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Arquivo da categoria: Joe Farrell

Joe Farrell With Art Pepper – Darn That Dream (1982)

No dia 23 de março de 1982 um encontro muito especial acontecia em um estúdio de gravação na Califórnia. O saxofonista Joseph Carl Firrantello, mais conhecido como Joe Farrell, convidava o lendário altoísta Art Pepper para participar em 3 faixas de seu novo álbum, “Darn That Dream”. Esta seria a penúltima sessão de gravação de Art Pepper, que viria a falecer em 15 de junho daquele ano. Joe Farrell estava no auge de sua forma. Seu toque, profundamente influenciado por Coltrane, atingia o ápice que somente os grandes mestres conseguem se aproximar. Dono de um timbre vigoroso, que também fincava raízes no estilo de Sonny Rollins, um fraseado eloquente e extremamente dinâmico, trazia em sua música um amálgama perfeito das duas grandes escolas estilísticas do saxofone moderno. Art Pepper era já uma lenda do jazz desde sua travessia pelo árido deserto da luta para se livrar da adição à heroína, fato que desde os anos 40 o atormentou e o tirou de cena por diversas vezes, com condenações judiciais sucessivas: 1954–56, 1960-61, 1961-64 e 1964-65. Após passar por um longo tratamento na década de 70, voltou à luz de sua arte em 1975. Em seus 7 últimos anos de vida produziu o melhor de sua obra, em uma sucessão de momentos de grande arte, sejam em estúdios ou nos palcos dos clubes, diante de uma platéia sempre ávida por ouvi-lo. Sua estória foi narrada em uma autobiografia, transcrita e publicada por Laurie Pepper, sua última companheira em 1980, “Straight Life”. O álbum começa com “Section-8 Blues”, um tema complexo, com autoria creditada a todos os músicos envolvidos na sessão, notadamente os dois saxofonistas acrescidos do pianista George Cables, do contrabaixista Tony Dumas e do baterista John Dentz. O primeiro solo é de Pepper, que de pronto deixa claro que havia transcendido de sua influência de Charlie Parker e anexado as conquistas harmônicas modais de Coltrane ao seu vocabulário. O tema parece ter saído da pena de McCoy Tyner, o solo de Farrell é intenso, assim como o drumming imposto por John Dentz. A balada que dá nome ao álbum é veículo exclusivo para o sax alto de Pepper, em uma interpretação languida e emotiva. O pianista faz sua intervenção de 1 chorus atendo-se ao clima e dinâmica definidos por Pepper. “Mode For Joe”, a bela e instigante composição de Cedar Walton em homenagem ao saudoso Joe Henderson, tem Farrell solando primeiro e apresentando as amplas extensões harmônicas, tão bem utilizadas pelo homenageado. Pepper explora os registros mais graves de seu instrumento no início de um solo de maravilhosa concepção estética. Esta é a última participação de Art Pepper na sessão. “Blue & Boogie”, de Paparelli e Dizzy Gillespie, mostra a desenvoltura do quarteto no bebop, com Cables mostrando ecos de Bud Powell e John Dentz seu conhecimento sobre o estilo de Kenny Clarke. “You Stepped Out Of A Dream” tem o tema apresentado sobre um groove latino de intenso swing. Cables, Tony Dumas e Dentz apresentam performances vigorosas. “Someday My Prince Will Come” é o veículo para Farrell apresentar sua imensa capacidade de pordução de idéias musicais. Sua improvisação é fluida, rica melódica e harmônicamente. “On Green Dolphin Street”, de Bronislaw “Invitation” Kaper, com sua harmônia espetacular – como é praxe nas composições de Kaper – inicia com uma improvisação modelar de George Cables, Farrell se concentra no aspecto melódico da composição enquanto Dentz não deixa espaço carente de pulsação. Tony Dumas tem 1 chorus de improvisação antes de voltarem ao tema para sua finalização. O álbum encerra com um original de Farrell, a latina “Fun For One And All”, tema baseado em melodia popular caribenha. Podemos ver a sombra de Sonny Rollins enquanto ouvimos Farrell improvisar vigorosamente. Joe Farrell faleceria 4 anos após vitimado de câncer nos ossos, deixando a cena musical quando atingia a plenitude de sua maturidade como músico.
“Darn That Dream” é um registro especialíssimo na obra destes dois gigantes que foram Art Pepper e Joe Farrell.
Art Pepper (as) Joe Farrell (ts) George Cables (p) Tony Dumas (b) John Dentz (d) Los Angeles, CA, March 23, 1982
1- Section-8 Blues (A. Pepper- J. Farrell – J. Dentz – G. Cables – T. Dumas)
2- Darn That Dream (Eddie DeLange – Jimmy Van Heusen)
3- Mode For Joe (C. Walton)
4- Blue & Boogie (F. Paparelli – D. Gillespie)
5- You Stepped Out Of A Dream (G. Kahn – H. Brown)
6- Someday My Prince Will Come (L. Morey – F. Churchill)
7- On Green Dolphin Street (B. Kaper – N. Washington)
8- Fun For One And All (J. Farrell)
 
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Publicado por em 20 de dezembro de 2009 em Art Pepper, George Cables, Joe Farrell, John Dentz, Tony Dumas

 

Pat Martino Quintet – Strings! (1967)

“Strings!” é o segundo álbum do guitarista Pat Martino como líder, gravado em 1967, à frente de um quinteto com Joe Farrell, sax tenor e flauta; Cedar Walton, piano; Ben Tucker, contrabaixo e Walter Perkins, bateria. Pat Martino é dono de técnica pessoal, de fraseado musical articulado e lírico, além de compositor original, como atestam os 4 temas de sua autoria gravados na sessão. Completam o repertório do álbum, um bebop de Gigi Gryce, “Minority”; a faixa título, um soul-jazz, ítem obrigatório nos discos da segunda metade da década de 60; “Querido” um samba-jazz com tintas do beco das garrafas; “Lean Years”, um hardbop e a belíssima balada “Mom”, de melodia altamente lírica. Confira a guitarra personalíssima de Pat Martino, ainda no engatinhar de uma carreira, que apesar dos revezes, se revelou vitoriosa e influente na evolução da guitarra jazz.
Joe Farrell (ts, fl) Cedar Walton (p) Pat Martino (g) Ben Tucker (b) Walter Perkins (d) Ray Appleton, Dave Levin (per -1)
NYC, October 2, 1967
1. Strings (P. Martino)
2. Minority (G. Gryce)
3. Lean Years (P. Martino)
4. Mom (P. Martino)
5. Querido (P. Martino)

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