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Arquivo da categoria: Larry Bunker

HotBeatJazz 10′ Series – Gerry Mulligan And His Ten-Tette – Capitol H439 (1953)

O baritonista, arranjador e compositor Gerry Mulligan foi alçado a repentino sucesso de crítica e público em 1952, após montar seu pianoless quartet do qual fazia parte o trompetista Chet Baker. Sendo já uma referência entres os músicos, que apreciavam a extrema categoria e qualidade de sua escrita, Mulligan foi com este quarteto apreciado e ovacionado pelo público americano e, posteriormente, mundial. O quarteto pode evidenciar a qualidade de instrumentista de Muligan como saxofonista, porém o arranjo e a composição eram as principais atividades a que ele próprio se dedicava. Já havia escrito para orquestras, para o noneto de Miles Davis em 49-50, montado uma big band, e iniciado sua carreira como líder em 1951, gravando para a Prestige. Após o ano de 1952 ter sido praticamente dedicado a seu quarteto, Mulligan iniciava 1953 com o projeto de um grupo de tamanho médio, 10 músicos, excecutando suas composições e arranjos, algumas delas já gravadas com o quarteto. A este combo foi dado o nome de Ten-Tette.

 

Para tanto Mulligan recrutou parte da nata dos músicos estabelecidos na Califórnia, quase todos com importantes passagens pelas orquestras de Stan Kenton e Woody Herman, os maiores celeiros de solistas do west-coast jazz. A instrumentação era original: 2 trompetes, 1 trombone de válvulas, 1 french-horn, 1 tuba, 1 sax alto, 1 sax barítono, contrabaixo, bateria, e Mulligan atuando hora no sax barítono ou no piano. Pela primeira vez Mulligan se apresentava em gravação atuando ao piano, este que fora seu primeiro instrumento e no qual ele se mostrava muito competente, revelando fortes traços da influência de Duke Ellignton, fato posteriormente admitido pelo próprio Mulligan. Seus arranjos são cheios de luz e suavidade, com os músicos atuando com evidente empenho na execução de suas partituras, e sua música, apesar de altamente organizada e arranjada, dava amplos espaços para os solistas do grupo.
Estas oito faixas foram produzidas por Gene Norman e gravadas nos suntuosos estúdios da Capitol, na Melrose Avenue, em Hollywood. Dividas em duas sessões de gravação ocorridas em 29 e 31 de janeiro de 1953, com o mesmo grupo de músicos, à exceçao do baterista – Chico Hamilton no dia 29 e Larry Bunker no dia 31. Vale destacar as atuações excepcionais dos trompetistas Chet Baker e Pete Candoli, assim como do saxofonista alto Bud Shank, e um novo arranjo para Rocker, anteriormente gravada com o noneto de Miles Davis. O standard Takin’ A Chance On Love tem um arranjo absolutamente original. Walkin’ Shoes, que já havia sido gravada com o quarteto, ganha novas cores e personalidade, e se tornaria um clássico no repertório de Mulligan. Todas as cinco composições restantes trazem a marca de gênio deste verdadeiro gigante do jazz.

 

Chet Baker, Pete Candoli (tp) Bob Enevoldsen (vtb) John Graas (frh) Ray Siegel (tu) Bud Shank (as) Don Davidson (bars) Gerry Mulligan (bars, p) Joe Mondragon (b) Chico Hamilton (d) Larry Bunker (d) *
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, January 29, 1953
Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, January 31, 1953*

 

1- Taking A Chance On Love*
2- Rocker
3- Ontet*
4- Flash*
5- Simbah*
6- A Ballad
7- Westwood Walk
8- Walkin’ Shoes

 

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HotBeatJazz 10′ Series – Art Pepper Quintet – 10′ LP DL3023 (1954)

