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HotBeatJazz 10′ Series – Lou Donaldson Quartet / Quintet – New Faces New Sounds 10’LP BLP 5021 (1952)

O saxofonista Lou Donaldson faz parte da imensa quantidade de músicos de jazz que aperfeiçoaram seus talentos durante o período da II Grande Guerra Mundial. Servindo na Marinha, Lou pôde desenvolver-se no saxofone alto enquanto integrande de uma das inúmeras banda da corporação. Nascido na Carolina do Norte em 1926, filho de um pastor e de uma professora de música, Lou iniciou na clarineta tomando lições com a própria mãe. Em 1944 entra para o serviço militar e lá passa a ganhar experiência em tocar com orquestra. Foi por esta época que ele sofreu a profunda influência de Charlie Parker e Dizzy Gillespie, aprendendo rápidamente a sintaxe bop, e chegando inclusive a tocar com a banda de Gillespie quando esta se apresentou em Greensboro. Encorajado pelo próprio Gillespie, Lou foi pra NYC em 1950 e cumpriu o vestibular de todo aspirante a partícipe da cena jazzística, tocou em vários clubes em incontáveis jams: Minton’s, Birdland, Le Downbeat e The Paradise. Nesses locais pôde tocar com grandes nomes da cena como: Charlie Parker, Bud Powell, Sonny Stitt, entre outros.

 

Em 1952, Lou já contava com um contrato com a Blue Note, gravadora onde gravaria dezenas de álbuns durante toda sua longeva carreira. Fazendo parte da série New Faces New Sounds, Lou gravou duas sessões com meses de intervalo a frente de um quarteto na primeira e de um quinteto na segunda data. O quarteto contava com a participação de um amigo feito nos estúdios de gravação, o pianista Horace Silver; o contrabaixista Gene Ramey e o baterista Art Taylor. Para esta data foram escolhidos dois originais: um de Silver, Roccus; e um blues de Lou, Lou’s Blues; ao lado de dois standards: Cheek To Cheek e The Things We Did Last Summer.

 

Na segunda sessão, a do quinteto, ao lado de Lou e Silver estão: o jovem talento do trompete Blue Mitchell, e a mais requisitada cozinha de NYC, Percy Heath e Art Blakey. No repertório: Sweet Juice, de Horace Silver; o blues Down Home; os standards The Best Things In Life Are Free e If I Love Again.

 

Esta sessão do saxofonista Lou Donaldson, mostra grandes momentos de puro bebop e é uma oportunidade de perceber os primeiros momentos do estilo que dominaria a segunda metade da década de 50, o hardbop.
Lou Donaldson (as) Horace Silver (p) Gene Ramey (b) Art Taylor (d)
WOR Studios, NYC, June 20, 1952

 

Blue Mitchell (tp -6/8) Lou Donaldson (as) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, November 19, 1952*

 

1- Roccus
2- Lou’s Blues
3- Cheek To Cheek
4- The Things We Did Last Summer
5- Sweet Juice*
6- Down Home*
7- The Best Things In Life Are Free*
8- If I Love*

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer Quintet – 10’LP PRLP 181 (1954)

O trompetista Art Farmer conheceu o saxofonista alto Gigi Gryce no verão de 1953. Art havia chegado a NYC como membro da orquestra de Lionel Hampton e sua atuação para a gravadora Prestige em uma data do saxofonista californiano Wardell Gray havia impressionado Bob Weinstock, o proprietário. Em julho do mesmo ano, Bob organizava uma sessão com Art Farmer como líder e outros músicos da banda de Hampton. Gravaram quatro temas para lançamento posterior em um 10 polegadas. O último tema gravado destes quatro era “Up In Quincy’s Room”, uma composição de Gigi Gryce em homenagem ao trompetista e arranjador Quincy Jones, colega de estante de Art Farmer na banda de Hampton. Gigi estava trabalhando com Tadd Dameron em Atlantic City e havia se comprometido, além do arranjo para a sua composição, a fazer as transcrições de todas as partes dos músicos. Não havendo tempo para envia-las pelo correio, Gigi as terminou em um ônibus à caminho de NYC para entregá-las em mãos. Desta forma nasceu uma das mais produtivas e perfeitas associações da época, Art Farmer e Gigi Gryce gravariam várias composições que se tornariam obrigatórias em qualquer songbook das mais representativas da época.

