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Arquivo da categoria: Shorty Rogers

HotBeatJazz 10′ Series – Shelly Manne & His Men – New Works By Vol 2 10’LP C2511 (1953)

O baterista Shelly Manne nasceu em NYC, em 11 de junho de 1920. Tem seu estilo fortemente calcado no bebop, do qual foi um dos músicos de primeira hora, porém com um sentido de sutileza e organização raramente vista. Seu conhecimento se originou em ouvir muitas orquestras do periodo do swing, no bebop foi um dos artífices do novo vocabulário, e sua vida muda radicalmente a partir do início dos anos 50 quando muda-se para a California. Tocou com a bandas obrigatórias para qualquer músico situado na costa-oeste, Woody Herman e Stan Kenton. Manne foi um dos músicos que levaram a forma bop para a costa oeste americana. Ele e Stan Levey foram os bateristas responsáveis por propagar pela California a nova forma de se fazer jazz nos finais dos anos 40. Foi um dos mais requisitados músicos da região para atuar em jams, estúdios, tv e cinema. Nos anos 50, Manne iniciou o trabalho com seus Shelly Manne And His Men, grupo com o qual se apresentou pela costa oeste e depois todo o mundo. Foi proprietário de um famoso clube de jazz em Los Angeles, o Shelly’s Hole.

 

Este registro fonográfico de 1953, traz o grupo em um proposta musical avançada e corajosa. Executar a música especialmente composta por 6 dos maiores nomes do west-coast jazz: Bill Holman, Jimmy Giufree, Bob Cooper, Jack Montrose, Marty Paich e Shorty Rogers. A proposta musical é inovadora até os dias de hoje. Compor para um grupo de jazz seguindo a rigorosa escrita e vocabulário da música de concerto. O resultado musical aproxima a obra das peças consideradas fundamentais no desenvolvimento de uma corrente no jazz chamada third stream, que teve seu mais conhecido ícone no Modern Jazz Quartet. Ou seja, o que Shelly Manne e seus homens nos propõe é uma viagem ao reino da música abstrata. Muitos afirmaram não se tratar de jazz a música aqui produzida, mas com tantos talentos envolvidos, fica dificil levar a sério esta visão.
Don Fagerquist (tp) Shorty Rogers (flh) Bob Enevoldsen (vtb) Paul Sarmento (tu) Marty Paich (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Los Angeles, CA, December 18, 1953

 

Ollie Mitchell (tp) Shorty Rogers (flh) Bob Enevoldsen (vtb) Paul Sarmento (tu) Russ Freeman (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
*Los Angeles, CA, May 17, 1954

 

1- Divertimento for Brass & Rhythm (B. Cooper)*
2- Alteration (J. Giuffre)
3- Lullaby (B. Holman)*
4- Etude de Concert (J. Montrose)*
5- Dimension in Thirds (M. Paich)
6- Shapes, Motions And Colors (S. Rogers)

http://ouo.io/hJwkwy

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HotBeatJazz 10′ Series – Shorty Rogers & His Giants – 10’LP LPM 3137 (1953)

Milton Rajonsky nasceu em 14 de Abril de 1924, em Great Barrington, Massachusetts. Mas foi conhecido como Shorty Rogers que ele se tornaria um dos mais importantes músicos do jazz produzido na costa oeste norte-americana. Trompetista, também exímio no flugelhorn, arranjador e compositor, Shorty começou sua atividade ainda na década de 40. De 45 a 47, tocou com Will Bradley e Red Norvo. Em 47 entrou para a orquestra de Woody Herman, onde ficaria até 1949. Em 50 e 51, tomou parte da orquestra de Stan Kenton. Aliás é importante citar que 99,9% dos grandes instrumentistas do west-coast passaram por essas duas instituições, verdadeiros celeiros de grandes nomes do jazz. Nos anos 50, tomou parte em inúmeros trabalhos de nomes como Jimmy Giufre, Shelly Manne, Art Pepper, André Previn, e foi membro efetivo dos Lighthouse All-Stars.

