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Arquivo da categoria: Hampton Hawes

HotBeatJazz 10′ Series – Shorty Rogers & His Giants – 10’LP LPM 3137 (1953)

Milton Rajonsky nasceu em 14 de Abril de 1924, em Great Barrington, Massachusetts. Mas foi conhecido como Shorty Rogers que ele se tornaria um dos mais importantes músicos do jazz produzido na costa oeste norte-americana. Trompetista, também exímio no flugelhorn, arranjador e compositor, Shorty começou sua atividade ainda na década de 40. De 45 a 47, tocou com Will Bradley e Red Norvo. Em 47 entrou para a orquestra de Woody Herman, onde ficaria até 1949. Em 50 e 51, tomou parte da orquestra de Stan Kenton. Aliás é importante citar que 99,9% dos grandes instrumentistas do west-coast passaram por essas duas instituições, verdadeiros celeiros de grandes nomes do jazz. Nos anos 50, tomou parte em inúmeros trabalhos de nomes como Jimmy Giufre, Shelly Manne, Art Pepper, André Previn, e foi membro efetivo dos Lighthouse All-Stars.

 

De 53 a 62, Shorty gravou uma série de álbuns para a RCA Victor liderando seus Giants, grupo que podia variar da formação de quinteto até a de uma pequena orquestra. São desta época: Shorty Courts the Count (1954), disco inteiramente dedicado ao repertório de Count Basie; The Swinging Mr. Rogers (1955), Martians Come Back (1955), e este primeiro, Shorty Rogers & His Giants (1953). O nome de “gigantes”, não era nenhum exagero ou falta de modéstia, visto a escalação destes verdadeiros craques do cool-jazz: o altoísta Art Pepper, o tenorista Jimmy Giuffre, e o trombonista Milt Bernhart na linha de frente. A seção rítmica padrão do west-coast com o pianista Hampton Hawes, o contrabaixista Joe Mondragon, e o inigualável baterista Shelly Manne. Contribuindo para o colorido tonal especial dos arranjos de Shorty Rogers, o french-horn de John Graas e a tuba de Gene Englund.

 

Morpo, de linha melódica claramente influenciada pelo bebop, tem no tenor de Giuffre, no french-horn de Graas, e no sax alto de Pepper, breves porém instigantes solos; o trompete do líder e o piano de Hawes, são os últimos a solar antes das trocas de compassos de todo o ensemble com a bateria de Manne.

 

Bunny, é uma balada lírica, perfeita para o alto de Pepper fazer as honras ao lado do pungente french-horn de Graas. Uma linda melodia de Rogers e um arranjo de verdadeiras filigranas tonais, fazem desta composição uma jóia de rara beleza.

 

Powder Puff, de Shelly Manne, é um tema de melodia típica do jazz west-coast, alegre e ensolarado. Pepper é o primeiro a contribuir com breve solo, seguido por Bernhart e Hawes, antes de Shelly Manne mostrar por que foi o principal baterista do estilo.

 

A bola continua com Manne no totalmente latino Mambo Del Crow, peça de calor e humor elevados. Após o trombone, Manne mostra o quão melodiosos e afinados são seus tambores. Pura diversão!

 

Em The Pesky Serpent, de Jimmy Giuffre, volta o clima californiano, de melodia e arranjo sofisticado. Neste tema, o destaque é o grupo como um todo, perfeitamente tight, mas sem perder a espontaneidade. Os solos são do compositor, Milt Bernhart, Shorty, Hampton Hawes e Pepper.

 

Diablo’s Dance, tem uma introdução altamente percussiva do piano de Hawes, com o ensemble em perfeito uníssono.

 

Pirouette foi composta por Rogres para uma trilha sonora de filme, uma das principais atividades do líder. Art Pepper tem breve solo, seguido por Giuffre, Bernhart e Hawes. O ensemble fecha o tema num gracioso trabalho contrapontístico.

 

Indian Club, é de autoria de Jimmy Giuffre, uma feliz mescla de figuras melódicas indígenas e do swing. O grupo mostra toda sua força e energia, com o trompete do líder assumindo papel de destaque no ensemble, até Shelly Manne encerrar batendo tambor numa autêntica dança da chuva.

 

Shorty Rogers faleceu em 94, aos 70 anos, mas os Giants de Shorty Rogers foi um dos grupos de maior destaque na cena da costa oeste, sua música repercutiu até no lado de baixo do equador, onde ajudou a fazer a cabeça de uma turma que produziria, anos depois, uma certa Bossa Nova. Você já ouviu falar dela?
Shorty Rogers (tp, arr, cond) Milt Bernhart (tb) John Graas (frh) Gene Englund (tu) Art Pepper (as) Jimmy Giuffre (ts) Hampton Hawes (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Los Angeles, CA, January 12, 1953
Los Angeles, CA, January 15, 1953*

 

1- Morpo (S. Rogers)*
2- Bunny (S. Rogers)
3- Powder Puff (S. Manne)
4- Mambo Del Crow (S. Rogers)*
5- The Pesky Serpent (J. Giuffre)
6- Diablo’s Dance (S. Rogers)*
7- Pirouette (S. Rogers)
8- Indian Club (J. Giuffre)*

 

