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Arquivo da categoria: Gene Ramey

HotBeatJazz 10′ Series – Lee Konitz – Stan Getz – The New Sounds 10’LP PRLP 108 (1949-50)

Uma prática corriqueira no início dos anos 50 com a adoção do formato 10 polegadas foi a edição de compilações de gravações realizadas ainda no período dos 78 rotações. Lee Konitz and Stan Getz, da gravadora Prestige, foi uma dessas compilações. Trazendo no lado A quatro temas interpretados pelo quinteto do saxofonista alto Lee Konitz e no lado B quatro outras com o quarteto do saxofonista tenor Stan Getz.

 

Lee Konitz foi um dos mais importantes saxofonistas do final dos anos 40 e início dos 50. Egresso do núcleo de músicos que transitavam em torno do pianista Lennie Tristano, Konitz foi um dos mais atuantes colaboradores do cool-jazz, tendo sido integrante fixo do quinteto de Tristano, membro do noneto de Miles Davis e também como líder de seu próprio combo. Nestas faixas gravadas em abril de 1950, Konitz se apresentava ao lado do pianista Sal Mosca; do guitarrista Billy Bauer, do contrabaixista Arnold Fishkin, ambos também integrantes do quinteto de Tristano, e do baterista Jeff Morton. A música produzida é um dos mais perfeitos exemplos da forma cool de se fazer jazz, um contraponto ao dominante bebop. Konitz realiza uma música quase etérea, sem formas melódicas muito delineadas, onde apenas em algumas partes o ouvinte se depara claramente com a melodia do tema. Enquanto o bebop rompeu com a forma tradicional de acentuação do beat, o cool voltava a trazer uma marcação mais homogênea, porém, com a bateria limitada a produzir uma espécie de textura rítmica. O timbre de Konitz soa frágil, delicado, e a guitarra de Billy Bauer conduz a harmonia com uma perfeita escolha de acordes, sempre muito alterados e dissonantes. O repertório seleionado trazia três originais de Konitz e o standard You Go To My Head, onde somente no primeiro chorus o ouvinte reconhece a melodia do tema. Essas quatro faixas são exemplos maiúsculos de como os instrumentistas egressos da escola de Tristano faziam uma música que beirava o experimentalismo.

 

No lado B, o quarteto de Stan Getz em duas sessões realizadas em junho de 1949 e abril de 1950. Ao lado do mais cool dos saxofonistas tenores da época, o inseparável pianista Al Haig, o contrabaixista Gene Ramey e o baterista Stan Levey, nas faixas de 49; e o pianista Tony Aless, o contrabaixista Percy Heath e o baterista Don Lamond, nas faixas de 50. A música produzida, apesar de nítidamente cool, ainda mantinha uma ligação mais robusta com o swing e o bebop. Sendo Levey um baterista típico do bebop, sua condução fornece uma pulsação mais definida, porém, respeitando os canones do cool-jazz, o mesmo se pode dizer do desempenho de Lamond.

 

New Sounds traz dois dos mais importantes músicos do cool-jazz em gravações definitivas para quem deseja entender o gênero.
Lee Konitz (as) Sal Mosca (p) Billy Bauer (g) Arnold Fishkin (b) Jeff Morton (d)
NYC, April 7, 1950

 

*Stan Getz (ts) Al Haig (p) Gene Ramey (b) Stan Levey (d)
NYC, June 21, 1949

 

**Stan Getz (ts) Tony Aless (p) Percy Heath (b) Don Lamond (d)
NYC, April 14, 1950

 

1- Lee Konitz Quintet – Rebecca
2- Lee Konitz Quintet – You Go To My Head
3- Lee Konitz Quintet – Ice Cream Konitz
4- Lee Konitz Quintet – Palo Alto
5- Stan Getz Quartet – You Stepped Out of a Dream**
6- Stan Getz Quartet – Wrap Your Troubles in Dreams**
7- Stan Getz Quartet – Indian Summer*
8- Stan Getz Quartet – Crazy Chords*
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HotBeatJazz 10′ Series – Lou Donaldson Quartet / Quintet – New Faces New Sounds 10’LP BLP 5021 (1952)

O saxofonista Lou Donaldson faz parte da imensa quantidade de músicos de jazz que aperfeiçoaram seus talentos durante o período da II Grande Guerra Mundial. Servindo na Marinha, Lou pôde desenvolver-se no saxofone alto enquanto integrande de uma das inúmeras banda da corporação. Nascido na Carolina do Norte em 1926, filho de um pastor e de uma professora de música, Lou iniciou na clarineta tomando lições com a própria mãe. Em 1944 entra para o serviço militar e lá passa a ganhar experiência em tocar com orquestra. Foi por esta época que ele sofreu a profunda influência de Charlie Parker e Dizzy Gillespie, aprendendo rápidamente a sintaxe bop, e chegando inclusive a tocar com a banda de Gillespie quando esta se apresentou em Greensboro. Encorajado pelo próprio Gillespie, Lou foi pra NYC em 1950 e cumpriu o vestibular de todo aspirante a partícipe da cena jazzística, tocou em vários clubes em incontáveis jams: Minton’s, Birdland, Le Downbeat e The Paradise. Nesses locais pôde tocar com grandes nomes da cena como: Charlie Parker, Bud Powell, Sonny Stitt, entre outros.

