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Arquivo da categoria: Casé

Dick Farney Quartet – Jazz After Midnight (1956)

No dia 11 de julho de 1956, no Teatro de Cultura Artística de São Paulo, foi realizado um concerto em homenagem aos 19 anos de falecimento do célebre compositor norte-americano George Gershwin. Apresentou-se o mais conceituado músico brasileiro de jazz da época, o pianista Dick Farney e seu quarteto. A ocasião também se tornou histórica por ter originado o primeiro LP de 12 polegadas inteiramente produzido no Brasil. Dick vivia seu momento de maior sucesso como cantor, tendo somente a dois anos retornado de uma temporada nos EUA. Porém a integridade artística de Dick Farney nunca permitiu que esquecesse o que ele realmente era, um dos mais capacitados pianistas de jazz que o Brasil já conheceu. Educado tanto na música erudita quanto no jazz, Dick sempre mostrou em sua forma de tocar suas maiores influências: Bach, Dave Brubeck e Erroll Garner. O quarteto tinha entre seus integrantes o formidável saxofonista alto Casé, o contrabaixista Shoo Viana e o baterista Rubens Barsotti (Rubinho). Casé sempre foi um músico completo, que sabia se adaptar com imensa flexibilidade ao que a música produzida lhe exigia. Nesta ocasião, atendendo às expectativas de Dick, Casé emula a sonoridade e fraseado de Paul Desmond, antológico saxofonista do quarteto de Dave Brubeck. Dick, como sempre, revela sua técnica pianística impecável, seu gosto refinado, e a capacidade peculiar de alternar entre contrapontos bachianos e vamps jazzísticos. Nesta garvação o ouvinte encontra algo que se torna cada vez mais raro nos dias de hoje, músicos inteiramente dedicados a sua arte e suas idéias, despreocupados com os resultados materiais, e fluindo uma música de honestidade e sinceridade ímpares.
Músicos como Dick Farney e Casé, deveriam ter estátuas em praças públicas em todas as cidades do país!
Dick Farney (piano); Casé (sax alto); Rubens Barsotti (bateria); Shoo Viana (contrabaixo)
Gravado ao vivo no Teatro de Cultura Artística, São Paulo, em 11 de julho de 1956.
1 – Strike Up The Band (George Gershwin)
2 – Embraceable You (Ira Gershwin / George Gershwin)
3 – Oh Lady Be Good (George Gershwin)
4 – But Not For Me (Ira Gershwin / George Gershwin)
5 – I Got Rhythm (George Gershwin / Ira Gershwin)
6 – A Foggy Day (Ira Gershwin / George Gershwin)
7 – The Man I Love (Ira Gershwin / George Gershwin)
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Publicado por em 3 de dezembro de 2009 em Casé, Dick Farney, Rubens Barsotti, Shoo Viana

 

Casé – In Memoriam (1979) – Brazilian Jazz Quartet – Coffe And Jazz (1958)


A primeira e única vez em que vi Casé foi em 1978, em uma cantina italiana em Petrópolis, que funcionava em cima de um posto de gasolina. Isto foi em Março ou Abril. Ele havia sido convidado, junto com outros músicos de sampa, para tocar por algumas semanas, pelos donos do local, dois irmãos, italianos, músicos, que na década de 50 trabalharam em várias orquestras de São Paulo. Um deles, o saxofonista tenor Nino, havia sido colega de estante de Casé juntamente com Hector Costita. Casé chegou acompanhado do contrabaixista Bandeira e do pianista Dias. Eu, um adolescente de 16 anos na época, lembro-me como se fosse hoje do encanto que foi ver aqueles dois saxofones tocando melodias que já conhecia por intermédio de meu pai, desnecessário dizer que naquela época eu era um inveterado roqueiro. Esta experiência mudou radicalmente os rumos de minha vida. Casé ficaria 1 mes por lá se apresentando nos fins de semana. No próximo sábado lá estava eu subindo a serra para nova audição. Lá chegando vi Dias ao piano, Bandeira em seu suntuoso baixo acústico, Nino solando ao tenor, Rafael, seu irmão a bateria, mas nada daquele músico franzino, calado, que 1 semana antes havia me transformado ao solar Stardust, Body and Soul, All of Me, e várias outras canções que já tinha ouvido, invariavelmente em arranjos bregas, tipo Georges Mellachrino ou Clebanoff. Perguntei a Nino onde estava aquele outro saxofonista e ouvi a resposta taxativa: “O Casé não esquenta lugar, voltou para São Paulo”. Meses depois, soube pelo mesmo Nino, que Casé havia sido encontrado morto no quarto do hotel em que vivia na Boca do Lixo, em sampa. Mais alguns meses e eu compraria, feliz, em uma loja de discos no centro da cidade este Lp, “Casé In Memoriam”. Eu ainda nem fazia idéia que este Lp era um relançamento do célebre “Coffe And Jazz” do “Brazilian Jazz Quartet”, uma das mais antológicas gravações de jazz realizada no Brasil. Foi gravado em 1958 pela Columbia, com Casé acompanhado pelo pianista Moacyr Peixoto – um dos irmãos do Cauby, e pelos futuros integrantes do Zimbo Trio: o contrabaixista Luis Chaves e o baterista Rubens Barsoti. Eu também não fazia a mínima idéia que aquele saxofonista alto, que havia me encantado e mudado meus paradigmas musicais meses atras, tocava em um estilo muito parecido com Lee Konitz.
Eu também não sabia que levaria 31 anos até que eu pudesse conhecer a história da vida daquele músico especial, algo que só ocorreu graças ao magnífico empreendimento do jornalista Fernando Lichti Barros, que em um incasável trabalho reuniu em um blog um ensaio biográfico de Casé. Recomendo a todos que se interessam pela memória dos músicos brasileiros que visitem em http://saxofonistacase.blogspot.com/ . Eu também não sabia que lamentaria tanto, só te-lo visto, escutado e conhecido aos 45 do segundo tempo de sua brilhante carreira como músico. Hoje completamos 31 anos de saudade deste magnífico músico. Obrigado Casé, por ter mudado minha vida!

Casé (Jose Ferreira Godinho Filho) – sax alto; Moacyr Peixoto – piano; Rubens Barsotti (Rubinho) – bateria; Luiz Chaves – contrabaixo
1- The Lonesome Road
2- When Your Love has Gone
3- Cop-out
4- Black Satin
5- Making Whoopee
6- No Moon at All
7- Old Devil Moon
8- Don’t Get Around Much Any More
9- You’d Be So Nice to Come Home To
10- I’ll Close my Eyes
11- Alone
12- Too Marvelous for Words