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Arquivo da categoria: Conte Candoli

Conte Candoli & Lee Morgan – Double Or Nothin’ (1957)

“Double or Nothin'” foi gravado em 1957 e lançado pela gravadora Liverty, pequeno selo da Califórnia. Originalmente creditado como “Howard Rumsey/Charlie Persip – Double Or Nothin’ (Liverty LRP 3045)”, teve nos anos 60 um relançamento em LP já em nome da dupla de trompetistas.
A cena da gravação: Músicos da costa leste que estavam em Hollywood acompanhando Dizzy Gillespie em apresentações e gravações pela Califórnia em Fevereiro de 1957, tocam nos fins de semana livres no famoso clube Lighthouse em Hermosa Beach, reduto dos músicos mais descolados da West Coast. O proprietário do Lighthouse era o contrabaixista Howard Rumsey, músico atuante no cenário local à época. Estão disponíveis para a sessão alguns músicos do hepteto que acompanha Dizzy Gillespie: o pupilo deste na ocasião, Lee Morgan, atuando em um trompete modelo Gillespie, com a famosa campana voltada pra o alto. O saxofonista Benny Golson, o pianista Wynton Kelly e o baterista Charlie Persip completam os Yankes. Os músicos locais de grande expressão, todos muito influenciados pelo som de NYC desde o bebop na metade dos anos 40, agora tinham sua atenção no hardbop que começava a ecoar da Big Apple. Alguns habituais das gravações no Lighthouse lá estavam: o especialíssimo trombonista Frank Rosolino, o saxofonista Bob Cooper, o pianista Dick Shrieve, o contrabaixista Red Mitchell e o baterista radicado na West Coast, Stan Levey. Estes gravaram ao lado de Candoli e Morgan no dia 14 de Fevereiro, temas: “Moto”, de Bob Cooper; “Stablemates”, de Benny Golson e “Quicksilver”, de Horace Silver. Os temas restantes foram gravados duas semanas depois com Wynton Kelly ao piano, Charlie Persip na bateria e o contrabaixista Wilfred Middlebrooks em dois temas. O repertório é todo de clássicos do hardbop, bebop e west-cost jazz. Benny Golson assina quatro maravilhas, Dizzy é lembrado em “The Champ”, o clássico hardbop “Quicksilver” de Horace Silver, “Wildwood” de Gigi Gryce, “Moto” de Bob Cooper e, ainda vale destacar, a bela balada “Celedia” de Golson.
“Double or Nothin'” é uma perfeita mistura de músicos de primeira qualidade, de concepções estéticas diversas, porém complementares, da sonoridade do leste e do oeste americano durante a efervescente cena musical da segunda metade dos criativos anos 50.
Lee Morgan (tp) Conte Candoli (tp) Frank Rosolino (tb) Benny Golson (ts) Bob Cooper (ts) Dick Shreve (p) Red Mitchell (b) Stan Levey (d)
“Lighthouse Club”, Hermosa Beach, CA, February 14, 1957
Lee Morgan (tp) Conte Candoli (tp) Frank Rosolino (tb) Benny Golson (ts) Bob Cooper (ts) Wynton Kelly (p) Wilfred Middlebrooks (b -1,7) Red Mitchell (b) Charlie Persip (d)
“Lighthouse Club”, Hermosa Beach, CA, February 27, 1957
1. Reggie of Chester (B. Golson)
2. Stablemates (B. Golson)
3. Celedia (B. Golson)
4. The Moto (Bob Cooper)
5. Champ (D. Gillespie)
6. Blues After Dark (B.Golson)
7. Wildwood (G. Gryce)
8. Quicksilver (H. Silver)
9. Bye Bye Blues (Lown)

http://ouo.io/5MZGtT

 

Frank Morgan – With Conte Candoli & Machito’s Rhythm Section (1955)

