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Arquivo da categoria: jota moraes

Claudio Roditi – Day Waves (1991)

Falar no trompetista Cláudio Roditi é chover no molhado. Tudo sobre ele já foi dito, publicado, comentado, ouvido. Quase tudo. Que ele é hoje um dos mais requisitados trompetistas da área de NYC, notícia sabida. Mas “Day Waves” tem algo de inusitado , lançado por pequeno selo do produtor Arnaldo de Souteiro, teve tiragem e distribuição restrita. Foi gravado no Rio de Janeiro em setembro de 91, com Roditi montando dois grupos para interpretar clássicos do jazz, da música brasileira e dois originais, um dele e um de Jota Moraes.
Um arranjo de músicos mais voltados para uma pegada straight-ahead e outro com groove brazilian-jazz. Os músicos fixos em ambas sessões foram: Mauro Senise, sax alto e flauta, sempre no canal direito, e o baterista Pascoal Meirelles. A grande diferença nos combos se faz sentir na troca dos instrumentos de harmonia, no combo jazzy: o pianista Osmar Milito e o baixo acústico do internacional Sérgio Barroso, e no combo samba-jazz: o piano de Jota Moraes e o baixo elétrico de Arthur Maia. No combo straight-ahead participa o altoísta francês, radicado carioca do humaitá, Idriss Boudrioua, sempre no canal esquerdo. O repertório fala por si só. No combo jazzy: “Day Waves” de Chick Corea, “Yesterdays” de Jerome Kern, Ana Luiza de Tom Jobim, All Blues de Miles Davis, “Ah, So” de Horace Silver e “Herzog” de Bobby Huctherson. No samba-jazz: “Ceora” de Lee Morgan, “Sue Ann” de Tom Jobim, “I Love You” de Cole Porter, o blues-baião “Lambari Blues” de Roditi, a “Conceição” do Jair Amorim e Dunga, “Theme For Leny” de Jota Moraes dedicada à Leny Andrade e “A Hug For Cláudio” de Thiago de Mello.
Não preciso dizer mais nada! É ir ouvir!

Cláudio Roditi (tp, fh); *Osmar Milito (p); **Jota Moraes (p, el-p); *Sérgio Barroso (b); **Arthur Maia (el-b); Pascoal Meirelles (d); Mauro Senise (as, fl), *Idriss Boudrioua (as)

1- *Day Waves (Chick Corea)
2- *Yesterdays (Jerome Kern)
3- **Ceora (Lee Morgan)
4- *Ana Luiza (Tom Jobim)
5- *All Blues (Miles Davis)
6- **Sue Ann (Tom Jobim)
7- *Ah, So (Horace Silver)
8- **I Love You So (Cole Porter)
9- **Lambari Blues (Roditi)
10- **Conceição (Dunga – Jair Amorim)
11- *Herzog (Bobby Hutcherson)
12- **Theme For Leny (Jota Moraes)
13- **A Hug For Cláudio (Roditi)

 

Victor Assis Brasil Quarteto – Pedrinho (1980)

Continuando a mostrar a discografia do saudoso saxofonista Victor Assis Brasil, no post de 01 de Fevereiro postamos seu disco de estréia, chega a vez de “Pedrinho” o último trabalho gravado do músico. Pedrinho traz Victor a frente de um quarteto completado por Jota Moraes no piano, Paulo Russo no contrabaixo e Ted Moore na bateria. Paulo e Ted já faziam parte do grupo regular e Jotinha substituía Fernando Martins. “Pedrinho”, dedicado ao irmão caçula de Victor, foi gravado em finais de 79 e lançado no ano seguinte pela EMI, na esteira do grande sucesso alcançado pelo quarteto no I Festival de Jazz de São Paulo. O disco abre em uma enérgica interpretação de “It’s allright with me” de Cole Porter, num andamento rápido comparavel às melhores gravações do tema por expoentes do hardbop com a sonoridade de Victor transitando entre a de um Phil Woods e um Jackie McLean. Em seguida “Nada será como antes”, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, em levada de samba-jazz ultra moderno com o saxofonista mostrando o melodista especial que foi. O baixo de Paulo Russo mostra sua influência pelo som de Scott LaFaro. O compositor Victor Assis Brasil está presente em dois temas do álbum. Na faixa título, sua homenagem ao irmão caçula é de beleza e lirismo ímpares, não há improviso, somente o sax soprano e o vibrafone de Jotinha provendo a harmonia. “Penedo”, também no sax soprano, traz uma atmosfera diferente, o tema é de uma complexidade que somente músicos muito gabaritados podem encarar, música modal com muitas variações de andamento e uma harmonia que se move o tempo todo, coisa de gênio. A composição de Dori Caymmi, “O Cantador”, de melodia magistral, é um dos pontos altos desse maravilhoso álbum, o quarteto toca com uma unidade e interação só atingida por músicos fora de série, o solo de Jotinha é primoroso. Ainda havia espaço na fita para dois standards clássicos do jazz, “S’Wonderful”, dos irmãos Gershwin e “Night and day”, novamente Cole Porter em levada samba-jazz-straight-ahead. Esse canto do cisne de Victor é um dos melhores discos de jazz gravado no Brasil em todos os tempos, e olha que grandes discos foram produzidos por aqui! O quarteto tem uma performance rara, tudo de qualidade excepcional. Um álbum de cinco mil estrelas!
Victor assis Brasil – sax alto e soprano; Jota Moraes – piano e vibrafone; Paulo Russo – contrabaixo; Ted Moore – bateria
1 It’s all right with me (Cole Porter)
2 Nada será como antes (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos)
3 Pedrinho (Victor Assis Brasil)
4 S’wonderful (Ira Gershwin – George Gershwin)
5 Penedo (Victor Assis Brasil)
6 O cantador (Nelson Motta – Dori Caymmi)
7 Night and day (Cole Porter)

 
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Publicado por em 13 de fevereiro de 2009 em jota moraes, paulo russo, ted moore, victor assis brasil