*
2- Barbara
3- Dameron’s dance
4- The Sophisticated Hippie*
5- Adjustment
6- Mysticism
 

Hank Mobley – A Slice Of The Top (1966)

Na extensa discografia do saxofonista Hank Mobley, “A Slice Of The Top” é um ítem que se destaca. Os originais compostos por Mobley foram criados durante sua prisão no ano de 1964, em virtude de condenação por posse de narcóticos, e foram arranjados por Duke Pearson para um formato pouco habitual ao saxofonista, um octeto. Na linha de frente, além de Mobley, o inseparável Lee Morgan ao trompete, o excelente, porém pouco lembrado James Spaulding no sax alto e flauta, Howard Johnson na tuba e Kiane Zawadi no euphonium. A seção rítmica é um primor, McCoy Tyner ao piano, Bob Cranshaw ao contrabaixo e Billy Higgins à bateria. A mão de Duke Pearson nos arranjos é sentida já nas primeiras notas do tema de abertura, “Hank’s Other Bag”, com a tuba e o euphonium mostrando o papel importante reservado pelo arranjador nos voicings. “There’s A Lull In My Life” vem em seguida e é a balada sempre presente nos álbuns da Blue Note no período. “Cute ‘N’ Pretty” é um belo tema em andamento de valsa e também um ótimo veículo para as intervenções de McCoy e Spaulding na flauta. McCoy havia saído a pouco tempo do quarteto de Coltrane e começava a dar mais atenção a sua própria carreira discográfica, também na Blue Note. “A Touch Of Blue” é o ponto alto do álbum. O solo de Mobley mostra o quanto este músico especialíssimo não recebeu o crédito devido ao seu talento e à sua importância no desenvolvimento do hardbop. Tendo começado sua vida musical na banda de blues de Paul Gayten, logo absorveu a sintaxe do bebop e foi peça fundamental no hardbop dos anos 50 e 60. A faixa título do álbum encerra esta reunião de músicos luminares com uma proposta de hardbop modal onde os solistas se lançam ao extremo no desenvolvimento dos solos. “A Slice Of The Top” é ítem obrigatório na discografia de Hank Mobley e para quem deseja conhecer os grandes momentos do maravilhoso jazz produzido pelo selo Blue Note na década de 60.
Lee Morgan (tp) Kiane Zawadi (euph) Howard Johnson (tu) James Spaulding (as, fl) Hank Mobley (ts, arr) McCoy Tyner (p) Bob Cranshaw (b) Billy Higgins (d) Duke Pearson (arr)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, March 18, 1966
1- Hank’s Other Bag (H. Mobley)
2- There’s A Lull In My Life (M. Gordon – H. Revel)
3- Cute ‘N’ Pretty (H. Mobley)
4- A Touch Of The Blues (H. Mobley)
5- A Slice Of The Top (H. Mobley)
 

Sonny Rollins – Falling In Love With Jazz (1989)

Quando Sonny Rollins surgiu na cena musical da Big Apple na virada da década de 40 para 50, comentava-se que a força e vitalidade do toque desse, então jovem saxofonista, só era comparavel com a obtida por veteranos da cena jazzística como Coleman Hawkins, Don Byas e Gene Ammons. Passados 60 anos, agora afirma-se o contrário sobre ele: A força e vigor do toque desse saxofonista octogenário só é comparavel ao de músicos jovens que podem tocar a pleno pulmão! Paradigmas à parte, o que se pode dizer com absoluta certeza sobre esse monstro sagrado do jazz é que para ele o tempo não passou. Quem teve a oportunidade de conferir suas apresentações no Brasil ano passado, tem absoluta certeza disso. Rollins foi o músico que melhor fez a ligação entre o toque vigoroso da escola de Coleman Hawkins com o fraseado ligeiro e sinuoso do bebop. Passou incólume por todas as mudanças de tendências do jazz e continuou sempre a ser uma luz guia na arte de soprar um saxofone, sempre sendo Sonny Rolins. E isso não significa, absolutamente, que tenha se cristalizado em meio ao desenvolvimento do jazz. Sempre foi um músico antenado, perceptivo ao novo, cercado por jovens músicos, mas sempre fazendo a música dele próprio. Experimentou de tudo, até o que não devia, mas sua personalidade musical sempre foi um iceberg em meio a tantas marolas estilísticas do gênero.
É justamente essa personalidade que podemos notar nesse “Falling In Love With Jazz”, gravado em 1989. Em duas baladas, “For All We Know” e “I Should Care”, Rollins convida a voz maior do saxofone da década de 80, Branford Marsalis e não soa nem um pouco old fashion, muito pelo contrário. Nesses dois temas ele conta com a preciosa colaboração do pianista Tommy Flanagan, companheiro de muitas jornadas desde os anos 50 no antológico “Saxofone Colossus”. Nos temas restantes é acompanhado pelo inseparável e excelente pianista Mark Soskin, um especialista em Latin Jazz, pelo entusiasmante guitarrista Jerome Harris, o veterano e sólido baixo de Bob Cranshaw, pela bateria ímpar de Jack DeJohnette e pelo trombone moderno de Clifton Anderson. O álbum todo é como destaca o título, uma impressionante e verdadeira declaração de amor ao jazz e a vida, já que para ele o tempo não passa.
Branford Marsalis, Sonny Rollins (ts) Tommy Flanagan (p) Jerome Harris (el-b) Jeff Watts (d) NYC, June 3, 1989
*Sonny Rollins (ts) Mark Soskin (p) Jerome Harris (g) Bob Cranshaw (el-b) Jack DeJohnette (d) NYC, August 5, 1989
**Clifton Anderson (tb) Sonny Rollins (ts) Mark Soskin (p, el-p) Jerome Harris (el-g) Bob Cranshaw (el-b) Jack DeJohnette (d) NYC, September 9, 1989
01 – For All We Know
02 – Tennessee Waltz*
03 – Little Girl Blue*
04 – Falling In Love With Love**
05 – I Should Care
06 – Sister**
07 – Amanda**