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HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – 10’LP Dial 207 (1947)

Chegamos ao quarto volume dos 10 polegadas com a obra de Charlie Parker na Dial. Composto por faixas registradas em 3 sessões: 5 de fevereiro de 1946, na Califórnia; 4 de novembro e 17 de dezembro de 1947, em NYC.

 

Diggin’ Diz, também conhecida como Bongo Beep ou Hot Blues, é uma paráfrase de Lover, de Richard Rodgers, composta por George Handy. Handy foi o pianista desta sessão ao lado de Dizzy Gillespie no trompete, Lucky Thompson no sax tenor, Arvin Garrison na guitarra, Ray Brown no contrabaixo e Stan Levey na bateria.

 

Na sessão de 4 de novembro de 1947, no estúdio WOR, em NYC, foram registradas: os originais Bird Feathers, Klactoveedsedstene; e os standards My Old Flame – em uma definitiva e inigualável interpretação – e Out Of Nowhere. Estes quatro temas foram gravados pelo quinteto clássico de Parker, que contava com Miles Davis, Duke Jordan, Tommy Potter e Max Roach.

 

As três faixas restantes foram registradas na sessão de 17 de dezembro, com o quinteto transformado em um sexteto com a adição do trombonista J. J. Johnson. São desta data: Air Conditioning, também chamada Drifting On A Reed ou Prezology, um blues de 12 compassos de autoria de Bird; Bongo Beep (versão Habanera Mambobop) e Crazeology, uma paráfrase do trompetista Little Benny Harris para I Got Rhythm, de George Gershwin.

 

Com este quarto volume completamos os LP’s 10 polegadas lançados pela gravadora Dial, no início dos anos 50, contendo parte da obra gravada por Charlie Parker neste sêlo.

 

Dizzy Gillespie (tp) Charlie Parker (as) Lucky Thompson (ts) George Handy (p) Arvin Garrison (g) Ray Brown (b) Stan Levey (d)
Electro Broadcast Studios, Glendale, CA, February 5, 1946*

 

Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, November 4, 1947

 

Miles Davis (tp) J. J. Johnson (tb) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, December 17, 1947**

 

1- Crazeology**
2- Air Conditioned (Drifting On A Reed) (Prezology)**
3- My Old Flame (Blue Lamp)
4- Bird Feathers
5- Klact-Oveeseds-Tene
6- Bird Feathers (Habanera Mambobop) (Bongo Beep)**
7- Out Of Nowhere
8- Bongo Beep (Diggin’ Diz)*

http://ouo.io/7cd15

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HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – 10’LP Dial 203 (1947)

O ano de 1947 foi de intensa atividade para Parker, muitas apresentações em clubes e o início das atividades de seu quinteto com Miles Davis. O volume 3 da Dial traz este combo em três datas do final de 47, realizadas em 28 de outubro, 4 de novembro e 17 de dezembro. O quinteto som sua formção clássica: Parker, Miles Davis no trompete, Duke Jordan ao piano, Tommy Potter no contrabaixo e Max Roach na bateria. Na sessão de dezembro o grupo foi acrescido do trombonista J. J. Johnson. Todas as gravações aconteceram em NYC, no W.O.R. Studios.

 

No dia 28 de outubro gravaram: Dexterity, paráfrase de I Got Rhythm; Dewey Square, um tema original de Bird; Bird Of Paradise, paráfrase de All The Things You Are; e Embraceable You, de George Gershwin.

 

Em 4 de novembro foi a vez da belíssima balada Don’t Blame Me e Scrapple From The Apple, paráfrase de Honeysuckle Rose, de Fats Waller.

 

Da sessão em sexteto com J. J. Johnson gravada em 17 de dezembro, o LP traz Quasimodo, paráfrase de Embraceable You, de Gershwin.

