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Kenny Drew Quintet – Undercurrent (1960)

Kenny Drew é mais um caso, entre muitos, de músico com grande respeito e apreço por parte do meio jazzístico especializado e ao mesmo tempo praticamente ignorado pelo ouvinte eventual e público em geral. Você nunca encontrará um cd ou fascículo em banca de jornal com seu nome mas corre-se sempre o risco de encontrá-lo como sideman de algum nome de reconhecimento mais abrangente. Drew teve, assim como sua referência de piano moderno Bud Powell, um aprendizado formal em música desde muito novo. Nascido em 1928 na Nova Iorque onde na sua adolescência reinavam nos clubs e transmissões de rádio Fats Waller e Art Tatum, suas primeiras influências, nos anos 40 começa a circular pela cena musical com seus colegas e vizinhos Sonny Rollins, Jackie McLean, Art Taylor e Walter Bishop Jr. Ele é um legítimo integrante de uma geração chamada por Jackie McLean de Bebop Babies. Drew grava sua primeira participação em estúdio em um álbum do trompetista Howard McGhee ao lado de músicos como J.J. Johnson e Max Roach em 1950. Nessa mesma época faz algumas apresentações com Charlie Parker e a partir de então sua carreira decola, durante toda a década será um requisitado sideman para importantes selos como Blue Note e Riverside. Drew mudou-se para a europa em 1961 e lá permaneceu até sua morte em 4 de agosto de 1993.

Undercurrent é uma típica sessão de hardbop puro com músicos já bastante entrosados, uma sessão really blowin, como se usa chamar em jargão jazzístico. O tema título do álbum, que abre o disco, é um bebop da melhor estirpe, construído em tonalidade menor e de groove rápido. Hubbard mostra suas habilidades no bebop e Drew deixa claro a ponte estilística que construiu ao unir Tatun e Bud Powell. “Funk-Cosit” mantém a tonalidade menor porém o andamento agora é puro relax, Drew mostra que apesar de suas influências de estilo veloz também aprendeu com nomes como Horace Silver e Sonny Clark o toque de sabor bluesy e funky. “Groovin’ The Blues” é veículo perfeito para todos os solistas, o clássico blues em tom menor. Todo o talento do compositor Drew vem a tona na melancólica e linda “Ballade”, por instantes não sabemos se estamos ouvindo Drew ou McCoy Tyner tal a similaridade de estilo, mas quando pensamos que essa característica talvez tenha impulsionado Coltrane a escolhe-lo como pianista do célebre álbum Blue Train, logo percebemos que se trata do Drew também pianista de vanguarda.

Tudo nesse álbum é simples e padrão. O esquema da sessão? Padrão Blue Note, 6 temas por disco, 3 originais hard bop, 1 balada, 1 blues e 1 tema de groove funky ou Rythm’n’Blues. É isso, deu certo com Horace Silver, Lee Morgan, Jackie McLean…todo mundo. É como eu disse, tudo padrão ……….. de QUALIDADE!

Freddie Hubbard (tp) Hank Mobley (ts) Kenny Drew (p) Sam Jones (b) Louis Hayes (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, December 11, 1960
1. Undercurrent
2. Funk-Cosity
3. Lion’s Den
4. Pot’s On
5. Groovin’ the Blues
6. Ballade
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Publicado por em 19 de janeiro de 2009 em freddie hubbard, hank mobley, kenny drew, louis hayes, sam jones