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HotBeatJazz 10′ Series – Hank Jones – Piano Solo by Hank Jones 10’LP MGC 707 (1947)

O mestre Hank Jones, que nos deixou domingo último aos 91 anos de idade, foi descrito por Joachim Berendt como “…um mestre dos refinamentos pianísticos e possui também aquele sentido de economia no toque muito ao sabor de Count Basie.” Completaria acrescentando que Hank foi um dos pianistas que melhor soube edificar a ponte entre o estilo swing e o bebop. Sendo ele da mesma geração de Parker, apenas dois anos mais velho, Hank transportou para o idioma bop a antiga tradição pianística de Fats Waller e James P. Johnson, tornando-a mais flexivel no aspecto do ritmo, e mais rica harmonicamente. Um músico de estilo super refinado e com um conhecimento musical completo. Sua inteligência musical o levou a se tornar um dos pianistas mais solicitados, não só no mundo do jazz, mas também pelos estúdios de televisão e cinema nos anos 50 e 60.

 

Ouviremos Hank Jones em uma sessão gravada para a Cleff, de Norman Ganz, em 1947. Hank era ainda nessa época um jovem músico chegado a NYC a apenas três anos. A influência de um Art Tatum é notada nestas 6 faixas em piano solo em que interpreta 5 standards e o seu original Blues For Lady Day.

 

Hank Jones (p)
probably NYC, September-October, 1947

 

1- The Night We Called It A Day
2- Yesterdays
3- You’re Blase
4- Tea For Two
5- Blues For Lady Day
6- Blue Room
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Publicado por em 22 de maio de 2010 em hank jones, HotBeatJazz 10' Series

 

HotBeatJazz 10′ Series – Thad Jones – The Fabulous 10’LP DLP 12 (1954)

Thaddeus Joseph Jones, mais conhecido como Thad Jones, nasceu em uma numerosa família de Pontiac, Michigan, em 28 de março de 1923. Um dos dez irmãos, entre os quais também se destacaram o mais velho, Hank, pianista, e o caçula, Elvin, baterista. Aprendeu o trompete de forma autodidata e aos 16 anos já atuava profissionalmente em grupos e orquestras de dança locais. Serviu o exército durante a 2° guerra mundial, de 43 a 46, atuando nas bandas da força. Foi em 1954 que sua carreira profissional começou a tomar rumos definitivos. Entrou para a orquestra de Count Basie ocupando uma estante no naipe de trompetes, e também compôs e arranjou para a banda. São seus os solos em algumas das mais populares gravações da orquestra naquele período, como em: April in Paris, Corner Pocket e Shiny Stockins. Permaneceu com Basie até 63. Em 65 organizou, juntamente com o baterista Mel Lewis, uma excelente orquestra. Começaram a tocar no Village Vanguard no ano seguinte, onde durante vinte anos foram a atração fixa das noites de segunda-feira. Após a morte dos líderes a orquestra continuou sob a batuta de John Mosca, e pode até hoje ser vista atuando naquela casa.

 

The Fabulous Thad Jones foi gravado em 1954, para o sêlo Debut, de propriedade do contrabaixista Charles Mingus. Foi sua primeira gravação como líder, e impressionou Mingus de forma significativa, como o próprio escreve nas notas de contra-capa do LP: “Thad é o maior trompetista que já escutei tocar. Ele utiliza todas as técnicas clássicas, e é o primeiro cara a fazê-las suingar. Seu irmão Elvin, é tão bom quanto na bateria. Os músicos chamam Thad de: O messias do trompete. Thad é bom demais pra que eu possa acreditar. Ele faz coisas que Dizzy Gillespie e Fats Navarro fizeram com dificuldade no trompete. Me refiro as coisas que eles quase não conseguiam executar, embora você ainda os respeitasse porque sabia que outros nem mesmo tentariam faze-las. Coisas que Miles nunca fez. Coisas que Dizzy ouviu Parker fazer, e que Fats Navarro nos fez acreditar que eram possíveis de se fazer…. Thad, é um Bartok em instrumento de válvulas, e sua escrita, é guiada diretamente por Deus.” Depois desta opinião sobre Thad, emitida por um dos maiores músicos que o jazz já viu, este escriba humildemente exime-se de acrescentar qualquer opinião que por ventura ainda tenha.

 

O grupo que acompanha Thad Jones é absolutamente impecável: seu irmão, Hank, ao piano; o saxofonista Frank Wess, parceiro de Thad na orquestra de Basie; o patrão, Charlie Mingus, no contrabaixo; e o pai da bateria bop, Kenny Clarke.

 

Illusive, escrita por Thad, é uma composição de alta complexidade. É uma composição baseada em blues, porém, com uma estrutura não convencional e altamente criativa. O solo de Thad é límpido e inspirado, o piano de Hank é sempre lírico e carregado de técnica e categoria. Frank Wess é um saxofonista diretamente ligado a escola de Lester Young, na orquestra de Count Basie era esta a sua função.

