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HotBeatJazz 10′ Series – Sal Salvador – Kenton Presents Jazz 10’LP H6505 (1954)

Na série Kenton Presents Jazz, o conhecido e talentoso maestro Stan Kenton produzia e apresentava músicos de sua orquestra em trabalhos individuais como líderes. Os principais solistas da primeira metade da década de 50 que formavam na orquestra foram agraciados com lp’s nesta série da Capitol. Silvio Smiraglia, ou como era conhecido pelo público, Sal Salvador, teve sua sessão a frente de um quarteto que contava com o talentosíssimo pianista e vibrafonista Eddie Costa, infelizmente falecido precocemente. Costa foi, ao lado de Victor Feldman, um dos casos de pianista igualmente dotado de aptidões no teclado e com as baquetas do vibrafone. Completam o quarteto o contrabaixista Jimmy Gannon e o baterista Jimmy Campbell. O álbum foi gravado em duas sessões acontecidas em 8 e 9 de outubro de 1954 em NYC. A sonoridade da guitarra de Sal e do quarteto como um todo é seca e suave, um verdadeiro Dry Martini musical. Sal, ao lado de Jimmy Raney, foi um dos guitarristas do período que souberam evitar o excesso de notas e a sedução em tocar rápido, optando por uma execução mais lírica e sensível. Ambos se tornaram os guitarristas ideais para combos de estilo cool.

 

O repertório do álbum traz clássicos da música popular americana como: Autumn In New York, Violets For Your Furs e Nothing To Do; temas de pegada bop: Boo Boo Be Doop, Salutations, Now See Here, Man e Wheels. O delicioso blues Down Home abre o álbum.

 

Mais informações sobre a biografia de Sal Salvador pode ser encontrada em um post anterior do Sal Salvador Quartet – Jazz Unlimited (1956).

 

Eddie Costa (p, vb) Sal Salvador (g) Jimmy Gannon (b) Jimmy Campbell (d)
NYC, october 8, 1954* e NYC, october 9, 1954

 

01 – Down Home
02 – Salutations
03 – Violets For Your Furs
04 – Now See Here, Man
05 – Nothing To Do*
06 – Boo Boo Be Doop
07 – Autumn In New York
08 – Wheels*

 

 

Sal Salvador Quartet – Jazz Unlimited (1956)

Silvio Smiraglia, nome de batismo de Sal Salvador, nasceu na cidade de Monston, Massachussets, em 21 de novembro de 1928. Cresceu em Stafford Springs, Connecticut, onde começou a tocar em um violão que ganhou de seu pai. Começou a se interessar pelo jazz através das gravações do trompetista Harry James, que ouvia pelo rádio. Mudou seu interesse para a guitarra elétrica quando ouviu Charlie Christian na orquestra de Benny Goodman. Inicialmente começou seus estudos no instrumento fazendo o curso por correspondência de Oscar Moore, então famoso guitarrista do trio de Nat King Cole, em 1945, data em que mudou-se para Springfield, Massachussets, local onde tocou com dois jovens músicos que em breve se tornariam expoentes do jazz: o saxofonista Phil Woods e o baterista Joe Morello. Estudou na University of Bridgeport, em Bridgeport, Connecticut. Mudou-se para NYC no final da década de 40, quando iniciou uma profunda amizade com o guitarrista Mundell Lowe, que o indicou para um trabalho como músico contratado no Radio City Music Hall em 49, onde atuou ao lado de outro grande do instrumento, Johnny Smith. Tornou-se guitarrista contratado da Columbia em 1950, atuando em inúmeros álbuns como acompanhante de cantores famosos como Tony Bennett, Rosemary Clooney e Marlene Dietrich. Trabalhou com o vibrafonista Terry Gibbs e com o trombonista Eddie Bert, após deixar o trabalho no Radio City, e integrou-se a orquestra de Stan Kenton em 1952, onde se tornou conhecido por sua participação na composição “Invention for Guitar and Trumpet”, no seminal álbum “New Concepts in Artistry in Rhythm”. Kenton intermediou sua contratação pela gravadora Capitol, onde lançou seu primeiro disco, “Kenton Presents Sal Salvador”, em 1954. No ano seguinte um contrato com a Blue Note produziu o 10 polegadas “Sal Salvador Quintet”. Foi em 54 que Sal formou seu quarteto que contava com a participação do pianista e vibrafonista Eddie Costa, um especialista na arte de acompanhar guitarristas, tendo trabalhado com Tal Farlow e Joe Mosca.
Kenton foi sempre uma referência importante na música de Sal, e com esta influência ele montou em 58 uma orquestra própria, com o Kentoniano nome de “The Colours of Sound”. Esta banda gravou vários discos para a Decca e atuou até meados dos anos 60. Nada gravou em seu nome por longos 12 anos, de 1963 até 75, concentrando-se fazer apresentações em clubes e produzir um farto material didático para o ensino da guitarra, atividade em que se dedicou até sua morte em 1999. A partir de 78 gravou uma série de discos com seus antigos amigos Eddie Bert e Joe Morello. Nesta época expandiu consideravelmente sua discografia atuando nas gravadoras Beehive, Stash, JazzMania e Westside.
“Jazz Unlimited” é um álbum raro na discografia de Sal Salvador, uma sessão toda dedicada a interpretar standards que tinham como tema a felicidade. A pegada é de puro bebop, com o quarteto esbanjando competência em uma atmosfera sonora típica dos anos 50.
Sal faleceu vítima de câncer, deixando uma dedicada esposa, uma filha, dois filhos e dois netos, além de uma obra de profunda relevância na história da guitarra jazzística.
PS: Agradecemos o empenho em tornar esta postagem possível ao amigo Sérgio Sônico, editor do blog homônimo, que prestou valiosa ajuda logística na obtençao deste ítem da discografia de Sal Salvador.
Sal Salvador (g) Ray Starling (p, fgh) Fred Calabrese (b) Mousey Alexandre (d)
1- Then I’ll Be Happy
2- I Wanna Be Happy
3- Sometimes I’ Happy
4- Happiness Is A Thing Called Joe
5- Mr. Happy
6- Happy You’re Here
7- They Got Happy
8- Happy Is As Happy Does
9- The Happy Beaver
10- Happy Days Are Here Again
11- My Happiness
12- It’s A Hap Hap Happy Day

 

Hot Beat Jazz

 
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Publicado por em 5 de fevereiro de 2010 em Fred Calabrese, Mousey Alexandre, Ray Starling, Sal Salvador