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Frank Morgan – With Conte Candoli & Machito’s Rhythm Section (1955)

Frank Morgan tem em sua biografia uma das histórias mais trágicas e inacreditáveis do jazz. Filho do guitarrista Lanny Morgan, Frank nasceu em 1932 e ainda jovem se mostrava um talentoso clarinetista. Na adolescência incluiu o sax alto como seu principal instrumento influenciado pelo bebop, a revolução musical que Charlie Parker e outros produziam em New York. Morava em Los Angeles quando aos 15 anos foi convidado por Duke Ellington a se incorporar a banda, seu pai desfez o sonho, queria que o filho terminasse os estudos antes que saísse em turnês. Porém aos 17 já atuava em L.A. acompanhando cantoras como Josephine Baker e Billie Holiday. Músico ativo na cena bop da Califórnia, começou a participar de gravações com o vibrafonista Teddy Charles (1953), Kenny Clarke (1954) e em seu próprio nome na gravadora de Gene Norman (1955). Desgraçadamente, nesse período começou seu hábito de consumir a heroína tal qual seu ídolo maior, Parker. Morgan declarou anos depois em depoimento: “Naquela época, eu e muitos outros jovens músicos acreditávamos que, se queríamos tocar como Bird teríamos que viver como ele. Isso incluía, claro, as bebidas e as drogas pesadas.” A partir daí começava seu calvário. Foram 30 anos de carreira interrompida em virtude de prisões e condenações pelo vício. A carreira foi negligenciada mas não a música. Juntamente com seu colega de infortúnio, o também saxofonista Art Pepper, chegou a montar grandes orquestras dentro do sistema penitenciário. Segundo Frank, em San Quentin ele liderou uma das melhores orquestras com o qual já tocou. Essa é a parte trágica da história, a inacreditável é que mesmo depois desse longo hiato Frank voltou a cena musical, retomando a carreira 30 anos depois do início do flagelo com as drogas. Em 1985 resurgiu no meio e mantém uma carreira de grande sucesso até hoje.
O álbum de que trata o post foi gravado em 1955, ao lado de um grande trompetista da west coast, Conte Candoli e nas quatro primeiras faixas, de músicos da orquestra de latin jazz de maior sucesso da época, Machito. É uma sessão de verdadeiro bebop, lembrando o celebrado disco de Parker, com a orquestra de Machito, South Of The Border. Nas seis faixas seguintes, também com Candoli, a presença notável é a do sax tenor de Wardell Grey, músico que infelizmente não sobreviveu as drogas, foi encontrado morto no deserto de Nevada, assassinado por traficantes locais. Nas cinco últimas faixas Candoli é substituído por Jack Sheldon, músico sem o brilho do primeiro mas também de excelente qualidade. O álbum é todo uma grande aula de bebop, com Morgan e Candoli mostrando que absorveram tudo de seus mestres/gurus, Charlie Parker e Dizzy Gillespie.
tracks 1 – 4: frank morgan (as); conte candoli (tp); wild bill davis (org); bobby rodriguez (b); rafael miranda (d, cgas); jose mangual (bongos); ubaldo nieto (timbales)
tracks 5 – 10: frank morgan (as); conte candoli (tp); wardell gray (ts); howard roberts (g); carl perkins (p); leroy vinnegar (b); lawrence marable (d)
tracks 11 – 15: frank morgan (as); jack sheldon (tp); james clay (ts, fl); bobby timmons (p); jimmy bond (b); lawrence marable (d)
1- bernie’s tune
2- i’ll remember april
3- chooch
4- whippet
5- my old flame
6- neil’s blues
7- the champ
8- the nearness of you
9- milt’s tune
10- get happy
11- crescendo blues
12- huh!
13- autumn leaves
14- well you needn’t
15- BT