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HotBeatJazz 10′ Series – Jimmy Raney Quartet – 10’LP NJLP 1101 (1954)

De toda a geração pós Charlie Christian, na década de 40 e 50, Jimmy Raney foi o mais espetacular do ponto de vista harmônico. Seu toque valorizava os acordes, com especial atenção aos acordes de passagem, levando as conquistas de Christian para a guitarra moderna um degrau acima. Tendo surgido numa época repleta de grande guitarristas como Barney Kessel, Billy Bauer, Tal Farlow, Sal Salvador, Johnny Smith, Herb Ellis, Irving Ashby, Mundell Lowe e outros, Raney logo se destacou como integrante do quinteto do saxofonista Stan Getz. Sua valorização da harmonia tinha no som cool do sax de Getz um perfeito contraponto que destacava seu estilo peculiar. Ao lado dos pianistas Al Haig e Horace Silver, Raney protagonizou os grandes momentos do quinteto de Getz no início da década de 50.

 

Em 1954, já atuando como líder de um quarteto, Raney gravou 3 composições orginais e um standard, Some Other Spring, para a pequena gravadora New Jazz, que mais tarde teria seu catálogo adquirido por Bob Weinstock, dono da Prestige. O quarteto era formado por Raney, que dobrava 2 vozes na guitarra gravadas em separado; Hal Overton ao piano, Teddy Kotick no contrabaixo e Art Mardigan na bateria.

 

Raney foi um dos mais instigantes guitarristas forjado nos anos de ouro deste instrumento na cena jazzística, trabalhou incansávelmente até 1995, quando faleceu estando ainda em plena forma, aos 68 anos de idade. Deixou um filho, Doug Raney, também excelente guitarrista, que continua o legado do pai, um dos maiores do instrumento de todos os tempos.

 

Hall Overton (p) Jimmy Raney (g) Teddy Kotick (b) Art Mardigan (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 28, 1954

 

1- Minor
2- Some Other Spring
3- Double Image
4- On The Square
 

HotBeatJazz 10′ Series – Billie Holiday & Stan Getz – Billie And Stan 10’LP Dale LP 25 (1951)

Enquanto o jazz instrumental foi predominantemente masculino o jazz vocalizado é uma área dominada pelas cantoras. As vozes femininas ditaram as regras da interpretação e da improvisação vocal desde o período do swing, quando uma boa orquestra de jazz não podia abrir mão de apresentar uma grande crooner na linha de frente. Até hoje três vozes reinam nesta área: Ella Fitzgerald com seu canto em scat, Sarah Vaughan com a ênfase na harmonia, e Billie Holiday na interpretação.

 

Billie nasceu em 1915 e começou a gravar discos acompanhada do pianista Teddy Wilson aos 20 anos de idade. Integrou as orquestras de Count Basie e Artie Shaw, e foi no período com Basie que iniciou sua amizade com o saxofonista Lester Young que manteria por toda sua vida. Acompanhada por Lester ela gravou seus mais perfeitos momentos no canto de baladas, sua maior especialidade. Seu canto era sofisticado, refinado, perturbador, erótico e com uma doçura amarga. Sua voz era rouca e étérea, com pinceladas de uma deliciosa perversidade. Sua dicção, perfeita. Um sentido de tempo e ritmo únicos, completavam as características que conferiam às suas interpretações uma experiência avassaladora. Billie faleceu em 1959, tendo atravessado por toda sua vida períodos de glória e de profunda depressão.

 

A gravação que trazemos mostra Billie acompanhada pelo saxofone que mais se aproximou do estilo de Lester Young, o som aveludado de Stan Getz. Gravado em Boston, em 1951, Billie se faz acompanhar pelo quinteto de Getz, formado pelo pianista Al Haig, o guitarrista Jimmy Raney, o contrabaixista Teddy Kotick e o baterista Tiny Kahn, em apresentação realizada em 29 de outubro daquele ano. Deste set com o quinteto de Getz, temos três faixas: You’re Driving Me Crazy, Lover Come Back To Me e Ain’t Nobody’s Business If I Do. Nas cinco faixas restantes, Billie foi acompanhada pelo seu trio, formado por Buster Harding ao piano; John Fields no contrabaixo e Marquis Foster na bateria.

 

Billie And Stan é um dos melhores registros da inigualável Billie Holiday em seu ambiente natural, um clube de jazz.

 

*Billie Holiday (vo) Stan Getz (ts) Al Haig (p) Jimmy Raney (g) Teddy Kotick (b) Tiny Kahn (d) “Storyville”, Boston, MA, October 29, 1951

 

Billie Holliday (vo) Buster Harding (p) John Fields (b) Marquis Foster (d)
“Storyville”, Boston, MA, October 31, 1951

 

1- You’re driving me crazy*
2- Lover come back to me*
3- Ain’t nobody’s bizzness if I*
4- He’s funny that way
5- Miss Brown to you
6- Detour ahead
7- Billie’s blues
8- Them there eyes
 

HotBeatJazz 10′ Series – Stan Getz – Chamber Music By The Stan Getz Quintet 10’LP RLP417 (1951-52)

Mais um ítem do fantástico quinteto de Stan Getz com gravações realizadas em duas datas para a Roost. Em 15 de agosto de 1951, Getz se apresentava a frente do quinteto formado por Horace Silver ao piano, Jimmy Raney na guitarra, Roy Haynes na bateria e um revezamento de dois contrabaixistas: Tommy Potter e Leonard Gaskin. No repertório registrado, três originais do saxofonista Gigi Gryce: Yvette, Wildwood e Melody Express. Uma composição de Horace Silver, Potter’s Luck, e o standard de Jerome Kern, The Song Is You.

