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Arquivo da categoria: Bob Gordon

HotBeatJazz 10′ Series – Clifford Brown Ensemble – Featuring Zoot Sims PJLP-19 (1954)

A curta carreira fonográfica de Clifford Brown teve momentos únicos e inusitados quando de sua estada na Califórnia em 1954. Brownnie já havia gravado em variados formatos: quarteto, em sua tournê pela França, como integrante da orquestra de Lionel Hampton em 53, ocasião em que também gravou com uma orquestra de tamanho médio os arranjos de seu colega de naipe Quincy Jones; sexteto com Gigi Gryce e como integrante do grupo do trombonista J.J. Johnson na famosa sessão para a Blue Note; quinteto com Lou Donaldson, em junho do mesmo ano, quando fez sua estréia como líder em uma sessão de gravação. Mas em 1954, enquanto estava na costa oeste com o famoso quinteto co-liderado por ele e Max Roach, Clifford teve o privilégio de gravar composições suas e alguns standards com os arranjos de Jack Montrose em um hepteto. Ele dividiu a linha de frente com o saxofonista Zoot Sims ao tenor e uma seção rítmica que causava sensação: o pianista Russ Freeman, os contrabaixistas Joe Mondragon e Carson Smith, e o baterista Shelly Manne. Completando o grupo estavam o jovem baritonista Bob Gordon e o trombonista Stu Williamson.

 

Clifford Brown Ensemble traz o trompetista em um conceito ímpar em toda sua discografia, os arranjos elaborados e sutis de Montrose vestem a execução brilhante e portentosa de Brownnie de uma delicadeza não habitual em seus outros registros, com exceção, talvez, a seu álbum acompanhado por naipe de cordas. É interessante apreciar uma outra concepção para temas que nos habituamos a ouvir com o seu quinteto com Max Roach, de orientação nítidamente hardbop, como os temas originais de Clifford: Daahoud e Joy Spring. Tiny Capers e Bones For Jones foram as outras composições de Clifford executadas pelo ensemble. Finders Keepers era um clássico das jams sessions da west-coast, um tema sempre lembrado pelos músicos da Califórnia em estúdios e em apresentações ao vivo. Gone With The Wind e Blueberry Hill são os standards apresentados com os especiais arranjos de Montrose.

 

Há que se destacar a habitual qualidade da performance do tenorista Zoot Sims, um músico de características excepcionais, tanto na sonoridade como no discurso, sempre produzido em frases longas e de extrema beleza melódica. o sax barítono de Bob Gordon tem um lugar de destaque nos ensembles, sendo o responsável principal pelos contrapontos, tão costumeiros nos arranjos de Montrose e no west-coast sound em geral.

 

Clifford Brown Ensemble é um ítem único na discografia deste trompetista que foi, talvez, o mais influente no jazz moderno ao lado de Dizzy Gillespie. Clifford Brown morreria dois anos depois em um dramático acidente automobilístico que também vitimaria o pianista de seu quinteto, Richie Powell. Clifford tinha apenas 26 na fatídica data e deixou um legado que influencia músicos até hoje.

 

Clifford Brown (tp) Stu Williamson (vtb, tp) Zoot Sims (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d) Jack Montrose (arr)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, July 12, 1954

 

*Clifford Brown (tp) Stu Williamson (vtb, tp) Zoot Sims (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Carson Smith (b) Shelly Manne (d) Jack Montrose (arr)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, August 13, 1954

 

1- Daahoud
2- Finders Keepers
3- Joy Spring
4- Gone With the Wind*
5- Bones for Jones*
6- Blueberry Hill*
7- Tiny Capers*
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HotBeatJazz 10′ Series – Chet Baker – Ensemble PJLP-9 (1953)

O ano de 1953 seria muito importante na carreira do trompetista Chet Baker. Após ter sido catapultado ao sucesso imediato como integrante do quarteto de Gerry Mulligan no ano anterior, Chet partiria para uma carreira independente, organizando um quarteto com o pianista Russ Freeman. Com a criação do Ten-Tette, por Gerry Mulligan, em janeiro de 53, Baker realizaria a última gravação com o quarteto do baritonista em maio daquele ano, partindo para vôos mais ambiciosos que culminariam com a gravação de seu álbum a frente de um hepteto com arranjos de Jack Montrose em dezembro do mesmo ano.