 

A amizade entre ambos se fortaleceria quando Gigi Gryce foi incorporado a orquestra de Hampton, uma das mais formidáveis organizações da época, que contava com um naipe de trompetes antológico: Art Farmer, Quincy Jones e o jovem prodígio Clifford Brown. A orquestra faria uma importante temporada na Europa e no seu retorno aos EUA, no final de 1953, Art e Gigi permaneceram por conta própria em Manhattan. Em 1954 iniciaram o quinteto em uma gig no Tiajuana Club, em Baltimore. Gryce compôs uma série de novos temas dotando o quinteto de um material próprio de altíssima qualidade. Mais do que rápidamente Bob Weinstock agendaria duas sessões de gravação com o grupo, acontecidas em maio de 54.

 

A primeira delas, realizada no dia 19, contaria com os dois solistas principais e Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo e Kenny Clarke na bateria. Foram gravadas quatro composições de Gigi Gryce: A Night At Toni’s, Blue Concept, Deltitnu e Stupendous-Lee. A Night At Tony’s é um perfeito exemplo da capacidade de compositor e arranjador de Gryce, com uma melodia brilhante, simples e direta. Art, Gryce e Silver revelam a técnica e swing que os caracterizou por décadas a fio. Blue Concept é um delicioso blues em tom menor, onde Farmer executa um solo rico em idéias e fluência. Gryce mostra no blues o quanto absorveu de Charlie Parker em estilo e sonoridade. Silver desenvolve seu solo impregnado de alma funky sobre uma pulsação forte de Heath e Kenny Clarke troca fours com os solistas antes da volta ao tema. Stupendous-Lee é um tema que melódicamente nos remete ao jazz da west coast, composição que homenageia o grande saxofonista alto Lee Konitz. Deltitnu é um típico tema bebop, frases rápidas e ágeis impondo o máximo de controle da emissão ao trompete de Farmer.

 

Art Farmer Quintet é uma fantástica sessao de dois grandes músicos do hardbop em uma associação frutífera que perdurou até meados de 56.

 

Vale dar uma conferida no blog Jazz+Bossa+Baratos Outros onde se pode ler uma belíssima resenha sobre Gigi Gryce http://ericocordeiro.blogspot.com/2010/06/escada-e-ponte.html .

 

Art Farmer (tp) Gigi Gryce (as) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 19, 1954

 

1- A Night At Tony’s
2- Blue Concept
3- Stupendous-Lee
4- Deltitnu
 

HotBeatJazz 10′ Series – Stan Getz – Chamber Music By The Stan Getz Quintet 10’LP RLP417 (1951-52)

Mais um ítem do fantástico quinteto de Stan Getz com gravações realizadas em duas datas para a Roost. Em 15 de agosto de 1951, Getz se apresentava a frente do quinteto formado por Horace Silver ao piano, Jimmy Raney na guitarra, Roy Haynes na bateria e um revezamento de dois contrabaixistas: Tommy Potter e Leonard Gaskin. No repertório registrado, três originais do saxofonista Gigi Gryce: Yvette, Wildwood e Melody Express. Uma composição de Horace Silver, Potter’s Luck, e o standard de Jerome Kern, The Song Is You.

A segunda sessão de gravação aconteceu em 19 de dezembro de 1952, com o quinteto sofrendo algumas alterações. Apenas Jimmy Raney permanecia da formação anterior, com o restante dos músicos sendo: Duke Jordan ao piano, Bill Crow no contrabaixo e Frank Isola na bateria. Foram feitas tomadas para dois standards: Autumn Leaves e These Foolish Things, além da clássica composição de George Shearing, Lullaby Of Birdland.

