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Arquivo da categoria: Max Roach

HotBeatJazz 10′ Series – Max Roach and Clifford Brown – In Concert GNP 7 (1954)

Em agôsto de 1954, Max Roach e Clifford Brown haviam chegado a formação ideal do quinteto que co-liderariam pelos próximos dois anos, até a trágica morte do trompetista e do pianista Richie Powell em um acidente. Com a chegada de Richie e do baixista George Morrow, de NYC, e a inclusão definitiva do saxofonista tenor Harold Land, o quinteto estava pronto para iniciar as gravações para o sêlo Emarcy, ocorridas nos dias 2,3,5 e 6 daquele mês. No dia 11, Roach e Brown gravariam uma data em um hepteto formado por músicos da California e do pianista Kenny Drew. No dia 13, Brown terminaria de gravar as faixas finais de seu álbum com ensemble, já postado no blog, e no dia 14 ambos atuariam como sidemen para antológicas faixas da cantora Dinah Washngton. Em 30 de agôsto o quinteto estava de volta ao California Club para mais uma apresentação que seria gravada pelo produtor Gene Norman.

 

Quatro faixas foram lançadas na série Gene Norman Presentes, dois originais jazzísticos: Jordu, do pianista Duke Jordan, e Parisian Thoroughfare, do também pianista Bud Powell, a referência do piano bop e irmão mais velho do pianista do quinteto, Richie Powell. Dois standards completariam o repertório: I Can’t Get Started e I Get A Kick Out Of You. O grupo é apresentado como Max Roach All Stars com Clifford Brown e atacam numa esplêndida leitura de Jordu. Brownie esbanja sua técnica virtuosística ao trompete, com emissão perfeita e construção de idéias musicais impecáveis para um, ainda, jovem músico. Harold Land mostra em seu solo sua profunda devoção ao estilo fluido de Lester Young. Land foi musicalmente um gêmeo do grande tenorista Hank Mobley. Richie Powell tem um estilo mais contido que seu famoso irmão Bud, porém com um riqueza harmônica de absoluto brilho. Max é puro drive e energia, o Papa da bateria bop. I Can’t Get Started é toda de Clifford Brown, que a apresenta em uma leitura eivada de lirismo e beleza. Brownie estava alguns degraus acima dos trompetistas de sua geração, e não à toa, se tornou a referência no instrumento para um sem número de trompetistas dos anos 50. I Get A Kick Out Of You e Parisian Thoroughfare, trazem o quinteto, novamente, em arranjos que se tornariam antológicos no jazz.

 

Cliffor Brown foi o centro, a estrêla luminar, deste quinteto que entrou definitivamente para a história do jazz como um dos mais perfeitos jazz-combos.

 

 

Clifford Brown (tp) Harold Land (ts) Richie Powell (p) George Morrow (b) Max Roach (d) Gene Norman (ann)
“California Club”, Los Angeles, CA, August 30, 1954

 

1- Jordu
2- I Can’t Get Started
3- I Get a Kick Out of You
4- Parisian Throughfare

 

Hot Beat Jazz

 

HotBeatJazz 10′ Series – Clifford Brown and Max Roach – 10′ LP MG 26043 (1954)

Após as apresentações no “California Club” em abril de 1954, Max Roach e Clifford Brown permaneceram na costa oeste e partiram para a organização de um quinteto com integrantes permanentes. Logo depois da gravação do álbum Clifford Brown Ensemble para a Pacific Jazz (já postado no blog), em julho, dois músicos vieram de NYC para juntarem-se definitivamente ao quinteto: O pianista Richie Powell, irmão mais novo do famoso Bud Powell, e o contrabaixista George Morrow. Para o saxofone optaram pelo talentoso Harold Land, músico de grande prestígio no cenário da costa oeste, com um fraseado e sonoridade da escola de Lester Young.

 

Nos dias 2,3 e 6 de agosto, o quinteto estava nos estúdios da Capital, em Los Angeles, gravando faixas que ficariam para sempre fazendo parte da história do jazz, como: Joy Spring e Daahoud, composições originais de Brownie; Jordu, tema do antigo parceiro de Max Roach no quintteo de Parker, o pianista Duke Jordan. A belíssima e alucinante Parisian Thoroughfare, composição de Bud Powell e o standard Delilah, composição de Victor Young.