 

Em Chet Baker Ensemble, o trompetista aparece acompanhado por alguns dos mais importantes e talentosos músicos do west-coast jazz. Baker estava tocando de forma mais expansiva do que habitualmente acontecia no quarteto de Mulligan, soando com intenso brilho, em contraposição ao toque contido e lírico que se tornaria sua marca pessoal. O pianista Russ Freeman, o contrabaixista Joe Mondragon e o baterista Shelly Manne formavam a seção rítmica mais poderosa da Califórnia, com incontáveis participações em estúdios e em apresentações ao vivo. O naipe de saxes trazia o compositor e arranjador de todos os temas do álbum, Jack Montrose ao tenor, Herb Geller ao tenor nos ensembles e ao alto nos solos e o inseparável amigo de Montrose, Bob Gordon no sax barítono. Montrose assume um papel de relevante importância no resultado final do trabalho, com arranjos de qualidade superior, conferindo a música produzida a beleza e o espírito típicos do jazz praticado na costa oeste naqueles tempos. Compondo e arranjando, de forma igualmente hábil, temas rápidos e suingantes e baladas de caráter lírico e introspectivo, o jovem músico de apenas 25 anos na data das gravações, dava início a sua brilhante carreira como um dos mais importantes arranjadores da west-coast, onde a concorrência era severa entre os melhores: Bill Russo, Shorty Rogers, Gerry Mulligan, Russ Freeman, Johnny Mandell, Bob Cooper, Lennie Niehaus, Bill Holman, André Previn, entre outros.

 

Chet Baker Ensemble é um dos mais brilhantes momentos da carreira deste ícone, que se tornaria um dos principais nomes do trompete no jazz

 

 

Chet Baker (tp) Herb Geller (as, ts) Jack Montrose (ts) Bob Gordon (bars) Russ Freeman (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, December 14, 1953
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, December 22, 1953*

 

1- Bockhanal
2- Ergo
3- Moonlight Becomes You*
4- Headline
5- A Dandy Line
6- Little Old Lady*
7- Goodbye*
8- Pro Defunctus*

http://ouo.io/GQ5lcJ

 

HotBeatJazz 10′ Series – Bob Gordon – Moods In Jazz TP-26 (1953)

A história do jazz é pontuada por grandes momentos, onde artistas de categoria maior nos deixaram incontáveis realizações, que perduram por décadas, garantindo o deleite dos apreciadores do gênero. Mas esta mesma história tem incontáveis momentos de tragédia, com artistas de categoria superlativa nos deixando de forma violenta e precoce, quando somente iniciavam suas carreiras de maneira vigorosa e promissora, deixando uma profunda saudade e lacuna de tamanho imensurável. Foi assim com Bix Beiderbeke, Clifford Brown, Scott LaFaro, Eric Dolphy, o mestre maior Charlie Parker, e outros tantos artistas, entre eles, o baritonista Bob Gordon.

 

Bob nasceu em St. Louis, Missouri, em 11 de junho de 1928. Capturado pela música ainda na adolescência, tornou-se um músico talentoso de forma precoce, aos 18 anos já tocava seu sax barítono na banda de Shorty Sherock. De 1948 à 1951 foi integrante da orquestra de Alvino Rey e em 1952 entrou para a grande orquestra de Billy May. Mudou-se para a California e lá tornaria-se um requisitado sidemen para músicos da estatura de Shelly Manne, Maynard Ferguson, Chet Baker, Clifford Brown, Shorty Rogers, Tal Farlow e Stan Kenton. Foi um parceiro musical inseparável do saxofonista, compositor e arranjador Jack Montrose, que fala da seguinte forma sobre Bob Gordon: “Para mim, Bob Gordon foi muito mais do que uma inspiração, ele era a minha outra metade musical, e juntos, formávamos um todo. Nossa parceria não está terminada, entretanto, sua contribuição está indelévelmente impressa em minha alma, e cabe a mim a tarefa de dar continuidade a ela. Nos entendíamos e nos admirávamos completamente. Sou um homem de sorte por ter amado e sido amado por alguém como Bob Gordon. Penso que o companheirismo e resultado artístico que experimentamos era de uma natureza tal que não é comumente atingido. Sou um afortunado e um homem melhor por ter conhecido e amado a alguém como Bob Gordon”.