Todas as músicas foram gravadas ainda no período dos 78 rpm, o que limitavam sua duração a parcos 3 minutos. Porém são peças que fundamentaram a posição de Stan Getz como um dos saxofonistas que melhor soube adaptar a sonoridade de Lester Young ao idioma bop do jazz moderno. As gravações deste período consolidaram a posição de Stan Getz como um dos maiores instrumentistas do jazz e contribuíram para que ele ficasse conhecido como “The Sound“.

Stan Getz (ts) Horace Silver (p) Jimmy Raney (g) Tommy Potter or Leonard Gaskin (b) Roy Haynes (d)
NYC, August 15, 1951

 

*Stan Getz (ts) Duke Jordan (p) Jimmy Raney (g) Bill Crow (b) Frank Isola (d)
NYC, December 19, 1952

 

1- Yvette
2- Potter’s Luck
3- Wild Wood
4- Penny
5- Autumn Leaves*
6- Lullaby Of Birdland*
7- These Foolish Things*
8- Melody Express
 

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis Quintet – 10’LP PRLP 187 (1954)

A primeira metade da década de 50 foi um período de busca pessoal e artística para Miles Davis. No campo pessoal ele procurava se livrar da adição em heroína, o que ele conseguiria pela primeira vez ainda em 1950. Artísticamente sua busca consistia em achar um modelo de som e de formação de seu combo, busca esta que iria exigir mais tempo de Miles. De 1950 à 55, Miles testou todos os tamanhos e arquiteturas de formações possíveis. Do noneto do início da década, ainda resultado do Birth of the Cool, até o quarteto básico, Miles procurou todas as possibilidades de expressão para sua música. Tocou com uma verdadeira constelação de músicos: J.J. Johnson, Stan Getz, Tadd Dameron, Lee Konitz, Gerry Mulligan, John Lewis, Fats Navarro, Brew Moore, Art Blakey, Benny Green, Roy Haynes, Kenny Drew, Eddie “Lockjaw” Davis, Billy Taylor, Charles Mingus, Jackie McLean, Walter Bishop Jr, Jimmy Forrest, Don Elliott, Al Cohn, Zoot Sims, Jimmy Heath, Max Roach, Oscar Pettiford, e até mesmo, Charlie Parker, todos estes grandes músicos contribuíram para a música de Miles. Em 1954, Miles começa a achar o rumo que seguiria pelo resto da década e que o levou ao patamar de gigante do jazz. A formação de um quinteto que consistia, além dele, de um saxofonista tenor de estilo forte e agressivo, que contrastasse com seu trompete suave; um pianista que soubesse tocar deixando espaços na música, verdadeiros vácuos harmônicos; e baterista e contrabaixista que se adaptassem a um estilo que ficava a meio caminho do bebop, do hardbop e do cool.

 

Nesta seção de 29 de junho de 1954, esta busca começava a se materializar em um combo com Sonny Rollins ao sax tenor, Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo, e o veterano Kenny Clark na bateria. Rollins tem importancia fundamental, não só como contraponto ao lirismo de Miles instrumentalmente, mas também, como grande compositor de temas. É o que temos neste 10 polegadas de apenas 4 músicas: 3 originais de Rollins, e um clássico de George Gershwin. Rollins nestas gravações ia se consolidando como um dos mais influentes sax tenores do jazz moderno e um dos compositores mais originais que surgiam nesta efervescente época. Horace Silver, ainda um jovem e promissor talento, entendeu à perfeição o papel que deveria desempenhar na música de Miles, não enchendo os espaços com blocos densos de acordes, mas sim, contribuindo para uma maior flexibilidade rítmica e harmônica do grupo, papel que seria depois brilhantemente executado por Red Garland no quinteto com Jonh Coltrane no tenor. Estas gravações ficaram indelévelmente marcadas na história do jazz, sendo uma mostra do poder musical que arrebataria a todos, um ano depois, com o quinteto definitivo.

