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Arquivo da categoria: Buddy Rich

HotBeatJazz 10′ Series – Benny Carter – Cosmopolite 10′ LP MGC 141 (1952)

O saxofone alto teve, na década de 30 e até a primeira metade da década de 40, dois grandes estilistas que influenciaram os demais músicos deste instrumento, Johnny Hodges e Benny Carter. Bennett Lester (Benny) Carter (NYC, 8/08/1907 – Los Angeles, 12/07/2003), foi um dos mais completos músicos já surgidos na cena jazzística. Hábil no sax alto, clarinete, trompete, piano, e também, um inspirado compositor e arranjador, começou sua carreira recebendo ensinamentos do trompetista Bubber Milley. Estreou profissionalmente aos 15 anos de idade e entrou pela primeira vez em estúdio em 1928, no ano seguinte já organizava seu primeiro combo. Em 1930-31 toca na orquestra de Fletcher Henderson, onde também atuaria como arranjador. Tem uma breve atuação no McKinney’s Cotton Pickers antes de voltar a liderar um grupo próprio em 32. Criador de arranjos complexos e sofisticados que chamam a atenção de Duke Ellington, que o convida para escrever para sua famosa orquestra. Na década de 40, Carter muda-se para Los Angeles, onde passa a escrever música para os estúdios de cinema. Foi também no início desta década que promoveu o lançamento de um jovem trompetista, Miles Davis, do qual se tornaria amigo pessoal por toda a vida. Carter foi membro do conselho de música da “National Endowment for the Arts”. Foi também membro do “Black Film Makers’ Hall of Fame” (“Quadro de Honra dos Realizadores Negros de Filmes”) e, em 1980, recebe o prémio Golden Score, da “American Society of Music Arrangers” (“Sociedade Americana de Arranjadores de Música”). Reconhecido pelo Kennedy Center, em 1996, e recebeu vários doutoramentos honorários das universidades de Princeton, Harvard e Rutgers, do do conservatório de New England. Em 1987, Carter recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award, por lhe ter sido reconhecido o trabalho dedicado toda a sua vida em prol da música. Faleceu em Los Angeles, aos 95 anos de idade.

 

O álbum em questão foi gravado em 1952 para a Cleff Records em duas sessões. A primeira, em 18 de setembro, em NYC, contava com o acompanhamento do quarteto do pianista Oscar Peterson, formado pelo guitarrista Barney Kessel, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. No repertório, 3 standards e uma composição do book de Duke Ellington, I Got It Bad (And That Ain’t Good). Carter revelava nesta época ter absorvido algumas lições e maneirismos do bebop, principalmente nas músicas de andamento rápido como Long Ago (And Far Away). Seu lirismo e fraseado elegante fica evidente nas baladas, como em I’ve Got The World On A String. O timbre extraído por Benny Carter de seu sax alto é um dos mais belos já surgidos na cena jazzística e, caso raro entre os músicos do estilo swing, não abusa dos vibratos, mostrando uma modernidade estética precoce.

 

As faixas que ocupam o lado B do LP foram gravadas 3 meses depois em Los Angeles, também com acompanhamento do quarteto de Oscar Peterson, porém com o baterista J. C. Heard no lugar de Buddy Rich. Carter interpreta com sua costumeira elegência as baladas Imagination e Street Scene, e o quinteto esbanja swing em Pick Yourself Up e I Get A Kick Out Of You.

 

Cosmopolite está listado entre as melhores seções deste músico que durante toda sua carreira produziu centenas de gravações, todas de altíssima qualidade e com um bom gosto raramente pareado.