O saxofonista Art Pepper nasceu em 1925, na California, e já na metade da década de 40 era um músico de estilo formado e cobiçado por algumas orquestras que atuavam na costa oeste como as de Benny Carter e Stan Kenton. Foi atuando com Kenton que Pepper entrou pela primeira vez em estúdio, aos 18 anos de idade, para gravar Harlem Folk Dance, em 1943. Por esta época seu toque sofria a influência do saxofonista Lee Konitz, até que ao final da década o fraseado de Charlie Parker o havia arrebatado de forma avassaladora. Nos anos 50 e 60, Pepper manteve uma carreira muito irregular em decorrência de sucessivas prisões e internações em clínicas para dependentes em narcóticos. Não obstante, foi considerado como o mais importante sax alto do jazz west coast, dividindo esse posto com o também exímio Bud Shank. Nos anos 60 a influência de John Coltrane apareceu na música de Pepper, tendo inclusive adotado o sax tenor em algumas ocasiões. Foi também um exímio clarinetista, tendo ajudado muito a recolocar este instrumento de volta a um lugar de destaque no bebop juntamente com Buddy De Franco.

 

Em 1954, Pepper gravou um 10 polegadas liderando um quinteto para a pequena gravadora Discovery. Na linha de frente o saxofonista tenor Jack Montrose, o pianista Claude Williamson, e uma das seções rítmicas mais solicitadas da west-coast: o contrabaixista Monty Budwig, e os bateristas Larry Bunker e Paul Ballerina se revezando em metade dos oito temas. Art Pepper mostra não somente seu imenso talento como intérprete mas também sua enorme capacidade de compositor em quatro temas originais: Thyme Time, Cinnamon, Nutmeg e Art’s Oregano. Quatro standards completam o repertório, com destaque para as belíssimas execuções das baladas Deep Purple, What’s New e The Way You Look Tonight. A suingante Straight Life encerra o repertório de alto nível deste LP.

 

Vale destacar a oportunidade de se ouvir o excelente sax tenor de Jack Montrose, um músico repleto de talentos, tanto como instrumentista, compositor e arranjador. O toque de Montrose se alinha com a sonoridade do mestre maior, Lester Young. O piano de Claude Williamson também é digno de especial atenção com importantes contribuições a música do grupo.

 

Uma, muito bem escrita, biografia de Art Pepper pode ser encontrada no blog Jazz + Bossa + Baratos Outros, de autoria de Érico Cordeiro.
Art Pepper (as) Jack Montrose (ts) Claude Williamson (p) Monty Budwig (b) Paul Ballerina (d) Larry Bunker (d)*
Los Angeles, CA, August 25, 1954

 

1- Thyme Time*
2- Cinnamon
3- Nutmeg
4- Art’s Oregano*
5- Deep Purple
6- What’s New
7- Straight Life*
8- The Way You Look Tonight*
 

HotBeatJazz 10′ Series – Gerry Mulligan Quartet – Gene Norman Presents Vol.3 – 10’LP GNP3 (1953)

Gerald Joseph “Gerry” Mulligan nasceu em NYC em 6 de abril de 1927. Começou na música como pianista, mudando posteriormente para o clarinete e o saxofone barítono, no qual foi um dos maiores nomes na história do jazz. Aos 17 anos de idade Mulligan já escrevia arranjos para uma orquestra de rádio liderada por Johnny Warrington. Tendo passado sua infância e adolescência na Filadélfia, Mulligan voltou a NYC aos 19 anos para trabalhar como arranjador para a orquestra de Gene Krupa. Posteriormente trabalharia com as bandas de Claude Thornhill, Kai Winding e Stan Kenton, até que em 1948 começa a tomar parte em um grupo de músicos organizados por Gil Evans e Miles Davis. Foi com este grupo que Mulligan começaria a fazer história, no que se chamou posteriormente de Birth of The Cool, gravações realizadas por um noneto em 49 e 50, que marcariam o surgimento de um novo estilo. Mulligan atuou de forma marcante como saxofonista, compositor e arranjador, ao lado de Gil Evans, John Lewis e Johnny Carisi.