 

Miles Davis (tp) Sonny Rollins (ts) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, June 29, 1954

 

1- Airegin (S. Rollins)
2- Oleo (S. Rollins)
3- But Not For Me (G. Gershwin – I. Gershwin)
4- Doxy (S. Rollins)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Horace Silver Trio – New Faces New Sounds 10’LP BLP 5018 (1952)

Horace Silver foi um dos mais originais e brilhantes pianistas que apareceram no início dos anos 50 na cena jazzística. Pouco tempo antes desta gravação ele era um ilustre desconhecido, tocando em casas noturnas na sua cidade natal, Norwalk, em Connecticut. Uma bela noite, foi visto por Stan Getz, que iria tocar como convidado no mesmo local em que Horace estava atuando. Resultado, foi contratado na hora, junto com os outros dois músicos de seu trio, Joe Calloway e Walter Bolden, para formar o quinteto de Getz. Horace era localmente conhecido como pianista e, também, saxofonista; instrumentos nos quais teve uma formação acadêmica quando ainda estava na High School.

 

O trabalho no quinteto de Stan Getz abriu as portas de Manhattan ao jovem pianista, trabalhando como contratado em alguns dos mais importantes locais como: Birdland, Le Downbeat e Minton’s Playhouse. Por essa época trabalhou nos combos de Terry Gibbs, Coleman Hawkins, Oscar Pettiford e Bill Harris. Nesta sua primeira sessão como solista principal, Silver apresenta seu cartão de visitas como instrumentista e compositor impecável. Seis dos oito temas deste 10 polegadas são composições próprias, que transitam da exótica atmosfera de Safari às intrigantes dissonâncias de Ecaroh, um óbvio anagrama com seu nome. Horoscope, mostra a influência de Monk em sua música, e Quicksilver, se tornaria um clássico do repertório do pianista, sendo revisitada inúmeras vezes em outros contextos. Yeah, com suas duas frases principais, a primeira ascendente e a segunda descendente, é uma feliz combinação de originalidade melódica, rítmica e harmônica.

 

Os músicos que fazem parte do trio dispensam maiores apresentações, são todos verdadeiros mestres em seus instrumentos: Art Blakey, a usina de ritmos maior do jazz; e dois contrabaixistas revezando-se, Curley Russell e Gene Ramey, dois dos mais requisitados da época. Percebam o impecável trabalho de Russell com o arco na Ellingtoniana Prelude To A Kiss.

 

Estas gravações foram determinantes para que Horace Silver deslanchasse sua carreira, transformando-se em um dos mais importantes nomes no desenvolvimento do jazz moderno, contribuindo com dezenas de composições que fazem parte do songbook de todo músico que pense em tocar jazz, até hoje.
*Horace Silver (p) Gene Ramey (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, October 9, 1952

 

**Horace Silver (p) Curley Russell (b) Art Blakey (d)
WOR Studios, NYC, October 20, 1952

 

1- Safari *
2-. Ecaroh**
3- Prelude To A Kiss**
4- Thou Swell*
5- Quicksilver**
6- Horoscope*
7- Yeah**
8- Knowledge**

 

Hot Beat Jazz

 

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis Quartet – 10’LP PRLP 161 (1954)

Miles Davis gravou duas sessões para a Prestige com o formato de quarteto que integram este 10 polegadas lançado em 1954. A primeira, em 19 de maio de 53, onde se deu a estréia em disco de dois temas que passariam a compor o repertório do trompetista: Tune Up e Miles Ahead, este último sendo revisitado alguns anos após com arranjos de Gil Evans, no álbum de mesmo nome. Para a data, Miles contou com a presença de John Lewis, ao piano; Percy Heath, ao contrabaixo; e seu grande amigo Max Roach, na bateria. John Lewis, que tinha compromissos já préviamente agendados, não pôde participar do último tema à ser gravado, Smoch. O contrabaixista Charles Mingus, que estava nos estúdios por acaso, deu uma mãozinha ao piano, aliás duas, e não se saiu mal. When Lights Are Low, completa os temas gravados na ocasião.