 

Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d) J. J. Johnson** (tb)
WOR Studios, NYC, October 28, 1947
WOR Studios, NYC, November 4, 1947*
WOR Studios, NYC, December 17, 1947**
1- Don’t Blame Me*
2- Dexterity
3- Bird Of Paradise
4- Bongo Bop
5- Embraceable You
6- Dewey Square
7- Quasimodo**
8- Scrapple From The Apple*

http://ouo.io/dLcyOW

 

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – 10’LP Dial 201

O mundo do jazz celebra neste mês de agôsto de 2010 os noventa anos de nascimento do mais influente músico desta forma de arte, Charlie “Bird” Parker. Em 29 de agôsto de 1920, nascia em Kansas City, em uma modestíssima família, um homem que iria transformar a mais importante forma de arte norte-americana. O pequeno Charlie cresceu andando descalço, pisando as ruas empoeiradas de um subúrbio pobre de Kansas City, com seu único brinquedo, um flautim, presente de sua mãe ao tímido e desengonçado menino que iria mais tarde ser apelidado de “Bird”. E assim “Bird” passava seus dias, de forma autodidata aprendendo os fundamentos de sua pequena flauta.

 

Kansas City era um local em que o blues estava por toda parte, e já nos anos 30 era reconhecida como um celeiro de grandes saxofonistas, que se degladiavam nas noites de fins de semana em antológicas batalhas de saxofone. Também era onde algumas das mais importantes orquestras do swing tinham sua base, notadamente a de Bennie Motten, e pouco depois, a de Count Basie. O adolescente Charlie acalentava o sonho de tocar com a banda de Baise, ao lado do seu grande ídolo do saxofone tenor, Lester Young. Quando Basie e Young começaram uma duradoura e fantástica associação, Parker tinha 16 anos de idade e já tocava em algumas bandas locais ao lado de Harlan Leonard e Lawrencw Keyes. Gostava de ouvir a pianista Mary Lou Williamson e sua admitida primeira influência no sax alto, Buster Smith. Ele tocou sax barítono antes de mudar para o alto e aos 19 anos sentia-se seguro o suficiente para tentar a vida por conta própria na capital mundial do jazz, New York. A vida não foi fácil para o jovem músico que já naquela época soava de modo bastante estranho dos demais. Parker arranjou um emprego de lavador de pratos em um clube do Harlen pela única possibilidade de ouvir o pianista da casa, o grande Art Tatum. Alguns meses depois estava de volta a Kansas City onde foi contratado pelo pianista e band leader Jay McShann e com ele voltaria a NYC. Grava, pela primeira vez em estúdio, em 9 de agôsto de 1940, as faixas Jumping At The Woodside e I Got Rhythm, como integrante da banda, na verdade um noneto com forte enfoque no blues. Em 30 de abril de 1941, em Dallas, no Texas, gravaria mais três músicas: Swingmatism, Hootie Blues e Dexter Blues. Em 2 de julho de 1942, em NYC, faz sua última sessão de gravação com a orquestra de McShann, quatro faixas: Lonely Boy Blues, Get Me On Your Mind, The Jumpin’ Blues e Sepian Bounce.

 

É então contratado pelo pianista Earl Hines para ocupar uma cadeira no naipe de saxofones de sua fantástica orquestra, que contava também com o trompetista Dizzy Gillespie, parceiro de “Bird” nas jams sessions que aconteciam no clube Minton’s Playhouse. Foi lá que, juntamente com o pianista da casa, Thelonious Monk; o guitarrista da banda de Benny Goodman, Charlie Christian; Dizzy; e alguns veteranos como os saxofonistas tenor Don Byas e Coleman Hawkins; Parker se tornaria figura de proa no desenvolvimento de uma nova sintaxe no jazz, uma nova maneira de se explorar as melodias e, principalmente, as harmonias de antigas canções do repertório popular. Dedica-se de corpo e alma a pesquisar uma nova forma de abordagem do material até então utilizado como matéria-prima do jazz. Ele mesmo conta sua aventura: “Uma tarde, trabalhando em cima de Cherokee, percebi que, se utilizasse intervalos maiores e os modulasse convenientemente, poderia finalmente reproduzir o que escutava dentro de mim mesmo.” Estava iniciada a revolução. Todo um repertório da era do swing, já desgastado e batido, iria mudar. Os solistas passariam a ter um número maior de possibilidades para improvisar. A harmonia estava ampliada. O jazz nunca mais seria o mesmo.

