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Arquivo da categoria: Bud Shank

HotBeatJazz 10′ Series – Bud Shank – And Three Trombones 10’LP PJLP-14 (1954)

Bud Shank dividiu, nos anos 50, com Art Pepper a preferência entre os apreciadores do west-coast jazz no saxofone alto. Herb Geller e Lennie Niehaus também tinham seus adeptos, porém Shank e Pepper se tornaram a referência no instrumento para aqueles que apreciavam o movimentado cenário jazzístico oriundo da Califórnia. Tanto que na eleição da revista Down Beat em 1954, Shank foi eleito New Star no saxofone alto, desbancando seus colegas da Califórnia e os inúmeros altoístas em atividade na costa leste, a maior vitrine do jazz do período.

 

Neste mesmo ano de 1954, Shank gravou um álbum muito especial para a gravadora Pacific Jazz, Bud Shank And Three Trombones, disco que contou com os arranjos e composições do saxofonista Bob Cooper e as participações de três exímios trombonistas da costa oeste: Bob Enevoldsen, Stu Williamson e uma das raras oportunidades de se ouvir o conhecido trompetista canadense Maynard Ferguson atuando no trombone valvulado. A seção rítmica trazia o excelente pianista Claude Williamson e os super requisitados Joe Mondragon no contrabaixo e Shelly Manne na bateria. Às composições e os arranjos de Bob Cooper foram incluídas duas baladas do repertório popular americano: Little Girl Blue e You Don’t Know What Love Is. Cooper construiu ricas harmonias executadas pelos trombones que produzem um contraste de timbres ao saxofone alto do líder, um legítimo Parkeriano por excelência. Wailing Vessel tornou-se um clássico do west-coast, sendo revisitado por Shank em vários álbuns posteriores. Valve In Head é uma aula de arranjo ofertada por Bob Cooper e um tema de suingue contagiante. Shank produz um solo incendiário culminando em um break apoiado pela bateria sutil e melódica de Shelly Manne, de atuação destacada na faixa. Joe Mondragon inicia Cool Fool com um elegante walkin’ bass, com Shank e os trombones valorizando a escrita do arranjador. Mobile foi outro tema muito revisitado nas gravações da west-coast. Manne e Claude Williamson iniciam Baby’s Birthday Party, um tema repleto de cores tonais e de atmosfera típica do jazz da Califórnia.

 

Bud Shank And Three Trombones é um dos pontos altos do jazz da Califórnia e da discografia deste virtuose do saxofone alto.

 

Bud Shank (as); Bob Enevoldsen (tb); Maynard Ferguson (valv tb); Stu Williamson (tb); Claude Williamson (p); Joe Mondragon (b); Shelly Manne (d); Bob Cooper (arr)
Recorded in Hollywood, April and June 1954

 

1- Valve In Head
2- Cool Fool
3- Little Girl Blue
4- Mobile
5- Wailing Vessel
6- Baby’s Birthday Party
7- You Don’t Know What Love Is
8- Sing Something Simple

 

 http://ouo.io/k0HXi

 

HotBeatJazz 10′ Series – Gerry Mulligan And His Ten-Tette – Capitol H439 (1953)

O baritonista, arranjador e compositor Gerry Mulligan foi alçado a repentino sucesso de crítica e público em 1952, após montar seu pianoless quartet do qual fazia parte o trompetista Chet Baker. Sendo já uma referência entres os músicos, que apreciavam a extrema categoria e qualidade de sua escrita, Mulligan foi com este quarteto apreciado e ovacionado pelo público americano e, posteriormente, mundial. O quarteto pode evidenciar a qualidade de instrumentista de Muligan como saxofonista, porém o arranjo e a composição eram as principais atividades a que ele próprio se dedicava. Já havia escrito para orquestras, para o noneto de Miles Davis em 49-50, montado uma big band, e iniciado sua carreira como líder em 1951, gravando para a Prestige. Após o ano de 1952 ter sido praticamente dedicado a seu quarteto, Mulligan iniciava 1953 com o projeto de um grupo de tamanho médio, 10 músicos, excecutando suas composições e arranjos, algumas delas já gravadas com o quarteto. A este combo foi dado o nome de Ten-Tette.

 