 

Bob Gordon faleceu aos 27 anos de idade, vítima de um acidente automobilístico, quando se dirigia para San Diego para uma apresentação ao lado do amigo Pete Rugolo. Deixou dois álbuns como líder e incontáveis participações como sidemen em gravações.

 

Moods in Jazz” foi seu primeiro trabalho como chefe de combo. Bob dividiu a linha de frente de um quinteto com o excelente trombonista Herbie Harper. Uma seção rítmica um tanto obscura completava o quinteto: Maury Dell ao piano; Don Prell ao contrabaixo e George Redman à bateria. O repertório é dividido entre três temas de andamento lento, com destaque para Babete, de Mary Dell; e Slow Mood, composição de Eddie Miller. Moer Blues, Sonny Boy e Just George, são temas de andamento altamente suingante, onde se pode perceber o talento incomum do trombonista Herbie Harper.

 

Moods in Jazz” é um dos raros momentos como líder deste mestre do sax barítono, de carreira efêmera porém definitiva na memória dos apreciadores do bom e imorredouro jazz.

 

Bob Gordon (bs); Herbie Harper (tb); Maury Dell (p); Don Prell (b); George Redman (d)
California, december 1953

 

1 – Babette
2 – Moer Blues
3 – Sonny Boy
4 – Slow Mood
5 – Slow
6 – Just George

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Bill Holman – Kenton Presents Jazz 10’LP H6500 (1954)

O saxofonista, compositor e arranjador Bill Holman é um dos mais conceituados e celebrados expoentes do west-coast jazz. Nascido em 21 de maio de 1927, Holman foi contratado como saxofonista por Stan Kenton em 1951, e rápidamente seus talentos de compositor e arranjador foram percebidos pelo maestro. Sua habilidade e capacidade de produzir arranjos recheados de dissonâncias e contrapontos o conduziram ao cargo de principal arranjador da orquestra durante a década de 50. Seu trabalho neste campo atinge o ápice no álbum Contemporary Concepts. Continuou a escrever para a orquestra durante os anos 60 e 70, embora também cuidasse de seu próprio combo. Holman também contribuiu para os books das orquestras de Woody Herman, Doc Severinsen, Buddy Rich, Terry Gibbs, Count Basie, e a Gerry Mulligan’s Concert Jazz Band.

 

Seu primeiro álbum como líder foi produzido dentro da série Kenton Presents Jazz, da gravadora Capitol em 1954. Dois octetos interpretaram as composições e arranjos de Hollman, que também atuou como saxofonista tenor, em três sessões de gravação, acontecidas entre 4 de maio e 2 de agôsto daquele ano. Um música leve, alegre, com arranjos muito bem concebidos, dava a exatada dimensão da sonoridade do jazz produzido na Califórnia dos anos 50. Se o som da west-coast perdia em groove e pulso para o jazz feito na costa leste, sem nenhuma dúvida enriquecia-se com os arranjos sofisticados e complexos idealizados por seus muitos arranjadores, como: Bill, Shorty Rogers, Jack Montrose, André Previn, e um grande número de outros excelentes arranjadores fixados na Califórnia, muito em virtude do imenso campo de trabalho que os estúdios de cinema e televisão proporcionavam.

 

Bill Holman, montou sua própria orquestra em 1975 e escreveu para os mais diversos gêneros musicais durante toda sua longeva carreira. Está hoje com 83 anos de idade e ainda atuante.

 

Bill Holman (ts), Bob Gordon (bs), Herb Geller (as); Don Fagerquist (tp); Stu Williamson, Bob Enevoldsen (tb); Curtis Counce (b); Stan Levey (d).
Recorded May 4, 1954, Hollywood, CA
Recorded May 12, 1954, Hollywood, CA*

 

Bill Holman (ts), Bob Gordon (bs), Herb Geller (as), Stu Williamson, Nick Travis (tp); Stu Williamson, Bob Enevoldsen (tb); Max Bennett (b); Stan Levey (d).
Recorded August 2, 1954, Hollywood, CA**

 

1- On The Town*
2- Locomotion**
3- Jughaid**
4- Back To Minors*
5- Sparkle
6- Tanglefoot
7- Song Without Words
8- Awfully Busy

http://ouo.io/8kaAit