 

Ao mesmo tempo ele havia se tornado um virtuose, sua técnica era impressionante, e logo seria uma referência entre os músicos, Parker era agora o músico dos músicos. Faz curtas passagens pelas orquestras de Noble Sissle, Cootie Williams, Andy Kirk e na grande orquestra bebop do cantor e trombonista Billy Eckstine. Começa a gravar para o pequeno sêlo Savoy, primeiramente como sideman, no quinteto do guitarrista Tiny Grimes; ao lado de Gillespie e Don Byas no grupo do pianista Clyde Hart; e, em fevereiro de 1945, grava três faixas no sexteto de Gillespie, consideradas as primeiras gravações de bebop em pequeno combo. São na verdade aproximações do que seria o verdadeiro bebop, pois as seções rítmicas ainda eram formadas por músicos mais ligados às tradições do swing. São desta data: Groovin’ High, All The Things You Are e Dizzy Atmosphere. Em 11 de maio, ainda com Gillespie: Salt Peanuts, Shaw ‘Nuff, Hot House, e acompanha a novata cantora Sarah Vaughan em Lover Man. Em 6 de junho grava, com Dizzy, no sexteto do vibrafonista Red Norvo quatro faixas para o sêlo Dial. Em 4 de setembro grava com pianista Sir Charles Thompson, ao lado do jovem tenorista da Califórnia Dexter Gordon e músicos veteranos do swing como o trompetista Buck Clayton. Em 26 de novembro grava a primeira sessão em seu nome para a Savoy, ao seu lado estão: Miles Davis, o pianista Sadik Hakim, Dizzy Gillespie atuando no piano e trompete, o contrabaixista Curly Russell e o baterista Max Roach. Esta é a verdadeira primeira gravação de Bird exclusivamente bebop, com temas de sua autoria, seguindo sua nova fórmula de compôr, construindo paráfrases em cima das harmonias de standards já largamente conhecidos, o que confere a elas sabor e melodias novas, deixando as músicas que originaram suas composições praticamente irreconhecíveis. São desta data: Warming Up A Riff, os blues Billie’s Bounce e Now’s The Time, Thriving On A Riff, Meandering, e sua criação em cima da antiga e fundamental Cherokee, Ko-Ko.

 

No final de 45, ele e Dizzy são contratados para uma temporada na Califórnia, que revelaria-se catastrófica. Parker está, cada vez mais, entregue as bebidas e as drogas pesadas, a adição à heroína era um fato com que ele já lidava desde seus 15 anos de idade. Seu comportamento revela-se errático, nunca se sabe se ele irá ou não comparecer para tocar. O responsável Dizzy contorna o problema chamando às pressas de NYC o vibrafonista Milt Jackson, ele poderá reforçar a linha de frente do grupo na ausência de Parker e, quando da presença deste, tornar a seção rítmica mais poderosa.

 

Chegamos então às sessões de gravação reunidas neste primeiro 10 polegadas da gravadora Dial, duas datas realizadas na Califórnia, nos dias 28 de março e 29 de julho de 1946. Na primeira data ele lidera um hepteto formado por: Miles Davis no trompete, Lucky Thompson no sax tenor, Dodo Marmarosa no piano, Arvin Garrison na guitarra, Vic McMillan no contrabaixo e Roy Porter na bateria. Gravam A Night In Tunisia, de Dizzy Gillespie; Yardbird Suite, paráfrase de Parker sobre a harmonia de uma antiga canção popular chamada What Price Love; Moose The Mooche, construída sobre I Got Rhythm de George Gershwin; e Ornithology, paráfrase de How High The Moon.

 

A sessão de 29 de julho foi dramática, Parker está muito doente e debilitado pelo abuso de álcool e heroína. O baterista Roy Porter, conta que após o primeiro take, quando gravou Max Making Wax, de Oscar Pettiford, Bird precisou ser amparado para manter-se de pé e conseguir gravar os três temas restantes. O que vemos a seguir é uma versão perturbada e languriante da balada Lover Man, um angustiante discurso musical, um verdadeiro pedido de socorro de um ser-humano perdido. O mesmo acontece na outra balada, The Gypsy. Parker mesmo em seus momentos vacilantes não deixa de produzir uma música soberba, plena de emoção e de verdade. Ainda reúne suas últimas energias para gravar Bebop, de Dizzy Gillespie. Necessário destacar a belíssima participação do trompetista Howard McGhee em toda a turbulenta seção.