 

Em 1952, Lou já contava com um contrato com a Blue Note, gravadora onde gravaria dezenas de álbuns durante toda sua longeva carreira. Fazendo parte da série New Faces New Sounds, Lou gravou duas sessões com meses de intervalo a frente de um quarteto na primeira e de um quinteto na segunda data. O quarteto contava com a participação de um amigo feito nos estúdios de gravação, o pianista Horace Silver; o contrabaixista Gene Ramey e o baterista Art Taylor. Para esta data foram escolhidos dois originais: um de Silver, Roccus; e um blues de Lou, Lou’s Blues; ao lado de dois standards: Cheek To Cheek e The Things We Did Last Summer.

 

Na segunda sessão, a do quinteto, ao lado de Lou e Silver estão: o jovem talento do trompete Blue Mitchell, e a mais requisitada cozinha de NYC, Percy Heath e Art Blakey. No repertório: Sweet Juice, de Horace Silver; o blues Down Home; os standards The Best Things In Life Are Free e If I Love Again.

 

Esta sessão do saxofonista Lou Donaldson, mostra grandes momentos de puro bebop e é uma oportunidade de perceber os primeiros momentos do estilo que dominaria a segunda metade da década de 50, o hardbop.
Lou Donaldson (as) Horace Silver (p) Gene Ramey (b) Art Taylor (d)
WOR Studios, NYC, June 20, 1952

 

Blue Mitchell (tp -6/8) Lou Donaldson (as) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, November 19, 1952*

 

1- Roccus
2- Lou’s Blues
3- Cheek To Cheek
4- The Things We Did Last Summer
5- Sweet Juice*
6- Down Home*
7- The Best Things In Life Are Free*
8- If I Love*

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Horace Silver Trio – New Faces New Sounds 10’LP BLP 5018 (1952)

Horace Silver foi um dos mais originais e brilhantes pianistas que apareceram no início dos anos 50 na cena jazzística. Pouco tempo antes desta gravação ele era um ilustre desconhecido, tocando em casas noturnas na sua cidade natal, Norwalk, em Connecticut. Uma bela noite, foi visto por Stan Getz, que iria tocar como convidado no mesmo local em que Horace estava atuando. Resultado, foi contratado na hora, junto com os outros dois músicos de seu trio, Joe Calloway e Walter Bolden, para formar o quinteto de Getz. Horace era localmente conhecido como pianista e, também, saxofonista; instrumentos nos quais teve uma formação acadêmica quando ainda estava na High School.

 

O trabalho no quinteto de Stan Getz abriu as portas de Manhattan ao jovem pianista, trabalhando como contratado em alguns dos mais importantes locais como: Birdland, Le Downbeat e Minton’s Playhouse. Por essa época trabalhou nos combos de Terry Gibbs, Coleman Hawkins, Oscar Pettiford e Bill Harris. Nesta sua primeira sessão como solista principal, Silver apresenta seu cartão de visitas como instrumentista e compositor impecável. Seis dos oito temas deste 10 polegadas são composições próprias, que transitam da exótica atmosfera de Safari às intrigantes dissonâncias de Ecaroh, um óbvio anagrama com seu nome. Horoscope, mostra a influência de Monk em sua música, e Quicksilver, se tornaria um clássico do repertório do pianista, sendo revisitada inúmeras vezes em outros contextos. Yeah, com suas duas frases principais, a primeira ascendente e a segunda descendente, é uma feliz combinação de originalidade melódica, rítmica e harmônica.

 

Os músicos que fazem parte do trio dispensam maiores apresentações, são todos verdadeiros mestres em seus instrumentos: Art Blakey, a usina de ritmos maior do jazz; e dois contrabaixistas revezando-se, Curley Russell e Gene Ramey, dois dos mais requisitados da época. Percebam o impecável trabalho de Russell com o arco na Ellingtoniana Prelude To A Kiss.

 

Estas gravações foram determinantes para que Horace Silver deslanchasse sua carreira, transformando-se em um dos mais importantes nomes no desenvolvimento do jazz moderno, contribuindo com dezenas de composições que fazem parte do songbook de todo músico que pense em tocar jazz, até hoje.
*Horace Silver (p) Gene Ramey (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, October 9, 1952

 

**Horace Silver (p) Curley Russell (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, October 20, 1952

 

1- Safari *
2-. Ecaroh**
3- Prelude To A Kiss**
4- Thou Swell*
5- Quicksilver**
6- Horoscope*
7- Yeah**
8- Knowledge**

 

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