Em 1951, Mulligan muda para Los Angeles, onde no ano seguinte voltaria a revolucionar a estética do jazz com a formação de um quarteto ao lado do jovem trompetista Chet Baker. Este quarteto teve como característica inovadora a não utilização do piano, o que lhe conferia uma sonoridade absolutamente original e camerística. Apesar de nunca ter sido um virtuoso como instrumentista, ele o era na inteligência. Seus arranjos produziam uma tal beleza melódica e harmônica entre as linhas do sax e do trompete, que a sustentação da harmonia por intermédio de acordes não era fundamental. Para se entender o êxito no intento há que se fazer juz ao toque macio e altamente melódico do trompete de Chet Baker.

As gravações que aqui apresentamos, foram produzidas por Gene Norman em sessão realizada em 7 de maio de 1953, em Los Angeles, com a terceira formação do quarteto, que contava além de Mulligan e Baker, com Carson Smith no contrabaixo e Larry Bunker na bateria. O repertório traz dois standards: Love Me Or Leave Me e Speak Low, dois originais de Mulligan: Varsity Drag e Swing House, e dois temas típicamente bop: Half Nelson, de Miles Davis, e Lady Bird, de Tadd Dameron.

 

Discorrer sobra a música é absolutamente dispensável, estas gravações fazem parte do Tao do jazz, são obras primas eternas e absoltuamente atuais, como são todas as criações verdadeiramente revolucionárias.

Chet Baker (tp) Gerry Mulligan (bars) Carson Smith (b) Larry Bunker (d)
Los Angeles, CA, May 7, 1953

 

1- Varsity Drag
2- Swing House
3- Love Me Or Leave Me
4- Half Nelson
5- Speak Low
6- Lady Bird

 

 

Jimmy Rowles Sextet – Let’s Get Acquainted with Jazz (…For People Who Hate Jazz) (1958)

Em meados dos anos cinquenta, Los Angeles experimentou uma verdadeira invasão de músicos em busca de segurança financeira, causada pelo cenário profissional promissor, tanto no campo da música comercial quanto no jazz. Somente na Califórnia havia tantos músicos de jazz comprando casas, carros, e trabalhando regularmente todos os dias como qualquer outro integrante da classe média americana. Alguns anos antes, nomes como Shorty Rodgers, Gerry Mulligan e Chet Baker haviam sido os responsáveis pelo repentino interesse no jazz da costa oeste, criando um jazz refinado, com arranjos altamente sofisticados, que atrairia o público em geral para seu som peculiar. A Central Avenue, em Los Angeles, havia se tornado uma espécie de versão em menor escala da 52nd street, estando abarrotada de locais fervilhantes, onde se tocava o swing e o bebop.

 

Jimmy Rowles ficou sabendo deste cenário através do que lhe contavam músicos como Ben Webster, Marshall Royal e Jimmy Blanton. Em 1940, Jimmy muda-se para a California, onde encontrou um ambiente propício para desenvolver seu raro talento de pianista, e ficaria conhecido como “A Enciclopédia”, por ser um dos maiores conhecedores da música norte-americana, tendo sempre o acorde certo na ocasião certa. Esta particularidade faria dele o pianista ideal para acompanhar cantoras, o que o levaria a passar boa parte de sua carreira dando suporte a nomes como Billie Holiday e Peggy Lee. Jimmy nasceu em 1918 no estado de Washington, e passou algum tempo atuando com nomes locais em Seattle, antes de se lançar na aventura que era conviver diáriamente na Central Avenue. Lá chegando, trabalhou com Lee e Lester Young, Slim Gaillard, Slam Stewart, Benny Goodman, Butch Stone, Bob Crosby, e Woody Herman. Após o serviço militar, voltou a tocar com Herman, gravou com Benny Goodman, e teve breves atuações com as orquestras de Les Brown e Tommy Dorsey. Trabalhou incansávelmente como músico de estúdio durante os anos 50 e 60, atuando em centenas de datas. São deste período suas atuações ao lado de grandes nomes do jazz como Stan Getz, Chet Baker, Zoot Sims e Charlie Parker, só para citar alguns.