 

O quinteto, de uma unidade e entrosamento fora do comum, tornou-se uma referência no período de transição do bebop para o hardbop. O trompete de Clifford nunca soou tão brilhante e especial como nestas gravações, revelando um jovem músico já dotado das qualidades que somente os gigantes do jazz apresentavam. Tudo foi rápido e efêmero para Clifford Brown, assim como sua vida, tragada de forma prematura dois anos depois destas gavações em um acidente automobilístico, que também ceifou a promissora carreira do pianista Richie Powell e de sua espôsa. Restou-nos as maravilhosas gravações deste especial quinteto.

 

Clifford Brown (tp) Harold Land (ts) Richie Powell (p) George Morrow (b) Max Roach (d) Capitol Studios, Melrose Avenue, Los Angeles, CA, August 2, 3, 6, 1954

 

1- Delilah
2- Parisian Thoroughfare
3- Daahoud
4- Joy Spring
5- Jordu

http://ouo.io/JgtWW

 

HotBeatJazz 10′ Series – Max Roach and Clifford Brown – In Concert 10’LP GNP 5 (1954)

O quinteto Max Roach – Clifford Brown iniciou as atividades em 1954 na Califórnia. Max já era um precoce veterano, reconhecido como um dos mais importantes desenvolvedores da linguagem da bateria no bebop. Clifford estava apenas iniciando seu segundo ano de atividades constantes em estúdios e apresentações. Em 52 ele havia feito sua estréia em estúdios participando do grupo do percussionista e vocalista jamaicano Chris Powell, como integrante dos “The Five Blue Flames“. Em 53 Clifford esteve na mira das atenções de músicos e público participando de diversas associações: um fabuloso álbum co-liderando um quinteto com Lou Donaldson, como membro do tenteto de Tadd Dameron, gravações para a Blue Note como integrante do sexteto de J. J. Johnson, e uma associação com o saxofonista Gigi Gryce que o levaria a vários trabalhos culminando com o convite para integrar o fabuloso naipe da orquestra de Lionel Hampton em uma excursão a Europa no segundo semestre.

 

1954 começa não menos agitado, com Brownie atuando no quinteto de Art Blakey em apresentações no Birdland em fevereiro, momento esse imortalizado em gravação ao vivo da Blue Note do grupo que seria o embrião dos futuros Jazz Messengers. Em abril recebe o convite de Max Roach para co-liderar um quinteto e vão para a Califórnia, atuar em clubes de jazz e nos estúdios da Capitol. Brownie faria também uma sessão para a Pacif Jazz, gravadora local que produziu alguns dos melhores discos do west-coast jazz. Em abril daquele ano o quinteto Roach-Brown ainda não estava com seus integrantes definidos, fato que somente ocorreria em agosto. para as primeiras apresentações eles recrutaram alguns músicos locais como o pianista Carl Perkins, o contrabaixista George Bledsoe e o fantástico saxofonista tenor Teddy Edwards.

 

A apresentação no “California Club” em Los Angeles foi gravada e lançada em 10 polegadas pelo produtor Gene Norman na série Gene Norman Presents. Apenas quatro temas, divididos em performances em quarteto e quinteto perfaziam o álbum. Em Tenderly e Clifford’s Axe o destaque é todo de Clifford, que apresenta sua habitual e fantástica técnica ao trompete, que o levaria a ser comparado a Dizzy Gillespie. Clifford Brown não é somente um virtuose técnico, é um verdadeiro poeta na criação de belas frases musicais, sempre com uma arquitetura de idéias tremendamente criativa. Em All God’s Chillun Got Rhythm e em Sunset Eyes, o talentoso saxofonista tenor Teddy Edwards divide os holofotes com Brownie.

 

Conheçam este primeiro registro de um dos mais importantes combos da história do jazz. Com vocês, o Max Roach – Clifford Brown Quintet!

 

Clifford Brown (tp) Teddy Edwards (ts -1,3) Carl Perkins (p) George Bledsoe (b) Max Roach (d) Gene Norman (ann)
“California Club”, Los Angeles, CA, April, 1954

 

1- All God’s Chillun Got Rhythm
2- Tenderly
3- Sunset Eyes
4- Clifford’s Axe

http://ouo.io/kkS56

 

HotBeatJazz 10′ Series – Max Roach Quartet featuring Hank Mobley – DLP13 (1953)

O baterista Max Roach foi músico de importancia superlativa no desenvolvimento do bebop na segunda metade da década de 40. Como integrante do quinteto regular de Charlie Parker, Roach desenvolveu a linguagem da bateria moderna ao lado de Kenny Clarke e Art Blakey. Somente em abril de 1953 Max Roach gravaria suas primeiras sessões como líder para a gravadora Debut, de propriedade de seu amigo Charles Mingus. As sessões realizadas em 10 e 21 de abril daquele ano marcariam também a estréia do saxofonista Hank Mobley em gravações de caráter estritamente jazzístico, uma vez que ele somente havia participado de duas sessões quando integrante da banda de blues de Paul Gayten.