 

Benny Carter (as) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) J.C. Heard (d)*
Reeves Sound Studios, NYC, September 18, 1952
Radio Recorders, Hollywood, CA, December 4, 1952*

 

1- Long Ago (And Far Away)
2- I’ve Got The World On A String
3- Gone With The Wind
4- I Got It Bad (And That Ain’t Good)
5- Pick Yourself Up*
6- Imagination*
7- I Get A Kick Out Of You*
8- Street Scene*

Hot Beat Jazz

 

HotBeatJazz 10′ Series – Lester Young – Trio N°2 – 10’LP MGC-135 (1946)

O desenvolvimento do saxofone tenor no jazz teve como primeiro mestre Coleman Hawkins, o pai do saxofone, como era chamado, porém foi Lester Young o mais influente músico neste instrumento. Sua sonoridade macia, seu toque relaxado, contrastava com o estilo praticado até então. Lester fez o saxofone deixar de soar de maneira hot, e foi o precursor do estilo cool no jazz. Nascido em uma família de músicos em Woodville, Mississippi, em 27 de Agosto de 1909, e ainda jovem tendo ido viver em New Orleans, Luisiana, desde muito cedo esteve em contato com mundo da música, tocando bateria na banda de seu pai, nas barcas que subiam o rio Mississipi. Abandonou a bateria quando percebeu o inconveniente causado nas relaçoes com o sexo feminino, desmontar e embalar o instrumento o impossibilitava de acompanhar as moças que se interessavam pelos músicos. Passou a bateria para seu irmão, Lee Young, e mudou para o sax alto. Neste instrumento ingressou na banda de Art Bronson, depois mudou para o sax tenor e tocou com o pioneiro King Oliver. Uma temporada breve com Count Basie, músico oriundo de Kansas City, onde Lester se estabeleceu, antecipou sua conturbada estada na banda de Fletcher Henderson, onde por substituir ninguem menos do que Coleman Hawkins, foi cobrado em executar um estilo que fosse semelhante, áspero e agressivo. Impossível para Lester, abandonou o grupo e se juntou a banda de Any Kirk, antes de retornar ao grupo de Basie em 36 e gravar faixas em que se tornaria uma referência obrigatória em uma nova maneira de se exprimir no sax tenor. Foi neste combo que Lester conheceria aquela que foi sua maior amiga, confidente e íntima, numa relação que durou por toda sua vida, Billie Holiday. Billie deu a Lester o apelido que passaria a ser sua marca, Pres, uma abreviatura para Presidente. Ao lado de Billie gravou solos antológicos para a história do jazz e atribuiu à ela o apelido de Lady Day. Foram como amigos, irmãos, apaixonados um pelo outro, e atravessaram juntos os difíceis caminhos das drogas e da dificuldade em ser negro em um país regido por leis segregacionistas.

 

A gravação que tratamos aqui foi realizada em 1946, em Hollywood, em uma produção de Norman Granz para seu selo Clef. Lester está acompanhado pelo baterista Buddy Rich e pelo pianista Nat King Cole, que por razões contratuais aparece sob o pseudônimo de Aye Guy. Interpretam quatro standards, com a curiosidade de que em Peg O’ My Heart, eles atuam em duo de saxofone e piano, em virtude de Buddy Rich ter sido acometido por uma súbita e inexplicável fome, que o fez se ausentar do estúdio e buscar alimento. A gravação The Man I Love tornou-se um clássico na discografia de Lester, seu discurso é primoroso e ainda hoje atual. Nat King Cole toca com paixão incontida, em uma atmosfera diversa da que costumava ter com seu fabuloso trio. Enfim são quatro faixas que entraram para posteridade, e de quebra, você ainda vai poder matar as saudades dos chiados e estalos peculiares a um velho 10 polegadas. As faixas foram extraídas de um exemplar original.

 

Lester Young (ts) Nat “King” Cole (p) Buddy Rich (d)
Radio Recorders, Hollywood, CA, March-April, 1946

 

1- I Want to Be Happy
2- Peg o’ My Heart
3- Mean to Me
4- The Man I Love
 

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – With Strings – 10’LP MGC 509 (1950)

Decorrência do grande sucesso alcançado pela gravação de novembro de 1949, Norman Granz mais uma vez colocava Charlie Parker em estúdio para uma nova sessão acompanhado por um naipe de cordas. Desta feita, os arranjos foram elaborados por Joe Lippman, o trio base contava com o pianista Bernie Leighton e, novamente, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. O repertório continuava na mesma linha, baladas e standards populares como: Laura, Dancing In The Dark, East Of The Sun e I’m In The Mood For Love, entre outros.