 

Em 1958, o produtor Robert Scherman lhe pediu que recrutasse a quem desejasse para uma sessão de gravação. O resultado foi uma seleção dos maiores nomes do jazz da costa oeste: o trompetista Pete Candoli; o saxofonista Harold Land; o guitarrista Barney Kessel; o multi-instrumentista Larry Bunker, ao vibrafone; o contrabaixista Red Mitchell; e o baterista Mel Lewis. Como a natureza do jazz é espontânea, o resultado obtido foi idêntico; nenhum arranjo guiou os músicos, somente esboços das composições originais de Rowles e a memória em outros bem escolhidos standards.

 

Originalmente lançado com o título “The Upperclassmen”, foi posteriormente editado com o título atual, “Let’s Get Acquainted with Jazz (…For People Who Hate Jazz) “. Três deliciosos originais de Rowles abrem o álbum, o primeiro deles um tema com forte acento latino, “The Cobra”. Após belos solos de Rowles e Barney Kessel, Harold Land mostra seu conhecido estilo ao tenor, tendo o andamento dobrado pela seção rítmica. A sonoridade passional e emotiva de Land, aliada a um timbre macio e denso, é um dos pontos altos de todo o álbum.

 

“Cheeta’s For Two” é um riff blues de 16 compassos, tocada antes de cada solo, com os últimos 4 compassos dispostos de maneira a não resolver a melodia e servir de entrada para as idéias à serem desenvolvidas pelos solistas. Aqui, Red Mitchel faz seu primeiro solo, na forma magnificamente melodiosa, como sempre foi seu estilo. “El Tigre” volta à atmosfera latina, a melodia é toda disposta pelo trompete assurdinado de Pete Candoli.

 

“Lullaby of Birdland”, de George Shearing, é executada em ritmo de valsa na primeira parte, com a bridge e os solos sendo tocados em um suingante 4 por 4.

 

“Tea For Two”, “All For You”, “Body and Soul” e “East of the Sun”, são temas presentes nas obras dos maiores nomes do jazz e este grupo de gigantes faz o que deles se espera, solam com propriedade e estilo em breves execuções. A Ellingtoniana “Perdido”, de Juan Tizol, é levada em andamento médio, e antes da tomada definitiva, podemos ouvir as tentativas malogradas. “The Blues” se auto explica, é o tema em que todos os takes são apresentados na íntegra e pode-se sentir o clima de total divertimento do estúdio. Mel Lewis troca compassos com Bunker e Kessell, mostrando o baterista especial que sempre foi.

 

Jimmy Rowles mudou-se para NYC em 1973, lá gravou extensivamente com Stan Getz e participou de tournes acompanhando Ella Fitzgerald. Rowles é lembrado até hoje como especial compositor através de um dos mais belos temas já compostos no jazz, “The Peacocks”. Regressou para a California nos anos 80, onde viveu e gravou até falecer, em 28 de maio de 1996, em Los Angeles.

 

Jimmy Rowles – p; Pete Candoli – tp; Harold Land – ts; Barney Kessel – g; Larry Bunker – vb; Red Mitchell – b; Mel Lewis – dr
Recorded on June 20, 1958 at Radio Recorders, Hollywood, California

 

1- The Cobra (Rowles)
2- Cheetas for Two (Rowles)
3- El Tigre (Rowles)
4- Lullaby of Birdland (Shearing, Weiss)
5- Tea for Two (Caesar, Youmans)
6- All for You (Scherman)
7- Body and Soul (Eyton, Green, Heyman, Sour)
8- East of the Sun (And West of the Moon) (Bowman)
9- The Blues (Rowles)
10- Perdido (Drake, Lengsfelder, Tizol)
11- The Blues [alternate take #1] (Rowles)
12- The Blues [alternate take #2] (Rowles)