 

A sessão de 21 de abril foi realizada por uma formação de quarteto, com Max Roach acompanhado por Mobley, pelo pianista Walter Davis Jr. – o qual também fazia sua estréia em estúdios nestas datas, e pelo contrabaixista Franklin Skeete. Dos seis temas lançados no 10 polegadas, dois são originais de Roach: Cou-Manchi-Cou e o solo de bateria Drum Conversation. Mobley já mostrava seu imenso talento como compositor no suingante hardbop Kismet. Chi-Chi, de Charlie Parker, é executada em um andamento mais relax e bluesy. Os standards Just One Of Those Things, de Cole Porter e a belíssima balada I’m A Fool To Want You, de Frank Sinatra, são veículos para o talento de Mobley e Roach na sintaxe bop da primeira e no lirismo melódico da última.

 

Um ano após esta sessão, Max Roach uniria forças com o trompetista Clifford Brown em um quinteto que faria parte da história do desenvolvimento do jazz, formando um dos mais importantes combos do hardbop.

 

Hank Mobley (ts) Walter Davis Jr. (p) Franklin Skeete (b) Max Roach (d)
NYC, April 21, 1953

 

1- Cou-Manchi-Cou
2- Just One Of Those Things
3- Drum Conversation
4- Chi-Chi
5- Kismet
6- I´m A Fool To Want You

http://ouo.io/Xi5Ck

 

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – 10’LP Dial 207 (1947)

Chegamos ao quarto volume dos 10 polegadas com a obra de Charlie Parker na Dial. Composto por faixas registradas em 3 sessões: 5 de fevereiro de 1946, na Califórnia; 4 de novembro e 17 de dezembro de 1947, em NYC.

 

Diggin’ Diz, também conhecida como Bongo Beep ou Hot Blues, é uma paráfrase de Lover, de Richard Rodgers, composta por George Handy. Handy foi o pianista desta sessão ao lado de Dizzy Gillespie no trompete, Lucky Thompson no sax tenor, Arvin Garrison na guitarra, Ray Brown no contrabaixo e Stan Levey na bateria.

 

Na sessão de 4 de novembro de 1947, no estúdio WOR, em NYC, foram registradas: os originais Bird Feathers, Klactoveedsedstene; e os standards My Old Flame – em uma definitiva e inigualável interpretação – e Out Of Nowhere. Estes quatro temas foram gravados pelo quinteto clássico de Parker, que contava com Miles Davis, Duke Jordan, Tommy Potter e Max Roach.

 

As três faixas restantes foram registradas na sessão de 17 de dezembro, com o quinteto transformado em um sexteto com a adição do trombonista J. J. Johnson. São desta data: Air Conditioning, também chamada Drifting On A Reed ou Prezology, um blues de 12 compassos de autoria de Bird; Bongo Beep (versão Habanera Mambobop) e Crazeology, uma paráfrase do trompetista Little Benny Harris para I Got Rhythm, de George Gershwin.

 

Com este quarto volume completamos os LP’s 10 polegadas lançados pela gravadora Dial, no início dos anos 50, contendo parte da obra gravada por Charlie Parker neste sêlo.

 

Dizzy Gillespie (tp) Charlie Parker (as) Lucky Thompson (ts) George Handy (p) Arvin Garrison (g) Ray Brown (b) Stan Levey (d)
Electro Broadcast Studios, Glendale, CA, February 5, 1946*

 

Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, November 4, 1947

 

Miles Davis (tp) J. J. Johnson (tb) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, December 17, 1947**

 

1- Crazeology**
2- Air Conditioned (Drifting On A Reed) (Prezology)**
3- My Old Flame (Blue Lamp)
4- Bird Feathers
5- Klact-Oveeseds-Tene
6- Bird Feathers (Habanera Mambobop) (Bongo Beep)**
7- Out Of Nowhere
8- Bongo Beep (Diggin’ Diz)*

http://ouo.io/7cd15

 

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – 10’LP Dial 203 (1947)

O ano de 1947 foi de intensa atividade para Parker, muitas apresentações em clubes e o início das atividades de seu quinteto com Miles Davis. O volume 3 da Dial traz este combo em três datas do final de 47, realizadas em 28 de outubro, 4 de novembro e 17 de dezembro. O quinteto som sua formção clássica: Parker, Miles Davis no trompete, Duke Jordan ao piano, Tommy Potter no contrabaixo e Max Roach na bateria. Na sessão de dezembro o grupo foi acrescido do trombonista J. J. Johnson. Todas as gravações aconteceram em NYC, no W.O.R. Studios.

