RSS

Arquivo da categoria: Cedar Walton

Benny Golson Quintet – This Is For You, John (1983)

Não será exageraro dizer que Benny Golson está entre os 50 nomes mais importantes do jazz. E digo 50, porque qualquer lista de nomes com menos de 100 ítems estará irremediavelmente comprometida. Benny faz parte da multidão de músicos de altíssimo gabarito provenientes de Philadelphia, onde nasceu em 25 de janeiro de 1929 e começou sua vida musical, ainda na década de 40, ao lado dos conterrâneos Jimmy e Percy Heath e do gigante do sax tenor, John Coltrane. Ainda criança estudou piano, orgão, sax tenor e clarinete, e em 47 entrou para a Howard University, onde graduou-se em 1950. Em 51, trabalhando na banda de Bull Moose Jackson, conheceu Tadd Dameron, que seria seu mentor e maior influência na arte de compôr e arranjar, talento pelo qual Golson se destacaria como um dos maiores já surgidos no jazz. Em 53 Golson teria a oportunidade de trabalhar na banda de Dameron, onde começou a obter visibilidade maior. Ainda no mesmo ano integraria a orquestra de Lionel Hampton e, de 54 a 56, a de Earl Bostic. Foi contratado para a mais importante orquestra de jazz da época, a de Dizzy Gillespie, ainda em 56, onde começou a mostrar seu talento para escrever arranjos e composições que se tornariam clássicos do jazz até os dias de hoje. São deste período as imortais: “Stablemates,” “Whisper Not” e”I Remember Clifford”. Seu talento de compositor continuou a ser utilizado nos “Jazz Messengers” de Art Blakey, onde foi incorpoprado em 58, ficando até 59. Com Blakey, produziu temas que fazem parte do songbook das grandes pérolas do jazz: “Along Came Betty,” “Blues March” e”Are You Real?”. Ainda em 59, trabalhou como free lancer em NYC e montou juntamente com o trompetista Art Farmer o combo “The Jazztet”, onde contava ainda com a participação do trombonista Curtis Fuller, do jovem pianista McCoy Tyner, e do contrabaixista Addison, irmão de Art Farmer. O “Jazztet” durou até 1962, e foi veículo para dezenas de composições de Golson, com destaque para o grande sucesso “Killer Joe”. O grupo foi reorganizado em 82 e contou com a participação de Curtis Fuller, tendo feito turnês por toda a década.
É deste período, “This Is For You, John”, álbum dedicado a memória do imortal parceiro dos primeiros tempos em Philly, John Coltrane. A formação de quinteto conta com a valiosa participação do herdeiro musical de Coltrane, o saxofonista Pharoah Sanders. Completam o grupo o genial pianista Cedar Walton, também um participante do histórico “Jazztet”, o mestre do contrabaixo, Ron Carter, e o baterista Jack DeJohnette. O repertório é formado por seis originais de Benny Golson e um arranjo para o tradicional “Greensleeves”, composição renascentista, que teve uma inspirada versão gravada por Coltrane e seu quarteto. Sanders e DeJohnette tocam em um estilo bastante calcado no hardbop, pouco habitual à eles. Cedar Walton e Ron Carter provém uma segura base harmônica para os sempre instigantes temas compostos por Golson.
“This is for you, John” é uma digna homenagem a um dos maiores revolucionários da música mundial, arte verdadeira que sai direto do coração dos músicos para nossos mortais ouvidos!
Benny Golson , Pharoah Sanders (ts); Cedar Walton (p); Ron Carter (b); Jack Dejohnette (d).
Recorded December 20-21, 1983 at Vanguard Studio, New York City.
1- Jam the Avenue
2- Greensleeves
3- Origin
4- A Change of Heart
5- Times Past (This Is for You, John)
6- Page 12
7- Vilia
Hot Beat Jazz
 

Hank Mobley Sextet – Thinking Of Home (1970)

