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HotBeatJazz 10′ Series – Sonny Rollins Quartet – 10’LP PRLP 137 (1951)

Mais uma vez nos voltamos à música de Walter Theodore “Sonny” Rollins, desta feita em sessão gravada para a Prestige em 1951. Sonny começou a tocar saxofone alto aos 11 anos de idade, em 1941, em 1946 mudou para o sax tenor, intrumento do qual viria a se tornar um dos maiores estilistas que o jazz já conheceu. Cresceu no Harlem, em NYC, ao lado de outros grande músicos que viriam a se destacar na década de 50, como o pianista destas faixas, Kenny Drew. Aos 14 anos, Rollins foi profundamente impactado pela música de Charlie Parker que passaria a exercer uma grande influência em seu estilo, assim como músicos mais antigos como Lester Young e Coleman Hawkins. Inciou sua carreira discográfica em 49, na orquestra do cantor Babs Gonzales, no mesmo ano ainda particparia de sessões no combo do trombonista J. J. Johnson e do pianista Bud Powell, um grande incentivador de Rollins. Em 1950, Rollins não participa de nehuma gravação, virginianamente perfeccionista, dedica-se ao estudo e prática em retiro, atitude que voltaria e tomar em 1961, quando seu hábito diário de ir praticar em solitário com seu sax na ponte Williamsburg aos fins de tarde, se converteria rápidamente em uma das mais românticas lendas do jazz.

 

Em 17 de janeiro de 1951, Miles Davis, um de seus mais ferrenhos admiradores de primeiro momento, o convida para participar de uma sessão integrando um sexteto. É desta data a gravação de I Know, em uma tomada em quarteto com Miles Davis tocando o piano, e Percy Heath e Roy Haynes completando a seção rítmica.

 

Onze meses depois, em 17 de dezembro, também em quarteto, Rollins gravaria as sete faixas restantes deste 10 polegadas. Quatro standards, baladas em sua maioria, e três temas originais: Shadrak, Scoops e Newk’s Fadeaway. Estava acompanhado pelo amigo de infância Kenny Drew ao piano, novamente Percy Heath ao contrabaixo e Art Blakey na bateria. Time On My Hands tem a mais bela e contundente interpretação em sax tenor que tenho conhecimento. This Love Of Mine é puro lirismo, num amálgama de Lester Young e certos ornamentos à la Parker. Shadrack é um tema bop por excelência com precioso trabalho de Rollins e Drew, pontuados ao estilo peculiar de Blakey. On A Slow Boat To China é apresentado em andamento rápido, com Rollins mostrando fluência e arquitetura de fraseado original antes do solo de Drew e das breves trocas com o piano antes do encerramento. Scoops é um blues com melodia típicamente bebop, Drew mostra brevemente o quanto absorveu de Bud Powell, antes das trocas de fours entre Rollins e Blakey.

 

Todas estas faixas foram lançadas ainda na fase do 78 rpm, estando portando dentro do esquema de duração não maior do que três minutos e meio. Nelas pode-se perceber o quão difícil era para um jazzista desenvolver seu improviso em tão poucos choruses, sendo o poder de síntese o que separava os homens dos garotos. Rollins foi um dos grandes homens do período, sendo ainda um garoto. Hoje, às vésperas de completar 80 anos, em 7 de setembro próximo, está ativo e se apresentando pelo mundo, mostrando uma música vigorosa e atual, que sómente pode ser produzida por um veterano, mas em espírito de garoto.
Sonny Rollins (ts) Kenny Drew (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Apex Studios, NYC, December 17, 1951

 

*Sonny Rollins (ts) Miles Davis (p) Percy Heath (b) Roy Haynes (d)
Apex Studios, NYC, January 17, 1951
1- Time on My Hands
2- This Love of Mine
3- Shadrack
4- On a Slow Boat to China
5- Scoops
6- With a Song in My Heart
7- Newk’s Fadeaway
8- I Know*

 

 

Kenny Drew Quintet – Undercurrent (1960)

Kenny Drew é mais um caso, entre muitos, de músico com grande respeito e apreço por parte do meio jazzístico especializado e ao mesmo tempo praticamente ignorado pelo ouvinte eventual e público em geral. Você nunca encontrará um cd ou fascículo em banca de jornal com seu nome mas corre-se sempre o risco de encontrá-lo como sideman de algum nome de reconhecimento mais abrangente. Drew teve, assim como sua referência de piano moderno Bud Powell, um aprendizado formal em música desde muito novo. Nascido em 1928 na Nova Iorque onde na sua adolescência reinavam nos clubs e transmissões de rádio Fats Waller e Art Tatum, suas primeiras influências, nos anos 40 começa a circular pela cena musical com seus colegas e vizinhos Sonny Rollins, Jackie McLean, Art Taylor e Walter Bishop Jr. Ele é um legítimo integrante de uma geração chamada por Jackie McLean de Bebop Babies. Drew grava sua primeira participação em estúdio em um álbum do trompetista Howard McGhee ao lado de músicos como J.J. Johnson e Max Roach em 1950. Nessa mesma época faz algumas apresentações com Charlie Parker e a partir de então sua carreira decola, durante toda a década será um requisitado sideman para importantes selos como Blue Note e Riverside. Drew mudou-se para a europa em 1961 e lá permaneceu até sua morte em 4 de agosto de 1993.

Undercurrent é uma típica sessão de hardbop puro com músicos já bastante entrosados, uma sessão really blowin, como se usa chamar em jargão jazzístico. O tema título do álbum, que abre o disco, é um bebop da melhor estirpe, construído em tonalidade menor e de groove rápido. Hubbard mostra suas habilidades no bebop e Drew deixa claro a ponte estilística que construiu ao unir Tatun e Bud Powell. “Funk-Cosit” mantém a tonalidade menor porém o andamento agora é puro relax, Drew mostra que apesar de suas influências de estilo veloz também aprendeu com nomes como Horace Silver e Sonny Clark o toque de sabor bluesy e funky. “Groovin’ The Blues” é veículo perfeito para todos os solistas, o clássico blues em tom menor. Todo o talento do compositor Drew vem a tona na melancólica e linda “Ballade”, por instantes não sabemos se estamos ouvindo Drew ou McCoy Tyner tal a similaridade de estilo, mas quando pensamos que essa característica talvez tenha impulsionado Coltrane a escolhe-lo como pianista do célebre álbum Blue Train, logo percebemos que se trata do Drew também pianista de vanguarda.

Tudo nesse álbum é simples e padrão. O esquema da sessão? Padrão Blue Note, 6 temas por disco, 3 originais hard bop, 1 balada, 1 blues e 1 tema de groove funky ou Rythm’n’Blues. É isso, deu certo com Horace Silver, Lee Morgan, Jackie McLean…todo mundo. É como eu disse, tudo padrão ……….. de QUALIDADE!

Freddie Hubbard (tp) Hank Mobley (ts) Kenny Drew (p) Sam Jones (b) Louis Hayes (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, December 11, 1960
1. Undercurrent
2. Funk-Cosity
3. Lion’s Den
4. Pot’s On
5. Groovin’ the Blues
6. Ballade
 
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Publicado por em 19 de janeiro de 2009 em freddie hubbard, hank mobley, kenny drew, louis hayes, sam jones