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Claudio Roditi – Brazilliance X 4 (2009)

A bagagem e o currículo do trompetista Claudio Roditi necessita de um imenso container, grande o suficiente para acompanhá-lo por todo o planeta em suas incasáveis apresentações como um dos mais importantes músicos de jazz da atualidade. Desde que este carioca da safra de 46 deixou a cidade maravilhosa para buscar aperfeiçoamento de sua formação musical na Berklee School of Music, em Boston, vem sendo considerado uma das mais proeminentes vozes do trompete no jazz contemporâneo. Figurinha carimbada nas famosas jams do Bêco das Garrafas na década de 60, onde ao lado dos mais importantes instrumentistas brasileiros, ajudou a forjar o samba-jazz, estilo apreciado e reverenciado em todo o mundo. Mudou-se para New York em 76 e foi apadrinhado por ninguem menos do que Dizzy Gillespie, a maior autoridade do trompete jazz. Tocou com os maiores nomes do jazz em atividade, numa lista infindável da qual podemos pinçar Herbie Mann, Paquito D’Rivera, Dizzy, Charlie Rouse, McCoy Tyner, Slide Hampton, Horace Silver, Joe Henderson, Arturo Sandoval, além dos inúmeros músicos brasileiros radicados na Big Apple. Passeando com igual competência e talento pelo jazz straight-ahead, pelo latin-jazz e pelo samba-jazz, Roditi já tem lançados em seu nome algumas dezenas de álbuns além de outras tantas em participações em trabalhos alheios.
Em “Brazilliance X 4” Roditi aparece à frente de um quarteto formado pelos brasileiros Helio Alves ao piano, Leonardo Cioglia ao contrabaixo e o decano da bateria Duduka da Fonseca. A tônica do disco é o samba-jazz, com composições do próprio Roditi, de seu inseparável parceiro dos anos 60 e 70 Victor Assis Brasil, dos pré-bossa nova Johnny Alf, João Donato e Durval Ferreira, e do amigo e companheiro Raul de Souza. Há ainda uma leitura à la Beco das Garrafas para “Tune Up”, de Miles Davis. O álbum é todo impecável, como não poderia deixar de ser em se tratando de músicos de gabarito reconhecido. O pianista Hélio Alves se destaca no mesmo nível do líder, com improvisações maravilhosas em fraseado e suíngue. Duduka e Leonardo provém uma pulsação forte e contagiante em todas as faixas, fazendo com que nosso esqueleto se recuse a ficar parado. Das 10 faixas de “Brazilliance x4”, oito são gravadas em estúdio, “Tema pra Duduka” e “Gemini Man” são ao vivo, onde os solos tendem a se extender para deleite daqueles felizardos que se derem ao trabalho de apreciar mais este impecável álbum do mestre Claudio Roditi.
Claudio Roditi (tp); Helio Alves (p); Leonardo Cioglia (b); Duduka da Fonseca (d)
1- Pro Zeca (Victor Assis Brasil)
2- E Nada Mais (Durval Ferreira – Luiz Fernando Freire)
3- A Vontade Mesmo (Raul de Souza)
4- Tune Up (Miles Davis)
5- Rapaz de Bem (Johnny Alf)
6- Dinner by Five (Claudio Roditi)
7- Song for Nana (Claudio Roditi)
8- Tema Para Duduka (Claudio Roditi)
9- Quem Diz Que Sabe (João Donato – Paulo Sérgio Valle)
10- Gemini Man (Claudio Roditi)
 

Charlie Rouse Band – Cinnamon Flower (1977)

“Cinnamon Flower” é uma declaração de amor a música brasileira feita pelo saxofonista Charlie Rouse, o fiel escudeiro de Thelonious Monk durante os anos 60 no célebre e influente quarteto do pianista. Apreciador da música de Pindorama desde o início da década de 60, mais precisamente 1961, quando repercutiu em NYC a bossa-nova, atravéz de músicos que estiveram no Rio e em São Paulo tocando no American Jazz Festival, promovido pelo departamento de estado americano. Neste álbum, ainda da era do vinyl, gravado em 1977, Rouse traz a nata dos músicos brasileiros que na época estavam fixados na área de NYC: O antológico pianista Dom Salvador, atuando como diretor musical do grupo; o trompetista Cláudio Roditi e o baterista Portinho. O restante do grupo é formado por craques do jazz e do latin-jazz como Ron Carter, Albert Dailey, Wayman Reid, Ted Dunbar e Carlos Martinez. Nos arranjos sente-se a mão de mestre de Dom Salvador, com tintas que nos arremetem a Banda Abolição e a sucessora Black Rio.
Um álbum clássico da bela simbiose entre jazz e música brasileira.
Charlie Rouse (ts), Dom Salvador (p), Albert Dailey (el-p), Richard Powell (syn), Ron Carter (b), Wilbur Bascomb, Jr. (el-b), Wayman Reid, Claudio Roditi (tp), Lou Orensteen (fl), George Davis, Ted Dunbar (g), Amauri Tristao (acG/per), Ulysses Kirksey, Jesse Levy (cel), Bernard “Pretty” Purdie (d), Portinho, Steve Thornton (per, d), Carlos Martinez (cga)

http://ouo.io/03IjtZ

 

Cláudio Roditi – Two Of Swords (1990)

“Two of Swords”, de Cláudio Roditi, foi gravado em setembro de 1990 em NYC. Roditi repete aqui o mesmo esquema do álbum do post anterior, dois grupos distintos: um “Jazz Quartet” e um “Brazilian Jazz Quintet”. No quinteto o destaque é do trombonista Jay Ashby e do excelente pianista venezuelano Edward Simon, completam o grupo a cozinha do Trio da Paz: Nilson Matta e Duduka Fonseca. O quarteto tem o destaque para o também excelente pianista panamenho Danilo Perez. Repertório com clássicos do jazz e oito composições originais de Roditi. Imperdível!

