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HotBeatJazz 10′ Series – Sonny Rollins Quintet – 10’LP PRLP 186 (1954)

Théodore Walter – mais conhecido como Sonny – Rollins, nasceu em New York, em 1929. Quando adolescente, se reunia com seus amigos de vizinhança para tocar jazz, era uma turma de peso: Kenny Drew, Jackie McLean, Art Taylor, e o irmão caçula do gênio do piano bop Bud Powell, Richie Powell. Era uma rapaziada tão endiabrada que aos 19 anos Sonny já estava apto a tocar com grandes nomes do jazz como Bud Powell, Fats Navarro e J. J. Johnson. Foi contratado em 1950 por Bob Weinstock para fazer parte do catálogo da gravadora Prestige, onde produziria boa parte de sua obra, definitiva e fortemente influenciadora na formação dos saxofonistas modernos.

 

O LP em foco, foi gravado em agosto de 1954, com Rollins liderando um quinteto que trazia na linha de frente, a seu lado, o exímio trompetista Kenny Dorham. Dorham foi um músico bastante negligenciado, seu toque se equipara aos grandes estilistas do instrumento, é dono de um fraseado meticulosamente elaborado, emissão e timbre perfeitamente trabalhados, e um dos maiores quando o assunto é tocar bebop. A seção rítmica traz outro “underrated”, o pianista Elmo Hope, outro Nova Iorquino, forjado nos anos de ouro do bebop. Hope não conseguiu ter uma carreira regular, gravou pouco e faleceu prematuramente, em 1967, vítima de pneumonia. O contrabaixo foi executado pelo seguro e competente Percy Heath, e na bateria, atuando sob seu nome de adoção no islamismo por questões contratuais, Abudullah Buhaina, mais conhecido como Art Blakey.

 

Movin’ Out abre o disco, um bebop de tirar o fôlego, onde Rollins mostra a profunda influência de Charlie Parker em sua maneira de tocar. Kenny Dorham tem uma participação luminar, com um solo primoroso em arquitetura melódica. Elmo mostra economia nos acompanhamentos da mão esquerda, enquanto com a direita produz um fraseado percurssivo de intenso swing.

 

Swinging For Bumsy é outro bebop onde Rollins e Dorham pairam absolutos. O solo de Kenny é um dos pontos altos da sessão, um fraseado completo, com stacattos e legattos intercalados, mostrando o absoluto domínio da técnica. Mais uma vez Elmo Hope executa uma mão esquerda que chega a sugerir o antigo estilo stride.

 

Silk ‘N’ Satin é a balada da sessão, Rollins paga seu tributo a Dexter Gordon, um dos maiores baladistas do tenor moderno e grande influência na maneira de Rollins tocar.

 

Solid, é uma das mais instigantes composições de Sonny Rollins, na essência um bebop, porém já apontando na direção do hardbop. A bateria de Blakey faz acentuações primorosas, cruzando um terreno onde ele é mestre absoluto.

 

Esta gravação do quinteto de Sonny Rollins foi uma das responsáveis por vários músicos, principalmente os saxofonistas, torcerem o pescoço na direção de um som nôvo, vigoroso, que começava a ecoar e que viria a influenciar várias gerações de músicos.

* Uma excelente biografia de Elmo Hope pode ser encontrada no Jazz + Bossa +Baratos Outros

Kenny Dorham (tp) Sonny Rollins (ts) Elmo Hope (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, August 18, 1954

 

1- Movin’ Out (take 606)
2- Swinging For Bumsy (take 607)
3- Silk ‘N’ Satin (take 608)
4- Solid (take 609)
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Horace Silver And The Jazz Messengers (1954-55)