 

No dia 28 de outubro gravaram: Dexterity, paráfrase de I Got Rhythm; Dewey Square, um tema original de Bird; Bird Of Paradise, paráfrase de All The Things You Are; e Embraceable You, de George Gershwin.

 

Em 4 de novembro foi a vez da belíssima balada Don’t Blame Me e Scrapple From The Apple, paráfrase de Honeysuckle Rose, de Fats Waller.

 

Da sessão em sexteto com J. J. Johnson gravada em 17 de dezembro, o LP traz Quasimodo, paráfrase de Embraceable You, de Gershwin.

 

Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d) J. J. Johnson** (tb)
WOR Studios, NYC, October 28, 1947
WOR Studios, NYC, November 4, 1947*
WOR Studios, NYC, December 17, 1947**
1- Don’t Blame Me*
2- Dexterity
3- Bird Of Paradise
4- Bongo Bop
5- Embraceable You
6- Dewey Square
7- Quasimodo**
8- Scrapple From The Apple*

http://ouo.io/dLcyOW

 

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis – Capitol Classics in Jazz – 10’LP H549 (1953)

Em 1949, Miles Davis assinou um contrato com a Capitol para gravar 12 faixas inéditas a serem lançadas em singles em 78 rpm e em um LP 10″ em 331/3 rpm. Para este projeto, Miles convocou 8 músicos com os quais já vinha trabalhando desde o ano anterior, com a supervisão e co-direção musical do amigo e arranjador Gil Evans. Gil, ao lado de Gerry Mulligan, Johnny Carisi e John Lewis, havia composto e arranjado um repertório original e revolucionário em proposta musical e o noneto já se apresentavam em clubes onde o bebop reinava, como o Royal Roost. A música apresentada pelo noneto era uma antítese ao padrão do bebop, de combos pequenos, normalmente sem arranjos elaborados e com o foco voltado para a improvisação sobre temas construídos sob aquela estética. A música produzida pela pena, principalmente, de Gerry Mulligan e Gil Evans trazia ao jazz um padrão de organização que a colocava em curso paralelo com a música de câmara erudita. Mulligan foi o principal artífice do grupo, tendo contribuído com a composição e o arranjo de: Jeru, Venus de Milo e Rocker; e somente como arranjador em: Deception, Godchild e Darn That Dream.

 

Das 12 faixas gravadas, oito foram lançadas neste LP 10″, que mostram três formações com pequenas alterações de pessoal, porém respeitando a mesma morfologia de grupo, em três datas distintas entre 21 de janeiro de 1949 e 9 de março de 1950. A música produzida pelo noneto de Miles Davis, juntamente com a de Lennie Tristano, foi fundamental no desenvolvimento do chamado cool jazz, que obtevo grande aceitação na costa oeste americana na década de 50. O chamado west-coast jazz bebe no Birth of The Cool toda sua inspiração musical que seria desenvolvida em paralelo com o hardbop por toda a década.

PS: Chegamos a postagem número 200 a poucos dias de completar 1 ano e meio de atividades, agradecemos a todos os amigos e apoiadores de nossa proposta editorial. Muito obrigado pelo suporte e paciência.

Miles Davis (tp) Kai Winding (tb) Junior Collins (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) Al Haig (p) Joe Schulman (b) Max Roach (d) John Lewis (arr)

NYC, January 21, 1949
*Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Sandy Siegelstein (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Kenny Clarke (d) John Carisi, Gil Evans (arr)
NYC, April 22, 1949
**Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Gunther Schuller (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars) John Lewis (p) Al McKibbon (b) Max Roach (d)
NYC, March 9, 1950
1- Jeru (Denzil Best, arranjo por John Lewis)
2- Moon Dreams (Chummy MacGregor, Johnny Mercer, arranjo por Gil Evans)**
3- Venus De Milo (Mulligan)*
4- Deception (Miles Davis, arranjo por Mulligan)**
5- Godchild (George Wallington, arranjo por Mulligan)
6- Rocker (Mulligan)**
7- Israel (Johnny Carisi)*
8- Rouge (John Lewis)*