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Arquivo da categoria: James Spaulding

Bobby Hutcherson – Ambos Mundos (1989)

“Ambos Mundos” do vibrafonista Bobby Hutcherson é um caso único na discografia do músico a cruzar a ponte que liga duas fortes correntes musicais: o jazz e a música afro-cubana. Um aspecto dominante neste idioma são os fortes elementos rítmicos que compartilham a mesma herança musical do jazz e tem frequentemente influenciado o curso deste. Hutcherson é a muito reconhecido como um dos ícones do vibrafone, o qual é basicamente um instrumento de percussão, no qual sua música tem sempre dado ênfase aos aspectos melódicos tanto na interpretação como na composição. Seu objetivo maior neste trabalho foi construir uma música percussiva e melódica, jazz e afro-cubana. “Ambos Mundos” não é um disco rotineiro de Latin-jazz. A fórmula escolhida foi cercar-se de músicos com os quais ele já estava amplamente habituado a trabalhar e alguns dos mais expressivos músicos cubanos fixados na California: O conguero Francisco Aguabela, o timbalero Orestes Vilato e o percussionista Roger Glenn, este último filho do veterano trombonista Tyree Glenn. A seção rítmica é completada pelo pianista Smith Dobson, pelo contrabaixista Jeff Chambers e o baterista Eddie Marshall. James Spaulding, velho companheiro de Bobby em antológicas gravações nos anos 60, participa exclusivamente na flauta e o guitarrista Randy Vincent completam o time. A maioria dos temas foram compostos por Hutcherson especialmente para a ocasião, não se limitando ao tradicional esquema de 12 ou 32 compassos. Há também um tema composto por Eddie Marshall, “Yelapa” e dois standards do repertório jazzístico: “Tin Tin Deo” de Dizzy Gillespie e Chano Pozo e o bolero “Besame Mucho”, temas em que a guitarra é tocada pelo excelente Bruce Forman. “Ambos Mundos” é uma bem estruturada ponte entre dois mundos, duas culturas, diversas e complementares, que sempre se influenciaram mútuamente.

Bobby Hutcherson (vb, marimba); James Spaulding (fl); Randy Vincent (g); Bruce Forman (g)*; Smith Dobson (p); Jeff Chambers (b); Eddie Marshall (d); Francisco Aguabela (congas); Orestes Vilato (timbales); Roger Glenn (perc).

Recorded August-September, 1989 at Fantasy Studios, Berkeley, CA

1- Pomponio

2- Tin Tin Deo*

3- Both Worlds (Ambos Mundos)

4- Street Song

5- Beep D’Bop

6- Poema Para Ravel

7- Yelapa

8- Besame Mucho*

 

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Hank Mobley – A Slice Of The Top (1966)

Na extensa discografia do saxofonista Hank Mobley, “A Slice Of The Top” é um ítem que se destaca. Os originais compostos por Mobley foram criados durante sua prisão no ano de 1964, em virtude de condenação por posse de narcóticos, e foram arranjados por Duke Pearson para um formato pouco habitual ao saxofonista, um octeto. Na linha de frente, além de Mobley, o inseparável Lee Morgan ao trompete, o excelente, porém pouco lembrado James Spaulding no sax alto e flauta, Howard Johnson na tuba e Kiane Zawadi no euphonium. A seção rítmica é um primor, McCoy Tyner ao piano, Bob Cranshaw ao contrabaixo e Billy Higgins à bateria. A mão de Duke Pearson nos arranjos é sentida já nas primeiras notas do tema de abertura, “Hank’s Other Bag”, com a tuba e o euphonium mostrando o papel importante reservado pelo arranjador nos voicings. “There’s A Lull In My Life” vem em seguida e é a balada sempre presente nos álbuns da Blue Note no período. “Cute ‘N’ Pretty” é um belo tema em andamento de valsa e também um ótimo veículo para as intervenções de McCoy e Spaulding na flauta. McCoy havia saído a pouco tempo do quarteto de Coltrane e começava a dar mais atenção a sua própria carreira discográfica, também na Blue Note. “A Touch Of Blue” é o ponto alto do álbum. O solo de Mobley mostra o quanto este músico especialíssimo não recebeu o crédito devido ao seu talento e à sua importância no desenvolvimento do hardbop. Tendo começado sua vida musical na banda de blues de Paul Gayten, logo absorveu a sintaxe do bebop e foi peça fundamental no hardbop dos anos 50 e 60. A faixa título do álbum encerra esta reunião de músicos luminares com uma proposta de hardbop modal onde os solistas se lançam ao extremo no desenvolvimento dos solos. “A Slice Of The Top” é ítem obrigatório na discografia de Hank Mobley e para quem deseja conhecer os grandes momentos do maravilhoso jazz produzido pelo selo Blue Note na década de 60.
Lee Morgan (tp) Kiane Zawadi (euph) Howard Johnson (tu) James Spaulding (as, fl) Hank Mobley (ts, arr) McCoy Tyner (p) Bob Cranshaw (b) Billy Higgins (d) Duke Pearson (arr)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, March 18, 1966
1- Hank’s Other Bag (H. Mobley)
2- There’s A Lull In My Life (M. Gordon – H. Revel)
3- Cute ‘N’ Pretty (H. Mobley)
4- A Touch Of The Blues (H. Mobley)
5- A Slice Of The Top (H. Mobley)
 

Bobby Hutcherson Sextet – Components (1965)

Um dos principais discos do vibrafonista Bobby Hutcherson para a Blue Note. Os músicos são de primeira linha, como atestam a presença de Freddie Hubbard e Herbie Hancock. Destaque para Tranquility e Little B’s Poem dois clássicos do repertório do músico.
Freddie Hubbard (tp) James Spaulding (as, fl) Bobby Hutcherson (vib, mar) Herbie Hancock (p, org) Ron Carter (b) Joe Chambers (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, June 10, 1965
1- Components
2- Tranquility
3- Little B’s Poem
4- West 22nd Street Theme
5- Movement
6- Juba Dance
7- Air
8- Pastoral