 

Estas gravações deflagaram uma verdadeira febre entre os músicos de jazz, que passaram também a gravar álbuns acompanhados por cordas a partir de então.

 

Charlie Parker (as) Joseph Singer (frh) Edwin C. Brown (ob) Sam Kaplan, Howard Kay, Harry Melnikoff, Sam Rand, Ziggy Smirnoff (vln) Isadore Zir (vla) Maurice Brown (vlc) Verley Mills (harp) Bernie Leighton (p) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) Joe Lippman (arr, cond)
Reeves Sound Studios, NYC, July 5, 1950

 

 

1- Dancing In The Dark (take 442-5)
2- You Came Along From Out Of Nowhere (take 443-2)
3- Laura (take 444-3)
4- East Of The Sun (take 445-4)
5- They Can’t Take That Away From Me (take 446-2)
6- Easy To Love (take 447-4)
7- I’m In The Mood For Love (take 448-20)
8- I’ll Remember April (take 449-2)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – With Strings 10’LP MGC 101 (1949)

Não poderia faltar à esta série de clássicos do jazz em 10 polegadas, assim como em nenhuma que pretenda abordar o assunto, as gravações feitas por Charlie Parker acompanhado por orquestra de cordas. Origináriamente lançadas pela Clef, de Norman Granz, esta sessão de novembro de 1949 realizava um antigo desejo de Bird, acalentado em virtude de sua apreciação aos compositores eruditos, notadamente Ravel, Debussy, e especialmente, Stravinski. Norman Granz produziu uma data com um naipe de cordas e oboé, arranjados e conduzidos por Jimmy Carroll, dando suporte a Parker e um trio de jazz formado pelo pianista Stan Freeman, pelo contrabaixista Ray Brown, e o baterista Buddy Rich.

 

Parker já era reconhecido como o guia maior do bebop, porém esta forma de jazz ainda recebia críticas e rejeições por parte dos puristas mais xiitas, que costumavam alegar que o bebop não era jazz autêntico, e sim uma forma de tocar desprovida de sentido. Estas gravações foram um verdadeiro tapa de luvas no rosto dos reacionários, e propiciou a Bird abarcar uma gama muito maior de apreciadores de sua arte. Ouvidos que ainda não estavam prontos para o entendimento de uma sessão puramente bebop, conseguiam se situar neste contexto mais ortodoxo, e apreciar o instrumentista diferenciado que ele sempre foi. Estas gravações são uma verdadeira aula, até hoje, de como se pode produzir música de forte apelo popular sem transgredir os princípios de arte pura. Outras sessões como esta foram organizadas, contribuindo para que a música de Charlie Parker saísse dos guetos dos clubes de jazz e de alguns apreciadores mais vanguardistas, que eram em suma os apreciadores do bebop, e ganhasse as salas de lares do americano médio, conservador.

 

Charlie Parker (as); Stan Freeman (p); Ray Brown (b); Buddy Rich (d); Mitch Miller (ob, ehr); Bronislaw Gimpel, Max Hollander, Milton Lomask (vln); Frank Brieff (vla) Frank Miller (vlc); Meyer Rosen (harp); Jimmy Carroll (arr, cond)
Reeves Sound Studios, NYC, November 30, 1949

 

1- Just Friends (take 319-5)
2- Everything Happens To Me (take 320-3)
3- April In Paris (take 321-3)
4- Summertime (take 322-2)
5- I Didn’t Know What Time It Was (take 323-2)
6- If I Should Lose You (take 324-3)