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HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – 10’LP Dial 207 (1947)

Chegamos ao quarto volume dos 10 polegadas com a obra de Charlie Parker na Dial. Composto por faixas registradas em 3 sessões: 5 de fevereiro de 1946, na Califórnia; 4 de novembro e 17 de dezembro de 1947, em NYC.

 

Diggin’ Diz, também conhecida como Bongo Beep ou Hot Blues, é uma paráfrase de Lover, de Richard Rodgers, composta por George Handy. Handy foi o pianista desta sessão ao lado de Dizzy Gillespie no trompete, Lucky Thompson no sax tenor, Arvin Garrison na guitarra, Ray Brown no contrabaixo e Stan Levey na bateria.

 

Na sessão de 4 de novembro de 1947, no estúdio WOR, em NYC, foram registradas: os originais Bird Feathers, Klactoveedsedstene; e os standards My Old Flame – em uma definitiva e inigualável interpretação – e Out Of Nowhere. Estes quatro temas foram gravados pelo quinteto clássico de Parker, que contava com Miles Davis, Duke Jordan, Tommy Potter e Max Roach.

 

As três faixas restantes foram registradas na sessão de 17 de dezembro, com o quinteto transformado em um sexteto com a adição do trombonista J. J. Johnson. São desta data: Air Conditioning, também chamada Drifting On A Reed ou Prezology, um blues de 12 compassos de autoria de Bird; Bongo Beep (versão Habanera Mambobop) e Crazeology, uma paráfrase do trompetista Little Benny Harris para I Got Rhythm, de George Gershwin.

 

Com este quarto volume completamos os LP’s 10 polegadas lançados pela gravadora Dial, no início dos anos 50, contendo parte da obra gravada por Charlie Parker neste sêlo.

 

Dizzy Gillespie (tp) Charlie Parker (as) Lucky Thompson (ts) George Handy (p) Arvin Garrison (g) Ray Brown (b) Stan Levey (d)
Electro Broadcast Studios, Glendale, CA, February 5, 1946*

 

Miles Davis (tp) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, November 4, 1947

 

Miles Davis (tp) J. J. Johnson (tb) Charlie Parker (as) Duke Jordan (p) Tommy Potter (b) Max Roach (d)
WOR Studios, NYC, December 17, 1947**

 

1- Crazeology**
2- Air Conditioned (Drifting On A Reed) (Prezology)**
3- My Old Flame (Blue Lamp)
4- Bird Feathers
5- Klact-Oveeseds-Tene
6- Bird Feathers (Habanera Mambobop) (Bongo Beep)**
7- Out Of Nowhere
8- Bongo Beep (Diggin’ Diz)*

http://ouo.io/7cd15

 

HotBeatJazz 10′ Series – Benny Carter – Cosmopolite 10′ LP MGC 141 (1952)

O saxofone alto teve, na década de 30 e até a primeira metade da década de 40, dois grandes estilistas que influenciaram os demais músicos deste instrumento, Johnny Hodges e Benny Carter. Bennett Lester (Benny) Carter (NYC, 8/08/1907 – Los Angeles, 12/07/2003), foi um dos mais completos músicos já surgidos na cena jazzística. Hábil no sax alto, clarinete, trompete, piano, e também, um inspirado compositor e arranjador, começou sua carreira recebendo ensinamentos do trompetista Bubber Milley. Estreou profissionalmente aos 15 anos de idade e entrou pela primeira vez em estúdio em 1928, no ano seguinte já organizava seu primeiro combo. Em 1930-31 toca na orquestra de Fletcher Henderson, onde também atuaria como arranjador. Tem uma breve atuação no McKinney’s Cotton Pickers antes de voltar a liderar um grupo próprio em 32. Criador de arranjos complexos e sofisticados que chamam a atenção de Duke Ellington, que o convida para escrever para sua famosa orquestra. Na década de 40, Carter muda-se para Los Angeles, onde passa a escrever música para os estúdios de cinema. Foi também no início desta década que promoveu o lançamento de um jovem trompetista, Miles Davis, do qual se tornaria amigo pessoal por toda a vida. Carter foi membro do conselho de música da “National Endowment for the Arts”. Foi também membro do “Black Film Makers’ Hall of Fame” (“Quadro de Honra dos Realizadores Negros de Filmes”) e, em 1980, recebe o prémio Golden Score, da “American Society of Music Arrangers” (“Sociedade Americana de Arranjadores de Música”). Reconhecido pelo Kennedy Center, em 1996, e recebeu vários doutoramentos honorários das universidades de Princeton, Harvard e Rutgers, do do conservatório de New England. Em 1987, Carter recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award, por lhe ter sido reconhecido o trabalho dedicado toda a sua vida em prol da música. Faleceu em Los Angeles, aos 95 anos de idade.