 

Após a gravação Parker foi para o hotel, colocou fôgo no quarto e saiu gritando nú pelo saguão. Foi internado na clínica de recuperação de dependentes em Camarillo. Depois….é assunto para a próxima postagem.
Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Lucky Thompson (ts) Dodo Marmarosa (p) Arvin Garrison (g) Vic McMillan (b) Roy Porter (d)
Radio Recorders, Hollywood, CA, March 28, 1946

 

Howard McGhee (tp) Charlie Parker (as) Jimmy Bunn (p) Bob Kesterson (b) Roy Porter (d)
C.P. MacGregor Studios, Hollywood, CA, July 29, 1946*

 

1- Night In Tunisia
2- Yardbird Suite
3- Moose The Mooche
4- Ornithology
5- Loverman*
6- The Gypsy*
7- Bebop*
8- Max (is) Making Wax*

 

http://ouo.io/2c5Woj

 

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis – The New Sounds 10’LP PRLP 124 (1951)

Após os anos com Charlie Parker, as experiências com o nometo do Birth of the Cool, a depressão e busca em se livrar da heroína, 1951 via um Miles Davis recomeçando sua vida. Musicalmente estava mais solto, sem a timidez dos tempos de bebop com Bird e menos formalizado como com o noneto. Miles estava trabalhando em clubes com um sexteto formado por jovens do Harlen como: Sonny Rollins, o saxofonista alto Jackie McLean e o pianista Walter Bishop Jr. – Tommy Potter no contrabaixo e Art Blakey na bateria, proviam o sexteto de segurança e groove impecáveis. Foi agendada uma sessão para a Prestige, que aconteceu em 5 de outubro de 1951, em NYC, nos estúdios Apex.

 

Em Conception, tema composto por Miles, ele mostra o músico visionário de sempre. O tema, de harmonia sinuosa, já preconizava o período do modalismo do final da década.

 

My Old Flame é apresentada em quinteto, com Miles mostrando o habitual lirismo nas baladas, Sonny Rollins contribui com uma improvização que deixa clara a influência que ele sofria na época de Lester Young.

 

Dig, é um típico bebop, com Rollins construindo a ponte que liga Lester Young a Dexter Gordon em seu solo. Miles evita o discurso rápido, priorizando a beleza melódica de toda sua improvização. Blakey é uma usina de beats que impulsiona um jovem McLean aterrorizado pelo mau humor do líder. Se sai muito bem para um garoto posto à prova com leões.

 

It’s Only A Paper Moon encerra o álbum com Miles e Rollins produzindo impros inspiradas. Miles suingante e de fraseado de extrema beleza melódica. Rollins, em seu estilo inicial, mostra o quanto bebeu das velhas fontes do instrumento no jazz. Lester, Ben Webster, Chu Berry, Hawkins.

 

Os novos sons de Miles Davis em 1951 tornaram-se clássicos imortais na história do desenvolvimento do jazz.
Miles Davis (tp) Jackie McLean (as) Sonny Rollins (ts) Walter Bishop Jr. (p) Tommy Potter (b) Art Blakey (d)
Apex Studios, NYC, October 5, 1951

 

1- Conception
2- My old flame
3- Dig
4- It’s Only A Paper
 

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis – Capitol Classics in Jazz – 10’LP H549 (1953)

Em 1949, Miles Davis assinou um contrato com a Capitol para gravar 12 faixas inéditas a serem lançadas em singles em 78 rpm e em um LP 10″ em 331/3 rpm. Para este projeto, Miles convocou 8 músicos com os quais já vinha trabalhando desde o ano anterior, com a supervisão e co-direção musical do amigo e arranjador Gil Evans. Gil, ao lado de Gerry Mulligan, Johnny Carisi e John Lewis, havia composto e arranjado um repertório original e revolucionário em proposta musical e o noneto já se apresentavam em clubes onde o bebop reinava, como o Royal Roost. A música apresentada pelo noneto era uma antítese ao padrão do bebop, de combos pequenos, normalmente sem arranjos elaborados e com o foco voltado para a improvisação sobre temas construídos sob aquela estética. A música produzida pela pena, principalmente, de Gerry Mulligan e Gil Evans trazia ao jazz um padrão de organização que a colocava em curso paralelo com a música de câmara erudita. Mulligan foi o principal artífice do grupo, tendo contribuído com a composição e o arranjo de: Jeru, Venus de Milo e Rocker; e somente como arranjador em: Deception, Godchild e Darn That Dream.