 

Em 15 de março de 1954, uma outra sessão em quarteto, completou com mais 3 faixas este 10 polegadas de número 161 da gravadora Prestige. Para a data Miles contou com Horace Silver, ao piano; mais uma vez, Percy Heath ao contrabaixo; e Art Blakey na bateria. Entre os temas gravados, mais um ítem se destacaria como frequente no repertório do trompetista, Four. O estilo inconfundível de Blakey se faz notar logo ao primeiro compasso, assim como o piano solto e bluesy de Horace Silver. O standard Old Devil Moon e Blue Haze, completam as tomadas daquela sessão.

 

Nestas tomadas em quarteto nota-se, de forma inconteste, que muitas vezes o gênio musical não necessita estar necessáriamente ligado ao virtuosismo instrumental. Miles nunca foi um virtuoso, mas sua genialidade se apresenta na forma de escolher os caminhos de seu discurso musical em perfeita consonância com sua técnica, revelando uma mente altamente criativa e inteligente em seu ofício.

 

Miles Davis (tp) John Lewis (p -1/3) Charles Mingus (p -4) Percy Heath (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, May 19, 1953
1- When Lights Are Low (take 479)
2- Tune Up (take 480)
3- Miles Ahead (take 481)
4- Smooch (take 482)

 

Miles Davis (tp) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Beltone Studios, NYC, March 15, 1954
5- Four (take 556)
6- Old Devil Moon (take 557)
7- Blue Haze (take 558)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer PRLP 177

Estamos inaugurando com esta postagem uma série organizada e produzida pelo próprio HotBeatJazz, com o intuito de recriar um pouco da história e do romantismo vividos pelo jazz em décadas passadas. Estaremos lançando recriações dos antigos LP’s de 10 polegadas, formatados inteiramente como foram editados na ocasião, com suas capas originais e obedecendo rigorosamente a mesma ordem de músicas. Esperamos com esta iniciativa dar uma contribuição à memória fonográfica de tempos mais românticos, quando havia de levantar-se do sofá para virar o lado do disco, ou então, empilha-los em toca-discos automáticos, produzindo deliciosos arranhões que se transformavam em chiadeiras indissociáveis do prazer da escuta.

 

Voltemos ao passado, com nosso primeiro LP 10 polegadas da série!

 

 

O trompetista Art Farmer gravou em 1954, pela Prestige, como líder de um quinteto muito especial que contava com a presença do grande saxofonista Sonny Rollins, do pianista Horace Silver, do contrabaixista Percy Heath, e de Kenny Clarke na bateria.

 

Foi um LP curto em termos de tempo de música gravada, mesmo para os padrões da época que possibilitavam até 12 minutos por face, com apenas 4 temas totalizando 9 minutos em cada lado.

 

Wisteria, uma bela balada que não conta com a participação de Sonny Rollins, sendo veículo para as qualidades do trompete extremamente lírico de Art Farmer.

 

Soft Shoe tem o tema exposto em perfeito uníssono entre Farmer e Rollins. Farmer abre seu solo com uma citação de The lady is a Tramp, o piano de Silver é impregnado de sentido bop e seus blocos de acordes de sustentação dos solistas são impecávelmente construídos. Rollins tem um solo arrebatador em economia e síntese antes de voltarem ao tema para o encerramento.

 

Confab In Tempo é um tema típicamente bebop, de andamento acelerado, onde Rollins é o primeiro a solar com extremo domínio da sintaxe do estilo. Farmer faz seu solo inteiramente em stacatto com um perfeito controle da emissão. Silver mostra conhecer bem o trumpet-piano style em breve participação antes do solo do mestre Kenny Clarke, o homem que construiu a ponte entre o swing e a bateria moderna bop.