 

O álbum em questão foi gravado em 1952 para a Cleff Records em duas sessões. A primeira, em 18 de setembro, em NYC, contava com o acompanhamento do quarteto do pianista Oscar Peterson, formado pelo guitarrista Barney Kessel, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. No repertório, 3 standards e uma composição do book de Duke Ellington, I Got It Bad (And That Ain’t Good). Carter revelava nesta época ter absorvido algumas lições e maneirismos do bebop, principalmente nas músicas de andamento rápido como Long Ago (And Far Away). Seu lirismo e fraseado elegante fica evidente nas baladas, como em I’ve Got The World On A String. O timbre extraído por Benny Carter de seu sax alto é um dos mais belos já surgidos na cena jazzística e, caso raro entre os músicos do estilo swing, não abusa dos vibratos, mostrando uma modernidade estética precoce.

 

As faixas que ocupam o lado B do LP foram gravadas 3 meses depois em Los Angeles, também com acompanhamento do quarteto de Oscar Peterson, porém com o baterista J. C. Heard no lugar de Buddy Rich. Carter interpreta com sua costumeira elegência as baladas Imagination e Street Scene, e o quinteto esbanja swing em Pick Yourself Up e I Get A Kick Out Of You.

 

Cosmopolite está listado entre as melhores seções deste músico que durante toda sua carreira produziu centenas de gravações, todas de altíssima qualidade e com um bom gosto raramente pareado.

 

Benny Carter (as) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) J.C. Heard (d)*
Reeves Sound Studios, NYC, September 18, 1952
Radio Recorders, Hollywood, CA, December 4, 1952*

 

1- Long Ago (And Far Away)
2- I’ve Got The World On A String
3- Gone With The Wind
4- I Got It Bad (And That Ain’t Good)
5- Pick Yourself Up*
6- Imagination*
7- I Get A Kick Out Of You*
8- Street Scene*

Hot Beat Jazz

 

HotBeatJazz 10′ Series – Lester Young with The Oscar Peterson Trio N°2 – 10’LP MGN-6 (1952)

O segundo volume resultante da sessão de gravação para a Norgran, realizada em 4 de agôsto de 1952. Lester Young ao lado de Oscar Peterson e seu trio, gravaram quatro standards. Tea For Two, Indiana, On The Sunny Side Of The Street e There’ll Never Be Another You.
Lester Young (ts) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) J.C. Heard (d)
NYC, August 4, 1952

 

1- Tea For Two
2- There Will Never be Another You
3- Indiana
4- On The Sunny Side of the Street
 

HotBeatJazz 10′ Series – Lester Young with The Oscar Peterson Trio – 10’LP MGN-5 (1952)

Vida difícil esta de blogueiro dedicado ao jazz. Estava em uma indecisão infindável. Sabia que postaria mais um 10 polegadas e de um saxofonista tenor. Mas qual? Então as coisas começam a clarear. Percebo que o meu amigo, grande conhecedor de jazz e o melhor blogueiro que conheço da matéria, Érico Cordeiro está on line em um desses onipresentes comunicadores web. Pensei cá com os meus botões: “Vou repassar o problema.” Mando a pergunta seca e sem dar ao interlocutor nenhum espaço para evasivas: “Lester Young ou Don Byas? Escolhe”. A resposta veio alguns segundos depois, taxativa: “Lester, sempre!!!!!!!” Estava acabado meu calvário constante em ter que decidir entra tantas opções, pelo menos hoje.