“Thinking Of Home” é um ítem não muito lembrado na ampla discografia do saxofonista Hank Mobley. Gravado em 1970, com Mobley a frente de um sexteto, o álbum traz o que de melhor o saxofonista sabe produzir: hardbop. Considerado um dos fundadores do estilo e classificado por Dexter Gordon como um “campeão dos meio-pesados”, devido a seu timbre não tão agressivo quanto Rollins ou Coltrane nem tão aveludado como Stan Getz, Mobley sempre produziu grandes álbuns em sua longa associação com a Blue Note. “Thinking Of Home” foi seu último trabalho no selo da notinha azul, Mobley praticamente nada produziu em seus últimos 15 anos de vida, razão de uma saúde debilitada por abusos que o levaram a uma pneumonia. O sexteto conta com a brilhante participação do trompetista Woody Shaw, do sempre amigo e parceiro Cedar Walton ao piano, Eddie Diehl na guitarra, Mickey Bass no contrabaixo e Leroy Williams na bateria. O álbum reúne 4 originais de Mobley e uma composição de Mickey Bass, “Gayle’s Groove”. “Thinking Of Home” é a abertura, em estilo “churchy”, de uma suíte em 3 partes que conta com “The Flight”, um bebop acelerado e “Home At Last”, uma bossa-nova. “Justine” é um extenso tema hardbop e veículo ideal para todos os solistas. “You Gotta Hit It” é mais um bebop intenso, com magníficas trocas de compassos entre Mobley, Shaw e Leroy Williams. “Talk About Gittin’ It ” encerra o álbum com delicioso groove soul-jazz. “Thinking Of Home” é um canto do cisne na carreira impecável deste estilista do sax tenor.
Woody Shaw (tp); Hank Mobley (ts); Cedar Walton (p); Eddie Diehl (g); Mickey Bass (b); Leroy Williams (d).
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, July 31, 1970
1- Suite: Thinking Of Home / The Flight / Home At Last
2- Justine
3- You Gotta Hit It
4- Gayle’s Groove
5- Talk About Gittin’ It
 

Cedar Walton – George Coleman – Sam Jones – Billy Higgins – Eastern Rebellion (1975)

“Eastern Rebellion” é um dos grandes álbuns de jazz produzidos na década de 70, um período não muito amigável para o jazz straith-ahead e prolífico para o fusion. O quarteto é uma extensão do trio “Magic Triangule” formado pelo pianista Cedar Walton, pelo contrabaixista Sam Jones e pelo baterista Billy Higgins. Com a adesão do saxofonista George Coleman o grupo ganhou muito em possibilidades musicais e produziu uma série de grandes álbuns pelo selo Timeless. O repertório de “Eastern Rebellion” é um primor. De cara nos deparamos com uma das mais instigantes composições de Cedar Walton, “Bolivia”, tema eternizado pelo saudoso trompetista Freddie Hubbard. O baterista Billy Higgins faz um estupendo trabalho nos cymballs. “Naima”, de John Coltrane, tem uma introdução com o piano de Cedar Walton que por si só é uma obra de arte à parte. O tema é desenvolvido em uma levada latina com Billy Higgins dando um show em dinâmica e mostrando o talento que o fez um dos principais no instrumento. Como disse um crítico especializado, Coltrane ficaria orgulhoso de ouvir essa leitura de uma de suas mais líricas composições. “5/4 Thing” de George Coleman tem uma linda melodia passeando sobre os compassos compostos tão utilizados no hardbop. “Bittersweet”, de Sam Jones, é um bebop cheio de malícia e um veículo perfeito para as divagações de um dos mais experientes contrabaixistas do jazz. O álbum chega ao fim com um tema de Cedar Walton que se tornou um clássico do repertório do jazz moderno, “Mode For Joe”, dedicado ao saxofonista Joe Henderson. A intervenção de Billy Higgins é uma aula completa de bateria. Na opinião de muitos críticos “Eastern Rebellion” é um dos grandes álbuns de jazz de todos os tempos, opinião que modestamente este humilde escriba compactua em gênero, número e grau.
Cedar Walton (p); George Coleman (ts); Sam Jones (b); Billy Higgins (d)
C.I. Recording Studio, New York City, December 10, 1975
1- Bolivia (Cedar Walton)
2- Naima (John Coltrane)
3- 5/4 Thing (George Coleman)
4- Bittersweet (Sam Jones)
5- Mode For Joe (Cedar Walton)
 
1 comentário

Publicado por em 30 de agosto de 2009 em Billy Higgins, Cedar Walton, George Coleman, sam jones

 

Lee Morgan – Sonic Boom (1967) + bonus – The Procrastinator (1969)