A segunda sessão de gravação aconteceu em 19 de dezembro de 1952, com o quinteto sofrendo algumas alterações. Apenas Jimmy Raney permanecia da formação anterior, com o restante dos músicos sendo: Duke Jordan ao piano, Bill Crow no contrabaixo e Frank Isola na bateria. Foram feitas tomadas para dois standards: Autumn Leaves e These Foolish Things, além da clássica composição de George Shearing, Lullaby Of Birdland.

Todas as músicas foram gravadas ainda no período dos 78 rpm, o que limitavam sua duração a parcos 3 minutos. Porém são peças que fundamentaram a posição de Stan Getz como um dos saxofonistas que melhor soube adaptar a sonoridade de Lester Young ao idioma bop do jazz moderno. As gravações deste período consolidaram a posição de Stan Getz como um dos maiores instrumentistas do jazz e contribuíram para que ele ficasse conhecido como “The Sound“.

Stan Getz (ts) Horace Silver (p) Jimmy Raney (g) Tommy Potter or Leonard Gaskin (b) Roy Haynes (d)
NYC, August 15, 1951

 

*Stan Getz (ts) Duke Jordan (p) Jimmy Raney (g) Bill Crow (b) Frank Isola (d)
NYC, December 19, 1952

 

1- Yvette
2- Potter’s Luck
3- Wild Wood
4- Penny
5- Autumn Leaves*
6- Lullaby Of Birdland*
7- These Foolish Things*
8- Melody Express
 

HotBeatJazz 10′ Series – Stan Getz – Stan Getz Plays 10’LP MGC 137 (1952)

Stan Getz gravou para a Clef, gravadora do produtor Norman Granz (Clef, Norgran, Verve, Pablo), em dezembro de 1952, uma sessão à frente de um quinteto formado por Duke Jordan, ao piano; o inseparável Jimmy Raney, à guitarra; Bill Crow, ao contrabaixo; e Frank Isola, na bateria. Um repertório de primeira linha foi selecionado para a ocasião, composto inteiramente de standards, de gosto inquestionável e forte apelo popular. Clássicos como Stella By Starlight, The Way You Look Tonight, Body And Soul e Stars Fell On Alabama; caem como luva para o som macio, sensual e totalmente Lesteriano de Stan Getz, conhecido na época como: “The Sound”, por seu timbre aveludado e linhas melódicas impregnadas de lirismo e poesia.

 

Este é um verdadeiro clássico da discografia de Getz e um carro-chefe na HotBeatJazz 10′ Series.
Stan Getz (ts) Duke Jordan (p) Jimmy Raney (g) Bill Crow (b) Frank Isola (d)
NYC, December 12, 1952

 

1- ‘Tis Autumn (take 958-9)
2- The Way You Look Tonight (take 959-1)
3- Time On My Hands (take 957-3)
4- You Turned The Tables On Me (take 963-6)
5- Stars Fell On Alabama (take 962-6)
6- Lover Come Back To Me (take 960-3)
7- Body And Soul (take 961-2)
8- Stella By Starlight (take 956-3)

 

 Hot Beat Jazz

 

Jimmy Raney Trio – The Influence (1975)

Jimmy Raney nasceu em Louisville, Kentucky em 1927. No fim da década de 40 tocou nas orquestras de Artie Shaw, Woody Herman e no combo de Buddy de Franco, porém ganhou maior atenção em 51-52 atuando no quinteto do saxofonista Stan Getz ao lado do então jovem Horace Silver. Logo depois substituiu Tal Farlow no trio de Red Norvo e ainda trabalharia regularmente com Getz na década de 60. Músico de estilo pessoal, se notabilizou por uma forma econômica de tocar, evitando a execução de muitas escalas em velocidade e priorizando sempre o aspecto harmônico e linhas altamente melódicas. Jimmy faleceu em 1995, aos 68 anos, em sua cidade natal.
“The Influence” foi gravado em 1975 para o pequeno selo Xanadu com o formato de trio completado pelos craques Sam Jones ao contrabaixo e Billy Higgins na bateria. No repertório do álbum: standards e um original de Raney, “Suzane”, onde o guitarrista atua em solo sendo a guitarra dobrada com o artifício do overdubbing. O disco é um primor e uma aula de guitarra dedicada a dois elementos fundamentais na música: harmonia e melodia.
1- I Love You
2- Body and Soul
3- It Could Happen To You
4- Suzanne
5- Get Out of Town
6- There Will Never Be Another You
7- End of a Love Affair
8- Dancing In the Dark
 http://ouo.io/mpBCN
 
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Publicado por em 26 de fevereiro de 2009 em Billy Higgins, jimmy raney, sam jones