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Kurt Rosenwinkel – Deep Song (2005)

Em Deep Song o guitarrista Kurt Rosenwinkel, ao lado de um time de craques como Joshua Redman e Brad Mehldau, nos mostra mais uma série de composições originais. O clima é de postbop, com Mehldau, cada vez mais, incorporando uma alma de Bill Evans em suas harmonias e solos. A interpretação do standard “If I Should Lose You” é em levada de autêntico bolero, a faixa título tem uma beleza lírica que chega a arrepiar, é uma composição de George Cory e Douglas Cross, confesso que desconhecidos para mim. Em “Cake” a melodia é construída em intervalos que nos lembram as melhores composições de Wayne Shorter. Enfim, é tudo bom de cabo à rabo, em minha opinião um dos melhores trabalhos desse sensacional músico que é Kurt Rosenwinkel.
Kurt Rosenwinkel (g); Brad Mehldau (p); Joshua Redman (ts); Larry Grenadier (b); Jeff Ballard (d); Ali Jackson (d)
1 The cloister
2 Brooklyn sometimes
3 The cross
4 If I should lose you
5 Synthetics
6 Use of light
7 Cake
8 Deep song
9 Gesture
10 The next step

 

Kurt Rosenwinkel – The Next Step (2001)


A história da guitarra no jazz começou tímida, lá na cozinha mesmo, quando até o final dos anos 30 tinha exclusivamente o papel de instrumento de apoio rítmico. Mas eis que um dia começaram a notar num rapaz franzino, que usava um chapéu todo amassado, chamado Charlie Christian, algo de muito novo. O magricela não se conformava com esse papel secundário e deu um jeito de amplificar seu instrumento e assim poder, também ele, solar alguns compassos. Christian foi o músico que começou a forjar frases que são consideradas o pré bebop. Técnica, harmônica e melódicamente, ele abriu novos terrenos. Na melodia foi o primeiro a substituir o toque stacatto pelo legatto. Christian faleceu em 42 e só temos registros seus de 3 anos de gravações. Um paralelo a Christian foi Django Reindhardt na Europa, também revolucionando a forma de tocar no famoso quinteto do Hot Club de France. A década de 40 chegou e com ela muitos guitarristas, agora dividindo o spot com trompetistas, saxofonistas e etc. São dessa leva nomes como Tal Farlow, Oscar Moore, Jimmy Raney, Laurindo de Almeida, Irving Ashby e Barney Kessel entre outros. Os anos 50 trouxeram o som cool de Billy Bauer, egresso da escola de Lennie Tristano. Vieram também Jim Hall, Herb Ellis e mais tarde Joe Pass e Pat Martino. Na vertente do hardbop tivemos Kenny Burrell, Grant Green e o influente Wes Montgomery, esses três dominariam até finais da década de 60, quando uma nova revolução no instrumento surgiu. A distorção e efeitos anexados à guitarra trouxeram uma leva de músicos ambientados com a pegada do rock como John McLaughlin, Larry Coryell, Joe Beck e Gabor Szabo entre tantos outros. Nos anos 70 o experimentalismo e uma música muito cerebral fariam se destacar Terje Rypdal, John Abercrombie, Mick Goodrick e, no meio disso tudo, o acústico Ralph Towner. A década de 80 e 90 trariam o domínio de músicos que estão aí até hoje: Pat Metheny, John Scofield, Bill Frisell, Robben Ford e etc.

Mas para que esse pequeno resumo histórico? Simples, para dizer que quando um guitarrista se destaca hoje em dia, ele traz consigo uma bagagem respeitável de desenvolvimento da linguagem do instrumento. Esse é o caso de Kurt Rosenwinkel. Graduado na Berkelee, em 1990 entra para o grupo do vibrafonista Gary Burton, músico que revelou 11 entre 10 grandes guitarristas desde os anos 60. Kurt é um músico completo, discorre desde o tradicional postbop até a música cerebralista no estilo da famosa gravadora ECM. Além disso é compositor de mão cheia, basta como exemplo a primeira faixa, Zhivago. Só nos resta então ouvir esse The Next Step onde ele atua à frente de um quarteto sem piano, com especial destaque para o sax tenor de Mark Turner e a bateria de Jeff Ballard. Kurt avança alguns degraus no desenvolvimento da guitarra jazz, mas sem nunca esquecer toda a escadaria construída pelos que vieram antes.

Kurt Rosenwinkel: Guitar, vocals; Mark Turner: Tenor Saxophone; Ben Street: Bass; Jeff Ballard: Drums
1. Zhivago
2. Minor Blues
3. A Shifting Design
4. Path Of The Heart
5. Filters
6. Use Of Light
7. The Next Step
8. A Life Unfolds
 
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Publicado por em 6 de fevereiro de 2009 em ben street, jeff ballard, kurt rosenwinkel, mark turner