O relançamento em CD do excelente “Sonic Boom” com o quinteto do trompetista Lee Morgan traz uma grata e secreta surpresa. A grata foi a escolha de uma das melhores sessões do trompetista para a Blue Note e a secreta trata-se das faixas bônus, na verdade um álbum bônus, “The Procrastinator” de 1969. O relançamento acontece na série “Connoisseur cd series” da Blue Note. “Sonic Boom” traz um quinteto com David “Fathead” Newman no sax tenor, Cedar Walton ao piano, Ron Carter no contrabaixo e Billy Higgins na bateria. O álbum tem uma das mais belas interpretações do standard “I’ll never be the same”, com Lee esbanjando técnica e lirismo. “The Mercenary”, com atmosfera dos Messengers, é um dos clássicos do songbook do trompetista. “Sneaky Pete”, de swing intenso e melodia sinuosa, é veículo perfeito para o poderoso tenor do “Cabeção” David Newman. “Cabeção” foi fiel escudeiro de Ray Charles, trabalhou em muitas bandas de baile tocando o blues e é este o enfoque do shuffle composto por Lee em homenagem à “Cabeção”, “Fathead”. “Mumbo Jumbo”, também de Lee, é típica composição da fusão do jazz com ritmos latinos, no caso o mambo. À partir da faixa 7 estaremos ouvindo a sessão para o álbum “The Procrastinator”, gravada em 1969. O grupo, agora um sexteto, é composto por Julian Priester no trombone, George Coleman no sax tenor, Harold Mabern ao piano, Walter Booker no contrabaixo e Mickey Roker na bateria. O standard da sessão é “Stormy Weather”, com a leitura pessoal e diferenciada de Lee Morgan. “Free Flow”, que abre o álbum, é composição de George Coleman, influenciada pela sonoridade e modalismos do quinteto de Miles. “Mr. Johnson”, do pianista Harold Mabern, revela as implicações de John Coltrane na música da década de 60. Julian Priester colabora com “The Stroker”, um tema cheio de balanço, onde ele revela o trombonista especial que é. A latina “Claw-til-da” é criação do baterista Mickey Roker e aponta na direção seguida por Sonny Rollins, uma “caribeização” do jazz. “Untitled Boogaloo”, de Morgan, é funk na veia, música para sacudir o esqueleto.
Um lançamento “dois em um” não é todo dia que aparece. Duas obras-primas. Ostra com duas pérolas.
Lee Morgan (tp) David Newman (ts) Cedar Walton (p) Ron Carter (b) Billy Higgins (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, April 14, 1967; April 28, 1967.
1- Sneaky Pete
2- The Mercenary
3- Sonic Boom
4- Fathead
5- I’ll Never Be The Same
6- Mumbo Jumbo
Lee Morgan (tp) Julian Priester (tb) George Coleman (ts) Harold Mabern (p) Walter Booker (b) Mickey Roker (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, September 12, 1969; October 10, 1969
7- Free Flow
8- Stormy Weather
9- Mr. Johnson
10- The Stroker
11- Uncle Rough
12- Claw-Til-Da
13- Untitled Boogaloo

http://ouo.io/UNnkgs

 

Pat Martino Quintet – Strings! (1967)

“Strings!” é o segundo álbum do guitarista Pat Martino como líder, gravado em 1967, à frente de um quinteto com Joe Farrell, sax tenor e flauta; Cedar Walton, piano; Ben Tucker, contrabaixo e Walter Perkins, bateria. Pat Martino é dono de técnica pessoal, de fraseado musical articulado e lírico, além de compositor original, como atestam os 4 temas de sua autoria gravados na sessão. Completam o repertório do álbum, um bebop de Gigi Gryce, “Minority”; a faixa título, um soul-jazz, ítem obrigatório nos discos da segunda metade da década de 60; “Querido” um samba-jazz com tintas do beco das garrafas; “Lean Years”, um hardbop e a belíssima balada “Mom”, de melodia altamente lírica. Confira a guitarra personalíssima de Pat Martino, ainda no engatinhar de uma carreira, que apesar dos revezes, se revelou vitoriosa e influente na evolução da guitarra jazz.
Joe Farrell (ts, fl) Cedar Walton (p) Pat Martino (g) Ben Tucker (b) Walter Perkins (d) Ray Appleton, Dave Levin (per -1)
NYC, October 2, 1967
1. Strings (P. Martino)
2. Minority (G. Gryce)
3. Lean Years (P. Martino)
4. Mom (P. Martino)
5. Querido (P. Martino)

http://ouo.io/BAh9N3