 

I’ll Take Romance encerra este curto LP 10 polegadas com Farmer mostrando seu estilo pessoal, que o fazia diferente dos trompetistas da época, sempre muito calcados em Gillespie ou Fats Navarro. Rollins em seus primeiros anos já se mostrava um músico de estatura, embora ainda fosse desenvolver um estilo mais pessoal no decorrer dos anos. Tinha ele nesta época um timbre bem mais domesticado do que o que passou a desenvolver a partir da década de 60.

 

Este quinteto organizado por Bob Weinstock para dar suporte ao delicioso trompete de Art Farmer ficou marcado como um dos grandes combos organizados em 1954, um ano de concorrência acirrada, visto o surgimento do explendoroso quinteto de Art Blakey com Clifford Brown em fevereiro e o mesmo Clifford iniciando seu quinteto com Max Roach em abril.

 

Art Farmer (tp) Sonny Rollins (ts -2/4) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, January 20, 1954

 

1- Wisteria (take 552)
2- Soft Shoe (take 553)
3- Confab In Tempo (take 554)
4- I’ll Take Romance (take 555)

 

 

Horace Silver – Silver’n Brass (1975)

Como pedido de amigo é ordem, faremos nosso amigo Carlos Braga, do fenomenal blog dedicado ao jazz latino “CB Latin Jazz Corner” – cujo link está ali ao lado na lista de blogs preferidos – matar a vontade de ouvir um de seus temas prediletos, “Barbara”, na interpretação do compositor, o imensurável Horace Silver. “Silver’n Brass” é o primeiro álbum do pianista/compositor em formato de medium band, orquestra esta que trazia seu habitual quinteto aumentado para média formação. O quinteto de Silver dos anos 70 revelou ao mundo do jazz alguns grandes solistas como o trompetista Tom Harrell, e o exímeo e saudoso saxofonista Bob Berg. Os arranjos foram feitos por Silver com o auxílio de Wade Marcus, que escreveu as partes para os metais. Nomes de peso compunham esta banda como os trompetistas Oscar Brashear e Bobby Bryant, o trombonista Frank Rosolino e os saxofonistas Jerome Richardson e Buddy Collette. “Silver’n Brass” foi o primeiro de uma série de álbuns nos quais Horace experimentou escrever para sonoridades diversas, completada com os antológicos “Silver ‘N Woods (Blue Note BN-LA 581-G)”, também de 1975; “Silver ‘N Voices (Blue Note BN-LA 708-G)”, de 1976; “Silver ‘N Percussion (Blue Note BN-LA 853-H)”, de 1977; e “Silver ‘N Strings Play The Music Of Spheres (Blue Note LWB 1033)”, de 1978.
Música de altíssimo nível em uma atmosfera não comum a este mestre do hardbop e do piano-funky-style.
Tom Harrell (tp) Bob Berg (ts) Horace Silver (p) Ron Carter (b) Al Foster (d) Oscar Brashear, Bobby Bryant (tp, flh) Vince DeRosa (frh) Frank Rosolino (tb) Maurice Spears (btb) Jerome Richardson (as, ss, fl) Buddy Collette (as, fl) Wade Marcus (arr)
A&R Studios, NYC & Wally Heider Sound Studio III, Los Angeles, CA, January 10, 1975
*Bob Cranshaw (el-b) Bernard Purdie (d) replaces Carter, Foster
A&R Studios, NYC & Wally Heider Sound Studio III, Los Angeles, CA, January 17, 1975
1- Kissin’ Cousins*
2- Barbara
3- Dameron’s dance
4- The Sophisticated Hippie*
5- Adjustment
6- Mysticism
 

Horace Silver And The Jazz Messengers (1954-55)

