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Arquivo da categoria: Don Lamond

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – 10’LP Dial 202 (1947)

Após seis meses de internação no Camarillo State Hospital, em janeiro de 1947 Parker deixa o tratamento e grava de imediato duas sessões para a Dial, nos dias 19 e 26 de fevereiro. Na primeira data ele é acompanhado por uma seção rítmica ortodoxa, ainda firmemente plantada no swing, com Erroll Garner ao piano, Red Callender no contrabaixo e Doc West na bateria. O cantor Earl Coleman participa em dua faixas: This Is Always, de Harry Warren e Mack Gordon e Dark Shadows, um blues de 32 compassos, com uma bridge, em formato aaba. Na sessão de 26 de fevereiro Parker lidera um hepteto com Howard McGhee no trompete, Wardell Gray no sax tenor, Dodo Marmarosa no piano, Barney Kessel na guitarra, Red Callender no contrabaixo e Don Lamond na bateria. Gravam quatro faixas, três originais de Howard McGhee: Cheers, Carvin’ The Bird e Stupendous, uma paráfrase para S’Wonderful de George Gershwin; e a composição de Parker, Relaxin’ At Camarillo, um blues em doze compassos.

 

Sobre os fatos acontecidos no período, o escriba se cala e dá voz á quem, de fato, é mestre no assunto. Limito-me a reproduzir o que escreveram os competentes pesquisadores e amigos Pedro Cardoso e Luis Carlos Antunes, em seu trabalho “Charlie Parker – Glória Musical, Abismo Pessoal”. Agradeço de antemão aos autores pela cessão dos originais, que em muito enriquecem este blog.

 

“No final de janeiro Parker foi liberado do Camarillo State Hospital, sob a custódia de Ross Russell (proprietário da Dial Records) e passa a viver com Doris Sydnor em apartamento no centro de Los Angeles. Ross Russell e Chan Richardson trocam cartas, movimentam-se com suas influências e conseguem trabalho para Parker.
Nos domingos 02, 09 e 16 de fevereiro Parker atuou no “Billy Berg’s”, com Erroll Garner, Red Callender e “Doc” West. Em 19/02 (4ª feira), Parker retorna ao C. P. MacGregor Studios, gravando para a Dial Records.
Em 01/março Parker integra-se ao quinteto de Howard McGhee para a abertura do “Hi-de-Ho Club” (onde Dean Benedetti inicia suas furtivas gravações dos solos de Parker).
Em 07/abril Parker e Doris mudam-se para o Hotel Dewey Square em New York.
Parker monta o quinteto com Miles Davis e inicia os ensaios na residência de Teddy Reig, Diretor de Gravação da Savoy Record (parte dos ensaios é feita na casa do baterista Max Roach, no Brooklyn).
Em 05/maio Parker participa da primeira das seis apresentações noturnas das segundas-feiras do “JATP” (Jazz At The Philharmonic) de Norman Granz, no Carnegie Hall.
Em 10/maio o nome de Parker aparece em letras “garrafais” no cartaz do “Smalls’ Paradise” (Harlem) que anuncia mais uma “Blue Monday Jazz Concert”.
Em 31/maio e com Dizzy Gillespie, Parker participa no “Town Hall” do “Salute To Negro Veterans” (homenagem aos negros veteranos da guerra).
Na 6ª feira, 18/julho Parker em quinteto inaugura o “New Bali” de Washington, onde se apresenta durante duas semanas.
De 07 a 20/agosto é a vez do “Three Deuces” programar temporada de Parker.
De 11 a 23/novembro o quinteto de Parker apresenta-se no “Argyle Lounge” de Chicago, em 29 desse mês toca no “Town Hall” (New York), de 02 a 06/dezembro é a atração do “Downbeat” da Philadelphia e de 19/dezembro até 01/01/1948 realiza temporada no “El Sino” em Detroit.”

 

Os demais dois volumes serão postados amanhã e no domingo próximo, dia em que Charlie Parker completaria 90 anos de seu nascimento.

