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HotBeatJazz 10′ Series – Max Roach and Clifford Brown – In Concert 10’LP GNP 5 (1954)

O quinteto Max Roach – Clifford Brown iniciou as atividades em 1954 na Califórnia. Max já era um precoce veterano, reconhecido como um dos mais importantes desenvolvedores da linguagem da bateria no bebop. Clifford estava apenas iniciando seu segundo ano de atividades constantes em estúdios e apresentações. Em 52 ele havia feito sua estréia em estúdios participando do grupo do percussionista e vocalista jamaicano Chris Powell, como integrante dos “The Five Blue Flames“. Em 53 Clifford esteve na mira das atenções de músicos e público participando de diversas associações: um fabuloso álbum co-liderando um quinteto com Lou Donaldson, como membro do tenteto de Tadd Dameron, gravações para a Blue Note como integrante do sexteto de J. J. Johnson, e uma associação com o saxofonista Gigi Gryce que o levaria a vários trabalhos culminando com o convite para integrar o fabuloso naipe da orquestra de Lionel Hampton em uma excursão a Europa no segundo semestre.

 

1954 começa não menos agitado, com Brownie atuando no quinteto de Art Blakey em apresentações no Birdland em fevereiro, momento esse imortalizado em gravação ao vivo da Blue Note do grupo que seria o embrião dos futuros Jazz Messengers. Em abril recebe o convite de Max Roach para co-liderar um quinteto e vão para a Califórnia, atuar em clubes de jazz e nos estúdios da Capitol. Brownie faria também uma sessão para a Pacif Jazz, gravadora local que produziu alguns dos melhores discos do west-coast jazz. Em abril daquele ano o quinteto Roach-Brown ainda não estava com seus integrantes definidos, fato que somente ocorreria em agosto. para as primeiras apresentações eles recrutaram alguns músicos locais como o pianista Carl Perkins, o contrabaixista George Bledsoe e o fantástico saxofonista tenor Teddy Edwards.

 

A apresentação no “California Club” em Los Angeles foi gravada e lançada em 10 polegadas pelo produtor Gene Norman na série Gene Norman Presents. Apenas quatro temas, divididos em performances em quarteto e quinteto perfaziam o álbum. Em Tenderly e Clifford’s Axe o destaque é todo de Clifford, que apresenta sua habitual e fantástica técnica ao trompete, que o levaria a ser comparado a Dizzy Gillespie. Clifford Brown não é somente um virtuose técnico, é um verdadeiro poeta na criação de belas frases musicais, sempre com uma arquitetura de idéias tremendamente criativa. Em All God’s Chillun Got Rhythm e em Sunset Eyes, o talentoso saxofonista tenor Teddy Edwards divide os holofotes com Brownie.

 

Conheçam este primeiro registro de um dos mais importantes combos da história do jazz. Com vocês, o Max Roach – Clifford Brown Quintet!

 

Clifford Brown (tp) Teddy Edwards (ts -1,3) Carl Perkins (p) George Bledsoe (b) Max Roach (d) Gene Norman (ann)
“California Club”, Los Angeles, CA, April, 1954

 

1- All God’s Chillun Got Rhythm
2- Tenderly
3- Sunset Eyes
4- Clifford’s Axe

http://ouo.io/kkS56

 

Frank Morgan – With Conte Candoli & Machito’s Rhythm Section (1955)

Frank Morgan tem em sua biografia uma das histórias mais trágicas e inacreditáveis do jazz. Filho do guitarrista Lanny Morgan, Frank nasceu em 1932 e ainda jovem se mostrava um talentoso clarinetista. Na adolescência incluiu o sax alto como seu principal instrumento influenciado pelo bebop, a revolução musical que Charlie Parker e outros produziam em New York. Morava em Los Angeles quando aos 15 anos foi convidado por Duke Ellington a se incorporar a banda, seu pai desfez o sonho, queria que o filho terminasse os estudos antes que saísse em turnês. Porém aos 17 já atuava em L.A. acompanhando cantoras como Josephine Baker e Billie Holiday. Músico ativo na cena bop da Califórnia, começou a participar de gravações com o vibrafonista Teddy Charles (1953), Kenny Clarke (1954) e em seu próprio nome na gravadora de Gene Norman (1955). Desgraçadamente, nesse período começou seu hábito de consumir a heroína tal qual seu ídolo maior, Parker. Morgan declarou anos depois em depoimento: “Naquela época, eu e muitos outros jovens músicos acreditávamos que, se queríamos tocar como Bird teríamos que viver como ele. Isso incluía, claro, as bebidas e as drogas pesadas.” A partir daí começava seu calvário. Foram 30 anos de carreira interrompida em virtude de prisões e condenações pelo vício. A carreira foi negligenciada mas não a música. Juntamente com seu colega de infortúnio, o também saxofonista Art Pepper, chegou a montar grandes orquestras dentro do sistema penitenciário. Segundo Frank, em San Quentin ele liderou uma das melhores orquestras com o qual já tocou. Essa é a parte trágica da história, a inacreditável é que mesmo depois desse longo hiato Frank voltou a cena musical, retomando a carreira 30 anos depois do início do flagelo com as drogas. Em 1985 resurgiu no meio e mantém uma carreira de grande sucesso até hoje.
O álbum de que trata o post foi gravado em 1955, ao lado de um grande trompetista da west coast, Conte Candoli e nas quatro primeiras faixas, de músicos da orquestra de latin jazz de maior sucesso da época, Machito. É uma sessão de verdadeiro bebop, lembrando o celebrado disco de Parker, com a orquestra de Machito, South Of The Border. Nas seis faixas seguintes, também com Candoli, a presença notável é a do sax tenor de Wardell Grey, músico que infelizmente não sobreviveu as drogas, foi encontrado morto no deserto de Nevada, assassinado por traficantes locais. Nas cinco últimas faixas Candoli é substituído por Jack Sheldon, músico sem o brilho do primeiro mas também de excelente qualidade. O álbum é todo uma grande aula de bebop, com Morgan e Candoli mostrando que absorveram tudo de seus mestres/gurus, Charlie Parker e Dizzy Gillespie.
tracks 1 – 4: frank morgan (as); conte candoli (tp); wild bill davis (org); bobby rodriguez (b); rafael miranda (d, cgas); jose mangual (bongos); ubaldo nieto (timbales)
tracks 5 – 10: frank morgan (as); conte candoli (tp); wardell gray (ts); howard roberts (g); carl perkins (p); leroy vinnegar (b); lawrence marable (d)
tracks 11 – 15: frank morgan (as); jack sheldon (tp); james clay (ts, fl); bobby timmons (p); jimmy bond (b); lawrence marable (d)
1- bernie’s tune
2- i’ll remember april
3- chooch
4- whippet
5- my old flame
6- neil’s blues
7- the champ
8- the nearness of you
9- milt’s tune
10- get happy
11- crescendo blues
12- huh!
13- autumn leaves
14- well you needn’t
15- BT