Como dito no post do quarteto de Hank Mobley, ao final de 1954 o pianista Horace Silver era contratado para se apresentar regularmente no club Minton’s Playhouse, berço do bebop nos anos quarenta, na 52nd street, NYC. Tendo iniciado sua carreira discográfica no combo de Stan Getz em dezembro de 1950 e permanecido acompanhando “The Sound” por todo o ano seguinte, em 1952 Horace iniciou sua longa associação com a Blue Note no quarteto do saxofonista Lou Donaldson. No mes de outubro do mesmo ano, o jovem de apenas 24 anos, já produzia 2 sessões de gravação como líder de um trio que contava com o experiente baterista Art Blakey. Em janeiro de 53 se apresenta com o quinteto de Lester Young no Birdland, grava com o grupo de Sonny Stitt em março, participa do sexteto de Howard McGhee em uma nova gravação para a Blue Note em maio, grava com o quinteto de Al Cohn para a Savoy em junho, volta a se apresentar com “Pres” no Birdland em julho, e termina o ano com mais uma gravação em trio com Art Blakey em novembro. O jovem inicia 1954 com seu nome já consolidado na competitiva cena musical de NYC. Uma gravação para a Prestige com o quinteto do trompetista Art Farmer em janeiro antecede a histórica gravaçaõ com o quinteto de Art Blakey no Birdland em fevereiro, ao lado de Clifford Brown, Lou Donaldson e Curley Russell. Em março, é o escolhido para duas sessões da Blue Note integrando o quarteto de Miles Davis, que deram origem ao álbum “Blue Haze”. Mais uma gravação com Art Blakey para a EmArcy no final de março, e em abril duas novas datas agora com o quinteto e sexteto de Miles Davis, que deram origem ao clássico álbum da Prestige, “Walkin'”. Em 30 de abril, para a Savoy, participa do quinteto de Phil Urso-Bob Brookmeyer, em maio é a vez do quinteto de Art Farmer-Gigi Gryce para a Prestige, Clark Terry o convoca em junho, ainda no mesmo mes Art Farmer o reconvoca, e Milt Jackson também. Antes que junho termine, Miles Davis torna a usar de seus serviços na gravação para a Prestige do também clássico “Miles Davis And The Modern Jazz Giants”. Depois desta maratona vem a gig acima mencionada no Minton’s, até que em 14 de novembro, a Blue Note o convoca para que organize um quinteto e grave a primeira, de duas sessões, que formariam seu primeiro álbum como líder de um combo, os Jazz Messengers, que faria história pelos próximos 45 anos, sob a liderança de Art Blakey. O nome, tirado de uma antiga banda liderada por Art em finais da década de 40, tinha agora a conotação de uma cooperativa musical levada a cabo por Silver, Blakey, o experiente trompetista Kenny Dorham, o contrabaixista Doug Watkins, parceiro de Silver no quarteto do Minton’s, assim como o jovem saxofonista Hank Mobley. Silver protagoniza a função de diretor musical do grupo, compondo 7dos 8 temas gravados nas duas datas q formaram o repertório do álbum, a exceção é “Hankerin'”, de Mobley. Do disco fazem parte duas composições que virariam verdadeiros cavalos de batalha durante toda a carreira de Silver: “Doodlin'” e “The Preacher”. O desempenho de músicos deste porte dispensa comentários, a qualidade das composições, ídem. São peças clássicas no repertório do jazz moderno e o engatinhar de um novo estilo que dominaria o restante da década de 50 e boa parte da seguinte. Horace completou no último 2 de setembro, 81 anos de idade, e está ativo e muito bem, obrigado!
Kenny Dorham (tp) Hank Mobley (ts) Horace Silver (p) Doug Watkins (b) Art Blakey (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, November 13, 1954
*Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, February 6, 1955
1- Room 608 (H. Silver)
2- Creepin’ In (H. Silver)
3- Stop Time (H. Silver)
4- To Whom It May Concern (H. Silver)*
5- Hippy (H. Silver)*
6- The Preacher (H. Silver)*
7- Hankerin’ (H. Mobley)*
8- Doodlin’ (H. Silver)
 
 

Hank Mobley Quartet (1955)