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Curtis Fuller and Hampton Hawes – With French Horns (1957)

A morfologia habitual dos combos de jazz tem consistido, desde os anos 40, de uma seção rítmica básica (piano-contrabaixo-bateria) dando suporte a um saxofone (alto ou tenor) e um trompete. Portanto quando nos deparamos com uma unidade com uma linha de frente formada por sax alto, trombone e dois french horns (trompas), sabemos de ante-mão que não estamos diante de uma música previsível ou enquadrada nos mais confortáveis cânones jazzísticos. Timbres e tessituras sonoras inusitadas é o que podemos esperar ouvir em uma formação tão original. O french horn (trompa) é um instrumento usado habitualmente em naipes de orquestras de baile e em formações sinfônicas, sendo muito raramente incorporado a combos jazzísticos, os casos mais proeminentes foram na orquestra do inovador Claude Thornhill e no noneto de Miles Davis de 1949 com os não menos inovadores arranjos de Gil Evans. Nesta sessão co-liderada pelo trombonista Curtis Fuller e o pianista Hampton Hawes, os french horns (trompas) de Julius Watkins e David Amram fogem do costumeiro trabalho exclusivo nos voicings e tem igual importância ao dos líderes nos solos.

 

Curtis Fuller é um dos mais importantes nomes do trombone, tendo surgido em NYC juntamente com a leva de músicos de Detroit que desembarcaram na Big Apple nos anos 50. Foram dessa mesma leva migratória nomes importantes como Donald Byrd, Kenny Burrell, Pepper Adams, Tommy Flanagan e Paul Chambers. Fuller já chegou arrebatando os olhares de Miles Davis, Lester Young, Dizzy Gillespie, Gil Evans, Benny Golson e John Coltrane, só pra citar os quais ele trabalhou na segunda metade da década. Quando, em 1959, Golson e Art Farmer formaram o fenomenal combo The Jazztet, Fuller foi a opção óbvia para ocupar o posto de trombonista. Em 61, já consagrado, entraria no Jazz Messengers de Art Blakey onde seria notado por todo apreciador de jazz como um estilista do instrumento.
Hampton Hawes foi um dos primeiros pianistas da west-coast a incorporar o discurso musical de Charlie Parker, isso ainda nos anos 40. Gravou com os principais nomes da California como Dexter Gordon, Wardell Gray, Teddy Edwards, Art Pepper, Shorty Rogers e os Lighthouse All-Stars. Após sua passagem pelo exército, de onde deu baixa em 54, formou um importante trio com o baixista Joe Mondragon e o baterista Shelly Manne. Em uma de suas raras visitas a NYC gravou este álbum, hoje um ítem antológico e fundamental em qualquer boa discoteca de jazz.
Julius Watkins, outro destes fantásticos músicos oriundos de Detroit, foi um dos pioneiros no French Horn (trompa) como solista. Desembarcado em Manhattan juntamente com Fuller no início da década de 50, trabalhou no combo do contrabaixista Oscar Pettiford, na orquestra de Pete Rugolo e co-liderou com o saxofonista Charlie Rouse o combo Les jazz Modes, de 56 a 59.
David Amram, assim como Julius Watkins, teve uma formação musical acadêmica, tendo tocado na National Symphony em Washington. Passou o ano de 55 tocando em Paris tendo retornado em 56 para os EUA, onde trabalhou na orquestra de Oscar Pettiford ao lado de Watkins. Também se dedicou a carreira de compositor, tendo criado música para várias peças da Broadway e para os estúdios de TV e cinema.
O último homem da linha de frente é o saxofonista Sahib Shihab, que começou sua carreira em 39 na orquestra de Luther Henderson. Seu currículo é extenso, tendo sido um dos mais requisitados músicos free-lancer de NYC, como atestam seus trabalhos com Thelonious Monk, Tadd Dameron, Art Blakey, Dizzy Gillespie, Illinois Jacquet e Quincy Jones. Como foi um músico oriundo do período Bop a influência de Parker é evidente em seu toque, mas traz também entre suas referências músicos mais antigos como Benny Carter e Willie Smith. Foi um exímio músico em toda linha dos saxofones: alto, tenor e barítono, e também um dos mais requintados flautistas do jazz. Mudou-se para a Europa em 1961, onde viveu e permaneceu em intensa atividade até seus dias finais.
Completam este time de craques do álbum, o contrabaixista Addison Farmer e o baterista Jerry Segal. Compuseram a música para a ocasião os excelentes Teddy Charles, que também atua ao piano em “No Crooks”, Salvatore Zito e David Amram.
A qualidade da música e dos arranjos neste álbum é superlativa, assim como todos os solos, improvisos e a costumeira competência de Rudy Van Gelder na engenharia de som.
Um álbum simplismente fundamental!

 

Curtis Fuller (tb) Dave Amram, Julius Watkins (frh) Sahib Shihab (as) Hampton Hawes (p) Teddy Charles (p)* Addison Farmer (b) Jerry Segal (d)

 

Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 18, 1957

 

 

1- Ronnie’s Tune (S. Zito)
2- Roc And Troll (T. Charles)
3- A-Drift (S. Zito)
4- Five Spot (D. Amram)
5- Lyriste (T. Charles)

6- No Crooks (T. Charles)*