*Brazilian Quintet: Claúdio Roditi (tp, fh); Jay Ashby (tb); Edward Simon (p); Nilson Matta (b); Duduka Fonseca (d)
**Jazz Quartet: Cláudio Roditi (tp, fh); Danilo Perez (p); David Fink (b); Akira Tana (d)
Recorded, NYC, September 1990
1. Two of Swords
2. Rua Dona Margarida
3. Airegin
4. Portrait of Art
5. Dom Joaquim Braga
6. How I Miss Rio
7. Secret Love
8. Blues for H.O.
9. Pra Mim
10. Con Alma
11. Thabo (To Michael Carvin)

 

Claudio Roditi – Day Waves (1991)

Falar no trompetista Cláudio Roditi é chover no molhado. Tudo sobre ele já foi dito, publicado, comentado, ouvido. Quase tudo. Que ele é hoje um dos mais requisitados trompetistas da área de NYC, notícia sabida. Mas “Day Waves” tem algo de inusitado , lançado por pequeno selo do produtor Arnaldo de Souteiro, teve tiragem e distribuição restrita. Foi gravado no Rio de Janeiro em setembro de 91, com Roditi montando dois grupos para interpretar clássicos do jazz, da música brasileira e dois originais, um dele e um de Jota Moraes.
Um arranjo de músicos mais voltados para uma pegada straight-ahead e outro com groove brazilian-jazz. Os músicos fixos em ambas sessões foram: Mauro Senise, sax alto e flauta, sempre no canal direito, e o baterista Pascoal Meirelles. A grande diferença nos combos se faz sentir na troca dos instrumentos de harmonia, no combo jazzy: o pianista Osmar Milito e o baixo acústico do internacional Sérgio Barroso, e no combo samba-jazz: o piano de Jota Moraes e o baixo elétrico de Arthur Maia. No combo straight-ahead participa o altoísta francês, radicado carioca do humaitá, Idriss Boudrioua, sempre no canal esquerdo. O repertório fala por si só. No combo jazzy: “Day Waves” de Chick Corea, “Yesterdays” de Jerome Kern, Ana Luiza de Tom Jobim, All Blues de Miles Davis, “Ah, So” de Horace Silver e “Herzog” de Bobby Huctherson. No samba-jazz: “Ceora” de Lee Morgan, “Sue Ann” de Tom Jobim, “I Love You” de Cole Porter, o blues-baião “Lambari Blues” de Roditi, a “Conceição” do Jair Amorim e Dunga, “Theme For Leny” de Jota Moraes dedicada à Leny Andrade e “A Hug For Cláudio” de Thiago de Mello.
Não preciso dizer mais nada! É ir ouvir!

Cláudio Roditi (tp, fh); *Osmar Milito (p); **Jota Moraes (p, el-p); *Sérgio Barroso (b); **Arthur Maia (el-b); Pascoal Meirelles (d); Mauro Senise (as, fl), *Idriss Boudrioua (as)

1- *Day Waves (Chick Corea)
2- *Yesterdays (Jerome Kern)
3- **Ceora (Lee Morgan)
4- *Ana Luiza (Tom Jobim)
5- *All Blues (Miles Davis)
6- **Sue Ann (Tom Jobim)
7- *Ah, So (Horace Silver)
8- **I Love You So (Cole Porter)
9- **Lambari Blues (Roditi)
10- **Conceição (Dunga – Jair Amorim)
11- *Herzog (Bobby Hutcherson)
12- **Theme For Leny (Jota Moraes)
13- **A Hug For Cláudio (Roditi)

 

Trio da Paz – Brasil From The Inside (1992)

O Trio da Paz foi formado no ínicio dos anos 90 por três músicos de carreira internacional, Romero Lubambo, exímio violonista e guitarrista; Nilson Matta, contrabaixo e o baterista Duduka Fonseca. Em “Brasil From The Inside” o trio conta com as participações especiais do flautista Herbie Mann, da pianista JoAnne Brackeen, do habitual parceiro do trio em NYC, o trompetista Cláudio Roditi e da cantora Maucha Adnet. No repertório, originais dos integrantes do trio e clássicos da música popular brasileira.
Romero Lubambo (g, el-g); Nilson Matta (b); Duduka Fonseca (d); Herbie Mann (fl); JoAnne Brackeen (p); Cláudio Roditi (tp); Maucha Adnet (vo). April, 29-30 – 1992
1- Pedra Bonita (M. Adnet)
2- Keep The Spirits Singing (O. Levy)
3- Aquarela do Brasil (A. Barroso)
4- Vera Cruz (M. Nascimento)
5- This Is For Luisa (N. Matta)
6- Jeca’s Baião (R. Lubambo)
7- Forgive Me (D. Fonseca – A. Gilberto)
8- Trio da Paz (R. Lubambo)
9- Cor do Pecado (Bororó)
10- Manhattan Style (D. Fonseca)
11- Vera Cruz (reprise) (M. Nascimento)
12- Festa de São João (A. Cardim)