Como dito no post do quarteto de Hank Mobley, ao final de 1954 o pianista Horace Silver era contratado para se apresentar regularmente no club Minton’s Playhouse, berço do bebop nos anos quarenta, na 52nd street, NYC. Tendo iniciado sua carreira discográfica no combo de Stan Getz em dezembro de 1950 e permanecido acompanhando “The Sound” por todo o ano seguinte, em 1952 Horace iniciou sua longa associação com a Blue Note no quarteto do saxofonista Lou Donaldson. No mes de outubro do mesmo ano, o jovem de apenas 24 anos, já produzia 2 sessões de gravação como líder de um trio que contava com o experiente baterista Art Blakey. Em janeiro de 53 se apresenta com o quinteto de Lester Young no Birdland, grava com o grupo de Sonny Stitt em março, participa do sexteto de Howard McGhee em uma nova gravação para a Blue Note em maio, grava com o quinteto de Al Cohn para a Savoy em junho, volta a se apresentar com “Pres” no Birdland em julho, e termina o ano com mais uma gravação em trio com Art Blakey em novembro. O jovem inicia 1954 com seu nome já consolidado na competitiva cena musical de NYC. Uma gravação para a Prestige com o quinteto do trompetista Art Farmer em janeiro antecede a histórica gravaçaõ com o quinteto de Art Blakey no Birdland em fevereiro, ao lado de Clifford Brown, Lou Donaldson e Curley Russell. Em março, é o escolhido para duas sessões da Blue Note integrando o quarteto de Miles Davis, que deram origem ao álbum “Blue Haze”. Mais uma gravação com Art Blakey para a EmArcy no final de março, e em abril duas novas datas agora com o quinteto e sexteto de Miles Davis, que deram origem ao clássico álbum da Prestige, “Walkin'”. Em 30 de abril, para a Savoy, participa do quinteto de Phil Urso-Bob Brookmeyer, em maio é a vez do quinteto de Art Farmer-Gigi Gryce para a Prestige, Clark Terry o convoca em junho, ainda no mesmo mes Art Farmer o reconvoca, e Milt Jackson também. Antes que junho termine, Miles Davis torna a usar de seus serviços na gravação para a Prestige do também clássico “Miles Davis And The Modern Jazz Giants”. Depois desta maratona vem a gig acima mencionada no Minton’s, até que em 14 de novembro, a Blue Note o convoca para que organize um quinteto e grave a primeira, de duas sessões, que formariam seu primeiro álbum como líder de um combo, os Jazz Messengers, que faria história pelos próximos 45 anos, sob a liderança de Art Blakey. O nome, tirado de uma antiga banda liderada por Art em finais da década de 40, tinha agora a conotação de uma cooperativa musical levada a cabo por Silver, Blakey, o experiente trompetista Kenny Dorham, o contrabaixista Doug Watkins, parceiro de Silver no quarteto do Minton’s, assim como o jovem saxofonista Hank Mobley. Silver protagoniza a função de diretor musical do grupo, compondo 7dos 8 temas gravados nas duas datas q formaram o repertório do álbum, a exceção é “Hankerin'”, de Mobley. Do disco fazem parte duas composições que virariam verdadeiros cavalos de batalha durante toda a carreira de Silver: “Doodlin'” e “The Preacher”. O desempenho de músicos deste porte dispensa comentários, a qualidade das composições, ídem. São peças clássicas no repertório do jazz moderno e o engatinhar de um novo estilo que dominaria o restante da década de 50 e boa parte da seguinte. Horace completou no último 2 de setembro, 81 anos de idade, e está ativo e muito bem, obrigado!
Kenny Dorham (tp) Hank Mobley (ts) Horace Silver (p) Doug Watkins (b) Art Blakey (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, November 13, 1954
*Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, February 6, 1955
1- Room 608 (H. Silver)
2- Creepin’ In (H. Silver)
3- Stop Time (H. Silver)
4- To Whom It May Concern (H. Silver)*
5- Hippy (H. Silver)*
6- The Preacher (H. Silver)*
7- Hankerin’ (H. Mobley)*
8- Doodlin’ (H. Silver)
 
 

Toshiko Akiyoshi Quintet – Toshiko At Top Of The Gate (1968)

Em 12 de dezembro próximo, a pianista, compositora, arranjadora e band leader, Toshiko Akiyoshi completará 80 anos de idade e 73 de vida dedicada à música. Toshiko nasceu em Liaoyang, Manchúria, na China ocupada pelos japoneses. Após a segunda guerra mudou-se para Beppu, Japão, cidade de origem de seus pais, e lá começou sua atividade profissional aos 16. Em 1952 o pianista Oscar Peterson em turnê pelo Japão a ouviu e ficou impressionado com o talento da jovem e convenceu o produtor Norman Granz a grava-la em seu selo, o que aconteceu em 53. Em 55 Toshiko escreveu uma carta ao proprietário da Berkelee School of Music solicitando uma chance para estudar, foi atendida com uma bolsa de estudos completa assim como recebeu pelo correio a passagem aérea. Em janeiro de 1956 Toshiko Akyoshi tornava-se a primeira japonesa a estudar na prestigiada escola. Casou-se com o saxofonista Charlie Mariano em 59 e tocaram juntos em diversas ocasiões até o divórcio, em 67. Em 69 casa com, o também saxofonista, Lew Tabackin, com quem fundaria e manteria uma Big Band por 30 anos. Nesta orquestra Toshiko desenvolveria seu lado de compositora e arranjadora e seria premiada diversas vezes pela altíssima qualidade de seu trabalho. “Toshiko At Top Of The Gate” é a gravação de uma apresentação de seu quinteto durante o período de namoro com Tabackin e tem em seus integrantes músicos de primeira qualidade como o trompetista Kenny Dorham, o contrabaixista Ron Carter, o baterista Mickey Roker e Lew Tabackin. O repertório traz cinco originais de Toshiko, duas composições brasileiras – “Insensatez”, de Jobim e “Manhã de Carnaval”, de Luis Bonfá; o standard “Willow Weep for Me” e um tema de musical da Broadway, “The Night Song”. A atmosfera na maioria dos originais da pianista é de puro hardbop, com o toque do trompete de Dorham nos trazendo uma sonoridade dos Jazz Messengers e Lew Tabackin mostrando o fraseado muito bem articulado que lhe é característico. “Toshiko At Top Of The Gate” é um momento de grande música desta jovem senhora que ainda está em atividade e em grande forma. Vida longa à grande Toshiko Akiyoshi!
Toshiko Akiyoshi – piano; Kenny Dorham – trumpet; Lew Tabackin – tenor saxophone, flute; Ron Carter – bass; Mickey Roker – drums
Recorded 30 July 1968
1- Introduction
2- Opus No. Zero
3- The First Night
4- Phrygian Waterfall
5- Let’s Roll in Sake
6- How Insensitive
7- Morning of the Carnival
8- The Night Song
9- Willow Weep for Me
10- My Elegy