 

De 53 a 62, Shorty gravou uma série de álbuns para a RCA Victor liderando seus Giants, grupo que podia variar da formação de quinteto até a de uma pequena orquestra. São desta época: Shorty Courts the Count (1954), disco inteiramente dedicado ao repertório de Count Basie; The Swinging Mr. Rogers (1955), Martians Come Back (1955), e este primeiro, Shorty Rogers & His Giants (1953). O nome de “gigantes”, não era nenhum exagero ou falta de modéstia, visto a escalação destes verdadeiros craques do cool-jazz: o altoísta Art Pepper, o tenorista Jimmy Giuffre, e o trombonista Milt Bernhart na linha de frente. A seção rítmica padrão do west-coast com o pianista Hampton Hawes, o contrabaixista Joe Mondragon, e o inigualável baterista Shelly Manne. Contribuindo para o colorido tonal especial dos arranjos de Shorty Rogers, o french-horn de John Graas e a tuba de Gene Englund.

 

Morpo, de linha melódica claramente influenciada pelo bebop, tem no tenor de Giuffre, no french-horn de Graas, e no sax alto de Pepper, breves porém instigantes solos; o trompete do líder e o piano de Hawes, são os últimos a solar antes das trocas de compassos de todo o ensemble com a bateria de Manne.

 

Bunny, é uma balada lírica, perfeita para o alto de Pepper fazer as honras ao lado do pungente french-horn de Graas. Uma linda melodia de Rogers e um arranjo de verdadeiras filigranas tonais, fazem desta composição uma jóia de rara beleza.

 

Powder Puff, de Shelly Manne, é um tema de melodia típica do jazz west-coast, alegre e ensolarado. Pepper é o primeiro a contribuir com breve solo, seguido por Bernhart e Hawes, antes de Shelly Manne mostrar por que foi o principal baterista do estilo.

 

A bola continua com Manne no totalmente latino Mambo Del Crow, peça de calor e humor elevados. Após o trombone, Manne mostra o quão melodiosos e afinados são seus tambores. Pura diversão!

 

Em The Pesky Serpent, de Jimmy Giuffre, volta o clima californiano, de melodia e arranjo sofisticado. Neste tema, o destaque é o grupo como um todo, perfeitamente tight, mas sem perder a espontaneidade. Os solos são do compositor, Milt Bernhart, Shorty, Hampton Hawes e Pepper.

 

Diablo’s Dance, tem uma introdução altamente percussiva do piano de Hawes, com o ensemble em perfeito uníssono.

 

Pirouette foi composta por Rogres para uma trilha sonora de filme, uma das principais atividades do líder. Art Pepper tem breve solo, seguido por Giuffre, Bernhart e Hawes. O ensemble fecha o tema num gracioso trabalho contrapontístico.

 

Indian Club, é de autoria de Jimmy Giuffre, uma feliz mescla de figuras melódicas indígenas e do swing. O grupo mostra toda sua força e energia, com o trompete do líder assumindo papel de destaque no ensemble, até Shelly Manne encerrar batendo tambor numa autêntica dança da chuva.

 

Shorty Rogers faleceu em 94, aos 70 anos, mas os Giants de Shorty Rogers foi um dos grupos de maior destaque na cena da costa oeste, sua música repercutiu até no lado de baixo do equador, onde ajudou a fazer a cabeça de uma turma que produziria, anos depois, uma certa Bossa Nova. Você já ouviu falar dela?
Shorty Rogers (tp, arr, cond) Milt Bernhart (tb) John Graas (frh) Gene Englund (tu) Art Pepper (as) Jimmy Giuffre (ts) Hampton Hawes (p) Joe Mondragon (b) Shelly Manne (d)
Los Angeles, CA, January 12, 1953
Los Angeles, CA, January 15, 1953*

 

1- Morpo (S. Rogers)*
2- Bunny (S. Rogers)
3- Powder Puff (S. Manne)
4- Mambo Del Crow (S. Rogers)*
5- The Pesky Serpent (J. Giuffre)
6- Diablo’s Dance (S. Rogers)*
7- Pirouette (S. Rogers)
8- Indian Club (J. Giuffre)*