Para tanto Mulligan recrutou parte da nata dos músicos estabelecidos na Califórnia, quase todos com importantes passagens pelas orquestras de Stan Kenton e Woody Herman, os maiores celeiros de solistas do west-coast jazz. A instrumentação era original: 2 trompetes, 1 trombone de válvulas, 1 french-horn, 1 tuba, 1 sax alto, 1 sax barítono, contrabaixo, bateria, e Mulligan atuando hora no sax barítono ou no piano. Pela primeira vez Mulligan se apresentava em gravação atuando ao piano, este que fora seu primeiro instrumento e no qual ele se mostrava muito competente, revelando fortes traços da influência de Duke Ellignton, fato posteriormente admitido pelo próprio Mulligan. Seus arranjos são cheios de luz e suavidade, com os músicos atuando com evidente empenho na execução de suas partituras, e sua música, apesar de altamente organizada e arranjada, dava amplos espaços para os solistas do grupo.
Estas oito faixas foram produzidas por Gene Norman e gravadas nos suntuosos estúdios da Capitol, na Melrose Avenue, em Hollywood. Dividas em duas sessões de gravação ocorridas em 29 e 31 de janeiro de 1953, com o mesmo grupo de músicos, à exceçao do baterista – Chico Hamilton no dia 29 e Larry Bunker no dia 31. Vale destacar as atuações excepcionais dos trompetistas Chet Baker e Pete Candoli, assim como do saxofonista alto Bud Shank, e um novo arranjo para Rocker, anteriormente gravada com o noneto de Miles Davis. O standard Takin’ A Chance On Love tem um arranjo absolutamente original. Walkin’ Shoes, que já havia sido gravada com o quarteto, ganha novas cores e personalidade, e se tornaria um clássico no repertório de Mulligan. Todas as cinco composições restantes trazem a marca de gênio deste verdadeiro gigante do jazz.

 

Chet Baker, Pete Candoli (tp) Bob Enevoldsen (vtb) John Graas (frh) Ray Siegel (tu) Bud Shank (as) Don Davidson (bars) Gerry Mulligan (bars, p) Joe Mondragon (b) Chico Hamilton (d) Larry Bunker (d) *
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, January 29, 1953
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, January 31, 1953*

 

1- Taking A Chance On Love*
2- Rocker
3- Ontet*
4- Flash*
5- Simbah*
6- A Ballad
7- Westwood Walk
8- Walkin’ Shoes

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Laurindo Almeida Quartet featuring Bud Shank – 10’LP PJLP 7 (1953)

Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto, ou simplesmente Laurindo Almeida, nasceu em 2 de setembro de 1917, em Miracatú, no litoral do estado de São Paulo. Foi um dos quinze filhos de um ferroviário e de uma simples dona de casa. Seu pai era um aficcionado pelas serestas e sua mãe se atrevia a bater uns acordes no piano. Foi neste ambiente que Laurindo aprendeu os primeiros rudimentos musicais, porém aos vinte anos já era um exímio violonista. Em 1936, iniciou sua carreira profissional tocando a bordo de um navio de cruzeiro e dois anos depois tentava a sorte no Rio de Janeiro, onde, depois de passar por algumas dificuldades, seria contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Trabalhando na rádio teve a oportunidade de tocar com grandes nomes da música brasileira, formou um duo com o também exímio violonista Garoto, e atuou como solista em peças regidas por Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali.

 

Em 1947, os rumos de sua vida mudam radicalmente quando contratado como integrante do grupo de Carmen Miranda, embarca para os Estados Unidos. Em 49, é contratado como músico da orquestra de Stan Kenton, onde passa a ser um dos solistas mais originais que a orquestra apresentava. É desta época sua amizade com o colega da banda de Kenton, grande flautista-saxofonista Bud Shank, uma associação que perduraria por mais de 35 anos, tendo seu ponto alto no combo L.A. Four, formado por ambos e acrescido do célebre contrabaixista Ray Brown e do baterista Shelly Manne, depois substituído por Jeff Hamilton, chegaram a gravar 9 álbuns.

 

Laurindo Almeida Quartet, gravado em 1953, foi a primeira associação dos dois em disco, e marca o início do grande interesse que o saxofonista teria pela música popular brasileira. Para muitos pesquisadores e críticos, esta gravação é uma espécie de gênese embrionária da futura Bossa-Nova, opinião de que pessoalmente não compartilho. Inegável é o fato de ter sido Laurindo, o primeiro instrumentista de reconhecido talento a divulgar a capacidade instrumental da música do Brasil no exterior. Ele abriu as portas do caminho que seria seguido mais tarde por nomes como: Luis Bonfá, Sérgio Mendes, Baden Powell, Tom Jobim, João Donato, e mais uma legião de músicos brasileiros.

 

No repertório do álbum, 4 músicas brasileiras como: Baião, de Luis Gonzaga; Carinhoso, de Pixinguinha; Nonô, de Garôto; e Tocata, escrita especialmente para esta gravação por Radamés Gnattali. Noctambulism, foi composta pelo contrabaixista do quarteto, Harry Babasin; e Hazardous, é de autoria de Dick Hazard. O baterista-percussionista Roy Harte completa o quarteto.

 

A carreira de Laurindo Almeida foi coroada de sucessos, em 63 gravou com o Modern Jazz Quartet um excelente álbum, ganhou seis Prêmios Grammy, compôs e arranjou para mais de 800 produções, incluindo aí uns tantos filmes para Hollywood. Laurindo faleceu em Los Angeles, em 26 de julho de 1995.
Laurindo Almeida (g); Bud Shank (as); Harry Babasin (b); Roy Harte (d)

 

1- Blue baião
2- Cariñoso
3- Nono
4- Hazardous
5- Noctambulism
6- Tocata