Este álbum foi um ponto de partida, é aqui que começa a carreira discográfica de Hank Mobley como líder. Neste março de 1955 o saxofonista contava com 24 anos de idade e já a 5 chamava atenção sobre si, com seu timbre redondo, cheio, e sua habilidade, incomum, de produzir belos e instigantes temas. Muito já havia percorrido desde o nascimento em 7 de julho de 1930, na cidade de Eastman na Georgia. Era filho, neto e sobrinho de músicos, todos atuantes na igreja protestante, sua avó era a organista, sua mãe pianista, e foi no piano que o menino se iniciou no mundo da música. Foi seduzido pelo saxofone já tarde, aos 16 anos, de forma auto-didata, e é incrível pensar que somente 4 anos após, o menino já tinha lugar numa das melhores banda de blues do pedaço, a Paul Gayten’s Blues Band, recomendado por ninguém menos do que Clifford Brown. Lá ele dividia espaço com nomes do porte de Cecil Payne e os futuros Ellingtonianos Clark Terry, Aaron Bell e Sam Woodyard. Segundo declarou o próprio Gayten, “Hank era uma beleza, tocava sax barítono, tenor e alto, e produzia muitos arranjos. Ele dava conta do recado e eu podia deixar as coisas com ele”. Por duas semanas, em 1953, substituiu Jimmy Hamilton na orchestra de Ellington mesmo sem tocar clarinete, ele transpunha as partes para o sax tenor. Ainda em 53 Max Roach o levou para a California junto com Clifford Brown, mas as coisas não deram muito certo por lá, teria sido o embrião do quinteto Roach-Brown. De volta a NYC trabalhou em clubs tocando ao lado de Miles Davis, Tadd Dameron, Milt Jackson e J. J. Johnson, até que em 54 foi convidado por Dizzy Gillespie para integrar seu combo. Em setembro daquele ano deixa Gillespie e passa a fazer parte do quarteto de Horace Silver, locado regularmente no famoso berço bop, o Minton’s Playhouse. É aí, exatamente aí, que Mobley começa a fazer história no jazz. Foi trabalhando com Silver que ele pode fazer parte do que viria a ser os Jazz Messengers, combo famoso pela liderança de Blakey, mas que na verdade começou como uma cooperativa entre 5 músicos: Horace Silver, Art Blakey, Kenny Dorham, Doug Watkins e nosso garoto Mobley. Gravou em 54 e 55 o álbum Horace Silver Jazz Messengers, e logo depois veio o contrato com o selo da notinha azul, uma longa associação, que perdurou até 1970. Este quarteto, não por acaso, nada mais é do que os Messengers à exceção de Kenny Dorham, que não participa da sessão. O repertório original de 6 temas, foi todo composto pelo jovem Mobley, exceto “Love For Sale”, de Cole Porter. Não discorrerei sobre a música gravada, ela fala por si mesmo. Não vou chamar a atenção sobre a qualidade das composições, ela é evidente. Não repetirei ad nauseum o belo timbre do saxofone nem a lógica e poesia da construção das frases musicais, são óbvias. O resto da história deste fantástico músico? Outros posts se sucederão em avalanche, dando conta de toda a obra deste saxofonista e compositor ímpar, com certeza, o mais “underrated” de todos os gigantes do jazz.
Hank Mobley (ts); Horace Silver (p); Doug Watkins (b); Art Blakey (d)
Recorded at Hackensack, N.J., March 27, 1955
1- Hank’s Prank (Mobley)
2- My Sin (Mobley)
3- Avila And Tequila (Mobley)
4- Walkin’ The Fence (Mobley)
5- Love For Sale (C.Porter)
6- Just Coolin’ (Mobley)
7- Hank’s Prank (Alternate take)(Mobley)
8- Walkin’ The Fence (Alternate take)(Mobley)
 
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Publicado por em 22 de novembro de 2009 em art blakey, doug watkins, hank mobley, horace silver