 

Das 12 faixas gravadas, oito foram lançadas neste LP 10″, que mostram três formações com pequenas alterações de pessoal, porém respeitando a mesma morfologia de grupo, em três datas distintas entre 21 de janeiro de 1949 e 9 de março de 1950. A música produzida pelo noneto de Miles Davis, juntamente com a de Lennie Tristano, foi fundamental no desenvolvimento do chamado cool jazz, que obtevo grande aceitação na costa oeste americana na década de 50. O chamado west-coast jazz bebe no Birth of The Cool toda sua inspiração musical que seria desenvolvida em paralelo com o hardbop por toda a década.

PS: Chegamos a postagem número 200 a poucos dias de completar 1 ano e meio de atividades, agradecemos a todos os amigos e apoiadores de nossa proposta editorial. Muito obrigado pelo suporte e paciência.

Miles Davis (tp) Kai Winding (tb) Junior Collins (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) Al Haig (p) Joe Schulman (b) Max Roach (d) John Lewis (arr)

NYC, January 21, 1949
*Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Sandy Siegelstein (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars, arr) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Kenny Clarke (d) John Carisi, Gil Evans (arr)
NYC, April 22, 1949
**Miles Davis (tp) J.J. Johnson (tb) Gunther Schuller (frh) Bill Barber (tu) Lee Konitz (as) Gerry Mulligan (bars) John Lewis (p) Al McKibbon (b) Max Roach (d)
NYC, March 9, 1950
1- Jeru (Denzil Best, arranjo por John Lewis)
2- Moon Dreams (Chummy MacGregor, Johnny Mercer, arranjo por Gil Evans)**
3- Venus De Milo (Mulligan)*
4- Deception (Miles Davis, arranjo por Mulligan)**
5- Godchild (George Wallington, arranjo por Mulligan)
6- Rocker (Mulligan)**
7- Israel (Johnny Carisi)*
8- Rouge (John Lewis)*
 

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis All Stars Vol.1 e 2 – 10’LP PRLP 196 e 200 (1954)


Como discorri no post anterior sobre o quinteto de Miles Davis – Miles Davis Quintet – 10’LP PRLP 187 (1954) – o ano de 1954 foi definitivo na direção musical que Miles seguiria pelos próximos 15 anos. O embrião de seu famoso quinteto estava se formando, porém Miles ainda participava de encontros do tipo All Stars, algo que posteriormente deixaria de fazer para dedicar-se exclusivamente a seu combo. Esta sessão realizada para a Prestige seria a última obedecendo o formato de uma jam à qual Miles participaria, exceção feita a apresentação em julho de 55 no Festival de Newport. Realizada na véspera do Natal de 54, Bob Weinstock colocou em estúdio figuras proeminentes do jazz de então: Miles ao trompete, acompanhado por Thelonious Monk ao piano, Milt Jackson ao vibrafone, Percy Heath ao contrabaixo e o veterano Kenny Clarke na bateria.

 

Cada solista principal teve a oportunidade de apresentar uma composição original, de forma que Monk escolheu seu clássico Bensha Swing, Milt Jackson o inigualável blues Bag’s Groove, e Miles sua pouco gravada Swing Spring. O quarto tema gravado foi o standard The Man I Love, de George e Ira Gerswin. Miles estava em uma de suas melhores fases como instrumentista, frases muito bem pensadas e idéias ligadas com precisão de artífice, faziam de seu trompete uma referência ao lado dos grandes da época como Clifford Brown, Kenny Dorham e, claro, Dizzy Gillespie. O grupo se entrega a longas improvisações para o padrão de gravação em estúdio da época, com as quatro faixas variando de 8 a 11 minutos de duração, e ocupando cada uma um lado inteiro do LP de 10 polegadas. Monk, como sempre, é uma atração a parte, simplesmente deixando de tocar por longo tempo – exemplo, durante o solo de Miles em Swing Spring – para depois atacar mais um de seus instigantes e percussivos solos, com a harmonia típica do mestre que sempre foi. Milt Jackson injeta o blues na veia de todos os temas, uma de suas mais marcantes características como solista.