 

Falar de Lester Young novamente seria enfadonho e desnecessário, a poucos dias coloquei outro post deste imortal do jazz. O saxofonista que fez a cabeça do maior número de músicos até o surgimento de Charlie Parker. A gravação em questão foi realizada em 1952, para o selo Norgran. O produtor Norman Granz reuniu em estúdio dois dos maiores artistas de seu cast, Lester e o pianista Oscar Peterson, com seu trio formado pela genial guitarra de Barney Kessel, pelo contrabaixo do inigualável Ray Brown e pela bateria de J. C. Heard. As gravações desta sessão geraram uma série de LP’s 10 polegadas da qual hoje postamos o primeiro volume.

 

Um original e três standards compõe a bolachinha. A interpretação de I Can’t Get Started, está entre os maiores momentos da carreira de Lester, seu lirismo e fluidez de frases revelam uma poesia musical única. Em Just You, Just Me, temos o Lester nas frases rápidas, e você entenderá o quanto este músico influenciou a geração de Charlie Parker e dos boppers. Oscar Peterson e seu estilo límpido nas teclas, com as caraterísticas acentuações de mão esquerda, revelam o enorme estilista que foi. Barney Kessel, a guitarra que fez a cabeça da geração bossa-nova, é uma presença marcante em todas as quatro faixas do disco. Ray Brown é garantia de segurança rítmica, pulsação e muito swing em qualquer combo dos quais participou. J. C. Herad era um baterista muito requisitado nos estúdios por ser extremamente eclético, adequando seu modo de tocar a todas as exigências da música.

 

Lester Young with The Oscar Peterson Trio, é um dos maiores momentos gravados do imortal Lester Young, comparável as feitas na década de trinta com Count Basie. Tudo perfeito nesta maravilhosa data produzida por Norman Granz. Amanhã o segundo volume da série. Érico, tinha que ser mesmo. Lester, sempre !!!!!!!!!
Lester Young (ts) Oscar Peterson (p) Barney Kessel (g) Ray Brown (b) J.C. Heard (d)
NYC, August 4, 1952
1- Ad Lib Blues
2- I Can’t Get Started
3- Just You, Just Me
4- Almost Like Being in Love

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – With Strings – 10’LP MGC 509 (1950)

Decorrência do grande sucesso alcançado pela gravação de novembro de 1949, Norman Granz mais uma vez colocava Charlie Parker em estúdio para uma nova sessão acompanhado por um naipe de cordas. Desta feita, os arranjos foram elaborados por Joe Lippman, o trio base contava com o pianista Bernie Leighton e, novamente, o contrabaixista Ray Brown e o baterista Buddy Rich. O repertório continuava na mesma linha, baladas e standards populares como: Laura, Dancing In The Dark, East Of The Sun e I’m In The Mood For Love, entre outros.

 

Estas gravações deflagaram uma verdadeira febre entre os músicos de jazz, que passaram também a gravar álbuns acompanhados por cordas a partir de então.

 

Charlie Parker (as) Joseph Singer (frh) Edwin C. Brown (ob) Sam Kaplan, Howard Kay, Harry Melnikoff, Sam Rand, Ziggy Smirnoff (vln) Isadore Zir (vla) Maurice Brown (vlc) Verley Mills (harp) Bernie Leighton (p) Ray Brown (b) Buddy Rich (d) Joe Lippman (arr, cond)
Reeves Sound Studios, NYC, July 5, 1950

 

 

1- Dancing In The Dark (take 442-5)
2- You Came Along From Out Of Nowhere (take 443-2)
3- Laura (take 444-3)
4- East Of The Sun (take 445-4)
5- They Can’t Take That Away From Me (take 446-2)
6- Easy To Love (take 447-4)
7- I’m In The Mood For Love (take 448-20)
8- I’ll Remember April (take 449-2)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Charlie Parker – With Strings 10’LP MGC 101 (1949)

Não poderia faltar à esta série de clássicos do jazz em 10 polegadas, assim como em nenhuma que pretenda abordar o assunto, as gravações feitas por Charlie Parker acompanhado por orquestra de cordas. Origináriamente lançadas pela Clef, de Norman Granz, esta sessão de novembro de 1949 realizava um antigo desejo de Bird, acalentado em virtude de sua apreciação aos compositores eruditos, notadamente Ravel, Debussy, e especialmente, Stravinski. Norman Granz produziu uma data com um naipe de cordas e oboé, arranjados e conduzidos por Jimmy Carroll, dando suporte a Parker e um trio de jazz formado pelo pianista Stan Freeman, pelo contrabaixista Ray Brown, e o baterista Buddy Rich.