 

 

Kenny Dorham Quartet – Quiet Kenny (1959)

O texano de Fairfield foi um músico muito atuante na cena bebop da segunda metade da década de quarenta, tendo atuado na orquestra de Dizzy Gillespie em 1945 e em vários combos bebop ao lado de Fats Navarro, Bud Powell, Sonny Stitt e outros. No final da década substituiu Miles no quinteto de Charlie Parker, com quem se apresentou no Festival de Jazz de Paris. Problemas de saúde relacionados a dependência química o afastaram da música até 1954 quando substitutiu Clifford Brown no quinteto de Art Blakey, ainda com Blakey trabalhou nos Jazz Messengers e montou seu próprio combo Jazz Prophets. Em 1956 substitui novamente Clifford no quinteto de Max Roach em decorrência da morte prematura deste. Na década de sessenta enfrentou sérios problemas de saúde que novamente o afastaram da música tendo retornado à cena em 1966. Faleceu em 1972 devido a insuficiência renal aos 48 anos.
Quiet Kenny é uma gravação realizada em 1959 e conta com uma excelente seção rítmica com o pianista Tommy Flanagan, o baixista Paul Chambers e o baterista Art Taylor. Podemos ouvir um Kenny Dorham maduro musicalmente, projetando as idéias com naturalidade e abandono. Sua composição Lotus Blossom se tornou um clássico do repertório jazzístico, Blue Friday e Blue Spring Shuffle são as outras composições do líder no álbum. Um álbum com tal título não poderia dispensar as baladas e em My Ideal podemos ouvir o lirismo do trompetista de forma límpida. Old Folks tem uma interpretação muito inspirada, Alone Together em andamento lento e I Had The Craziest Dream completam o set de baladas. Um espirituoso Mack The Knife encerra a audição com solo vigoroso de Kenny Dorham e o suporte sempre perfeito do trio rítmico.
Kenny Dorham não teve o reconhecimento merecido de seu valor como artista pelo grande público, não obtendo a mesma popularidade de um Dizzy, Lee Morgan, Clifford Brown, Freddie Hubbard e etc, mas seu estilo melódico e emotivo foi reconhecido pelos músicos, gravando com Thelonious Monk, Sonny Rollins, Tadd Dameron, John Coltrane, Max Roach e até músicos de vanguarda como Cecil Taylor.
Kenny Dorham (tp) Tommy Flanagan (p) Paul Chambers (b) Art Taylor (d) Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, November 13, 1959
1- Lotus Blossom
2- My Ideal
3- Blue Friday
4- Alone Together
5- Blue Spring Shuffle
6- I Had The Caziest Dream
7- Old Folks
8- Mack The Knife
 
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Publicado por em 4 de março de 2009 em art taylor, kenny dorham, paul chambers, tommy flanagan

 

Kenny Dorham Quintet – Trompeta Toccata (1964)

O trompetista Kenny Dorham nasceu na cidade de Fairfield no Texas em 1924, em 45 já estava na Big Apple atuando na orquestra de Dizzy Gillespie, transformando-se em um típico músico de bebop. Tocou com Fats Navarro, Bud Powell, Sonny Stitt e outros expoentes do gênero até que, no final da década de 40, integrou o quinteto de Charlie Parker em substituição a Miles Davis. No início dos anos 50 esteve afastado da música por problemas com drogas e reapareceu na cena em 54, substituindo Clifford Brown nos Jazz Messengers. Logo em seguida substituiria Clifford novamente no quinteto com Max Roach. Após outro período afastado da música, por razões de doença, tentou voltar ao jazz em tempo integral, mas devido a problemas renais, que exigiram uma série de sessões de hemodiálise, faleceu em dezembro de 1972, aos 48 anos. Um dos melhores trompetistas do jazz, Dorham não teve o reconhecimento merecido por parte do grande público, tendo se tornado uma espécie de músico de músicos, gravando com Thelonious Monk, Sonny Rollins, Tadd Dameron, Hank Mobley e até Cecil Taylor. Trompeta Toccata, de 1964, é um de seus melhores discos, gravado ao lado do exímio saxofonista Joe Henderson e do melódico pianista Tommy Flanagan.
Kenny Dorham (tp) Joe Henderson (ts) Tommy Flanagan (p) Richard Davis (b) Albert “Tootie” Heath (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, September 14, 1964
1.Trompeta Toccata
2.Night Watch
3.Mamacita
4.The Fox