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Sean Jones – Roots (2006)

O trompetista Sean Jones faz parte da nova geração de jazzistas, é mais um dos “Young Lions” do século XXI ao lado de outros como Russell Gunn, Marcus Printup e Bert Joris. “Roots”, lançado em 2006, é como o título indica, uma revisitação as influências musicais do trompetista. Nelas estão contidas a música gospel das igrejas protestantes, r&b, blues e jazz. O clima solene das igrejas é o início de tudo, a faixa de abertura, “Children’s Hymn”, funciona como um prelúdio a esta viagem sonora e desemboca na belíssima faixa-título, onde Sean Jones mostra seus talentos de instrumentista e compositor brilhantemente secundado por seu quinteto com Tia Fuller no saxofone soprano, Orrin Evans ao piano, Obed Calvaire na bateria e Luques Curtis no contrabaixo. “Divine Inspiration” é uma lírica balada com especial atuação de Orrin Evans no Fender Rhodes e do baixista Luques Curtis. “God’s Gift” reforça, pela beleza melódica, a profunda influência dos temas religiosos na música de Jones, seu timbre é vigoroso como o de um Lee Morgan ou Donald Byrd, mas existem nuances de expressividade que nos remetem a um Kenny Dorham ou Booker Little. Sean Jones é, com certeza, um instrumentista de amplos recursos técnicos e expressivos, e foge da tão forte influência de Miles Davis que se verificou sobre os jovens trompetistas na década de oitenta e noventa. A prova final, o gabarito, para todo músico, é abordagem escolhida sobre um standard ou um clássico do repertório jazz. Sean Jones não foge da responsabilidade ao escolher a bela “Come Sunday”, do repertório Ellingtoniano. O jovem músico conduz como um veterano a estética da construção de seu fraseado, conseguindo atingir o paradoxo da intimidade com expressividade. “Lift Every Voice” mantém o clima solene com o quarteto desenvolvendo a dinâmica da interpretação em sentido crescente até o clímax entre o trompete e bateria. “Offering Time” é um interlúdio entre a igreja e a rua, a segunda metade do álbum é menos espírito e mais pé no chão, e o tema é um blues com abordagem bop. “Conversations” tem a participação de Eddie Howard ao piano, e Tia Fuller mostra seu talento de flautista. “El Soul” é uma balada lírica e delicada, Jones atua com uma afinação perfeita e timbre sábiamente dosado. “Puddin’ Time” é um R&B repleto de swing, nos remete às gravações da Blue Note e Prestige dos anos 60. “What We Have” volta ao lado lírico de baladista de Jones, e tem uma atuação inspirada de Tia Fuller no soprano, emulando os melhores dias de Grover Washington. O tema atinge o ápice com o diálogo de Jones e Fuller. Eddie Howard volta a contribuir em “John 316”, uma melodia típicamente gospel, onde ele atua no órgão Hammond. A melodia é o ponto central de todo o álbum, e não é diferente no tema de encerramento, “I Need Thee”. “Roots” inicia, desenvolve-se e encerra como um verdadeiro culto as tradições, as influências, e sobretudo, a honestidade musical deste jovem e brilhante músico.
Sean Jones: trumpet, flugelhorn; Tia Fuller: alto saxophone, flute, soprano saxophone; Orrin Evans: piano, electric piano, keyboard; Eddie Howard: organ, piano; Luques Curtis: acoustic bass; Obed Calvaire, Jerome Jennings: drums.
1- Children’s Hymn
2- Roots
3- Divine Inspiration
4- God’s Gift
5- Come Sunday
6- Lift Every Voice
7- Offering Time
8- Conversations
9- El Soul
10- Puddin’ Time
11- What We Have
12- John 3:16
13- I Need Thee

http://ouo.io/T4PN8ju

 

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