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Arquivo da categoria: Harold Danko

Kirk Lightsey & Harold Danko – Shorter By Two (1983)

O amigo, leitor, blogueiro, e garimpeiro maior de raridades, Sérgio Sônico, nos presenteia com esta raridade dos pianistas Kirk Lightsey e Harold Danko, “Shorter By Two”. Danko, sobre o qual falamos no post anterior, se une ao grande parceiro de gravadora, Kirk Lightsey, para uma viagem pela obra do gênio Wayne Shorter. Um álbum com somente dois pianos não é coisa para principiantes ou para qualquer músico tentar. As armadilhas em que se podem meter são muitas e de dificil escape. Absolutamente não é o caso com estes dois mestres do piano jazz, Danko e Lightsey mostram, a todo momento, que estão cientes e senhores dos caminhos a serem percorridos nas difíceis harmonias de composições de Wayne Shorter. A escolha do repertório dá um apanhado completo da obra de Wayne, indo de composições do final dos anos 50, quando os temas foram escritos para os Jazz Messengers de Art Blakey, até os anos 70, quando Wayne mostrava direções musicais as mais amplas possiveis. “Ana Maria” é uma composição do álbum “Native Dancer”, de 1974, que contou com as participações de músicos brasileiros e de Milton Nascimento. É uma melodia de intensa beleza, onde Lightsey toca diretamente nas cordas do piano na introdução. Os músicos se revezam e completam-se na exposição melódica e harmônica do belo tema. “Dolores” foi composta para o quinteto de Miles Davis nos anos 60, no álbum “Miles Smiles”. É um tema modal de andamento médio. “Dance Cadaverous” é parte do genial álbum “Speak No Evil”, gravado pelo quinteto de Wayne em 64. O clima construído traz ares da música de Erik Satie. “Pinocchio” foi composta em 67 para o álbum “Nefertiti”, do quinteto de Miles. A interação dos pianistas na exposição do tema em uníssono é de uma perfeição ímpar. “Marie Antoinette” foi gravada pelo sexteto de Freddie Hubbard em 1961, no álbum “Ready For Freddie “. O clima de ragtime é reforçado por Lightsey emulando um banjo diretamente nas cordas do piano. “Armageddon” é um blues em tonalidade menor, gravado em 64, pelo quinteto de Wayne, no álbum “Night Dreamer”. Os pianistas fazem uma breve e solene leitura do tema. “Lester Left Town” é outra peça composta para os Messengers, gravada em 1960, no álbum “The Big Beat”. “Witch Hunt”, mais uma composição do antológico álbum “Speak No Evil”, de 1964. “Iris” é uma das gemas de Wayne que fazem parte do álbum “E.S.P.”, do quinteto de Miles Davis, gravado em 1965. Um tema modal que serve de veículo para divagações mais abrangentes dos dois músicos. “El Gaucho” fez parte do álbum “Adam’s Apple”, gravado pelo quarteto de Wayne em 1966. “Nefertiti”, composição de carater etéreo, produzida para o álbum homônimo do quinteto de Miles, em 1967, encerra este tratado pianístico da música brilhante criada pela magnífica mente de Wayne Shorter, interpretada pelos, não menos, brilhantes Kirk Lightsey e Harold Danko. At last but not least, temos que agradecer, novamente, ao amigo Sérgio Sônico por este belo presente que, com muita satisfação, compartilhamos com os leitores.
Kirk Lightsey e Harold Danko (piano)
1- Ana Maria
2- Dolores
3- Dance Cadaverous
4- Pinocchio
5- Marie Antoinette
6- Armageddon
7- Lester Left Town
8- Witch Hunt
9- Iris
10- El Gaucho
11- Nefertiti
 
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Publicado por em 17 de dezembro de 2009 em Harold Danko, Kirk Lightsey

 

Harold Danko – Alone But Not Forgoten (1986)

“Alone But Not Forgoten” é um trabalho minuscioso do pianista Harold Danko, músico de Ohio, onde nasceu em 1947. Atualmente é professor na Youngstown State University, mas traz em seu currículo trabalhos com Chet Baker, na orquestra de Woody Herman e na Thad Jones – Mel Lewis Big Band. Profundamente influenciado pela pianística de Bill Evans, Danko cercou-se de 2/3 do último trio de Bill para a gravação deste álbum: o contrabaixista Marc Johnson – em 3 faixas – e o baterista Joe LaBarbera, que também produziu arranjos de cordas para alguns temas. Em cinco faixas há a participação do contrabaixo de Michael Moore. Danko revelas nas notas de contracapa 3 trilhos básicos nos quais procurou desenvolver o repertório: O sentido de um “mood”, em que cita como referencias os álbuns “Kind Of Blue”, de Miles Davis, “Speak No Evil”, de Wayne Shorter, e “Live At The Village Vanguard” de Bill Evans; a melodia presente na música brasileira, via composições de Tom Jobim e nas figuras rítmicas do baterista Edison Machado; e a concepção da obra do pianista Bill Evans, seu mentor em piano jazz. Harold Danko se sai muito bem neste trabalho de caráter intimista, rico em nuances sonoras, com suas composições ladeadas a outras de grandes mestres como Cal Tjader – Liz Ann; Edú Lobo – O Circo Místico; e Bill Evans – Laurie, onde o cantor Bob Dorough faz uma particpação além de escrever a letra para este belo tema. Não se deixem levar pela capa um tanto cool do álbum, que chega a sugerir um trabalho tipo Richard Clayderman. “Alone But Not Forgoten” é um registro especial de um pianista que mostra de onde vem suas concepções, e coloca verdade e coração na música que produz.

 

Harold Danko – piano; Joe LaBarbera – drums, string arr; Marc Johnson – bass (2,6,8); Michael Moore – bass; Bob Dorough – vocal (8)
1- Wayne Shorter (H. Danko)
2- Martina (H. Dankko)
3- When Everything Gets Quiet (H. Danko)
4- Alone But Not Forgotten (H. Danko)
5- Liz Ann (C. Tjader)
6- Candlelight Shadows (H. Danko)
7- O Circo Mistico (E. Lobo)
8- Laurie (B. Evans – B. Dorough)