 

Miles Davis All Stars é um dos grandes acontecimentos de 1954 em matéria de jam session em estúdio, e uma belíssima oportunidade de ouvir Miles em um contexto mais relax.
PRLP 196 Miles Davis All Stars
Miles Davis (tp) Milt Jackson (vib) Thelonious Monk (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, December 24, 1954

 

1- Bags’ Groove (M. Jackson)
2- Swing Spring (M. Davis)

 

PRLP 200 Miles Davis All Stars, Vol. 2
Miles Davis (tp) Milt Jackson (vib) Thelonious Monk (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, December 24, 1954

 

1- The Man I Love (G. Gerswin – I. Gerswin)
2- Bemsha Swing (T. Monk)

 

http://ouo.io/UWKIrv

 

HotBeatJazz 10′ Series – Sonny Rollins Quartet – 10’LP PRLP 137 (1951)

Mais uma vez nos voltamos à música de Walter Theodore “Sonny” Rollins, desta feita em sessão gravada para a Prestige em 1951. Sonny começou a tocar saxofone alto aos 11 anos de idade, em 1941, em 1946 mudou para o sax tenor, intrumento do qual viria a se tornar um dos maiores estilistas que o jazz já conheceu. Cresceu no Harlem, em NYC, ao lado de outros grande músicos que viriam a se destacar na década de 50, como o pianista destas faixas, Kenny Drew. Aos 14 anos, Rollins foi profundamente impactado pela música de Charlie Parker que passaria a exercer uma grande influência em seu estilo, assim como músicos mais antigos como Lester Young e Coleman Hawkins. Inciou sua carreira discográfica em 49, na orquestra do cantor Babs Gonzales, no mesmo ano ainda particparia de sessões no combo do trombonista J. J. Johnson e do pianista Bud Powell, um grande incentivador de Rollins. Em 1950, Rollins não participa de nehuma gravação, virginianamente perfeccionista, dedica-se ao estudo e prática em retiro, atitude que voltaria e tomar em 1961, quando seu hábito diário de ir praticar em solitário com seu sax na ponte Williamsburg aos fins de tarde, se converteria rápidamente em uma das mais românticas lendas do jazz.

 

Em 17 de janeiro de 1951, Miles Davis, um de seus mais ferrenhos admiradores de primeiro momento, o convida para participar de uma sessão integrando um sexteto. É desta data a gravação de I Know, em uma tomada em quarteto com Miles Davis tocando o piano, e Percy Heath e Roy Haynes completando a seção rítmica.

 

Onze meses depois, em 17 de dezembro, também em quarteto, Rollins gravaria as sete faixas restantes deste 10 polegadas. Quatro standards, baladas em sua maioria, e três temas originais: Shadrak, Scoops e Newk’s Fadeaway. Estava acompanhado pelo amigo de infância Kenny Drew ao piano, novamente Percy Heath ao contrabaixo e Art Blakey na bateria. Time On My Hands tem a mais bela e contundente interpretação em sax tenor que tenho conhecimento. This Love Of Mine é puro lirismo, num amálgama de Lester Young e certos ornamentos à la Parker. Shadrack é um tema bop por excelência com precioso trabalho de Rollins e Drew, pontuados ao estilo peculiar de Blakey. On A Slow Boat To China é apresentado em andamento rápido, com Rollins mostrando fluência e arquitetura de fraseado original antes do solo de Drew e das breves trocas com o piano antes do encerramento. Scoops é um blues com melodia típicamente bebop, Drew mostra brevemente o quanto absorveu de Bud Powell, antes das trocas de fours entre Rollins e Blakey.

 

Todas estas faixas foram lançadas ainda na fase do 78 rpm, estando portando dentro do esquema de duração não maior do que três minutos e meio. Nelas pode-se perceber o quão difícil era para um jazzista desenvolver seu improviso em tão poucos choruses, sendo o poder de síntese o que separava os homens dos garotos. Rollins foi um dos grandes homens do período, sendo ainda um garoto. Hoje, às vésperas de completar 80 anos, em 7 de setembro próximo, está ativo e se apresentando pelo mundo, mostrando uma música vigorosa e atual, que sómente pode ser produzida por um veterano, mas em espírito de garoto.
Sonny Rollins (ts) Kenny Drew (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Apex Studios, NYC, December 17, 1951

 

*Sonny Rollins (ts) Miles Davis (p) Percy Heath (b) Roy Haynes (d)
Apex Studios, NYC, January 17, 1951
1- Time on My Hands
2- This Love of Mine
3- Shadrack
4- On a Slow Boat to China
5- Scoops
6- With a Song in My Heart
7- Newk’s Fadeaway
8- I Know*