Frank Morgan tem em sua biografia uma das histórias mais trágicas e inacreditáveis do jazz. Filho do guitarrista Lanny Morgan, Frank nasceu em 1932 e ainda jovem se mostrava um talentoso clarinetista. Na adolescência incluiu o sax alto como seu principal instrumento influenciado pelo bebop, a revolução musical que Charlie Parker e outros produziam em New York. Morava em Los Angeles quando aos 15 anos foi convidado por Duke Ellington a se incorporar a banda, seu pai desfez o sonho, queria que o filho terminasse os estudos antes que saísse em turnês. Porém aos 17 já atuava em L.A. acompanhando cantoras como Josephine Baker e Billie Holiday. Músico ativo na cena bop da Califórnia, começou a participar de gravações com o vibrafonista Teddy Charles (1953), Kenny Clarke (1954) e em seu próprio nome na gravadora de Gene Norman (1955). Desgraçadamente, nesse período começou seu hábito de consumir a heroína tal qual seu ídolo maior, Parker. Morgan declarou anos depois em depoimento: “Naquela época, eu e muitos outros jovens músicos acreditávamos que, se queríamos tocar como Bird teríamos que viver como ele. Isso incluía, claro, as bebidas e as drogas pesadas.” A partir daí começava seu calvário. Foram 30 anos de carreira interrompida em virtude de prisões e condenações pelo vício. A carreira foi negligenciada mas não a música. Juntamente com seu colega de infortúnio, o também saxofonista Art Pepper, chegou a montar grandes orquestras dentro do sistema penitenciário. Segundo Frank, em San Quentin ele liderou uma das melhores orquestras com o qual já tocou. Essa é a parte trágica da história, a inacreditável é que mesmo depois desse longo hiato Frank voltou a cena musical, retomando a carreira 30 anos depois do início do flagelo com as drogas. Em 1985 resurgiu no meio e mantém uma carreira de grande sucesso até hoje.
O álbum de que trata o post foi gravado em 1955, ao lado de um grande trompetista da west coast, Conte Candoli e nas quatro primeiras faixas, de músicos da orquestra de latin jazz de maior sucesso da época, Machito. É uma sessão de verdadeiro bebop, lembrando o celebrado disco de Parker, com a orquestra de Machito, South Of The Border. Nas seis faixas seguintes, também com Candoli, a presença notável é a do sax tenor de Wardell Grey, músico que infelizmente não sobreviveu as drogas, foi encontrado morto no deserto de Nevada, assassinado por traficantes locais. Nas cinco últimas faixas Candoli é substituído por Jack Sheldon, músico sem o brilho do primeiro mas também de excelente qualidade. O álbum é todo uma grande aula de bebop, com Morgan e Candoli mostrando que absorveram tudo de seus mestres/gurus, Charlie Parker e Dizzy Gillespie.
tracks 1 – 4: frank morgan (as); conte candoli (tp); wild bill davis (org); bobby rodriguez (b); rafael miranda (d, cgas); jose mangual (bongos); ubaldo nieto (timbales)
tracks 5 – 10: frank morgan (as); conte candoli (tp); wardell gray (ts); howard roberts (g); carl perkins (p); leroy vinnegar (b); lawrence marable (d)
tracks 11 – 15: frank morgan (as); jack sheldon (tp); james clay (ts, fl); bobby timmons (p); jimmy bond (b); lawrence marable (d)
1- bernie’s tune
2- i’ll remember april
3- chooch
4- whippet
5- my old flame
6- neil’s blues
7- the champ
8- the nearness of you
9- milt’s tune
10- get happy
11- crescendo blues
12- huh!
13- autumn leaves
14- well you needn’t
15- BT

 

Frank Rosolino & Conte Candoli – Just Friends (1975)

Mais uma vez o blog do Carlos Braga, o CB Latin Jazz Corner, nos traz uma gema preciosa. Trata-se da reunião de dois grandes instrumentistas do west coast, o trombonista Frank Rosolino e o trompetista Conte Candoli, importantes músicos da orquestra de Stan Kenton. A gravação foi realizada ao vivo em 1975 em formação de quinteto com a participação do pianista holandes Rob Pronk, do contrabaixista Isla Eckinger e do baterista Todd Canedy. No repertório standards, Well You Needn’t de Thelonious Monk e ainda uma pérola jobiniana – Corcovado. Vale muitíssimo conferir esse e outros posts no CB Latin Jazz Corner.

Conte Candoli (trumpet)Frank Rosolino (trombone)Rob Pronk (piano); Isla Eckinger (bass)Todd Canedy (drums).

1. Stella by Starlight

2. Just Friends

3. There Is o Greater Love

4. Well You Needn’t

5. Quiet Nights

6. My Funny Valentine