 

Parker já era reconhecido como o guia maior do bebop, porém esta forma de jazz ainda recebia críticas e rejeições por parte dos puristas mais xiitas, que costumavam alegar que o bebop não era jazz autêntico, e sim uma forma de tocar desprovida de sentido. Estas gravações foram um verdadeiro tapa de luvas no rosto dos reacionários, e propiciou a Bird abarcar uma gama muito maior de apreciadores de sua arte. Ouvidos que ainda não estavam prontos para o entendimento de uma sessão puramente bebop, conseguiam se situar neste contexto mais ortodoxo, e apreciar o instrumentista diferenciado que ele sempre foi. Estas gravações são uma verdadeira aula, até hoje, de como se pode produzir música de forte apelo popular sem transgredir os princípios de arte pura. Outras sessões como esta foram organizadas, contribuindo para que a música de Charlie Parker saísse dos guetos dos clubes de jazz e de alguns apreciadores mais vanguardistas, que eram em suma os apreciadores do bebop, e ganhasse as salas de lares do americano médio, conservador.

 

Charlie Parker (as); Stan Freeman (p); Ray Brown (b); Buddy Rich (d); Mitch Miller (ob, ehr); Bronislaw Gimpel, Max Hollander, Milton Lomask (vln); Frank Brieff (vla) Frank Miller (vlc); Meyer Rosen (harp); Jimmy Carroll (arr, cond)
Reeves Sound Studios, NYC, November 30, 1949

 

1- Just Friends (take 319-5)
2- Everything Happens To Me (take 320-3)
3- April In Paris (take 321-3)
4- Summertime (take 322-2)
5- I Didn’t Know What Time It Was (take 323-2)
6- If I Should Lose You (take 324-3)
 

The Three – Joe Sample, Ray Brown & Shelly Manne (1975)

“The Three” foi um trio montado pelo pianista Joe Sample, pelo contrabaixista Ray Brown e o baterista Shelly Manne com intuito de uma gravação orientada para o mercado japonês. Joe Sample é comandante e fundador dos “Cruzaders”, grupo que chega as beiras da fusão de jazz, funk, soul e ritmos latinos, muito popular na segunda metade dos anos 60 e 70. Ray Brown dispensa apresentações, músico de importante papel no surgimento do bebop e fiel escudeiro de Dizzy Gillespie na orquestra organizada pelo trompetista nos anos 50, tocou com quase todo mundo do meio jazzístico. Shelly Manne, que nasceu em NYC, transformou-se no mais importante baterista do west-coast após fixar-se na California. Foi um dos músicos mais requisitados dos estúdios de Hollywood, possuidor de uma técnica impecavel e bom gosto marcante. No álbum, lançado ainda no tempo do LP, interpretam seis composições clássicas do jazz como: “On the Green Dolphin Street”; “Satin Doll”, de Dukle Ellington; “Manhã de Carnaval”, de Luis Bonfá, uma das músicas brasileiras mais interpretadas pelos jazzistas; “Round Midnight”, de Thelonious Monk e terminam a sessão com um blues de autoria coletiva, “Funk Blues”. A faixa inicial do álbum, o elegante blues “Yearnin'”, foi escolhida como homenagem ao seu compositor, o grande Oliver Nelson, falecido pouco antes da sessão de gravação. “The Three” não traz nada de revolucionário nem fora do comum, além de um repertório muito bem escolhido e 3 músicos de primeira linha para tocá-lo. Quer mais?
Joe Sample – piano; Ray Brown – bass; Shelly Manne – drums
Recorded November 28, 1975 at Warner Brothers Studio, L.A.
1- Yearnin’
2- On Green Dolphin Street
3- Satin Doll
4- Manhã de Carnaval
5- ‘Round About Midnight
6- Funky Blues
 
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Publicado por em 4 de março de 2009 em joe sample, ray brown, shelly manne