 

Sombre Intrusion, também de Thad, é uma composição que nos remete à algumas produzidas por Thelonious Monk, sombria e bela. O som cheio e vigoroso de Thad, se superpõe ao ensemble, que tem Frank Wess atuando na flauta, instrumento no qual foi um especialista. Hank Jones executa uma introdução e um interlúdio carregados de emotividade.

 

You Don’t Know What Love Is, é veículo integral para o trompete do líder, que a executa de modo sensível e melancólico. A interpretação de Thad para este standard é, para mim, definitiva.

 

Bitty Ditty, outra composição da pena de Thad, reverte o clima para algo alegre e ensolarado. Mingus executa uma criativa linha de baixo, produzindo acentuações repletas de swing em suporte aos solos e também em sua própria improvisação.

 

Chazzanova, é uma composição de Mingus, e como tal, nada de convencional. Uma balada repleta de surpresas melódicas. Mingus sempre possuiu esta inata capacidade, a de não escrever nada óbvio ou previsível. Thad e Frank Wess se estimulam mútuamente durante toda a execução.

 

O outro standard da sessão, I’ll Remember April, encerra o álbum de forma descontraída e relaxada. Após breve introdução de Hank, Thad expõe o tema de forma criativa e plena em técnica, antes de sua improvisação, que atesta o quanto foi negligenciado pelos críticos e escritores especializados.

 

Thad Jones foi uma verdadeira escola no seu instrumento, mas que ficou em segundo plano visto seu imenso talento para arranjar e dirigir orquestras. Algo semelhante ao que aconteceu a Oliver Nelson e alguns outros exímios instrumentistas, ofuscados pela própria diversidade de talentos e atribuições. Thad faleceu aos 63 anos, em 21 de agosto de 1986.
Thad Jones (tp) Frank Wess (ts, fl) Hank Jones (p) Charles Mingus (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, August 11, 1954

 

1- Elusive (Illusive)
2- Sombre Intrusion
3- You Don’t Know What Love Is
4- Bitty Ditty
5- Chazzanova
6- I’ll Remember April
 

Hank Mobley Quintet – The Jazz Message of Hank Mobley Vol. 2 (1956) (Re-up)

Quando Hank Mobley gravou estas sessões para a Savoy, em 1956, ele ainda fazia parte dos Jazz Messengers, e somente 3 dias após a primeira data destas duas sessões ele participaria de sua derradeira colaboração com o combo que passaria a ser liderado pelo baterista Art Blakey. Viria então uma verdadeira avalanche de gravações para Savoy, e posteriormente a Blue Note, com as quais Mobley se notabilizaria como um dos mais produtivos músicos do período. Sua imensa capacidade de compor temas encheria dezenas de lp’s nos próximos dez anos, até que sua abalada saúde o fizesse diminuir o ritmo de gravações.
Este clássico do hardbop traz Mobley ao lado de músicos vitais para o estilo, em duas formações distintas de quinteto. A segunda data, de novembro de 56, contava com Lee Morgan – então um prodígio de apenas 18 anos, o pianista Hank Jones e o baterista Art Taylor. O contrabaixista Doug Watkins é o único músico presente nas duas datas que formam o álbum. Mesmo que Lee Morgan estivesse nesta época ainda se desenvolvendo como instrumentista, sua postura, excecução e recursos de imaginação, eram já ferramentas dignas de um mestre. O trompetista Donald Byrd, o pianista Barry Harris, e o veterano baterista Kenny Clarke, seriam os parceiros para a gravação realizada em julho. A influência em Mobley dos saxofonistas da era do swing, desde Lester Young até Illinois Jacquet, pode ser claramente percebida nestas faixas. O respeito e entendimento de Mobley para com a era pre-bebop capacitaram-no perfeitamente para o desenvolvimento do estilo de jazz predominante que sucedeu o bebop.
Ao lado de 3 composições originais de Mobley, o repertório traz ainda 1 blues de autoria de Thad Jones e um típico tema hardbop do contrabaixista Doug Watkins. Ao todo, são 32 minutos de jazz proporcionados por músicos de primeira linha no estilo.
Donald Byrd (tp) Hank Mobley (ts) Barry Harris (p) Doug Watkins (b) Kenny Clarke (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, July 23, 1956

 

*Lee Morgan (tp) Hank Mobley (ts) Hank Jones (p) Doug Watkins (b) Art Taylor (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, November 7, 1956
1. Thad’s Blues (T. Jones)*
2. Doug’s Minor B’ Ok” (D. Watkins)*
3. B. For B.B. (H. Mobley)
4. Blues Number Two (H. Mobley)
5. Space Flight (H. Mobley)