 

Charlie Parker (as) Erroll Garner (p) Red Callender (b) Doc West (d) Earl Coleman (vo)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, February 19, 1947

 

Howard McGhee (tp) Charlie Parker (as) Wardell Gray (ts) Dodo Marmarosa (p) Barney Kessel (g) Red Callender (b) Don Lamond (d)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, February 26, 1947(*)

 

1- Relaxin’ At Camarillo*
2- Cheers*
3- Carvin’ The Bird*
4- Stupendous*
5- Cool Blues
6- Dark Shadows
7- Hot Blues
8- This Is Always
9- Bird’s Nest

http://ouo.io/yKyZLu

 

HotBeatJazz 10′ Series – Lee Konitz – Stan Getz – The New Sounds 10’LP PRLP 108 (1949-50)

Uma prática corriqueira no início dos anos 50 com a adoção do formato 10 polegadas foi a edição de compilações de gravações realizadas ainda no período dos 78 rotações. Lee Konitz and Stan Getz, da gravadora Prestige, foi uma dessas compilações. Trazendo no lado A quatro temas interpretados pelo quinteto do saxofonista alto Lee Konitz e no lado B quatro outras com o quarteto do saxofonista tenor Stan Getz.

 

Lee Konitz foi um dos mais importantes saxofonistas do final dos anos 40 e início dos 50. Egresso do núcleo de músicos que transitavam em torno do pianista Lennie Tristano, Konitz foi um dos mais atuantes colaboradores do cool-jazz, tendo sido integrante fixo do quinteto de Tristano, membro do noneto de Miles Davis e também como líder de seu próprio combo. Nestas faixas gravadas em abril de 1950, Konitz se apresentava ao lado do pianista Sal Mosca; do guitarrista Billy Bauer, do contrabaixista Arnold Fishkin, ambos também integrantes do quinteto de Tristano, e do baterista Jeff Morton. A música produzida é um dos mais perfeitos exemplos da forma cool de se fazer jazz, um contraponto ao dominante bebop. Konitz realiza uma música quase etérea, sem formas melódicas muito delineadas, onde apenas em algumas partes o ouvinte se depara claramente com a melodia do tema. Enquanto o bebop rompeu com a forma tradicional de acentuação do beat, o cool voltava a trazer uma marcação mais homogênea, porém, com a bateria limitada a produzir uma espécie de textura rítmica. O timbre de Konitz soa frágil, delicado, e a guitarra de Billy Bauer conduz a harmonia com uma perfeita escolha de acordes, sempre muito alterados e dissonantes. O repertório seleionado trazia três originais de Konitz e o standard You Go To My Head, onde somente no primeiro chorus o ouvinte reconhece a melodia do tema. Essas quatro faixas são exemplos maiúsculos de como os instrumentistas egressos da escola de Tristano faziam uma música que beirava o experimentalismo.

 

No lado B, o quarteto de Stan Getz em duas sessões realizadas em junho de 1949 e abril de 1950. Ao lado do mais cool dos saxofonistas tenores da época, o inseparável pianista Al Haig, o contrabaixista Gene Ramey e o baterista Stan Levey, nas faixas de 49; e o pianista Tony Aless, o contrabaixista Percy Heath e o baterista Don Lamond, nas faixas de 50. A música produzida, apesar de nítidamente cool, ainda mantinha uma ligação mais robusta com o swing e o bebop. Sendo Levey um baterista típico do bebop, sua condução fornece uma pulsação mais definida, porém, respeitando os canones do cool-jazz, o mesmo se pode dizer do desempenho de Lamond.

 

New Sounds traz dois dos mais importantes músicos do cool-jazz em gravações definitivas para quem deseja entender o gênero.
Lee Konitz (as) Sal Mosca (p) Billy Bauer (g) Arnold Fishkin (b) Jeff Morton (d)
NYC, April 7, 1950

 

*Stan Getz (ts) Al Haig (p) Gene Ramey (b) Stan Levey (d)
NYC, June 21, 1949

 

**Stan Getz (ts) Tony Aless (p) Percy Heath (b) Don Lamond (d)
NYC, April 14, 1950

 

1- Lee Konitz Quintet – Rebecca
2- Lee Konitz Quintet – You Go To My Head
3- Lee Konitz Quintet – Ice Cream Konitz
4- Lee Konitz Quintet – Palo Alto
5- Stan Getz Quartet – You Stepped Out of a Dream**
6- Stan Getz Quartet – Wrap Your Troubles in Dreams**
7- Stan Getz Quartet – Indian Summer*
8- Stan Getz Quartet – Crazy Chords*